Tabuleiro ouija ou tábua ouija é qualquer superfície plana com letras, números ou outros símbolos em que se coloca um indicador móvel. Foi criado para ser usado como método de necromancia ou comunicação com espíritos.
Os participantes colocam os dedos sobre o indicador que então se move pelo tabuleiro até as letras, números ou as palavras "sim" ou "não" para responder perguntas e trazer mensagens dos supostos espíritos. De acordo com o Departamento de Comércio dos Estados Unidos da América, o nome "Ouija" é marca registrada da Hasbro (herdada da Parker Brothers), mas a designação passou a ser usada para caracterizar qualquer tabuleiro que se utilize da mesma ideia.
No Brasil há variantes conhecidas como "brincadeira do copo", "jogo do copo", ou ainda "sessão de copo", em que um copo faz as vezes do indicador para as respostas. Também é conhecido como "brincadeira do compasso", quando se usa um compasso como indicador. Existem também apoios para a utilização de lápis durante as sessões. Nos anos 90, fabricante de brinquedos Estrela lançou Converse com o seu Anjo, com manual desenvolvido por Monica Buonfiglio.
O tabuleiro não necessita ter um formato retangular. Muitos tabuleiros ouija são circulares. Como indicadores, em vez do ponteiro, podem utilizar uma moeda ou um copo de vidro.
Etimologia A crença popular de que a palavra Ouija venha das palavras francesa e alemã para "sim" é um equívoco. O nome foi tirado de uma palavra escrita no quadro quando seu inventor pediu a um suposto fantasma para nomeá-lo.
Origens O princípio em que se baseia o tabuleiro Ouija ficou conhecido depois de 1848, ano em que duas irmãs norte-americanas, Kate e Margaret Fox, supostamente contactaram um vendedor que havia sido assassinado em sua casa (agora pertencente às irmãs) anos antes e espalharam uma febre espiritualista pelos Estados Unidos e Europa.
Há também indícios de que o princípio teria sido aperfeiçoado por um espiritualista chamado M. Planchette, que por volta de 1853 teria inventado o indicador de madeira, utilizado até hoje.Spence, 1920
Em 1890, Elijah J. Bond, de Baltimore, solicitou a patente do "Ouija" ou "Tabuleiro egípcio da sorte", concedida em 1891. Nesta patente se descreve o funcionamento e alega-se que o tabuleiro é capaz de responder "perguntas de qualquer tipo".
Origem comercial e a patente do brinquedo Ao contrário do que dita o folclore popular, o tabuleiro Ouija foi criado originalmente como um jogo de salão voltado para o entretenimento familiar da classe média vitoriana . No final do século XIX, em meio ao forte crescimento do espiritismo nos Estados Unidos após a Guerra Civil Americana, os empresários Elijah J. Bond, Charles Kennard e William Fuld enxergaram uma oportunidade comercial na criação de tabuleiros falantes (talking boards) .
A primeira patente oficial do produto foi registrada por Elijah J. Bond em 10 de fevereiro de 1891, descrevendo-o simplesmente como um brinquedo ou jogo capaz de responder perguntas de forma misteriosa . A lenda corporativa aponta que o nome "Ouija" teria sido sugerido pelo próprio tabuleiro durante uma sessão de teste, afirmando significar "boa sorte" em uma língua antiga, embora historiadores apontem que o nome provavelmente foi inspirado no pingente de uma famosa ativista dos direitos das mulheres da época, Judith Bond, cunhada do inventor . Em 1966, a patente e os direitos comerciais da marca registrada foram adquiridos pela Parker Brothers e, posteriormente, passaram para o catálogo da Hasbro .
Explicação científica As movimentações que ocorrem no tabuleiro ouija se devem ao efeito ideomotor.Projeto Ockham, A Brincadeira do CopoWegner DM. The Illusion of Conscious Will. Cambridge, MA: MIT Press;2002 As pessoas participantes da sessão involuntariamente exercem uma força imperceptível sobre o indicador utilizado, e a conjunção da força exercida por várias pessoas faz o objeto se mover. O efeito ideomotor foi descoberto pelo naturalista britânico William Benjamin Carpenter em 1852.
