Curitiba é a capital do estado brasileiro do Paraná. Localiza-se no Primeiro Planalto Paranaense, a 934 metros de altitude, a mais de 110 quilômetros do Oceano Atlântico e a ao sul de Brasília, capital federal. Com habitantes, é o município mais populoso do Paraná e da Região Sul e o oitavo mais populoso do país, segundo o censo demográfico de 2022 realizado pelo IBGE.

Elevada à condição de vila em 1693, a partir de um pequeno povoado bandeirante, Curitiba tornou-se uma importante parada comercial com a abertura da estrada tropeira entre Sorocaba e Viamão, vindo, em 1853, a ser a capital da recém-emancipada Província do Paraná. Desde então, a cidade, conhecida pelas suas ruas largas, manteve um ritmo de crescimento urbano fortalecido pela chegada de diversos imigrantes europeus ao longo do século XIX, na maioria, alemães, poloneses, ucranianos e italianos, que contribuíram para a atual diversidade cultural. Atualmente Curitiba é considerada a capital mais desenvolvida do Brasil, tendo um baixo índice de desemprego e um parque industrial diversificado.

Curitiba experimentou diversos planos urbanísticos e legislações que visavam controlar seu crescimento, que a levaram a ficar famosa internacionalmente pelas suas inovações urbanísticas e cuidado com o meio ambiente. A maior delas foi no transporte público, cujo sistema inspirou o TransMilenio, implantado em Bogotá, na Colômbia.

Considerada uma cidade global pela Globalization and World Cities Research Network (GaWC), na categoria "Suficiência" (a menor de todas), foi eleita pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) uma das "cidades criativas" do Brasil em 2014, ao lado de Florianópolis. Curitiba é a capital mais desenvolvida do país, de acordo com o Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal (2025), conta com a segunda melhor taxa de alfabetização e saneamento básico entre as capitais, atrás de São Paulo, e, segundo o Atlas da Violência 2024, divulgado pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), é a oitava capital mais segura do Brasil. Com um PIB de mais de 120 bilhões de reais, é a sétima cidade mais rica da nação. Curitiba foi classificada pelo Índice Verde de Cidades de 2015, realizado pela Siemens com a Economist Intelligence Unit, como a mais ambientalmente sustentável da América Latina.

Etimologia

A etimologia do topônimo "Curitiba" é complicada e sofre mudanças segundo vários autores. Conforme Antenor Nascentes, é vocábulo de procedência da língua tupi “Ku’ri”, que significa “pinheiro” + “tuba”, um sufixo coletivo que tem como significado “pinho, pinhal”. Ex-“Curituba”, na grafia oficial com “o” na primeira sílaba, permanecendo a ortografia “Corituba”, que ocorre como “curé”, significando “pinhão” + “tyba”, que significa “muito” ou “coré” + “tyba”, cujo significado ao todo é “pinheirame”. Os dicionários de Antônio Gonçalves Dias, Orlando Bordoni, Luís Caldas Tibiriçá, Silveira Bueno e Teodoro Sampaio mostram uma versão praticamente igual, com algumas modificações: “curi-tyba” que significa “muitos pinheiros, pinheiral”.

O pesquisador Mário Arnaud Sampaio ensina que a palavra procede da língua guarani pura, “Kuri’yty”, corruptela de “Kuri’yndy” significando “pinheiral”. O presidente do estado do Paraná, Afonso Alves de Camargo estabeleceu oficialmente a atual ortografia, Curitiba, por intermédio de Decreto-Lei, promulgado em 1919, pois, até então o topônimo da cidade era grafado de ambas as formas: “Curityba” e “Corityba”, étimos diferenciados. A denominação dos habitantes naturais do município é curitibanos, topônimo de uma cidade homônima localizada no estado vizinho de Santa Catarina, fundada por moradores de Curitiba..

