O Rally de Portugal é a maior prova de desporto motorizado que se realiza anualmente em Portugal. A primeira edição foi disputada em 1967 e desde aí tem contado para diversos campeonatos internacionais, tais como o Campeonato Europeu, o Intercontinental Rally Challenge e o Campeonato do Mundo de Ralis, no qual ainda está integrado. A organização da prova está a cargo do Automóvel Club de Portugal.

História thumb|Especial de Fafe no Rali de 2018|280px Especial de Montejunto de 1988|thumb|280px thumb|Especial de Sintra no Rali de 1985|280px thumb|Especial de Montejunto de 1988|280px

O Rallye Internacional TAP – assim se designou a sua primeira edição internacional – foi a continuação de uma prova criada no início da década de 60 pelo Grupo Cultural e Desportivo da TAP, quando a Transportadora Aérea Portuguesa decidira criar uma pequena competição para os seus funcionários. A prova conquistou terreno e ganhou um mediatismo significativo com a entrada de algumas figuras de peso para a organização – Alfredo César Torres, em 1965, que seria o rosto da prova até ao final dos anos 90, e o engenheiro Vaz Guedes, em 1966, presidente da TAP na altura, que implementou um regime aberto a todos os participantes. Nasceu assim, em 1967, o Rallye Internacional TAP.

Depois de uma edição inicial coroada pelo sucesso, o Rally de 1968 registou um número total de 190 inscritos e a partir daí documentou um crescimento progressivo. Em 1970, três anos após a criação, a prova viu os seus méritos reconhecidos na Europa com a inclusão no Campeonato Europeu de Ralis, seguido pela integração no Campeonato do Mundo de Ralis em 1973. A edição de 1972 foi a última em que se utilizaram percursos de concentração e, pela primeira vez, o apuramento dos resultados era definido exclusivamente pelos tempos nas diversas provas especiais de classificação (PEC), deixando de existir os habituais controlos horários de passagem.

Com a entrada para o Campeonato do Mundo, e após oito edições, em 1975, o Automóvel Club de Portugal substituiu o Grupo Cultural e Desportivo da TAP na organização da prova. Após sucessivos adiamentos, a mesma realizou-se em julho já com um novo patrocinador, o Instituto do Vinho do Porto, mudando o nome da prova para Rallye de Portugal - Vinho do Porto.

Por esta altura, o sucesso da prova era evidente. No final da década de 70 e início da de 80, o Rally recebeu por cinco edições consecutivas, de 1976 a 1980, e ainda em 1982, o título de Melhor Rali do Mundo atribuído pela BPICA (Bureau Permanent International des Constructeurs d´Automobiles).

No entanto, devido aos problemas com os espectadores, a ronda de Sintra (que até 1981 era realizada na noite da última etapa) passou, a partir de 1982, a ser na manhã/tarde da primeira etapa. Por consequência (e pela proximidade de Lisboa), a afluência de espectadores era tanta que acabou por causar muitos problemas à organização e às equipas participantes.

Em 1986, na época de ouro dos Grupo B, a prova tinha uma lista de inscritos de luxo, o que chamou ainda mais público à Serra de Sintra, para a primeira etapa da prova. Infelizmente, o elevado número de espectadores levou a que o acidente do piloto português Joaquim Santos, na Lagoa Azul, tivesse consequências trágicas, com a morte de diversos espectadores e um número elevado de feridos. Isso levou ao cancelamento de toda a ronda de Sintra e ao abandono dos pilotos de fábrica da prova. Este episódio, e ainda a trágica morte do piloto Henri Toivonen, no Tour de Corse, em França, levou a FISA a banir os Grupo B no fim de 1986.

Um ano após a tragédia na Lagoa Azul, a prova viu-se amputada dos populares troços junto a Lisboa, o que (conjuntamente com a introdução dos Grupo A) fez com que muitos espetadores deixassem de marcar presença. Infelizmente, não evitou a morte de mais um fã no troço do Marão, devido a um acidente que teve como protagonista um piloto português.O Rally, entretanto, tinha-se tornado num feudo da Lancia com diversas vitórias entre 1987 e 1992 – período que só foi interrompido pela vitória do piloto espanhol Carlos Sainz e o seu Toyota. Em 1994, o patrocinador original do Rally regressou e, até 2001, a prova passou a designar-se TAP/Rally de Portugal. No ano seguinte, e devido aos novos regulamentos internacionais, o Rally sofre uma nova mudança na estrutura. A etapa inicial em alcatrão deixou de existir e a prova viu-se consequentemente encurtada para três dias, com a partida na Figueira da Foz. Curiosamente, foi sob este modelo que o Rally teve as suas edições mais disputadas: entre 1995 e 2001, por cinco vezes, o primeiro e o segundo classificado ficaram separados por menos de 12 segundos.

Depois de três edições, em 1998 o quartel-general da prova mudou-se para a Exponor, em Matosinhos, e decorreu, pela primeira vez, sem o seu mentor, Alfredo César Torres, que havia falecido, em Londres, meses antes. Um ano depois, e pela primeira vez na sua história, o Rally tem como partida e chegada das etapas a mesma localidade: Matosinhos. Na sua última edição (a contar para o Campeonato do Mundo), os organizadores ainda tiveram tempo de receber mais um prémio: o de “The Most Improved Rallye of the Year”, em 2000. Infelizmente, tal reconhecimento não foi suficiente e, no final de 2001, o TAP/Rallye de Portugal foi substituído no calendário do Campeonato do Mundo de Ralis pelo Rali da Alemanha, depois de uma das suas edições mais difíceis, devido ao temporal que se abateu sobre a prova, principalmente, nas duas primeiras etapas.

Com a eleição de novos corpos sociais, no Automóvel Club de Portugal, e cumprindo uma das suas promessas eleitorais, o novo presidente do ACP, Carlos Barbosa, e a sua equipa montaram uma prova candidata em 2005 e 2006 para o Campeonato do Mundo de Ralis. Como reconhecimento do excelente trabalho desenvolvido, seis anos depois, a prova volta ao principal campeonato de ralis do mundo. Desde então – e depois de um interregno, em 2008, para acolher o IRC – Intercontinental Rally Challenge –, que o Rally de Portugal tem um lugar fixo no calendário do WRC - World Rally Championship. Em 2017, oito dos 11 troços que compunham o Rally de Portugal apresentaram alterações face ao ano anterior. O ano que marcou o 50º aniversário da prova ficou assinalado por novidades em termos de regulamentos, carros e alinhamento de equipas. Desta forma, os resultados mostraram-se os mais equilibrados dos últimos anos a nível competitivo, com nove pilotos de diferentes equipas a assinarem vitórias em várias classificativas.

A edição de 2020 foi cancelada devido à pandemia causada pela COVID-19, voltando só no ano seguinte. Em 2021, a 54ª edição regressou com público autorizado aos troços do norte do país com a novidade da passagem por Felgueiras. Para 2022, a prova contou com mudanças nos modelos em competição, com uma aposta virada para a sustentabilidade. A celebrar os 50 anos do WRC, os novos carros apresentaram um formato híbrido e têm motores a gasolina turbo que utilizam um combustível verde para uma prova livre de combustíveis fósseis.

Palmarés do Rally de Portugal

1967-2001