Frankenstein; ou, O Prometeu Moderno (Frankenstein; or, The Modern Prometheus, no original em inglês), mais conhecido simplesmente por Frankenstein, é um romance de terror gótico com inspirações do movimento romântico, de autoria de Mary Shelley, escritora britânica nascida em Londres. O livro é frequentemente considerado a primeira obra de ficção científica da história, embora este ainda seja um debate aberto. O romance relata a história de Victor Frankenstein, um estudante de ciências naturais que constrói um monstro. Mary Shelley escreveu a história quando tinha apenas 19 anos, entre 1816 e 1817, e a obra foi primeiramente publicada em 1818, sem crédito para a autora na primeira edição. Atualmente costuma-se considerar a versão revisada da terceira edição do livro, publicada em 1831, como a definitiva.
Shelley viajou pela Europa em 1815, seguindo o curso do rio Reno, na Alemanha, e parando em Gernsheim, a 17 quilômetros do Castelo de Frankenstein, onde, cerca de um século antes, o alquimista Johann Konrad Dippel havia realizado experimentos.Hobbler, Dorthy and Thomas. The Monsters: Mary Shelley and the Curse of Frankenstein. Back Bay Books; 20 August 2007.Garrett, Martin. Mary Shelley. Oxford University Press, 2002Seymour, Miranda. Mary Shelley. Atlanta, GA: Grove Press, 2002. pp. 110–11 Em seguida, ela seguiu para a região de Genebra, na Suíça, onde boa parte da história se passa. Galvanismo e ideias ocultistas eram temas de conversa entre seus companheiros, especialmente para seu amante e futuro marido, Percy Bysshe Shelley.
Em 1816, Mary, Percy, John Polidori e Lord Byron participaram de uma competição para ver quem escreveria a melhor história de terror. Após alguns dias de reflexão, Shelley foi inspirada a escrever Frankenstein ao imaginar um cientista que cria a vida e se horroriza com aquilo que criou.
Frankenstein é uma das obras mais conhecidas da literatura inglesa. Combinando elementos do romance gótico e do movimento romântico, teve grande influência na literatura e na cultura popular ocidental, dando origem a um verdadeiro gênero de histórias de horror, filmes e peças de teatro. Desde a publicação do romance, o nome Frankenstein tem sido frequentemente usado para se referir ao monstro.Bergen Evans, Comfortable Words, New York: Random House, 1957Bryan Garner, A Dictionary of Modern American Usage, New York, Oxford: Oxford University Press, 1998.Merriam-Webster's Dictionary of American English, Merriam-Webster: 2002. O aclamado autor de literatura de terror Stephen King considerou Frankenstein um dos três grandes clássicos do gênero, sendo os outros dois Drácula e Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde.Stephen King apresenta clássicos do terror Jornal O Estado de S. Paulo. 10 de fevereiro de 2002. A obra está em domínio público e está disponível gratuitamente na internet em língua inglesa.Frankenstein, de Mary Shelley. Íntegra original em língua inglesa. Planet PDF.
Enredo O romance é narrado através de cartas escritas pelo capitão Robert Walton à sua irmã enquanto ele está ao comando de uma expedição náutica que busca achar uma passagem para o Polo Norte. Quando o seu navio fica preso no gelo, a tripulação avista a criatura de Victor Frankenstein viajando em um trenó puxado por cães. A seguir, o mar se agita, liberando o navio, e em uma balsa de gelo avistam o moribundo doutor Victor Frankenstein. Ao ser recolhido, Frankenstein passa a narrar sua história ao capitão Walton, que a reproduz nas cartas à irmã. A história do capitão Walton é chamada de narrativa moldura (às vezes também narrativa quadro), onde uma história contém outra.
Victor Frankenstein começa contando de sua infância em Genebra como filho de um aristocrata suíço e adolescência como estudante autodidata dedicado e talentoso. Neste ponto, ele apresenta Elizabeth, criada como irmã adotiva, e Henry Clerval, seu amigo para a vida toda. Frankenstein se interessa pelas ciências naturais e acaba estudando livros de mestres alquimistas, especialmente Cornélio Agripa, Paracelso e Albertus Magnus até os 17 anos de idade, quando seus pais o enviam para estudar na Universidade de Ingolstadt, na Alemanha. Porém, antes da partida, sua mãe vem a falecer.