Eduardo Navarro, em seu Dicionário de Tupi Antigo, afirma provir o termo Curitiba da língua geral paulista, desenvolvimento histórico do tupi antigo. O asterisco em *kuri, na imagem, indica que o termo está presente na toponímia do Brasil, mas que não há registro dela em textos históricos.NAVARRO, Eduardo de Almeida. Dicionário de tupi antigo: a língua indígena clássica do Brasil. São Paulo. Global. 2013. p. 245

Curitiba reúne determinados apelidos no decorrer de seu passado, sendo um dos mais famosos o de Cidade Sorriso. Conforme o que se diz, essa alcunha surgiu num documento ufanista como tentativa de reversão da famosa antipatia sofrida pelo povo da cidade. Outro título dado ao município foi o de Capital Ecológica, em função das políticas dirigidas para a sustentabilidade.

História

Período pré-cabralino e povos indígenas Os primeiros habitantes do Planalto de Curitiba eram paleoíndios nômades que chegaram ali há cerca de 15 mil anos. Há sítios arqueológicos em São José dos Pinhais com presença humana datada de 13 mil anos. Nessa época, a região era mais fria e seca do que é hoje.

Por volta de quatro mil anos atrás, os proto-jê, ceramistas e agricultores, chegaram ao Paraná e se miscigenaram com os indígenas que já habitavam a região, sendo estes os ancestrais de povos como os caingangues e xoclengues. Há cerca de dois mil anos, os tupis-guaranis, também agricultores e ceramistas, chegaram ao território curitibano.

Na época da chegada dos primeiros europeus ao Paraná, o norte de Curitiba era habitado por ameríndios falantes de línguas jês, como os caingangues e xoclengues, enquanto o sul era habitado pelos guaranis mbiás e nhandevas.

Período colonial Os primórdios do atual município de Curitiba remontam ao século XVII, quando o caminho de Queretiba foi percorrido pelos bandeirantes, que chegavam à procura de ouro fora da Serra do Mar, por intermédio de Paranaguá. Eleodoro Ébanos Pereira liderou a primeira expedição oficial que coordenou os serviços de extração de minas de ouro nos Distritos do Sul (inclusive Curitiba), em 1649. Os primeiros nomes que surgem na história de Curitiba, após Ébano Pereira, são os de Baltasar Carrasco dos Reis e Mateus Martins Leme. Entretanto, conforme o historiador Romário Martins:

thumb|Centro Cultural Vilinha e escultura do Cacique Tindiquera, que teria demarcado o marco zero de Curitiba, no vizinho município de Pinhais.|left

Após superar a aventura de cruzar a serra, atraídos pelo ouro, os primeiros povoadores bandeirantes se estabeleciam na povoação chamada Vilinha, em conformidade com registros deixados por historiadores. Segundo os registros históricos e o relato do ouvidor Rafael Pires Pardinho, em 1661, surgiu, ao redor de uma pequena capela de pau-a-pique erguida em louvor a Nossa Senhora da Luz (localizada na atual Catedral Metropolitana de Curitiba), a povoação de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, na qual, em 1668, Gabriel de Lara, cognominado “O povoador”, ergueu um pelourinho, acompanhado de 17 colonos, episódio este considerado, por muitos, como o marco inicial de Curitiba. No entanto, Gabriel de Lara não é descrito como o criador da vila da Curitiba, sendo que o episódio é atribuído a Eleodoro Ébano Pereira por determinados historiadores.

Existe uma lenda sobre a fundação da povoação de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, narrada por vários historiadores, com a qual estão relacionados os grupos de primeiros colonizadores, constituídos pelas famílias Seixas, Soares e Andrade. Esses bandeirantes teriam chamado o cacique dos Campos de Tindiquera, às barrancas do rio Iguaçu, para indicar o lugar mais adequado para a implantação decisiva do povoado. O cacique, na frente de um grupo de habitantes, levou na mão uma enorme vara e, depois de suas longas andanças, palmilhando enorme superfície de campos, fixou essa vara no solo e um local e disse “Aqui”, e neste local construiu-se uma pequena capela, erguida de pau-a-pique, sendo sucedida por outra, de pedra e barro, a qual atendeu a comunidade entre 1714 e 1866, quando foi construída a Catedral Metropolitana.

Na época de sua criação, além da mineração, a economia de Curitiba era baseada na agricultura de subsistência e pecuária. Com o fim do ciclo do ouro na região, no final do século XVII, muitos mineradores se dirigiram para as novas jazidas em Minas Gerais.

