O Reino de Montenegro ( foi um Estado independente que existiu entre 1910 e 1918, localizado nos Bálcãs. Legalmente, era uma monarquia constitucional, mas absolutista na prática. Em 28 de novembro de 1918, após o fim da Primeira Guerra Mundial (1914–1918), com o governo montenegrino ainda no exílio, a Assembleia de Podgorica proclamou a unificação com o Reino da Sérvia, que por sua vez foi incorporado ao Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos três dias depois, em 1 de dezembro de 1918. Essa unificação com a Sérvia durou, através de vários estados sucessores, por quase 88 anos, terminando em 2006.
A capital era Cetinje, e a moeda era o Perper montenegrino.Central_Bank_of_Montenegro: Jubilarno izdanje perpera
História esquerda|miniaturadaimagem|250x250px|Proclamação do Reino do Montenegro, Cetinje, 28 de agosto de 1910. miniaturadaimagem|265x265px|Nicolau I O Reino de Montenegro foi proclamado pelo príncipe Nicolau em Cetinje, em 28 de agosto de 1910, sucedendo ao Principado de Montenegro.
O país desencadeou a Primeira Guerra Balcânica em 1912. Durante as Guerras Balcânicas, Montenegro conquistou a Metóquia e parte do sanjaco de Novi Pazar, estabelecendo também uma fronteira comum com a Sérvia. Os abusos cometidos pelas tropas montenegrinas contra a população muçulmana da região, apresentados como possíveis represálias pelas atrocidades anteriormente cometidas contra a população cristã local, contribuíram para intensificar a emigração. A cidade recém-conquistada de Escodra, entretanto, teve de ser devolvida ao recém-criado Principado da Albânia por pressão das grandes potências, apesar de o Exército montenegrino ter sofrido cerca de dez mil mortos durante a campanha para tomá-la das forças otomanas e albanesas comandadas por Essad Paxá.
Às vésperas da Primeira Guerra Mundial (1914–1918), Montenegro havia quadruplicado seu território desde a ascensão de Nicolau. Parte da população dos novos territórios, contudo, não se identificava culturalmente com o país, considerando-se mais muçulmana ou sérvia do que montenegrina. O principal problema do país era a persistente crise econômica, que dificultava a manutenção da população. Em 1914, às vésperas da Primeira Guerra Mundial, estimava-se que um terço da população masculina em idade ativa havia emigrado, principalmente para os Estados Unidos, ou trabalhava em empregos temporários. A proporção de montenegrinos vivendo no exterior pode ter chegado à metade da população total. A economia do país dependia das remessas enviadas pelos emigrantes, bem como de subsídios e empréstimos estrangeiros.
A oposição, concentrada entre a juventude instruída, criticava o monarca por suas posições consideradas reacionárias e, em parte, defendia a união com a Sérvia. Para conter as críticas, Nicolau finalmente permitiu a realização de eleições em março de 1914, vencidas pelo oposicionista Partido Popular. Em seguida, foram iniciadas negociações com a Sérvia para estabelecer uma união militar, diplomática e financeira entre os dois países. A população, entretanto, estava dividida entre os partidários da manutenção da independência, aqueles que defendiam a união com a Sérvia e os que apoiavam a criação de um novo Estado iugoslavo.
Durante a Primeira Guerra Mundial, Montenegro lutou ao lado das Potências Aliadas. Entre 15 de janeiro de 1916 e outubro de 1918, o país permaneceu ocupado pelo Império Austro-Húngaro. O rei Nicolau e seu governo partiram para o exílio, e a monarquia jamais retornou ao poder.
O fim do Reino de Montenegro ocorreu em novembro de 1918, quando a Assembleia de Podgorica, sob forte influência de forças favoráveis à união com a Sérvia, declarou a unificação de Montenegro com o Reino da Sérvia. A decisão encerrou, de fato, a independência montenegrina sem a realização de um referendo popular. O rei Nicolau I foi oficialmente deposto e impedido de retornar ao país, falecendo no exílio, na França, em 1921."Jornal Ilustrado", Belgrado, 1921
Parte da população montenegrina considerou o processo de unificação ilegítimo, o que contribuiu para a Revolta de Natal de 1919, uma insurreição de caráter monarquista que foi rapidamente reprimida pelas forças favoráveis à unificação. Apesar da resistência, Montenegro foi incorporado ao recém-criado Reino dos Sérvios, Croatas e Eslovenos, posteriormente denominado Iugoslávia, deixando de existir como reino soberano.
Houve uma última tentativa de restauração da monarquia montenegrina durante a Segunda Guerra Mundial, quando o trono foi oferecido a Miguel de Montenegro, neto de Nicolau I, com a possibilidade de assumir a chefia de um Estado fantoche estabelecido pelas forças do Eixo. O príncipe recusou a proposta, que havia sido articulada em grande parte sob a influência de sua tia, a rainha Helena da Itália, esposa de Vítor Emanuel III e nascida uma princesa montenegrina, filha de Nicolau I.
A unificação com a Sérvia, por meio de diferentes Estados sucessores, perdurou por quase 88 anos, chegando ao fim apenas em 2006.
Ver também História de Montenegro Principado de Montenegro Lista de monarcas de Montenegro
Bibliografia
Ligações externas
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