"Crazy in Love" é uma canção da artista musical estadunidense Beyoncé, contida em seu álbum de estreia em carreira solo Dangerously in Love (2003). Conta com a participação do rapper e seu atual marido Jay-Z, e foi composta por ambos juntamente a Rich Harrison e Eugene Record, sendo produzida pela própria intérprete e por Harrison. Antes de encontrar-se com ela, Harrison conceituou a batida da faixa. Depois de desenvolvê-la, o produtor decidiu enviá-la apenas para o artista certo, e surpreendeu-se após receber uma ligação de Beyoncé. Enquanto estava no estúdio de gravação, ela surpreendeu-se pelo gancho de "Are You My Woman (Tell Me So)", composta por Eugene Record, que havia sido usado por Harrison enquanto conceituava a batida. A faixa foi escrita em cerca de duas horas, e Jay-Z improvisou seus versos em dez minutos.
A Columbia Records enviou o tema para estações de rádio em 18 de maio de 2003, servindo como o primeiro single do material. Posteriormente, a gravadora disponibilizou-a digitalmente em países como Brasil e Estados Unidos dois dias depois. Um extended play (EP) digital de remixes foi lançado em diversos países em julho do mesmo ano. Musicalmente, "Crazy in Love" é uma canção R&B que incorpora elementos musicais de gêneros como funk, hip hop e soul dos anos 1970. Apresenta o gancho de "Are You My Woman (Tell Me So)", de The Chi-Lites. Liricamente, trata de uma romântica obsessão que faz a protagonista ficar fora de si.
"Crazy in Love" foi aclamada pela mídia especializada, a qual prezou sua produção, os vocais da cantora e a demonstração de "Are You My Woman (Tell Me So)", além de elogiarem a participação especial de Jay-Z. Diversos resenhadores também prezaram a forma pela qual Beyoncé canta seus versos. Consequentemente, foi listada como a 16ª entre as 500 melhores canções de todos os tempos pela revista Rolling Stone e qualificada pelo canal VH1 como a melhor canção dos anos 2000. A obra conquistou dois troféus dos cinco que concorreu durante a 46.ª edição dos Grammy Awards, incluindo o de Melhor Desempenho de Rap Melódico e Melhor Canção R&B. Comercialmente, obteve um desempenho exitoso, culminando nas tabelas dos Estados Unidos, da Irlanda e do Reino Unido, enquanto conquistou as dez melhores posições em quase todos os países em que entrou, como Austrália, Canadá e Nova Zelândia. Nos Estados Unidos, tornou-se o primeiro single da cantora a liderar a Billboard Hot 100, onde permaneceu por oito semanas consecutivas. Mais tarde, foi condecorado com oito certificados de platina pela Recording Industry Association of America (RIAA), em reconhecimento às mais de seis milhões de unidades adquiridas em terras estadunidenses.
O vídeo musical correspondente foi dirigido por Jake Nava e lançado em maio de 2003. Apresentando um tema urbano e filmado em Los Angeles, a produção retrata a cantora em diversas sequências de dança, a maioria nas quais está acompanhada de suas amigas. Embora tenha sido comparado com a gravação audiovisual de "Jenny from the Block" (2002), de Jennifer Lopez, o trabalho venceu três categorias dos MTV Video Music Awards de 2003. Desde seu lançamento, "Crazy in Love" foi incluída em todas as turnês de Beyoncé e foi apresentada pela mesma em diversas ocasiões, como na premiação supracitada, no show de intervalo do Super Bowl XLVII e nos concertos residenciais I Am... Yours (2009), 4 Intimate Nights with Beyoncé (2011) e Revel Presents: Beyoncé Live (2013). Além disso, foi regravada por artistas como Emeli Sandé e Ícaro Silva e usada em anúncios promocionais e programas televisivos como Glee e na décima temporada da série brasileira Malhação.
Antecedentes e lançamento
Beyoncé iniciou sua carreira artística como a componente de maior destaque do grupo feminino de R&B Destiny's Child. De acordo com Corey Moss, da MTV News, "fãs estavam ansiosos para ver como ela, depois de anos como integrante do grupo, se sairia em sua carreira solo". No final de 2000, durante as gravações do terceiro disco da banda, Survivor (2001), Beyoncé anunciou que elas entrariam em hiato para cada membro trabalhasse em lançamentos individuais nos anos seguintes, os quais eram, supostamente, projetados para aumentar o interesse no Destiny's Child. Essa ideia surgiu do empresário do grupo e pai de Beyoncé, Matthew Knowles. Apresentando diferentes estilos musicais, os álbuns das integrantes não haviam sido planejados para competir entre si nas tabelas musicais. Estrategicamente, a gestão da banda planejou o lançamento de cada disco em diferentes épocas. Michelle Williams foi a primeira a ter um material solo lançado, com Heart to Yours, sendo editado em abril de 2002. Beyoncé, por sua vez, estreava nos cinemas como uma das protagonistas do longa-metragem Austin Powers in Goldmember, e gravou seu single de estreia "Work It Out", com Missy Elliott, a qual faz parte da trilha sonora do filme. Kelly Rowland colaborou com o rapper Nelly na canção "Dilemma" como participação especial; a música tornou-se um sucesso em 2002, levando sua gravadora a avançar o lançamento de seu álbum de estreia solo, Simply Deep, no final do ano. Beyoncé também participou de The Fighting Temptations e gravou outra faixa solo. Em agosto de 2002, ela colaborou com o rapper, e seu então namorado, Jay-Z em "'03 Bonnie & Clyde". A obra rendeu credibilidade à Beyoncé e aumentou as expectativas do lançamento de seu disco de estreia, Dangerously in Love.
