200px|thumb|Igreja de Santa Maria do Mar A Igreja de Santa Maria do Mar (em catalão e castelhano: Santa María del Mar) é um templo gótico de Barcelona, Espanha, situada no bairro da Ribera, junto à praça de Fossar de les Moreres. É uma das principais igrejas góticas da Catalunha.

Nesta igreja encontra-se a lápide sepulcral de Pedro de Coimbra, Condestável de Portugal e rei de Aragão por um breve período, entre 1463 e 1466

História Estudos recentes da historiadora Jordina Sales permitiram sustentar a hipótese de que a Barcelona romana dispunha de uma arena ou anfiteatro neste local.

Em 998 documenta-se a igreja de Santa Maria das Areias (Santa Maria de les Arenes), construída sobre uma necrópole paleocristã dos séculos -, o que pressupõe a existência de um primeiro templo, onde a tradição situa a descoberta das relíquias de Santa Eulália de Barcelona pelo bispo Frodoí em 887. Durante as escavações de 1966, encontraram-se um total de 102 sepultamentos escavados em areia e distribuídos em diversas orientações, com predomínio de noroeste a sudoeste. Apresentavam-se em forma de tégula (caixas ou em coberturas de duas águas), ânforas, e alguns em caixas de madeira, que já tinham desaparecido mas das quais se conservavam restos de madeiras carbonizadas e de pregos. Por cima documentou-se um estrato de terra argilosa que parecia cobrir a necrópole a modo de túmulo.

Em 1005 aparece o nome de Santa Maria do Mar, e quatro anos depois aparece como paróquia da Vilanova de la Mar, bairro extramuros em expansão, habitado por armadores, mercadores e descarregadores do porto (os bastaixos). Em 1966 encontraram-se alguns restos deste templo: uma parede orientada em sentido transversal ao presbitério de 12,75 m de comprimento e uma largura de 0,55 m feita com silhares de tamanho desigual em fiadas horizontais, e a parte mais larga com obra de alvenaria e pedras esculpidas aproveitadas de outras obras. No centro abria-se um portal de 1,27 m de largura com montantes de pedra e um degrau, e noutra zona existia parte de um arco de volta perfeita, emparedado numa reforma posterior.

A 2 de março de 1329, Ramon Despuig e Berenguer de Montagut assinaram o contrato das obras e a primeira pedra do templo gótico foi colocada a 25 de março pelo rei Afonso o Benigno, como indicam as lápides do portal das Moreras. Um facto destacável, que ainda perdura, é que se estabeleceu que a obra deveria pertencer exclusivamente aos paroquianos, únicos responsáveis materiais pelo templo. Parece que na construção participou ativamente toda a população da Ribera, já que foram eles que a custearam, quer com o seu dinheiro, quer com o seu trabalho. Este facto está em clara contraposição à Catedral de Barcelona que por aquelas mesmas datas também se estava a construir e que estava associada à monarquia, à nobreza e ao alto clero. Cabe destacar a intervenção, especialmente, dos descarregadores do cais da Ribera, chamados bastaixos, os quais carregavam as enormes pedras destinadas à construção da igreja desde a pedreira real de Montjuïc e desde as praias, onde estavam os barcos que as tinham trazido para Barcelona. Carregavam as pedras uma a uma às costas, até à própria praça do Born. A igreja homenageia os bastaixos que ajudaram a construí-la representando-os nos capitéis e nos relevos de bronze das portas.

Os muros, as capelas laterais e a fachada estavam terminados por volta de 1360. No ano de 1368 o rei Pedro o Cerimonioso autoriza a extração de pedra de Montjuïc, e posteriormente serviria de fiador de empréstimos. Em 1379, prestes a terminar-se o quarto tramo das abóbadas, incendiou-se o andaime e as pedras sofreram danos importantes. Finalmente, a 3 de novembro de 1383 foi colocada a última chave de abóbada e a 15 de agosto do ano seguinte celebrava-se a primeira missa.

O terramoto de 1428 provocou o desmoronamento da rosácea e cerca de trinta mortos pela queda de pedras. Pouco depois, porém, assinou-se um contrato com os mestres de obras Pere Joan, Andreu Escuder, Bernat Nadal e Bartomeu Mas para construir uma nova, de estilo gótico flamejante, que ficou terminada em 1459 e um ano depois acabou-se de instalar os vidros, obra de Antoine de Lonhy.

