Sim é o terceiro álbum de estúdio da artista musical brasileira Vanessa da Mata. O seu lançamento ocorreu em 28 de maio de 2007 através da editora discográfica Sony BMG. Após experimentar alta popularidade com seu álbum anterior Essa Boneca Tem Manual (2004), que teve suas vendas impulsionadas principalmente pelo sucesso do single "Ai, Ai, Ai...", Mata começou a escrever músicas para seu próximo disco. Das faixas criadas, treze foram escolhidas para integrarem o projeto, sendo todas de autoria da intérprete e apenas quatro elaboradas em conjunto com outros compositores. Decidida a modificar o estilo de suas músicas e renovar suas referências, ela alterou sua equipe de produção, recrutando o auxílio de Mário Caldato e Alexandre Kassin por apreciar o trabalho desenvolvido por ambos. Enquanto gravava a maior parte do disco em estúdios localizados no Brasil, Mata sentiu-se motivada a retomar à suas "raízes" no reggae. Para isso, viajou a Kingston, na Jamaica, uma vez que desejava ter os melhores profissionais do gênero envolvidos em sua incursão, onde trabalhou com a dupla Sly Dunbar e Robbie Shakespearee na gravação de cinco faixas.

Em termos musicais, Sim é nitidamente diferente dos últimos lançamentos da musicista, além do reggae, entre os novos gêneros incorporados estão o carimbó, pop, bolero, música disco e samba; seu conteúdo lírico trata principalmente de relacionamentos amorosos, onde a experiência homem-mulher é o assunto principal a ser abordado, embora questões ambientais seja o tema central discutido em uma das faixas de seu alinhamento. Instrumentos musicais variados compõem sua instrumentação, como sintetizadores, piano, baixo, percussão, além de um violão que, ao ser tocado pela própria artista, marca sua estreia nas gravações instrumentais. O cantor estadunidense Ben Harper é a única participação vocal creditada ao longo do álbum.

Após o seu lançamento, Sim foi recebido com opiniões positivas dos críticos musicais especializados, os quais o positivaram por mostrar a união dos interesses comerciais da intérprete com a qualidade de seus primeiros trabalhos, bem como a sua mistura de estilos musicais e a colaboração de seus produtores. Alguns, contudo, consideram-no "inferior" aos antecessores e desprestigiaram os vocais de Mata. Foi incluído em diversas listas dos melhores álbuns de 2007, e rendeu à intérprete uma série de prêmios, incluindo um Grammy Latino vencido na categoria Melhor Álbum de Pop Contemporâneo Brasileiro. Comercialmente, Sim tornou-se o maior sucesso da carreira da artista, atingindo a quarta posição entre os dez mais vendidos do compilado divulgado pela Folha de S.Paulo. Destacando-se também ao redor da Europa, ao adentrar nas tabelas de nações como França, Itália e Suíça, além de atingir a 3.ª colocação em Portugal. Consequentemente, recebeu um certificado de platina pela Pro-Música Brasil (PMB) e pela Associação Fonográfica Portuguesa (AFP), sendo o décimo quinto mais vendido em terras brasileiras em 2007.

Dois singles foram lançados a partir de Sim, "Boa Sorte / Good Luck" e "Amado", que obtiveram um forte desempenho comercial, com o primeiro citado culminando nas rádios brasileiras e convertendo-se na canção mais bem sucedida de 2008. Internacionalmente, também conquistou a liderança em Portugal e qualificou-se entre as cem mais executadas em diversas nações, como França, Suécia e Suíça. Recebeu certificações por suas vendas emitidos pela PMB e Federazione Industria Musicale Italiana (FIMI), além de ter sido eleita a melhor canção brasileira de 2007 pela revista Rolling Stone Brasil. A divulgação do projeto consistiu em apresentações em programas televisivos e em festivais, bem como a Turnê Sim, que percorreu o Brasil e a Europa durante os anos de 2007 a 2009.