Ao chegar em Ingolstadt, o jovem Victor procura seus futuros mestres, que condenam fortemente o tempo de estudo dedicado aos mestres alquimistas, e lhe apresentam às modernas ciências naturais. Empenhado em descobrir os mistérios da criação, Victor estuda febrilmente e acaba encontrando o segredo da geração da vida, o qual se recusa a detalhar ao seu interlocutor, o capitão Walton.
Frankenstein então se dedica a criar um ser humano, sacrificando o contato com a família e a própria saúde, e, após dois anos, obtém sucesso. Porém, Victor se enoja com sua criação e a abandona, fugindo. É encontrado por seu amigo Clerval, que viera a Ingolstadt estudar. Exausto, sucumbe à febre, sendo cuidado por seu amigo pelos meses seguintes, até seu restabelecimento.
Victor Frankenstein recebe uma carta de seu pai relatando o assassinato de William, o seu irmão mais novo, e pedindo a sua volta. Ao chegar em Genebra, é informado que Justine, uma criada muito querida da casa dos Frankenstein, é acusada do crime, sendo encontrada com ela a joia que o menino levava antes de desaparecer, e que não estava junto ao cadáver. Mesmo assim Victor está convencido de que Justine é inocente, e o verdadeiro culpado é a sua criatura. As evidências contra ela, porém, são fortes e Justine é condenada à morte pelo crime e eventualmente executada. Frankenstein sente-se culpado por ter criado o monstro, mas guarda para si o segredo de sua existência.
Lutando contra o desespero, o doutor Frankenstein resolve escalar o Monte Branco. Durante a subida, é encontrado por sua criatura, que é surpreendentemente articulada e eloquente. O monstro conta sua história, narrando como fugiu do laboratório de Frankenstein para uma floresta próxima, onde aprendeu a comer frutas e vegetais, e a usar o fogo. Por conta de sua aparência repulsiva, o monstro diz que foi obrigado a esconder-se de outras pessoas, finalmente encontrando abrigo no depósito de lenha anexo à cabana de uma humilde família, formada por um pai cego e um casal de irmãos. Vivendo lá, o monstro observou através de frestas na parede a vida da família, afeiçoando-se a eles e ajudando-os em segredo. Espionando as aulas que davam à noiva árabe do irmão, aprendeu a língua e a escrita. E folheando alguns livros que encontrou, aprendeu sobre a vida e a virtude humanas. Após longo tempo vivendo escondido da família, o monstro decidiu apresentar-se. O pai da família estava sozinho e, sendo cego, não notou a aparência repugnante do monstro. Quando os filhos retornaram à casa, porém, assustam-se com o monstro e escorraçam-no para em seguida fugirem da cabana. A criatura então rebela-se contra a humanidade e, amargurada, resolve procurar seu criador, cujo diário descobrira no bolso do casaco que levou do laboratório na noite da fuga.
Ao chegar em Genebra, o monstro encontra o irmão mais novo de Victor, William, e assassina-o, incriminando depois Justine. Depois de terminar sua narração, ele finalmente exige a promessa de que Frankenstein construa uma fêmea para ele, prometendo por sua vez deixar a humanidade em paz e ir viver com a sua noiva nas selvas sul-americanas. Caso o cientista se recusasse, o monstro jura fazê-lo passar por tormentos inimagináveis. Extremamente contrariado, Frankenstein concorda e, ao voltar para Genebra, torna-se noivo de Elizabeth, partindo depois com Clerval à Inglaterra para cumprir sua promessa.