O físico também britânico Michael Faraday realizou experimentos que comprovaram que os movimentos das mesas girantes, atribuídos a fontes ocultas, eram realizados inconscientemente pelos próprios participantes dos experimentos. O mesmo princípio se aplica ao tabuleiro ouija. Como as pessoas são enganadas pelo efeito ideomotor, Ray Hyman, Ph.D O mágico ilusionista e cético estadunidense James Randi também realizou um experimento, citado em seu livro An Encyclopedia of Claims, Frauds, and Hoaxes of the Occult and Supernatural. Randi demonstrou que quando os participantes do tabuleiro ouija são vendados eles não conseguem produzir mensagens inteligíveis. Ouija Board, James Randy Educational Foundation
Explicação espiritualista Em fevereiro de 1891, os jornais de Pitsburgo anunciavam um "maravilhoso quadro falante" muito parecido com o tabuleiro que conhecemos hoje. Sua origem estaria relacionada com a obsessão dos estadunidenses no século 19 pelo espiritualismo, movimento religioso baseado na crença de que os mortos são capazes de se comunicar com os vivos. Os adeptos dessa teoria acreditam que o tabuleiro não tem poder em si mesmo, servindo apenas como ferramenta para o médium se comunicar mais rapidamente com o mundo dos espíritos. Museum of Talking Boards, Theories
Críticas das religiões Além das críticas científicas dos céticos, o tabuleiro Ouija também é criticado entre os espiritualistas. Edgar Cayce declarou-os perigosos. The Ouija Board - Part One Críticos avisam que maus espíritos poderiam enganar os participantes e possuí-los espiritualmente.
No meio especializado há diversos avisos contra o uso do tabuleiro por pessoas desavisadas. Há também notícias de tabloides relatando casos de suposta possessão demoníaca em decorrência de sessões envolvendo espíritos malignos. Ghost Research - Ouija: Not a game
A Igreja Católica critica o tabuleiro e a brincadeira do copo, assim como as experiências de seus fiéis na busca do contato com os mortos em geral. A recomendação dos padres é que os fiéis se mantenham distantes de participações nesse tipo de evento.Doutrina Católica, Perguntas e respostas Segundo alguns padres exorcistas, Gabriele Amorth, este tipo de jogo pode contactar demônios. Em seus livros ele relata inúmeras possessões causadas pelo uso desses jogos.. O padre alerta que o uso de objetos com objetivo de conhecer e acessar o oculto é mantém-se o fato de atribuir a esse objeto um poder que ele não possui, para conhecer coisas que só Deus conhece. Sobre o mesmo assunto o Pe. Gary Thomas reconhecido pela diocese de San José, na Califórnia pelo seu trabalho como exorcista, afirma que as pessoas que usam o Tabuleiro Ouija, estão se expondo a ações de demônios e diz que "Como essas forças não vêm de Deus nem de seus anjos, só podem provir do espírito das trevas"
Da mesma forma, Igrejas Evangélicas definem essas práticas como "brincadeiras com demônios". Igreja Batista Independente em Pato Branco Igreja Evangélica da Paz, O Exorcista, Quando o demônio vira astro de cinema
