O Partido Revolucionário do Proletariado foi uma organização política socialista revolucionária portuguesa, nascida na clandestinidade em setembro de 1973, ainda sob regime fascista.

Juntou ex-membros da CDE, católicos progressistas, outros anti-fascistas e anti-capitalistas a membros das BR. Em face da então fraude eleitoral recorrente em Portugal e do golpe anti-democrático de Pinochet no Chile, o PRP defendia a revolução socialista e a ditadura do proletariado (retirado do seu manifesto constitutivo de 1973).

Os seus jornais Revolução e Página Um passavam mensagens anticolonialistas e anti-imperialistas. Politicamente esteve muito ativo durante o PREC. Promovia ações que envolvia diretamente os cidadãos, envolvendo-se em comissões de moradores, ações de consciencialização da população, ocupações urbanas e em iniciativas de providenciar nova habitação (SAAL). Defendiam uma "democracia de base" no partido e sociedade.

Durante este período, o PRP confundiu-se com as Brigadas Revolucionárias, funcionando estas de forma articulada e organizada recebendo apoio financeiro e dando-lhe cobertura politica. Nunca concorreu a qualquer eleição legislativa ou autárquica, tendo no entanto apoiado Otelo Saraiva de Carvalho nas duas eleições presidenciais.

Terminou a atividade efetiva em 1978, com a prisão da maioria dos seus dirigentes, entre os quais Isabel do Carmo e Carlos Antunes, tendo havido campanhas de solidariedade da sociedade civil. Uma parte dos militantes viriam a se transferir para a Organização Unitária dos Trabalhadores, sendo o partido declarado extinto apenas em 5 de junho de 1980.

O período clandestino durante a ditadura

O PRP vai corresponder às preocupações de uma série de ativistas políticos perto do fim da ditadura. César Oliveira descreve uma reunião do seu grupo político com "o grupo que viria a ser o PRP" para discutir a participação relativamente às "eleições" legislativas de 1973. Esta reunião estava inserida numa série de reuniões com outros movimentos políticos. Na sala do escritório de Jorge Sampaio, este, César Oliveira, Victor Wengorowius, ou José Manuel Galvão Teles, vão reunir com "da outra parte, a Isabel do Carmo, um militante creio eu chamado José de Sousa, uma médica colega da Isabel do Carmo e o Goulart".César Oliveira (1993) Os Anos Decisivos: Portugal 1962-1985: Um Testemunho. Lisboa: Editorial Presença. Coleção Diversos, 3. ISBN 972-23-1722-9

Nasceu, em setembro de 1973 de uma cisão na Frente Patriótica de Libertação Nacional (FPLN). A ideologia do Partido Revolucionário do Proletariado pode ser caracterizada como comunista de esquerda - corrente socialista revolucionária antiparlamentarista e anti-marxista-leninista. Defendia a organização autónoma da população, em assembleias e comissões de trabalhadores e de moradores, como a forma mais legítima e autêntica da luta de classes. O PRP porém, ao contrário de outras correntes socialistas libertárias como o anarco-sindicalismo ou o conselhismo que não consideram necessária a constituição de um partido político, defendia que a simples organização autónoma dos trabalhadores não era suficiente para a tomada do poder e a constituição da ditadura do proletariado. Como tal, defendia que a existência de um partido era imprescindível para a organização dos trabalhadores e militantes mais politicamente ativos, muito embora o PRP reconhecesse e aceitasse a desconfiança que a classe operária terá nos partidos políticos, e até criticando partidos leninistas que, segundo o PRP, acreditam no "milagre" dos trabalhadores aceitarem um partido único de vanguarda. Dava importância à luta armada, como refletido no seu símbolo.

Surge no final do marcelismo, três anos depois da criação das Brigadas Revolucionárias (BR), grupo armado com o qual se articulava ideológica e organicamente, uma vez que muitos dos seus membros eram já militantes deste grupo terrorista. O PRP-BR não era uma organização política que tinha um braço armado, nem tão pouco um aparelho militar que tinha um braço político. Buscava uma nova síntese entre a luta política e a luta armada, tal como entre a luta legal e a luta clandestina. Os militantes das Brigadas Revolucionárias estavam enquadrados no PRP, mas nem todos os militantes do PRP participavam nas actividades das BR.

Durante o último período do Estado Novo desenvolveu atividade de sabotagem de retaguarda contra objetivos militares portugueses, para favorecer a luta dos movimentos independentistas das então colónias portuguesas. Num desses atentados, dois militantes seus perderam a vida no manuseamento dos explosivos.

Para a sua infraestrutura clandestina aproveitava as suas ligações com sectores dos católicos progressistas.

Durante o PREC

Pós 25 de abril de 1974

Na legalidade Depois da revolução dos cravos passou a ter atividade pública. Publicava os jornais Revolução, dirigido por Isabel do Carmo, e Página Um por Jorge Fagundes, também ele advogado dos dirigentes Isabel do Carmo, Carlos Antunes e Fernanda Fráguas, posteriormente detidos. em Junho de 1978.

Este tipo de organizações autónomas teve um papel social extraordinariamente ativo durante o Processo Revolucionário em Curso (PREC), responsável por uma onda maciça de greves e ocupações. Foi na convergência em assembleias populares de comissões de trabalhadores, moradores e os militares mais à esquerda do Movimento das Forças Armadas (MFA), que estas formas de organização mais se aproximaram da dualidade de poderes, efetivamente contestando e desafiando as estruturas do poder do Estado durante os governos provisórios. A organização tinha orientações libertárias, com críticas ao Estalinismo e à repressão do socialismo de rosto humano, defendendo uma "democracia de base" no partido e na sociedade.

