Gheorghe Gheorghiu-Dej (Bârlad, 8 de novembro de 1901 - Bucareste, 19 de março de 1965) foi um político comunista e dirigente romeno. Exerceu o cargo de secretário geral do Partido Comunista Romeno de 1944 até sua morte; Primeiro-ministro da Romênia de 1952 até 1955 e Presidente da República de 1961 a 1965.
Biografia Nasceu na cidade de Bârlad (1901) em uma família muito pobre. Seu pai era um trabalhador braçal. Cursou apenas a educação mais básica, pois a pobreza de sua família o levou a abandonar a escola aos 11 anos. Devido a sua pouca idade e ausência de formação profissional, vivia de trabalhos sazonais, até firmar-se como eletricista. Ao trabalhar numa fábrica em Comănești, uniu-se ao sindicato e participou da greve geral romena de 1920, durante a qual foi demitido. Um ano depois, foi contratado como eletricista na Companhia de Tramway Galati, de onde foi demitido por organizar protestos por melhores salários e contra o turno de trabalho de 9 horas. Foi posteriormente contratado para trabalhar nas oficinas da Companhia Ferroviária Romena em Galati.Neagoe-Pleșa, p.77
Com a Grande Depressão, o padrão de vida que já era baixo decaiu ainda mais, o que fez Gheorgiu-Dej tornar-se ainda mais ativo politicamente, filiando-se ao Partido Comunista Romeno e tornando-se responsável em organizar agitações nas oficinas da Companhia Ferroviária Romena na Moldávia. Em agosto de 1931, Gheorghiu foi acusado de ser um agitador comunista e recebeu como punição a transferência para a cidade de Dej, localizada na Transilvânia, onde continuou com atividades sindicais. Em fevereiro de 1932, o sindicato apresentou à companhia ferroviária uma petição exigindo melhores condições de trabalho e salários melhores. Como resposta, a companhia ferroviária fechou a oficina em Dej e demitiu todos os trabalhadores, incluindo Gheorghiu, que foi proibido de ser contratado em outras oficinas ferroviárias na Romênia.Neagoe-Pleșa, p.80
Ativismo político Foi nesta época que Gheorghiu recebeu o codinome de Gheorghiu-Dej, dado pela polícia secreta romena, a Siguranța, para diferenciá-lo de outros ativistas sindicais chamados Gheorghiu. A demissão da oficina da ferrovia tornou Gheorghiu ainda mais ativo na organização de sindicatos, fazendo com que coordenasse ações em Iasi, Pascani e Galati.Neagoe-Pleșa, p.81
Na noite de 14 para 15 de julho de 1932, foi preso por colar cartazes subversivos nos muros e postes em Giulesti, sendo levado à prisão de Văcărești. Sua defesa foi realizada pelo advogado Iosif Schraier, que conseguiu a sua liberdade ao mencionar que os cartazes eram relacionados às eleições gerais da Romênia de 1932. Em 3 de outubro deste mesmo ano, foi preso novamente ao final de uma plenária de trabalhadores em Iasi, acusado de ter agredido o comissário de polícia local. Posteriormente foi libertado quando esta acusação mostrou-se totalmente falsa.Neagoe-Pleșa, p.84
Em janeiro de 1933, o governo da Romênia anunciou medidas de austeridade, dentre elas, redução de salários. Esta atitude levou à radicalização dos trabalhadores. Gheorghiu-Dej , junto com o presidente do sindicato, Constantin Doncea, liderou os trabalhadores de Bucareste a maior greve já realizada na Romênia, que se tornou conhecida como Greve Geral de Grivita. com o fracasso das negociações e temendo uma outra greve geral, o governo declarou estado de sítio em Bucareste e em outras cidades.Neagoe-Pleșa, p.86
Os anos na prisão Gheorghiu-Dej foi sentenciado à prisão neste mesmo ano por um tribunal militar, cumprindo pena na Prisão de Doftana. Em 1936, foi eleito para o Comitê Central do partido, tornando-se líder dos membros do partido que encontravam-se aprisionados. Estes eram denominados de facção da prisão, para diferenciar dos exilados, denominados de facção moscovita.Neagoe-Pleșa, p.100
Sendo um ativista conhecido e respeitado dentro da prisão, foi transferido para o campo de concentração de Târgu Jiu durante o governo fascista de Ion Antonescu. Consegue escapar em agosto de 1944, poucos dias antes da queda do regime, tornando-se secretário geral após a ocupação soviética, porém só viria a consolidar seu poder em 1952, quando expulsou Ana Pauker, líder não-oficial do partido desde o final da guerra, e sua facção moscovita do poder.