Com o crescimento da povoação, os seus habitantes demandavam a sua elevação à categoria de vila. Em 29 de março de 1693, o capitão-povoador Mateus Martins Leme criou a vila de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais, promoveu a primeira eleição dos vereadores e a instalação da Câmara Municipal. Naquela época, em conformidade com Romário Martins, além de Mateus Leme e Carrasco dos Reis, moradores do Barigui, na época povoavam a vila:

Entre 1720 e 1721, veio à vila, com o objetivo de disciplinar a administração local, o ouvidor Rafael Pires Pardinho, sob cujas ordens o nome da vila foi alterado de Nossa Senhora da Luz dos Pinhais para Curitiba e estabeleceu-se normas que se preocupavam com o meio ambiente, como a necessidade de autorização para o corte de árvores nas margens dos rios e riachos.

Após o declínio da mineração de ouro na região de Curitiba, paulatinamente o tropeirismo foi se tornando uma importante fonte de renda para os locais, haja vista que a vila estava localizada no caminho do gado, construído em 1730, do Rio Grande do Sul até Minas Gerais, para comercializar bovinos e muares. Os campos curitibanos eram áreas de criação e reprodução de gado e de invernada.

Com a abertura de uma nova estrada, a qual não atravessava mais seus campos, a vila, durante certa época, permaneceu isolada..

Período imperial thumb|esquerda|Panorama de Curitiba, em gravura de Jean-Baptiste Debret, 1827. Em 1812, Curitiba foi elevada à sede da recém-criada Comarca de Curitiba e Paranaguá. Cinco anos depois, a população da vila era de cerca de 10,5 mil habitantes.

Em 1820, dispunha de 220 casas. No entanto, o começo da extração e da comercialização da erva-mate e a madeira impulsionou novamente seu crescimento. Vinte e dois anos depois já contava com 5 819 habitantes. Em 1820, Curitiba também foi visitada pelo naturalista francês Auguste de Saint-Hilaire, que ficou encantado com a cidade, e certas partes de seus apontamentos afirmam o seguinte:

Esta descrição reflete o caráter do povo curitibano de 1820, que originou a Curitiba do fim do século XX. Da Curitiba do Ligeirinho, da Ópera de Arame, da Rua das Flores e da Rua 24 Horas.

Curitiba foi promovida à condição de cidade pela lei da província de São Paulo n.º 5 de 5 de fevereiro de 1842. Pela Lei Imperial n.º 704, de 29 de agosto de 1853, Curitiba foi designada capital da recém-estabelecida província do Paraná, desmembrada da de São Paulo. Pelo empenho e esforço na emancipação política do Paraná, várias pessoas haviam deixado seu nome nos anais da história. Em 1853, a Câmara Municipal, que operava perto do pátio da matriz, possuindo a seguinte formação: Benedito Enéas de Paula, Fidélis da Silva Carrão, Manuel José da Silva Bittencourt, Floriano Berlintes de Castro, Francisco de Paula Guimarães, Inácio José de Morais, Francisco Borges de Macedo, Antônio Ricardo Lustosa de Andrade, tendo na presidência o coronel Manuel Antonio Ferreira.thumb|Mapa de Curitiba em 1894 thumb|Vista geral de Curitiba em 1900, com dados de progressão populacional: 1780 (2 949 hab.), 1857 (10 000 hab.), 1858 (11 313 hab.), 1872 (11 730 hab.), 1890 (24 553 hab.), 1900 (50 124 hab.) thumb| Antiga Estação Ferroviária de Curitiba, atual Museu Ferroviário de Curitiba. miniaturadaimagem|Praça Tiradentes, anos 1950. Arquivo Nacional.

Na época, a colonização, por intermédio da imigração europeia, especialmente italiana e polonesa, foi estimulada pelo governo da província. Foram criados, desde 1867, 35 núcleos coloniais nas terras de floresta ombrófila mista na periferia dos campos de Curitiba. A cidade experimentou um novo surto progressista. Expandiu-se a agricultura e começou a industrialização.