Antecedentes e desenvolvimento Após tornar-se conhecida da mídia por ter coescrito a canção que dá título ao álbum A Força Que Nunca Seca (1999), de Maria Bethânia, a então compositora Vanessa da Mata decidiu lançar-se também como intérprete e assinou um contrato de gravação com a Sony BMG. Em 2002, seu álbum de estreia, autointitulado, chegou às lojas; embora muito bem recebido pela crítica — que o comparou a trabalhos das compatriotas Marisa Monte e Adriana Calcanhotto — não obtivera a mesma recepção no âmbito comercial. Consequentemente, a gravadora direcionou a artista para o produtor e compositor Liminha e, juntos, escreveram e gravaram o seu álbum de acompanhamento, Essa Boneca Tem Manual, lançado em fevereiro de 2004. Apesar de seu desempenho comercial inicial ter sido pouco favorável, em 2005, após a adição do single "Ai Ai Ai..." à trilha sonora da telenovela Belíssima, exibida pela Rede Globo, a canção tornou um sucesso em todo o Brasil, onde sua versão remixada além de converter-se na mais executada das rádios em 2006, também ajudou a elevar as vendas do álbum que recebeu um certificado de ouro concedido pela Pro-Música Brasil (PMB). O sucesso crítico e comercial de Essa Boneca Tem Manual rendeu credibilidade à cantora e firmou seu nome na indústria musical brasileira, estabilizando-a como uma artista viável.

As primeiras revelações sobe seu terceiro álbum ocorreu em janeiro de 2006, quando a musicista revelou à Folha de Londrina que, embora não estivesse pensando em um novo trabalho, já estava desenvolvendo novas canções, dizendo: "Ontem mesmo compus duas novas músicas". Posteriormente, ela decidiu renovar sua equipe de produção, recrutando a coloração de Alexandre Kassin e Mário Caldato, em detrimento a de Liminha, motivada a modificar o estilo de suas músicas, renovar suas referências e pelo apreço ao trabalhos de ambos, completando; "Eu pessoalmente escolhi e quis os dois. Um me parecia o complemento natural do outro. Kassin é mais musical, mais instintivo. Me ajudou muito com os arranjos, pois não tenho o hábito de harmonizar minhas músicas. Caldato tem uma grande técnica que lhe permite tanto extrair sons únicos da sua voz, como gravar e misturar percussão, cordas e outros instrumentos de uma forma particular". Ao colaborar com violão para a faixa "Minha Herança: Uma Flor", Sim converteu em seu primeiro álbum a conter sua participação nas gravações instrumentais, a qual ela atribuiu ter sido motivada por Kassin a realizar; "[ele] insistiu para que eu tocasse, porque a música tem uma ingenuidade interessante". Dos treze números inclusos no disco, todos foram escritos por Mata e apenas quatro foram desenvolvidos sob o auxilio de outros compositores. Dentre as quais está "Boa Sorte / Good Luck", que após ser concluída, soou como incompleta à ela. Então, Kassin a sugeriu incluir vocais masculinos a gravação. O estadunidense Ben Harper foi escolhido pelo produtor, que aceitou a colaboração, inserindo novos versos em inglês e ficando assim com a co-autoria da composição. Sua parte foi registrada em Los Angeles, Califórnia, não tendo ocorrido um encontro presencial entre os dois intérpretes para a gravação.