Durante a prisão, Gheorghiu-Dej encontrou Nicolae Ceauşescu. Eles foram presos após um evento organizado pelo partido comunista, do qual ambos eram membros. Foi na prisão que Gheorghe-Dej apresentou as teorias e princípios do marxismo-leninismo a Ceauşescu, tornando-o muito próximo após a saída de Gheorghiu-Dej da prisão.
Os anos de poder
Sob diretivas soviéticas
Em 30 de dezembro de 1947, Gheorghiu-Dej e o primeiro-ministro Petru Groza levaram o rei Miguel I a abdicar. Anos depois, o primeiro secretário do Partido do Trabalho da Albânia, Enver Hoxha alegou que Gheorghiu-Dej apontou uma arma para o rei e ameaçou matá-lo caso não renunciasse ao trono.Nikita Sergeevich Khrushchev, Sergeĭ Khrushchev.Memoirs of Nikita Khrushchev: Statesman, 1953–1964, Pennsylvania State University Press, 2007, page 701, Horas depois, a legislatura, totalmente dominada pelos comunistas devido aos resultados das eleições gerais de 1946, aboliu a monarquia de declarou a Romênia uma república popular.
A influência soviética, governada por Josef Stalin, favoreceu Gheorghiu-Dej, visto como um líder local com fortes princípios marxistas-leninistas. a influência econômica de Moscou foi reforçada pela criação de companhias Sov-Rom, as quais direcionavam o comércio exterior da Romênia para países aliados da URSS.
Até a morte de Stalin, e mesmo depois, Gheorghiu-Dej não alterou as políticas repressivas, como as obras que utilizavam prisioneiros no Canal Danúbio-Mar Negro). Sob às ordens de Gheorghiu-Dej, a Romênia implementou uma massiva coletivização das áreas rurais. Em 1946, ocorreu o assassinato de Ștefan Foriș e em 1948, a prisão de Lucrețiu Pătrășcanu; ambos foram seus rivais dentro da liderança do partido. Também ocorreu o expurgo de outras lideranças como Ana Paulker e seus aliados Vasile Luca e Teohari Georgescu.
Governo
Os primeiros cinco anos de regime comunista na Romênia foram um período de liderança coletiva, com Petru Groza permanecendo como primeiro-ministro. No entanto, em 1952, Groza deixou o cargo e tornou-se presidente da Grande Assembleia Nacional, permitindo que Gheorghiu-Dej se tornasse primeiro-ministro, além de líder partidário.
Gheorghiu-Dej deixou brevemente a primeira secretaria do Partido Comunista em 1954 para Gheorghe Apostol, mantendo o cargo de primeiro-ministro. No entanto, ele ainda era o atual líder da Romênia, e reconquistou a liderança do partido em 1955. Em 1961, ele se tornou presidente do recém-criado Conselho de Estado da Romênia, fazendo dele de jure chefe de Estado.
O processo de desestalinização de Nikita Khruschev levou Gheorghiu-Dej a uma política econômica e externa semiautônoma da Romênia dentro do Pacto de Varsóvia e do Comecon no final dos anos 1950, iniciando a criação de uma notável indústria pesada na Romênia, ação que foi contra as direções soviéticas para o Bloco Oriental como um todo (por exemplo, a nova usina siderúrgica de larga escala em Galați]], que dependia de ferro importado da Índia e da Austrália) . Ironicamente, a Romênia sob Gheorghiu-Dej era considerada uma das mais leais entre os satélites soviéticos e, portanto, há uma tendência a esquecer "quem primeiro estabeleceu o padrão de abertura da política externa e 'liberalidade' juntamente com a repressão doméstica".Johanna Granville, "Dej-a-Vu: Early Roots of Romania's Independence," East European Quarterly, vol. XLII, no. 4 (Winter 2008), p. 366.