Em julho de 2002, ela já havia gravado diversas canções que iriam aparecer no projeto. A Columbia Records planejou lançá-lo em outubro do mesmo ano; contudo, o lançamento foi adiado diversas vezes para capitalizar o sucesso de "Dilemma". Esses atrasos permitiram que Beyoncé gravasse mais faixas para o registro. Antes de se encontrar com a cantora, o produtor Rich Harrison havia conceituado a batida do que se tornaria "Crazy in Love". Ele usou amostras do gancho instrumental de "Are You My Woman (Tell Me So)", originalmente escrita por Eugene Records, vocalista do grupo The Chi-Lites. Quando Harrison apresentou a batida pela primeira vez aos seus amigos, eles não gostaram; isso o fez perceber que havia concebido algo especial, que poderia ser apreciado melhor pelas pessoas depois que ouvissem o disco inteiro. O produtor decidiu não enviar a batida para outros cantores imediatamente e, em vez disso, decidiu entregá-la apenas para o artista certo, que poderia gravá-la em seguida. Ele afirmou:
O produto final foi disponibilizado primeiramente para descarga digital via iTunes Store em 14 de maio de 2003, servindo como o primeiro single do material. A Columbia Records enviou-o para estações de rádio rhythmic, urban e urban contemporary na semana de 18 do mesmo mês. No Reino Unido, foi liberado para descarga digital em 20 seguinte. Notavelmente, a música também fez bastante sucesso como ringtone entre usuários de telefones celulares em terras estadunidenses. Consequentemente, foi comercializado como CD single na Irlanda e na Suíça, e como extended play (EP) digital na Alemanha em 20 de junho. Sua liberação como maxi single no país ocorreu no dia 30 e na Austrália em 7 de julho. Em terras britânicas, foi divulgado no mesmo formato em 30 de junho. Foi lançado em 8 de julho como um EP digital em vários outros países europeus, incluindo Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, Itália, Noruega, Países Baixos e Suécia. Este EP digital também estave disponível no Canadá e na Irlanda no mesmo dia. Em 22 seguinte, dois remixes — um de Rockwilder e outro de Adam 12 — foram divulgados nos Estados Unidos.
Gravação e composição Harrison surpreendeu-se quando recebeu uma ligação de Beyoncé, que estava trabalhando em um dos álbuns mais esperados daquele ano. Entretanto, as coisas não saíram conforme planejado no dia seguinte, já que ele estava atrasado e ainda estava sofrendo os efeitos de uma ressaca. Quando o produtor apresentou a demonstração para a cantora no estúdio, ela teve dúvidas iniciais, considerando que "tinha um som cheio de fanfarra" e que parecia muito retrô, pois de acordo com ela, ninguém ainda havia usado riffs de trompas no século 21. No entanto, em última instância, Beyoncé gostou da demonstração, e concedeu duas horas para que Harrisson compusesse a obra completa. O produtor confessou que não foi fácil escrever naquele período. Duas horas depois, ele completou os versos e o gancho, embora ainda estivesse sob os efeitos da ressaca. Ele também fez provisões para uma faixa de apoio, e tocou todos os instrumentos na canção. A ponte foi escrita pela própria intérprete, que criou o verso "Me fez aparentar, me fez parecer tão louca de amor" —, enquanto se olhava no espelho; ela não estava vestindo roupas que combinavam e seu cabelo não estava arrumado, e continuava dizendo: "Eu estou muito louca neste momento". Harrison então lhe disse que aquilo poderia resultar em um gancho, que também inspirou o título da canção. Depois que havia completado a obra às oito da noite, ela surgiu com a frase "Uh-oh, uh-oh, você sabe". O rapper Jay-Z envolveu-se com a música em seus estágios finais, a qual foi convidado pela própria cantora para participar. Perto das três da manhã, ele apareceu no estúdio e gravou um verso de rap, que foi improvisado por ele em dez minutos. A gravação da composição, realizada nos Sony Music Studios em Nova Iorque, durou cerca de três meses após o primeiro encontro entre Beyoncé e Harrison.
Musicalmente derivado do R&B, "Crazy in Love" incorpora influências de funk, hip hop e soul dos anos 1970. Conforme comentado por Robert Webb, do The Independent, as antigas influências de soul na música parecem terem sido extraídas da linha de trompas, que são uma amostra de "Are You My Woman? (Tell Me So)". A intérprete expressou, ao The Sunday Herald, sentir que a batida da canção é "tão forte que faz seu coração doer". É definido na assinatura de tempo comum, com um ritmo moderado de 84 batidas por minuto. O alcance vocal de Beyoncé abrange cerca de uma oitava e meia, da nota baixa de si 3 até a alta de fá5. É composto no tom de ré, usando dois acordes maiores, si e sol, separados por uma terça menor. No campo instrumental, seus riffs vocais são apoiados por sons tradicionais de campana, frequentemente encontrados no samba. Lisa Verrico, da revista The Times, ainda encontrou o uso de grandes tambores e alguns metais.