Marco Aurélio Garcia (Porto Alegre, 22 de junho de 1941 – São Paulo, 20 de julho de 2017), comumente conhecido por seu acrônimo MAG, foi um intelectual, internacionalista, historiador, professor universitário, fundador e ex-Presidente do Partido dos Trabalhadores (PT). PT. Nota de pesar pelo falecimento de Marco Aurélio Garcia. Brasília, 2017. Disponível em: https://pt.org.br/blog-secretarias/nota-de-pesar-marco-aurelio-garcia-fara-muita-falta-para-o-pt-e-para-o-brasil/. Acesso em: 21 jun. 2026. Reconhecido como um dos principais formuladores da política externa brasileira contemporânea, exerceu o cargo de Assessor Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais entre 2003 e 2016, durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, desempenhando papel central na formulação da estratégia internacional do Brasil no início do século XXI. Fundação Perseu Abramo. Marco Aurélio Garcia: trajetória política e intelectual. São Paulo. Disponível em: https://fpabramo.org.br/. Acesso em: 21 jun. 2026.
Biografia Nascido em Porto Alegre, estudou no tradicional Colégio Júlio de Castilhos e, posteriormente, graduou-se em Filosofia e Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Prosseguiu sua formação acadêmica na França, realizando estudos de pós-graduação na École des Hautes Études en Sciences Sociales (EHESS), em Paris, entre 1967 e 1969.Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC/FGV). Dicionário Histórico-Biográfico Brasileiro – Marco Aurélio Garcia. Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/. Acesso em: 21 jun. 2026. Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP). Memorial institucional e perfil acadêmico de Marco Aurélio Garcia. Disponível em: https://www.unicamp.br/. Acesso em: 21 jun. 2026.
Ainda na juventude, destacou-se pela participação no movimento estudantil brasileiro, tornando-se vice-presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) e vereador em Porto Alegre durante a década de 1960. A intensificação da repressão política após o golpe militar de 1964 levou-o ao exílio em 1970, experiência que marcou profundamente sua formação intelectual e política. Garcia, Marco Aurélio. Depoimentos e entrevistas reunidos pelo CPDOC/FGV. Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/. Acesso em: 21 jun. 2026.
Durante os anos de exílio, viveu inicialmente no Uruguai e, posteriormente, no Chile, onde acompanhou de perto o governo de Salvador Allende e o processo político chileno como militante do Movimiento de Izquierda Revolucionária (MIR). Após o golpe militar de 11 de setembro de 1973, liderado por Augusto Pinochet, refugiou-se na Embaixada do Panamá e seguiu para a França. Em Paris, desenvolveu atividades acadêmicas e aprofundou seus estudos sobre a América Latina, a democracia e os movimentos sociais, temas que permaneceriam centrais em sua produção intelectual.Partido dos Trabalhadores. Acervo Histórico e biografia oficial de Marco Aurélio Garcia. Disponível em: https://pt.org.br/. Acesso em: 21 jun. 2026.
Com a anistia política e o processo de redemocratização do Brasil, retornou ao país em 1979. Participou ativamente da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), tornando-se uma das principais referências do partido para assuntos internacionais. Ao longo das décadas seguintes, exerceu diversas funções de direção partidária, contribuindo para a construção da estratégia internacional da legenda e para o fortalecimento de suas relações com partidos e movimentos progressistas da América Latina. Partido dos Trabalhadores. Acervo Histórico e biografia oficial de Marco Aurélio Garcia. Disponível em: https://forodesaopaulo.org/. Acesso em: 21 jun. 2026.
Em 1990, na condição de Secretário de Relações Internacionais do PT, foi um dos principais articuladores da criação do Foro de São Paulo, iniciativa que reuniu partidos políticos e organizações de esquerda da América Latina e do Caribe com o objetivo de promover o diálogo regional em um contexto marcado pelo fim da Guerra Fria e pela ascensão das políticas neoliberais.Foro de São Paulo. Documentos fundacionais e registros históricos da organização. Disponível em: https://forodesaopaulo.org/. Acesso em: 21 jun. 2026.