Seguiu-se então a dissolução das Sov-Roms, juntamente com a diminuição de empreendimentos culturais em conjunto de soviéticos e romenos. Em 1958, o Exército Vermelho retirou suas últimas tropas da Romênia, sendo esta uma conquista pessoal de Gheorghiu-Dej.
Interação com o Ocidente Nos primeiros anos do governo de Gheorghiu-Dej, as relações da Romênia com o Ocidente estavam tensas, marcadas por acusações de espionagem dos Estados Unidos. Havia também baixos níveis de comércio entre a Romênia e o Ocidente, à medida que a Romênia se ligava à União Soviética e às outras nações satélites; em 1950, o plano econômico da Romênia envolveu 89% do comércio exclusivamente com o Bloco Soviético.
Posteriormente, entretanto, a disposição da Romênia de negociar com o Ocidente tornou-se mais aparente. Por exemplo, em 1952, foi publicada a primeira edição do periódico "Comércio Exterior da Romênia", que oferecia oportunidades para comerciantes ocidentais comprarem produtos romenos como petróleo e grãos. As publicações ocidentais também reconheceram o potencial da Romênia para vender seus produtos no mercado mundial; um artigo no The Times de 23 de agosto de 1953, citou: " A Romênia poderia, por exemplo, obter preços mais altos no mercado mundial porque é forçada a exportar para a Rússia, incluindo alimentos, em troca de maquinário e ajuda." Como Gheorghiu-Dej percebera, se a Romênia pudesse negociar mais com o Ocidente, o padrão de vida aumentaria.
A partir de 1953, o Ocidente gradualmente relaxou seus controles de exportação, que limitavam os produtos que os EUA, a Grã-Bretanha e a França podiam exportar para a [Europa Oriental]. Gheorghiu-Dej, ansioso por estabelecer uma interação entre a Romênia e o Ocidente, relaxou as restrições de viagem aos diplomatas ocidentais em Bucareste e permitiu que os jornalistas ocidentais tivessem mais acesso à Romênia. No início de 1954, a Romênia também fez um apelo à Grã-Bretanha por ter conversas para resolver as reivindicações pendentes da Romênia, com as quais a Grã-Bretanha concordou em dezembro daquele ano.
A política externa da Romênia em relação ao Ocidente estava intimamente ligada à sua política em relação à União Soviética. A Romênia só poderia desenvolver negociações se afirmasse sua independência em relação à União Soviética. Gheorghiu-Dej percebeu isso e, assim, enfatizou a soberania da Romênia. No Segundo Congresso do Partido, aberto em 23 de dezembro de 1955, Gheorghiu-Dej fez um discurso de cinco horas no qual enfatizou a ideia do comunismo nacional e do direito da Romênia de seguir seus próprios interesses em vez de ser forçado a seguir os outros. Em uma tentativa de aumentar o diálogo entre a Romênia e o Ocidente, em 1956, Gheorghiu-Dej instruiu o novo embaixador dos EUA a se reunir com o Secretário de Estado John Foster Dulles e depois com Presidente Dwight D. Eisenhower. Como resultado dessas reuniões, o Departamento de Estado dos EUA expressou interesse em aumentar a interação entre as duas nações, incluindo a possibilidade de criação de uma biblioteca em Bucareste.
Porém, a interação da Romênia com o Ocidente diminuiu temporariamente com a Revolução Húngara de 1956 e a resposta violenta da União Soviética à revolta. Ainda assim, Gheorghiu-Dej continuou a fortalecer a sua independência em relação à União Soviética. Por exemplo, as escolas romenas abandonaram o requisito da língua russa. E, obviamente, a Romênia endossou a Declaração de Moscou de 1957, que afirmava que "os países socialistas baseiam suas relações nos princípios da completa igualdade, respeito à integridade territorial, independência e soberania do Estado e não-interferência nos assuntos uns dos outros. Defendem a expansão geral das relações econômicas e culturais com todos os outros países ... ". Essas declarações coincidiram com as alegações de Gheorghiu-Dej de soberania e independência nacional.