A 1 de agosto de 1708 casaram-se em Santa Maria do Mar o Arquiduque Carlos e Isabel Cristina de Brunsvique-Wolfenbüttel.

Das duas torres que flanqueiam a fachada, a de poente data de 1496, quando foi terminada por Pere Oliva. A torre de levante não foi coroada até 1902, mas desde 1674 tinha servido de torre do relógio. O projeto do altar barroco e do presbitério é do ano de 1771, obra do carpinteiro Deodat Casanovas com a escultura de Salvador Gurri. Entre 1833 e 1834 edificou-se a capela do Santíssimo, obra do arquiteto Francesc Vila.

Em 1923, o papa Pio XI concedeu-lhe o título de basílica menor, a terceira de Barcelona depois da Catedral e da Basílica da Mercê. Em 1931 foi declarada monumento histórico-artístico, e a 19 e 20 de julho de 1936, foi incendiada e destruiu-se toda a decoração interior, que já tinha sofrido danos durante o cerco de 1713-1714, tal como as abóbadas.

A restauração começou no ano de 1966 e construiu-se um novo presbitério, com um altar-mor que substituía o anterior barroco, destruído em 1936, e uma cripta. No extremo sudoeste da escavação estendiam-se diversas sepulturas construídas com paredes de pedras e alvenaria dos séculos XVII-XVIII. Estas tinham sido limpas de despojos e desprovidas das suas lápides no momento de construir o novo presbitério. Também existiam dois grandes pilares feitos de argamassa de cal e pedra, um dos quais serviu de fundamentação do altar-mor.

Entre os anos 1980 e 1990, a Generalitat de Catalunya restaurou coberturas, vitrais e chaves de abóbada.

thumb|esquerda|Quarterão n.º 1 de Garriga i Roca (c. 1860) thumb|esquerda|Lápide comemorativa da construção thumb|esquerda|Lousa de Pedro de Portugal thumb|esquerda|Interior em direção aos pés e à rosácea thumb|esquerda|Capela do Santíssimo

Contexto miniatura|Abóbadas da abside da igreja de Santa Maria do Mar em Barcelona. O estilo gótico surgiu muito ligado a uma mudança de mentalidade, ao desenvolvimento urbano e ao crescente poder da burguesia. Passou-se da simbologia da arte românica para uma arte mais realista. Durante o , estendeu-se por toda a Europa e a sua influência terminou durante as primeiras décadas do . No , na Coroa de Aragão, a arte gótica destacou-se na igreja de Santa Maria do Mar. Quando a pujança económica do bairro de Mar de Barcelona era espetacular, densamente povoado, e as suas corporações necessitavam de tornar visível o poder que tinham e dar lugar a todos os fiéis, Santa Maria do Mar foi uma realidade edificada em apenas 54 anos pelo mestre de obras Berenguer de MontagutPladevall, Antoni (dir.). L'art gòtic a Catalunya (três volumes). Barcelona: Enciclopèdia Catalana, 2002 O crescimento das cidades, ligado ao comércio e à indústria artesanal, teve outras consequências, como o aparecimento do intelectual ou pessoa que tem por ofício escrever ou ensinar.Le Goff, J. Los intelectuales en la Edad Media. Eudeba: Buenos Aires. 1965., pp- 11-12. A cultura já não estava refugiada nos mosteiros, nem os manuscritos são guardados como tesouros: chega às cidades, onde se movem as pessoas, as ideias e os livros. O movimento é fácil porque se utiliza o latim como veículo de cultura, que professores e alunos falam e escrevem. Ao mesmo tempo, alguns monges escandalizam-se com a efervescência da cidade.Le Goff. Obra citada. P. 81.

Arquitetura Arquitetonicamente, Santa Maria do Mar é uma igreja de três naves de altura quase igual (as laterais são apenas um pouco mais baixas que a central) e sem transepto, unificando o espaço numa igreja-salão típica do gótico catalão. As abóbadas são sustentadas por esbeltas colunas octogonais. Um deambulatório ocupa o lado oeste da igreja.

Bibliografia

Ligações externas Página com a história da igreja Panorâmica virtual da igreja em 360 graus

Santa Maria Mar Categoria:Igrejas góticas em Espanha

Categoria:Basílicas da Espanha