Polaroides Urbanas é um filme de comédia dramática brasileiro de 2008 dirigido por Miguel Falabella e estrelado por Marília Pêra, Arlete Salles, Natália do Vale, Neusa Borges, Roberta Gualda, Stella Miranda, Otávio Augusto e Marcos Caruso nos papéis principais. O roteiro de Falabella é adaptado de sua peça Como Encher um Biquíni Selvagem. O filme foi distribuído nos mercados internacionais como Urban Snap-Shots. A trama é uma comédia de costumes e acompanha diversos personagens que fazem parte do cotidiano, cheio de conflitos e situações próprias entrelaçadas.
Sua estreia no Miami Brazilian Film Festival ocorreu em junho de 2007, tendo sido aplaudido pelo público e rendendo elogios ao roteiro de Miguel Falabella. O filme recebeu o troféu Lente de Cristal de Melhor Filme pelo voto popular. Posteriormente, recebeu avaliações mistas por parte da crítica especializada, que teceu diversos elogios para as interpretações, sobretudo as de Marília Pêra, Arlete Salles e Neusa Borges, e pela mescla de drama e comédia, mas também fez críticas negativas para a estrutura narrativa do roteiro e aspectos técnicos, como a trilha sonora.
Polaroides Urbanas foi lançado oficialmente nos cinemas brasileiros em 29 de fevereiro de 2008 pela Buena Vista Internacional. O filme teve uma distribuição limitada e um público de pouco mais de 100 mil espectadores. Nos Prêmios Guarani de 2009, o filme recebeu duas indicações, de Melhor Atriz para Marília Pêra e Melhor Efeitos Visuais. Pêra também recebeu o prêmio de Melhor Atriz no Miami Brazilian Film Festival.
Premissa A partir da rotina enfadonha da dona de casa Magali Santoro (Marília Pêra), diversas histórias se entrelaçam por conexões invisíveis. Presa a um casamento morno com Edmundo (Otávio Augusto), ela inveja a vida da irmã gêmea Magda, que viaja pelo mundo ao lado do marido atrapalhado Adalberto (Marcos Caruso) sem jamais se aprofundar em nada. Ao assistir a uma peça da atriz em decadência Lise Delamare (Arlete Salles), Magali revela que ambas são pacientes da psiquiatra Paula (Natália do Vale), uma profissional em crise diante da tentativa de suicídio da filha adolescente Melanie (Roberta Gualda), que encontra acolhimento na empregada Crioula (Neusa Borges).
Nesse mesmo universo, Arnaldo (Alexandre Slavieiro), filho de Magda e Edmundo, vive uma paixão obsessiva por Vanessa (Juliana Baroni), que já se envolveu com o garoto de programa Mike (Nicolas Trevijano). Entre essas trajetórias, Dalva (Stella Miranda), uma atendente de um centro de apoio contra o suicídio que perdeu a filha, surge como elo de empatia, conectando vidas à beira do colapso.
Elenco e personagens
Produção O roteiro do filme foi concebido por Miguel Falabella em uma adaptação de sua própria peça de teatro Como Encher um Biquini Selvagem, vista por mais de um milhão de espectadores e encenada originalmente na década de 1990 com Cláudia Jimenez interpretando todos os personagens femininos retratados no texto. Este foi o primeiro filme dirigido por Falabella, que anteriormente havia dirigido no teatro e na televisão.
A personagem Vanessa, interpretada por Juliana Baroni, foi inspirada no papel de Nola Rice, interpretado por Scarlett Johansson no filme Match Point, de Woody Allen.
Escolha do elenco Inicialmente, a atriz escolhida para interpretar as gêmeas Magda e Magali foi Cláudia Jimenez, intérprete das personagens no teatro. No entanto, a atriz não aceitou participar do projeto. O texto então foi apresentado para Regina Casé, mas a atriz não pôde participar por conflito de agenda. Marília Pêra foi convidada em seguida e aceitou as personagens. "Claudia não pôde fazer, a Regina também não e o roteiro chegou nas minhas mãos no sufoco. Faltavam 15 dias para começar as filmagens. Li o roteiro e fiquei louca para fazer, mas tive pouco tempo para me preparar", disse a atriz sobre a escalação para o filme. Neusa Borges foi escolhida pelos produtores, da família Barreto, que, ao lerem o texto e o perfil da personagem Crioula, logo pensaram na atriz para interpretá-la. Miguel Falabella convidou atores que realizaram parceria com ele em suas obras anteriores para o elenco, incluindo Arlete Salles, Natália do Vale, Stella Miranda, Mary Sheila, Alessandra Maestrini, Juliana Baroni e Otávio Augusto.
Filmagens As filmagens tiveram início em fevereiro de 2006 e foram finalizada em março do mesmo ano. As gravações de Polaroides Urbanas ocorreram na cidade do Rio de Janeiro, com diversas cenas externas. As locações foram na Praça Nossa Senhora da Paz, na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Aterro do Flamengo e nos bairros de Ipanema e Barra da Tijuca.