Allan Kardec, codificador da Doutrina Espírita, orienta em seu O Livro dos Médiuns, no caso de comunicações frívolas (fúteis ou levianas), que estas práticas devem ser evitadas porque, normalmente, são utilizadas para curiosidades em geral e somente são feitas perguntas vãs, longe da seriedade exigida no intercâmbio com a espiritualidade benfeitora. Assim, o espiritismo, nesse caso particular de comunicações frívolas, considera que é mais provável a presença de espíritos levianos e zombeteiros, sem nenhum interesse com a verdade e com a dignidade, do que espíritos bons e esclarecidos comprometidos com a divulgação de propostas morais e éticas. As comunicações frívolas emanam de Espíritos levianos, zombeteiros, ou brincalhões, antes maliciosos do que maus, e que nenhuma importância ligam ao que dizem. Como nada de indecoroso encerram, essas comunicações agradam a certas pessoas, que com elas se divertem, porque encontram prazer nas confabulações fúteis, em que muito se fala para nada dizer. Tais Espíritos saem-se às vezes com tiradas espirituosas e mordazes e, por entre facécias vulgares, dizem não raro duras verdades, que quase sempre ferem com justeza. Em torno de nós pululam os Espíritos levianos, que de todas as ocasiões aproveitam para se intrometerem nas comunicações. A verdade é o que menos os preocupa; daí o maligno encanto que acham em mistificar os que têm a fraqueza e mesmo a presunção de neles crer sob palavra. As pessoas que se comprazem nesse gênero de comunicações naturalmente dão acesso aos Espíritos levianos e falaciosos. Delas se afastam os Espíritos sérios, do mesmo modo que na sociedade humana os homens sérios evitam a companhia dos doidivanas.
Tabuleiro ouija na mídia O escritor G. K. Chesterton utilizou um tabuleiro ouija durante um período de depressão e ceticismo e depois disso passou a ser fascinado pelo ocultismo. O cantor inglês Morrissey, em compacto de 1989 incluído na coletânea Bona Drag, do ano seguinte, gravou uma música intitulada "Ouija Board, Ouija Board", referente a uma comunicação com o espírito de uma amiga morta. Brandon Flowers, vocalista da banda The Killers, utilizou o tabuleiro e passou a ter medo do número 621. A data também se relaciona com o dia de seu aniversário, 21 de junho. Sam Winchester, um dos protagonistas da série Supernatural, usa uma Tábua Ouija no primeiro episódio da segunda temporada (2:01 - Na hora da minha morte) para se comunicar com seu irmão morto, Dean Winchester.
• Na série Friends, episódio 14 da terceira temporada, as personagens Phoebe e Mônica estão brincando com o jogo, quando são interrompidas por Joey.
Há algumas franquias de filmes que relatam a prática do uso do Tabuleiro Ouija. Entre eles destacam-se os filmes 'Ouija: O Jogo dos Espíritos (2014)" direção de Stiles White e "Ouija: Origem do Mal (2016)" dirigido por Mike Flanagan, tiveram destaque em exibição nos cinemas. Outros filmes que abordam o tema são: "Veronica (2017)", 'Ouija- A Casa Amaldiçoada (2018)", "Ouija - Exorcismo (2015)", "Ouija Seance: The Final Game (2018)". O filme "O Exorcista (1973)", aclamado pela mídia, teve sua história baseada em um fato real de possessão que ocorreu em um menino chamado Roland Doe, onde familiares acreditavam que as tentativas do menino de entrar em contato com a tia já falecida por meio do tabuleiro Ouija haviam sido o gatilho para os fenômenos paranormais.
Ver também
Prancheta (espiritualismo) Bola 8 Mágica
Referências
Bibliografia
Cain, D. Lynn, "OUIJA – For the Record" 2009 ISBN 978-0-557-15871-3 Cornelius, J. Edward, Aleister Crowley and the Ouija Board. Feral House, 2005. ISBN 1-932595-10-4 Gruss, Edmond C., The Ouija Board: A Doorway to the Occult 1994 ISBN 0-87552-247-5 Hunt, Stoker, Ouija: The Most Dangerous Game. 1992 ISBN 0-06-092350-4 Murch, R., "A Brief History of the Ouija Board", Fortean Times, No.249, (June 2009), pp. 32–33. Schneck, R.D., "Ouija Madness", Fortean Times, No.249, (June 2009), pp. 30–37.
Ligações externas
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