Na Grã-Bretanha, Frankenstein, após passar por Londres e algumas cidades da Escócia, onde as ciências naturais se encontravam mais avançadas, vai para uma das ilhas do arquipélago das Orkneys, onde começa a construir a fêmea. Entretanto, ele muda de ideia, temendo criar uma raça de monstros que pudesse se virar não só contra ele, mas contra toda a humanidade. Após fazer várias considerações, Frankenstein decide que ele tem que sofrer as consequências por seus atos e não a humanidade, destruindo a criatura incompleta. O monstro acompanha o ato, e jura se vingar, assassinando Clerval em seguida. Frankenstein chega a ser acusado do crime, mas é inocentado por possuir um forte álibi. Seu pai vem lhe buscar e ambos retornam à Suíça.
Mesmo devastado pela culpa e pela tristeza, Frankenstein se casa com Elizabeth e no mesmo dia sai para viajar em lua de mel. Na noite de núpcias, fica vigiando a casa, temendo um ataque da criatura contra ele, mas mesmo assim o monstro ataca Elizabeth e a estrangula. Frankenstein volta a Genebra, e, com a notícia da morte de Elizabeth, seu pai adoece e morre em seguida. Jurando vingança, ele passa então a perseguir sua criatura, que o leva através de uma longa caçada em direção ao norte, prosseguindo pelos mares congelados, onde eventualmente são avistados pelo capitão Walton e sua tripulação.
O navio dos exploradores fica preso no gelo, e Frankenstein, já bastante doente, acaba morrendo. O capitão Walton então surpreende a criatura na cabine, no leito de morte de seu criador, em prantos. Ela diz para Walton que não havia mais o que temer, pois seus crimes terminaram com a morte de Frankenstein, prometendo em seguida partir ao extremo Norte e lá cometer suicídio.
Origem miniatura|esquerda|A Villa Diodati, residência de Lord Byron, onde Frankenstein começou a ser escrito Em 1815, o Monte Tambora na ilha de Sumbawa, atual Indonésia, entrou em erupção. Como consequência, um milhão e meio de toneladas de poeira foram lançadas na atmosfera, bloqueando a luz solar, deixando o ano de 1816 sem verão no hemisfério norte.
Neste ano, Mary Shelley, então com 19 anos e ainda com o nome de solteira Mary Wollstonecraft Godwin, e seu futuro marido, Percy Bysshe Shelley, foram passar o verão à beira do Lago Léman, onde também se encontrava o amigo e escritor Lord Byron. Forçados a ficarem confinados por vários dias, os três já mencionados e mais outro hóspede, o também escritor John Polidori, passaram o tempo lendo uns para os outros historias de horror, principalmente histórias de fantasmas alemãs traduzidas para o francês.
Eventualmente, Lord Byron propôs que os quatro escrevessem, cada um, uma história de fantasmas. Byron escreveu um conto que posteriormente comporia a conclusão de seu poema "Mazzepa". Inspirado por outro fragmento de história de Byron desta época, Polidori mais tarde escreveria o romance O Vampiro, que seria a primeira história ocidental contendo o vampiro como conhecemos hoje, e que décadas depois inspiraria Bram Stoker no seu Drácula. Porém, passados vários dias, Mary Shelley ainda não conseguira criar uma história. Eventualmente ela veio a ter uma visão sobre um estudante dando vida à uma criatura. Essa visão tornou-se a base da história de Frankenstein, a qual Mary Shelley veio a desenvolver em um romance, encorajada pelo seu futuro marido.
Desta forma, é curioso notar que o Frankenstein e o Vampiro vieram a ter sua gênese literária na mesma ocasião.
Shelley relatou sua versão da gênese da história no prefácio à terceira edição de seu romance.
O nome da criatura Embora a cultura popular tenha associado o nome "Frankenstein" à criatura, esta não é nomeada por Mary Shelley. Ela é referida como “criatura”, “monstro”, “demônio”, “desgraçado” por seu criador. Após o lançamento do filme Frankenstein em 1931, o público passou a chamar assim a criatura. Isso foi adotado mais tarde em outros filmes. Alguns argumentam que o monstro é, de certa forma, um “filho” de Victor, portanto, pode ser chamado pelo mesmo sobrenome.
Frankenstein é o antigo nome de uma antiga cidade na Silésia, local de origem da família Frankenstein. Mary Shelley teria conhecido um membro desta família, o que possivelmente influenciou sua criação.
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