Lançamento Polaroides Urbanas teve sua première oficial durante o 11° Miami Brazilian Film Festival, ocorrido nos Estados Unidos em junho de 2007, onde recebeu elogios do público e recebeu o prêmio de melhor filme do júri popular. O filme foi lançado oficialmente nos cinemas do Brasil em 29 de fevereiro de 2009 pela Buena Vista Internacional.
Repercussão miniaturadaimagem|298x298px|Marília Pêra foi elogiada pela interpretação cômica e dramática no filme. Ela foi indicada ao Prêmio Guarani de Melhor Atriz.
Bilheteria Polaroides Urbanas foi lançado em 33 salas de cinema no Brasil em fevereiro de 2008. Ao longo de sua exibição, foi assistido por 108.277 espectadores e gerou uma receita total de R$ 837.665,00.
Recepção crítica A crítica especializada recebeu o filme de forma mista. Cecília Barroso, escrevendo para o Cenas de Cinema, destacou que o sucesso do filme está "ao alternar entre o super divertido e o tocante", mas pontuou que o roteiro do filme "possui problemas", a trilha sonora é "equivocada" e as atuações do filme são irregulares misturando "grandes atuações com a insegurança da inexperiência de alguns". Barroso escreveu que Marília Pêra dá um "show de atuação" no papel de uma dona de casa frustrada e uma irmã gêmea oposta e que sua performance "sem ser avacalhada e nem contida demais, arranca boas risadas e conquista quem está na plateia". A crítica também elogiou os desempenhos de Neusa Borges (descrita como mais tocante da trama), Natália do Vale, Arlete Salles e Stella Miranda, mas fez ressalvas quanto as atuações de Roberta Gualda e Juliana Baroni que, embora boas em seus papéis, "ainda precisam se desvencilhar dos tiques que a televisão deixa em seus atores".
Ao Cinema com Rapadura, Diego Benevides pontuou o filme com 7 em 10 pontos e disse que a principal virtude do filme é o desempenho do time de atrizes. Benevides escreveu que o "cinema brasileiro precisa de realizadores com maior tato como Falabella. Seja em dramas, comédias ou dramédias, é preciso registrar que no Brasil somos bons contadores de histórias e que nem sempre precisamos lembrar-nos de favela, traficante e polícia para escrever um filme competente. Polaróides Urbanas não nasceu para ser um filme perfeito, até porque trata das imperfeições de pessoas como eu ou você, caro leitor. Porém, marca uma experiência mais que deliciosa em ver um elenco único vivendo tragédias tão próximas de nós".
Raphaella Spencer, para a revista OGrito!, pontuou que o filme "cultiva exageros estéticos da TV e do Teatro". Spencer escreveu ainda: "Uma das referências de Miguel Falabella foi o diretor espanhol Pedro Almodóvar, mas além de algumas semelhanças estéticas, o estreante não atinge aspectos reconhecidos do diretor espanhol como a composição de inusitados personagens que apesar de impensados convencem por suas interpretações. No caso de Polaróides Urbanas, fica exatamente a sensação oposta. Apesar de simples, as atuações são “over” demais para convencer como retratos do cotidiano.
Marcelo Müller, escrevendo para o site Papo de Cinema, fez uma crítica negativa ao filme: "Dá para imaginar Falabella se divertindo muito ao fazer Polaróides Urbanas, e esse sentimento, possivelmente ocasionado pela companhia de amigos e fieis colaboradores no set, é a única nota dissonante (portanto positiva e transparente) numa obra errática, anódina e completamente esquecível. Nem mesmo as presenças de Marília Pêra, Arlete Salles, Natália do Vale, Berta Loran, Lúcio Mauro, Marcos Caruso ou Otávio Augusto, apenas para citar alguns, salvam a estreia de Miguel Falabella como cineasta. Há certos filmes que crescem após a sessão, motivo pelo qual é recomendado não nos atirarmos às primeiras impressões, mas Polaróides Urbanas precisa melhorar um bocado para ser taxado de ruim".
Prêmios e indicações +AssociaçõesAnoCategoriaRecipiente(s)ResultadoRef.Miami Brazilian Film Festival2007Melhor Filme de Longa-metragem (voto popular)Polaroides UrbanasMelhor AtrizMarília PêraMelhor RoteiroMiguel FalabellaPrêmio Contigo! de Cinema Nacional2008Melhor AtrizMarília PêraMelhor Atriz CoadjuvanteArlete SallesPrêmio Qualidade Brasil2008Melhor Filme Polaroides UrbanasMelhor Diretor de CinemaMiguel FalabellaMelhor Atriz de CinemaMarília PêraMelhor Ator Coadjuvante de CinemaMarcos CarusoMelhor Atriz Coadjuvante de CinemaNeusa BorgesMelhor Ator Revelação de CinemaAlexandre SlavieroMelhor Atriz Revelação de CinemaRoberta GualdaPrêmio Guarani de Cinema Brasileiro2009Melhor AtrizMarília PêraMelhor Efeitos VisuaisGustavo Hadba
Ligações externas
Cartaz do filme
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