João de Almeida GOTE • GOC • GOA • GCIC (Vila Garcia, Guarda, 5 de outubro de 1872 — Lisboa, 5 de maio de 1953) foi um militar do Exército Português, no qual atingiu o posto de general. Atuou durante as Campanhas de África, e é a ele que se deve a fixação da fronteira meridional de Angola.

Biografia João de Almeida nasceu em Cairrão, freguesia de Vila Garcia, concelho da Guarda. Casou em 14 de outubro de 1914 com Laura Mendes Leite e teve três filhos e uma filha. Foi pai de dois distinguidos militares: o coronel Alexandre Mendes Leite de Almeida, do Exército Português;o coronel João Mendes Leite de Almeida, da Força Aérea Portuguesa.

Concluído o curso liceal na sua cidade natal, forma-se em filosofia e engenharia civil pela Universidade de Coimbra. Ingressou na Escola do Exército, donde saiu promovido a alferes, em 1896, e mais tarde, frequentou o curso de Estado-Maior que completou em 1903.

Em 1906 embarcou para Angola, com o posto de capitão. Em 1907 tomou parte na Campanha dos Cuamatos, particularmente nas ações de Pocolo, Mocuma e Bata-Bata. Diante da sublevação da população dos Dembos à escravização, aos regimes de trabalho forçado e à colonização, entre 1907 de 1908, o capitão João de Almeida e o tenente Luís Augusto de Pina Guimarães foram destacados para comandar tropas em mais uma das Campanhas de Pacificação e Ocupação. Esta revelou-se difícil de organizar por falta tanto de meios como de soldados e recorreu-se inclusive ao alistamento de degredados. Instruídas e disciplinadas as tropas, a 11 de Setembro o Príncipe Real Luís Filipe passou-lhes a revista em pessoa.Fortunato de Almeida (1928). ''História de Portugal'', livro X, Coimbra, pp. 547-548. A coluna embarcou em quatro comboios em Luanda a 19 e 20 de Setembro com destino a Gabiri e de lá partiram para o campo de operações. A banza de Cazuangongo, a que conseguiu empreender maior resistência, foi totalmente destruída e os Dembos passaram a ser ocupados militarmente por Portugal. Entre Novembro e princípios de Dezembro, a coluna portuguesa regressou a Luanda. Pelo seu feito, o capitão João de Almeida ganhou o epíteto de "Herói dos Dembos".

Em 1908 foi nomeado governador interino do distrito angolano de Huíla, assumindo mais tarde o posto de governador efetivo.

Em 1919, então coronel e comandante militar da região de Aveiro, envolveu-se na Monarquia do Norte ao lado de Paiva Couceiro. Teve ordem de prisão mas o comissário encarregado da sua detenção, Salvador do Nascimento, permitiu a sua fuga pois ele próprio tinha sido preso político durante a ditadura de João Franco por conspirar contra ela. Daí seguiu para Paris, onde cursou engenharia civil.

Entre muitos feitos na província de Angola destaca-se a fixação definitiva da fronteira meridional e a realização de obra notável nos campos administrativo, militar, económico, educativo e civilizacional. Na província de Cabo Verde também teve lugar de destaque, nomeadamente como governador da província e diretor de obras públicas. Em 1931 foi nomeado Governador Geral de Macau. Chegou a ser Ministro das Colónias.

Em Portugal foi diretor da Empresa Eléctrica-Oceânica de Aveiro entre 1920 e 1936; Presidente da Real Companhia Vinícola do Norte desde 1933; Administrador da Companhia do Papel do Prado desde 1929.

Monárquico, simpatizante do integralismo, foi demitido do Exército após a proclamação do regime republicano, sendo reintegrado em 1918. Participou em diversas conspirações para derrubar a República nos anos 20. Após o golpe de 28 de maio foi um dos nomes apontados para a candidatura à chefia da Ditadura.

A 11 de fevereiro de 1929 foi feito grande-oficial da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, a 19 de fevereiro de 1929 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Cristo, a 5 de outubro de 1929 foi feito Grande-Oficial da Ordem Militar de Avis e a 3 de agosto de 1932 foi agraciado com a grã-cruz da Ordem do Império Colonial.

Autor de relatórios e de conferências valiosas, devem-se-lhe ainda obras sobre temática colonial e sobre a cidade da Guarda, sobre a qual deixou longa obra bibliográfica. Foi diretor do Instituto de Ensino Normal de Braga e no âmbito dessas funções publicou obras de carácter didático.

Obras publicadas Para além de obra dispersa por numerosos periódicos, é autor das seguintes obras:. Monografias Didáctica Geral. Instituto de Ensino Normal de Braga, Braga, Livraria Cruz, 1933. Sul de Angola; Visão do Crente; Em Prol do Comum (1931); D. Carlos I (1936); Viajantes Espanhóis em Portugal (1948); História do nosso Tempo; Conferências Ao Serviço do Império (1931);L’Esprit de la Race Portuguese dans son expanson outre mer (1931); Nacionalismo e Estado Novo (1932); História do nosso Tempo (1935); Alta Cultura Colonial'' (1937).

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