Cycloramphus semipalmatus é uma espécie de anfíbio anuro da família Cycloramphidae, endêmica do Brasil. Foi descrita originalmente por Alípio de Miranda Ribeiro em 1920, na Revista do Museu Paulista, sob o nome Iliodiscus semipalmatus.

Taxonomia

A espécie foi descrita por Alípio de Miranda Ribeiro em 1920 com base em síntipos depositados no Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (lotes MZUSP 737 e MZUSP 317), provenientes de duas localidades no estado de São Paulo: "Campo Grande" e "Alta da Serra" (atual Alto da Serra de Paranapiacaba, em Santo André), ambas na região da Serra do Mar. O nome semipalmatus (do latim, "semipalmado") refere-se à membrana interdigital parcialmente desenvolvida presente nos pés da espécie, que a distingue da maioria das demais espécies do gênero, as quais possuem dedos livres.

Na descrição original, Miranda-Ribeiro reportou pela primeira vez a presença do menisco esbranquiçado na margem superior da íris de adultos de C. semipalmatus e de C. dubius — estrutura que Heyer (1983) sugeriu como sinapomorfia do gênero Cycloramphus, presente em adultos, e que Verdade (2005) reconheceu como sinapomorfia de um clado mais amplo que inclui Cycloramphus + Zachaenus. Mais recentemente, Colaço et al. (2020) a reconheceram como sinapomorfia de toda a família Cycloramphidae, inclusive nas larvas.

Com base na morfologia e no modo reprodutivo, Heyer (1983) classificou as espécies do gênero em dois grupos ecológicos. C. semipalmatus integra o grupo saxícola (associado a corredeiras), caracterizado por corpo achatado, pele granulosa e membrana interdigital nos pés — em contraste com o grupo terrícola, cujas espécies possuem pele lisa, dedos livres e larvas endotróficas. Uma filogenia molecular posterior, de Sá et al. (2020), recuperou o ancestral comum do gênero como saxícola de pequeno porte, indicando que o modo reprodutivo terrícola evoluiu independentemente múltiplas vezes a partir de linhagens saxícolas.

Morfologia

Cycloramphus semipalmatus é uma espécie de porte médio, com corpo achatado dorsoventralmente e pele granulosa no dorso — morfologia típica das espécies saxícolas do gênero. Os pés apresentam membrana interdigital parcialmente desenvolvida, característica diagnóstica que a distingue da maioria das espécies congêneres de dedos livres. A musculatura adutora da mandíbula é visivelmente desenvolvida e os membros são curtos e robustos, conferindo ao animal um aspecto compacto característico das espécies associadas a corredeiras. A pupila é horizontal e a íris apresenta um menisco esbranquiçado na margem superior, compartilhado com as demais espécies do gênero.

Distribuição e habitat

Cycloramphus semipalmatus é endêmica do Brasil, com distribuição restrita à Mata Atlântica do estado de São Paulo. Seus habitats naturais incluem florestas úmidas subtropicais ou tropicais de baixa altitude e cursos d'água, especialmente rios e riachos de correnteza rápida associados a afloramentos rochosos na Serra do Mar.

Reprodução

Como as demais espécies saxícolas do gênero, C. semipalmatus apresenta o modo reprodutivo associado a corredeiras: as fêmeas depositam os ovos sobre superfícies inclinadas de rochas umedecidas pelos respingos de cachoeiras ou riachos de correnteza rápida. Os girinos são exotróficos e semiterrestres, desenvolvendo-se sobre filmes d'água que escorrem pelas faces rochosas onde os ovos foram depositados, sem submergir completamente. Esse modo reprodutivo, descrito por Lutz (1929) e sistematizado por Heyer (1983), é compartilhado com espécies como C. boraceiensis, C. dubius e outras espécies saxícolas da família Cycloramphidae, todas restritas à Mata Atlântica brasileira.

Conservação

A União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classifica C. semipalmatus como quase ameaçada (NT) desde 2004. A principal ameaça à espécie é a perda e degradação do habitat decorrente do desmatamento da Mata Atlântica e da alteração de cursos d'água na sua área de ocorrência.

Categoria:Espécies quase ameaçadas Categoria:Cycloramphus Categoria:Anfíbios descritos em 1920 Categoria:Anfíbios da Mata Atlântica Categoria:Anfíbios endêmicos do Brasil Categoria:Anfíbios de São Paulo (estado)