Paralelamente à atividade política, construiu uma destacada carreira acadêmica. Foi professor do Departamento de História da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde se especializou em História da América Latina Contemporânea. Também lecionou na Universidade do Chile, na Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (FLACSO) e em universidades francesas, incluindo Paris VIII e Paris X. Publicou centenas de textos acadêmicos e políticos ao longo de sua vida.
Na administração pública, ocupou o cargo de Secretário Municipal de Cultura de Campinas (1989–1990) e, posteriormente, de São Paulo (2001–2002). Entre 2005 e 2010, exerceu a vice-presidência nacional do Partido dos Trabalhadores, chegando a assumir interinamente a presidência da legenda entre 2006 e 2007.Partido dos Trabalhadores. Acervo Histórico e biografia oficial de Marco Aurélio Garcia. Disponível em: https://pt.org.br/. Acesso em: 21 jun. 2026.
Sua atuação ganhou projeção internacional a partir de 2003, quando foi nomeado Assessor Especial da Presidência da República para Assuntos Internacionais. Nessa função, tornou-se um dos principais responsáveis pela formulação e coordenação da política externa dos governos Lula e Dilma Rousseff. Trabalhou em estreita colaboração com o então ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, e com o Secretário-geral do Itamaraty, Samuel Pinheiro Guimarães, na implementação de uma política voltada para a diversificação das parcerias internacionais do Brasil, a valorização da integração regional sul-americana e o fortalecimento da cooperação entre países do Sul Global.Presidência da República. Nota de pesar pelo falecimento de Marco Aurélio Garcia. Brasília, 2017. Disponível em: https://diplomatique.org.br/. Acesso em: 21 jun. 2026. Fundação Perseu Abramo. Marco Aurélio Garcia: trajetória política e intelectual. São Paulo. Disponível em: https://pt.org.br/pt-lanca-o-nucleo-de-relacoes-internacionais-e-soberania-marco-aurelio-garcia/. Acesso em: 21 jun. 2026. Amorim, Celso. Teerã, Ramalá e Doha: Memórias da Política Externa Ativa e Altiva. São Paulo: Benvirá, 2015.
Entre as iniciativas às quais esteve diretamente associado destacam-se o fortalecimento do Mercosul, a criação da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL), a ampliação das relações com países africanos e asiáticos, a consolidação dos BRICS como espaço de coordenação política entre potências emergentes e o aumento da participação brasileira em organismos multilaterais. PT. Nota de pesar pelo falecimento de Marco Aurélio Garcia. Brasília, 2017. Disponível em: https://pt.org.br/blog-secretarias/nota-de-pesar-marco-aurelio-garcia-fara-muita-falta-para-o-pt-e-para-o-brasil/. Acesso em: 21 jun. 2026.Amorim, Celso. Teerã, Ramalá e Doha: Memórias da Política Externa Ativa e Altiva. São Paulo: Benvirá, 2015.Vigevani, Tullo; Cepaluni, Gabriel. A Política Externa Brasileira: A Busca da Autonomia. São Paulo: Editora UNESP, 2011.
Além de sua atuação governamental, coordenou a elaboração dos programas de governo das campanhas presidenciais de Luiz Inácio Lula da Silva em 1994, 1998 e 2006, bem como da campanha de Dilma Rousseff em 2010. Sua capacidade de articulação política, conhecimento da realidade latino-americana e habilidade de diálogo fizeram dele uma das figuras mais influentes da esquerda brasileira e da política externa nacional nas últimas décadas.Partido dos Trabalhadores. Acervo Histórico e biografia oficial de Marco Aurélio Garcia. Disponível em: https://pt.org.br/. Acesso em: 21 jun. 2026.
Marco Aurélio Garcia foi casado com Elisabeth Souza Lobo (1943-1991), militante feminista, fundadora do Partido dos Trabalhadores e professora de sociologia da Universidade de São Paulo, com quem teve um filho, nascido em seu exílio no Chile.
