O foi um porta-aviões operado pela Marinha Imperial Japonesa. Sua construção começou em maio de 1940 no Arsenal Naval de Yokosuka originalmente como o terceiro couraçado da Classe Yamato, depois do e , sendo lançado ao mar em outubro de 1944 e comissionado na frota japonesa um mês depois. Era capaz de transportar 47 aeronaves, era armado com uma bateria antiaérea de canhões de 127 e 25 milímetros e vários lança-foguetes, tinha um deslocamento carregado de 73 mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 28 nós.
O casco parcialmente incompleto do Shinano foi convertido em porta-aviões depois da derrota japonesa na Batalha de Midway em junho de 1942, porém apenas como uma embarcação de suporte. Recebeu ordens de deixar Yokosuka com destino a Kure em novembro de 1944 a fim de completar sua equipagem e transportar um carregamento de aeronaves. Entretanto, o navio acabou afundado no caminho dez dias depois de seu comissionamento por quatro torpedos disparos pelo submarino estadunidense . Houve mortos, incluindo o seu oficial comandante.
Características O Shinano tinha 265,8 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 36,3 metros e um calado de 10,3 metros. O navio possuía um deslocamento padrão de 65,8 mil toneladas, um deslocamento normal de toneladas e um deslocamento carregado de 73 mil toneladas, fazendo dele o porta-aviões mais pesado da história até então. Seu sistema de propulsão era composto por doze caldeiras Kampon que impulsionavam quatro conjuntos de turbinas a vapor, cada uma girando uma hélice, que chegavam a produzir 150 mil cavalos-vapor (110 mil quilowatts) de potência. O Shinano era capaz de alcançar uma velocidade máxima de 28 nós (52 quilômetros por hora), porém como nunca realizou testes marítimos a velocidade máxima, sua real performance é desconhecida. Ele carregava toneladas de óleo combustível, o que proporcionava uma autonomia de dez mil milhas náuticas (dezenove mil quilômetros) a uma velocidade de dezoito nós (33 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por 2,4 mil oficiais e marinheiros.
Convés e hangar O convés de voo tinha 256 metros de comprimento e quarenta metros de largura, sobressaindo do casco nas duas extremidades e assim apoiado por dois pilares. Uma grande superestrutura, semelhante a aquela do , foi construída a estibordo e integrada com a chaminé. Assim como no Taihō, o único outro porta-aviões japonês com um convés de voo blindado, o convés do Shinano funcionava como o convés fortalecido do navio e copiava a prática britânica implementada na Classe Illustrious. O convés de voo foi projetado para resistir à penetração de uma bomba de quinhentos quilogramas lançada por um bombardeiro de mergulho, possuindo placas blindadas de 75 milímetros de espessura sobre aço ordinário de vinte milímetros. Ele era equipado com quinze fios detentores transversais e três barreiras de segurança que podiam parar uma aeronave de 7,5 toneladas; cinco desses cabos foram posicionados mais adiante a fim de permitir que aeronaves pousassem no navio pela proa caso a parte traseira do convés ficasse inutilizável.
O Shinano foi projetado para carregar e abastecer suas aeronaves no convés de voo, onde era mais seguro para a embarcação. Experiências adquiridas na Batalha de Midway e na Batalha do Mar de Coral demonstraram que abastecer e armar os aviões no hangar era um enorme perigo para os porta-aviões caso fossem atacados no meio do processo. Boa parte do hangar do Shinano foi deixado aberto para melhor ventilação, apesar que existiam persianas metálicas capazes de fechar a maior parte do hangar se fosse necessário. Isto permitia que materiais militares ou aeronaves em chamas fossem jogadas no mar, algo que porta-aviões anteriores não podiam fazer por terem hangares fechados.
Diferentemente dos porta-aviões britânicos, as laterais do hangar do Shinano não eram blindadas. A embarcação possuía um único hangar por motivos de estabilidade e ele tinha 163,4 por 33,8 metros, com uma largura mínima de 19,8 metros na popa e altura de cinco metros. A área do hangar na proa era dedicada a instalações de manutenção e armazenamento. As aeronaves eram transportados entre o hangar e o convés de voo por meio de dois elevadores, um em cada extremidade do hangar ao longo da linha central do navio. O maior deles media quinze por catorze metros. Eles eram capazes de levantar aeronaves de até 7,5 toneladas. A embarcação podia armazenar até 720 mil litros de gasolina de aviação. Grandes ventiladores foram instalados no hangar a fim de expulsar vapores no caso de danos no sistema de gasolina pelo fato do Taihō ter sido afundado por uma explosão dos vapores de gasolina. Ventoinhas de lona também poderiam ser acionadas sobre as aberturas dos elevadores para forçar a entrada de mais ar.
O grupo aéreo do navio teria dezoito caças Mitsubishi A7M Reppū mais dois reservas, dezoito bombardeiros de mergulho Aichi B7A Ryusei mais dois reservas e seis aeronaves de reconhecimento Nakajima C6N Saiun mais um de reserva. O restante do hangar abrigaria até 120 aviões para reabastecer outros porta-aviões e bases em terra.
Armamentos O armamento principal do Shinano era composto por dezesseis canhões de duplo-propósito Tipo 89 calibre 40 de 127 milímetros em oito montagens duplas, duas em cada ponta do navio. Contra alvos de superfície, elas tinham um alcance de 14,7 quilômetros, enquanto contra alvos aéreos seu teto máximo era de 9,44 quilômetros a uma elevação máxima de noventa graus. Sua cadência de tiro máxima era de catorze disparos por minuto, já sua cadência de tiro efetiva era de aproximadamente oito disparos por minuto.