Enquanto gravava o álbum no Brasil, Mata sentiu uma necessidade pessoal de inserir reggae em sua obra, uma vez que ela detinha uma ligação com este desde quando atuou como vocalista de apoio do Black Uhuru durante alguns concertos realizados no Brasil em 1995, época a qual foi convidada a integrar de forma definitiva a banda e fixar-se em Kingston, Jamaica; "Eles me chamaram porque acharam minha voz parecida com a da [vocalista da banda] Puma Jones. Fui convidada para ir para a Jamaica". Com o intuito de encontrar os melhores profissionais que pudessem contribuir com a instrumentação das composições elaboradas no gênero, ela retornou a Kingston. Lá, foi apresentada a dupla Sly Dunbar e Robbie Shakespearee que contribuíram com baixo e bateria para a gravação de cinco faixas; "Vermelho", "Ilegais", "Pirraça", "Absurdo" e "Boa Sorte/Good Luck". No total, as sessões de gravação de Sim ocorreram em 2007 em três diferentes estúdios: AR Studios e Monoaural Studio, no Rio de Janeiro, e Anchor Studios, em Kingston.

Composição Temas e influências na composição

Em termos de composição musical, Sim é nitidamente diferente dos dois primeiros lançamentos de Mata. Uma vez que ela não queria restringi-lo em qualquer gênero musical, suas canções perpassam por uma gama de estilos musicais mais diversificada do que o trabalho anterior, como carimbó, pop, bolero, disco e samba, além do reggae cujo sua incursão marca a primeira vez em que o ritmo foi inserido em uma obra da artista. Para os críticos a sua presença marcava o retorno de Mata as "suas origens", uma vez que ela iniciou sua carreira cantando-o como parte do Black Uhuru. Segundo à própria, as citações à Jamaica têm conexões com a sua própria história musical; "Como eu cantei reggae dos meus 17 aos 20 anos, achei que essa levada iria caber em algumas canções que já tinham essa pegada". Ela, no entanto, preocupou-se em não deixar o álbum como um trabalho temático, pedindo aos produtores que fizessem no máximo três músicas nesse estilo, argumentando que não "queria um disco de reggae. Queria um disco de ritmos variados". Sua busca em abranger uma diversidade sonora, foi tida por Giangiacomo Gandolfi, editor do portal italiano Musi Brasil, como "capaz de satisfazer variados gostos". Partindo desse raciocínio, Mata preocupou-se também em inserir elementos de música brasileira no projeto, especialmente a oriunda do Norte do Brasil que, segundo suas palavras, é a que mais carrega influência jamaicana, evidenciado especialmente em ritmos como o carimbó, a qual ela cresceu ouvindo. Os arranjos são outro fator que difere Sim de seus antecessores, uma vez que foram desenvolvidos diretamente em estúdio, a partir do encontro da artista com seus músicos. Eles não foram planejados previamente, mas desenvolvidos no momento, "partindo de uma certa ideia básica", de acordo com sentimentos que ela sentia ouvindo as canções tocadas na sala de gravação, elaborando: "Eles foram praticamente feitos durante a construção [de cada música]. Acho que isso tornou o álbum muito mais fresco, mais vivo e espontâneo".

Como Mata observava que seus álbuns anteriores continham uma produção "excessiva aos detalhes" com "muitas guitarras e muita bateria", aqui, ela continua a fazer uso destes, porém, concentrou-se em dar ênfase ao uso de outros instrumentos na construção de suas canções, como sintetizadores, piano, baixo, percussão e violão. No âmbito lírico, Sim é visto como uma crônica de relacionamentos amorosos, onde a experiência homem-mulher é o assunto principal a ser abordado, hora com um tom de paixão, hora desilusão, de forma direta e objetiva. Para Luciano Fortunato, da página Crônicas Cariocas, o álbum é essencialmente feminino, com o que há de melhor nessa ótica, assim abordando "com arte temas do cotidiano de uma mulher". Ao analisar a estética da obra, Paulo Camargo, do jornal Gazeta do Povo sentiu que, a colaboração de profissionais jamaicanos envolvidos na produção, imprimi um "clima de praia, despojado e orgânico, do qual o trabalho tira sua grande força".

Conteúdo e estrutura musical 170px|thumb|esquerda|O músico estadunidense Ben Harper participa de "Boa Sorte / Good Luck", a qual também escreveu os versos em inglês.