Seguindo a sua linha antiparlamentarista, não se apresentou às eleições de 25 Abril de 1975 para a Assembleia Constituinte, tendo defendido a abstenção ou o voto nulo e participado na campanha com o slogan: "A arma é o voto do Povo".

O partido exercia alguma influência em algumas empresas como a Lisnave (um dos baluartes da luta revolucionária dos trabalhadores), e no processo das operações do Serviço de Apoio Ambulatório Local (SAAL). Tinha influência também nos sectores militares revolucionários, nomeadamente junto do COPCON, muito devido à ligação que o PRP mantinha com Otelo Saraiva de Carvalho. Os seus contactos no COPCON serviram-lhe também para organizar um pequeno destacamento militar vinculado ao partido, que participou em ações de consciencialização cívico-revolucionária no distrito de Bragança durante o verão de 1975.

Solidariedade com os "povos das colónias" Em maio de 1974, o PRP subscreve o manifesto “Trabalhadores portugueses, povos das colónias: o mesmo combate” em conjunto com Comissões de Base Socialistas (CBS), Liga Comunista Internacional (LCI), Liga de Unidade e Acção Revolucionária (LUAR), URML e CICS. Solidarizam-se com FRELIMO, MPLA e PAIGC e com a independência imediata das colónias (p.29-31).

Em agosto de 1974, apelam à participação de uma manifestação na Estrela, dia 15, de solidariedade com a independência conjunta da Guiné Bissau e Cabo Verde, contra o colonialismo e o neo-colonialismo (p.92-93).

Em abril de 1975, o secretariado político do PRP-BR defende a solidariedade com o povo angolano e o MFA (p.251). Em Maio, mobiliza para uma manifestação de apoio ao povo de Timor Leste organizada pela Fretilin a ocorrer em 20 de maio no Rossio, denunciando o "imperialismo americano" e uma eventual integração na Indonésia (p.273).

Os Conselhos Revolucionários de Trabalhadores, Soldados e Marinheiros e a Escola de Cultura Proletária Durante 1974 e 1975, foi responsável pela organização dos Conselhos Revolucionários de Trabalhadores, Soldados e Marinheiros (CRTSM), uma das primeiras tentativas de união entre as organizações autónomas de trabalhadores e os militares do MFA, visando a articulação nacional das comissões de trabalhadores e a sua potencial preparação para a autodefesa armada da revolução. O PRP favorecia a decisão democrática no seio destes e criticava o PCP e os seus Comités da Defesa da Revolução, que dizia serem controlados por militantes do partido e não eram responsáveis ante assembleias de trabalhadores.

Os CRTSM chegaram a ser alardeados por Christopher Reed, jornalista do The Guardian em visita a Portugal em 1975, como o potencial "nascimento de sovietes". O próprio Otelo Saraiva de Carvalho considerava-os, juntamente com as comissões de moradores, a essência da revolução portuguesa, comparando-os também com os sovietes russos de 1917. No entanto, os CRTSM tinham um carácter político e teórico, desligados da realidade das principais lutas económicas do seu tempo, além das dificuldades que enfrentaram com a deficiente coordenação local e regional das comissões de trabalhadores, com a agudização da luta político-partidária entre a classe operária e a excessiva concentração dos Conselhos em Lisboa.

Em 1975 o PRP tentou criar uma Escola de Cultura Proletária alternativa ao ensino burguês. Para tal ocupou, em conjunto com a LUAR, uma moradia em Cacilhas, mas acabou por ser em Lisboa, num solar igualmente ocupado na Av. 5 de Outubro, que concretizou a Universidade Proletária Ernesto e Luis, assim designada em homenagem aos seus dois militantes operários mortos numa ação armada antes do 25 de Abril. Até 1977 aí organizou debates públicos, cursos livres e uma livraria de temáticas anticapitalistas.

Verão Quente de 1975

O ataque à sede do PRP em São João da Madeira O secretariado político do PRP-BR emitiu um comunicado a 1 de agosto de 1975 denunciando a "violência reaccionária". Na madrugada desse dia, a sua sede em São João da Madeira foi atacada pela "reação", no seguimento dos múltiplos ataques e destruição de sedes de partidos de esquerda instigados pelos Movimento Democrático de Libertação de Portugal (MDLP), Exército de Libertação de Portugal (ELP), entre outros.

Face a estes ataques violentos e de "vandalismo", o comunicado apela à "resistência armada" face aos avanços da "reação", já que o "legalismo" e o "pacifismo" não tinham resultado no Chile, culminando com a morte de Salvador Allende e a tomada de poder por Augusto Pinochet.

Ao contrário de outras localidades e do Chile, o PRP-BR realça que a GNR de São João da Madeira ficou do lado dos agredidos. No entanto, apesar de alguns dos organizadores do ataque terem sido identificados, não ficaram detidos devido a "outras forças mostraram hesitações".

Aliança Povo-MFA, FUR e SUV Durante o Verão Quente de 1975, o PRP apoiou inicialmente o Documento Guia da Aliança Povo-MFA e o Documento do COPCON, dois documentos que defendem que o rumo da revolução portuguesa siga pelo caminho do socialismo revolucionário puramente alicerçado na democracia direta e popular, e não um regime representativo como aquele se encontrava em redação na Assembleia Constituinte.

No final de Agosto de 1975, o PRP integrou a Frente de Unidade Revolucionária junto com outros partidos de esquerda. Foi criada essencialmente para apoiar o V Governo Provisório de Vasco Gonçalves, após cuja queda serviu principalmente para a convocação de manifestações e a tomada de algumas posições conjuntas.