A embarcação também carregava 105 canhões antiaéreos Tipo 96 calibre 60 de 25 milímetros em 35 montagens triplas. Estes tinham um alcance efetivo de 1,5 a três quilômetros e um teto efetivo de 5,5 quilômetros a uma elevação de 85 graus. Sua cadência de tiro efetiva máxima era de 110 a 120 disparos por minuto por causa da frequente necessidade de trocar os cartuchos de munição, que tinham apenas quinze projéteis cada. O canhões de 25 milímetros era a arma antiaérea leve padrão japonesa durante a Segunda Guerra Mundial, porém ela sofria de sérios problemas de projeto que a deixavam praticamente ineficiente. Segundo o historiador Mark Stille, a arma tinha muitas falhas incluindo a incapacidade de "lidar com alvos em alta velocidade porque não podiam virar e elevar rápido o bastante manualmente ou por energia, suas miras eram inadequadas para alvos de alta velocidade, possuía uma vibração e choque de disparo excessivos". Esses canhões eram suplementados por 336 lança-foguetes em doze montagens de 28 canos. Cada foguete de 120 milímetros pesava 22,5 quilogramas e tinha uma velocidade máxima de duzentos metros por segundo. Seu alcance máximo era de 4,8 quilômetros.
Quatro diretórios de controle de disparo Tipo 94 foram instalados para controlarem as armas de 127 milímetros. As duas unidades que controlavam os canhões de bombordo ficavam adjacentes às armas, enquanto as unidades de estibordo foram montadas na dianteira e traseira da superestrutura. Eles podiam, respectivamente, controlar todas as armas na proa e na popa conforme o necessário. Radares de procura aérea Tipo 22 e Tipo 13 possivelmente tenham sido instalados também.
Blindagem O cinturão de blindagem tinha quatrocentos milímetros de espessura e só foi mantido porque já tinha sido instalado próximo dos depósitos de munição, com ele tendo sido reduzido para 160 milímetros em outras áreas. Abaixo ficava uma linha de placas que afinava em espessura de duzentos para 75 milímetros na extremidade inferior. A parte reta do convés blindado sobre os depósitos de munição e sala de máquinas foi mantida, possuindo de cem a 190 milímetros de espessura, enquanto a parte inclinada que ficava angulada para baixo em direção do fundo do cinturão principal tinha 230 milímetros. Grandes protuberâncias antitorpedo abaixo da linha d'água proporcionava a principal defesa subaquática, apoiada por uma antepara blindada que se estendia do cinturão de blindagem; esta tinha a intenção de impedir que estilhaços perfurassem o casco principal e, apesar de não ser a prova d'água, havia uma segunda que era. A junção entre os cinturões superior e inferior era fraca e mostrou-se ser um problema sério quando atingida por torpedos.
Os tanques de gasolina de avião do Shinano eram protegidos por uma blindagem que podia resistir a um projétil de 155 milímetros, mas mesmo assim a Marinha Imperial Japonesa inicialmente tentou isolá-los do resto do navio com uma ensacadeira. Entretanto, a investigação sobre o naufrágio do Taihō revelou que os tanques de gasolina de avião tinham vazado depois da embarcação ter sido torpedeada. Os vapores então penetraram na ensacadeira e explodiram. Desta forma, a Marinha Imperial achou que era mais prudente preencher o espaço vazio entre os tanques e a ensacadeira com 2,4 mil toneladas de concreto com o objetivo de impedir que os vapores vazassem.
Construção O Shinano foi encomendado em 1939 como parte do 4º Programa de Suplemento de Armamentos Navais, sendo um de dois couraçados adicionais previstos para a Classe Yamato. Foi nomeado em homenagem a antiga Província de Shinano, seguindo as convenções japonesas para a nomeação de couraçados. Seu batimento de quilha ocorreu em 4 de maio de 1940 no Arsenal Naval de Yokosuka com um projeto modificado em relação aos primeiros navios da classe. Sua blindagem seria de dez a vinte centímetros mais fina, pois fora provado que ela era mais espessa do que o necessário para o nível desejado de proteção, enquanto sua bateria antiaérea pesada seria composta por canhões de duplo-propósito Tipo 98 calibre 65 de 100 milímetros, pois este tinha características balísticas superiores e uma cadência de tiro maior que os canhões de 127 milímetros.
Assim como o e o , os irmãos do Shinano, a existência do novo navio foi mantida sob extremo sigilo. Um grande muro foi erguido ao redor da doca onde as obras estavam acontecendo e os trabalhadores ficavam confinados no terreno do estaleiro. Existiam sérias punições, incluindo a morte, para qualquer um que mencionasse a nova embarcação. Consequentemente, o Shinano é o único grande navio de guerra do século XX que nunca foi fotografado durante sua construção. Sabe-se que o porta-aviões foi fotografado apenas duas vezes em sua vida: em 1º de novembro de 1944 por um avião de reconhecimento Boeing B-29 Superfortress estadunidense de uma altitude de 9,8 quilômetros, e então dez dias depois por um fotógrafo civil a bordo de um rebocador durante os testes marítimos do Shinano na Baía de Tóquio.
Conversão A construção do casco do Shinano foi temporariamente paralisada em dezembro de 1941 para permitir que a Marinha Imperial tivesse tempo para decidir o que fazer com o navio. Esperava-se que ele estivesse pronto apenas em 1945 e o naufrágio dos navios capitais britânicos e por bombardeiros japoneses questionou a viabilidade de couraçados na guerra. A Marinha Imperial também queria que a grande doca seca em que a embarcação estava sendo construída ficasse disponível, o que necessitaria da desmontagem daquilo que já tinha sido completado ou a finalização o suficiente do casco para que assim pudesse ser lançado ao mar e liberasse o espaço. A Marinha Imperial decidiu a segunda opção, porém com uma força de trabalho reduzida que esperava poder lança-lo dentro de um ano.