Marco Aurélio Garcia faleceu em São Paulo, em 20 de julho de 2017, aos 76 anos, vítima de um infarto. Sua morte foi lamentada por chefes de Estado, diplomatas, acadêmicos e lideranças políticas de diversos países. É amplamente lembrado como um dos principais arquitetos da projeção internacional do Brasil durante os anos 2000 e como um defensor histórico da integração latino-americana, da multipolaridade e da cooperação entre os países em desenvolvimento.PT. Nota de pesar pelo falecimento de Marco Aurélio Garcia. Brasília, 2017. Disponível em: https://pt.org.br/blog-secretarias/nota-de-pesar-marco-aurelio-garcia-fara-muita-falta-para-o-pt-e-para-o-brasil/. Acesso em: 21 jun. 2026. Fundação Perseu Abramo. Marco Aurélio Garcia: trajetória política e intelectual. São Paulo. Disponível em: https://fpabramo.org.br/. Acesso em: 21 jun. 2026. Le Monde Diplomatique Brasil. “Marco Aurélio Garcia e a integração latino-americana”. Edição especial de homenagem, 2017. Disponível em: https://diplomatique.org.br/. Acesso em: 21 jun. 2026.
Em dezembro de 2025, militantes e simpatizantes internacionalistas do PT fundaram o Núcleo de Relações Internacionais e Soberania “Marco Aurélio Garcia” (Núcleo MAG) do partido, com o objetivo de constituir um espaço plural de formação, debate e formulação política sobre temas internacionais e soberania nacional. A iniciativa presta homenagem ao MAG, como um dos principais formuladores da política externa dos governos Lula e Dilma Rousseff e referência histórica do internacionalismo petista. Segundo seus fundadores e fundadoras, o núcleo busca fortalecer a reflexão e a ação internacionalista do partido, inspirando-se no legado de Marco Aurélio, que defendia a política externa como parte essencial de um projeto nacional de desenvolvimento soberano, solidário e inclusivo.PARTIDO DOS TRABALHADORES. PT lança o Núcleo de Relações Internacionais e Soberania “Marco Aurélio Garcia”. Brasília, 2025. Disponível em: https://pt.org.br/pt-lanca-o-nucleo-de-relacoes-internacionais-e-soberania-marco-aurelio-garcia/. Acesso em: 21 jun. 2026.
Obras (lista parcial) GARCIA, Marco Aurélio. Brasil: entre o passado e o futuro – reflexões sobre o Brasil contemporâneo (2003-2010). Brasília: Fundação Perseu Abramo, 2025. Disponível em: https://fpabramo.org.br/wp-content/uploads/2025/08/17-Brasil-entre-o-passado-e-o-futuro-2010.pdf. Acesso em: 21 jun. 2026.
GARCIA, Marco Aurélio; POMAR, Valter; GUIMARÃES, Juarez. Socialismo no século XXI. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2013. Disponível em: https://fpabramo.org.br/wp-content/uploads/2013/04/socialismo_no_seculo_xxi.pdf. Acesso em: 21 jun. 2026.
GARCIA, Marco Aurélio. A transição e a constituinte. Lua Nova: Revista de Cultura e Política, São Paulo, 1985. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ln/a/Qw8MTLmxWrq9pLhqqs9FHGt/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 21 jun. 2026.
GARCIA, Marco Aurélio. O gênero da militância – notas sobre ação política e militância na América Latina. Cadernos Pagu, Campinas, n. 26, 2006. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/cadpagu/article/download/1886/2007/2533. Acesso em: 21 jun. 2026.
GARCIA, Marco Aurélio. A opção sul-americana – reflexões sobre a política externa brasileira (2003–2016). Brasília: Fundação Perseu Abramo, 2018. Disponível em: https://fpabramo.org.br/wp-content/uploads/2018/06/17-A-opcao-sul-web.pdf. Acesso em: 21 jun. 2026.
GARCIA, Marco Aurélio. Construir o amanhã – reflexões sobre a esquerda (1983–2017), vol. 2. Brasília: Fundação Perseu Abramo, 2019. Disponível em: https://fpabramo.org.br/wp-content/uploads/2019/12/17-Construir-o-amanha-volume-2.pdf. Acesso em: 21 jun. 2026.
GARCIA, Marco Aurélio. Notas para uma história dos trabalhadores – contribuições à história da esquerda brasileira e outros escritos (vol. 3). Brasília: Fundação Perseu Abramo, 2019. Disponível em: https://fpabramo.org.br/wp-content/uploads/2019/12/17-Notas-para-uma-historia-volume-3.pdf. Acesso em: 21 jun. 2026.
Referências
Ligações externas