A piauí (estilizado em minúsculas) é uma revista mensal brasileira de jornalismo e cultura, idealizada pelo cineasta João Moreira Salles e lançada em outubro de 2006. Publicada pela Editora Alvinegra, reúne reportagens, perfis, ensaios, crônicas, ficção, sátira, quadrinhos e poesia. Desde outubro de 2021, a revista é controlada pelo Instituto Artigo 220, uma associação civil sem fins lucrativos financiada por um fundo patrimonial.

Caracterizada por reportagens de maior extensão e pelo uso de recursos narrativos associados ao jornalismo literário, a Piauí tem entre suas referências editoriais as revistas brasileiras Senhor e Realidade e a estadunidense The New Yorker. Moreira Salles, contudo, rejeita a classificação da publicação como jornalismo literário, preferindo caracterizar sua proposta pela atenção à apuração, à narrativa e à escrita.

A publicação pertence à Editora Alvinegra. O conteúdo da revista está hospedado no site da Folha de S.Paulo por uma parceria editorial, enquanto o sistema de assinatura é gerenciado pela Editora Abril, embora ela não pertença a nenhuma das duas gigantes da comunicação.

Histórico Idealizada pelo cineasta João Moreira Salles, a Piauí foi lançada em outubro de 2006, sob direção do jornalista Mário Sérgio Conti. A primeira edição reuniu reportagens, perfis, crônicas, diários, ficção e ilustrações; a Editora Abril ficou responsável pela impressão e distribuição, sem participação no conteúdo editorial.

Em agosto de 2011, um perfil de Nelson Jobim, então ministro da Defesa do governo Dilma Rousseff, escrito por Consuelo Dieguez, repercutiu após revelar críticas suas às ministras Ideli Salvatti e Gleisi Hoffmann. A divulgação das declarações agravou a crise entre Jobim e a presidente Dilma, e o ministro deixou o governo no mesmo dia.

Em agosto de 2010, o site da revista passou a integrar o portal de O Estado de S. Paulo. Posteriormente, em maio de 2016, seu conteúdo digital foi transferido para o site da Folha de S.Paulo.

Em 2014, a revista criou o Festival Piauí de Jornalismo, realizado em São Paulo; no ano seguinte, a GloboNews tornou-se parceira do evento.

Em maio de 2018, a publicação lançou a Rádio Piauí, plataforma de podcasts inaugurada pelo programa político Foro de Teresina.

Em fevereiro de 2020, André Petry assumiu a direção da Piauí, sucedendo Fernando de Barros e Silva, que ocupava o cargo desde 2012 e permaneceu na revista como repórter e apresentador do Foro de Teresina.

Em outubro de 2021, as ações de controle da revista foram transferidas ao Instituto Artigo 220, uma associação civil sem fins lucrativos criada para gerir a publicação. Moreira Salles destinou 350 milhões de reais a um fundo patrimonial administrado por esse instituto, cujos rendimentos passaram a complementar as receitas obtidas com assinaturas, publicidade e eventos.

Em junho de 2023, uma decisão da Justiça do Distrito Federal determinou que a piauí retirasse de uma matéria os nomes de duas pessoas mencionadas na reportagem O cupinzeiro, de Breno Pires, o que implicava o recolhimento dos exemplares já distribuídos às bancas. A decisão foi mantida em segunda instância, mas suspensa em setembro pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, que considerou incabível o recolhimento liminar de uma publicação jornalística de circulação nacional.

Em 2025, veio a público que a Polícia Civil de São Paulo investigava a revista e os jornalistas Allan de Abreu e Roberto Alexandre dos Santos após uma reportagem de 2023 sobre a atuação de um delegado de Araçatuba e sua relação com um hacker. A investigação incluiu uma busca e apreensão na residência de Roberto. A Coalizão em Defesa do Jornalismo afirmou que o caso apresentava indícios de violação do sigilo da fonte e de uso da investigação policial para intimidar jornalistas.

Dois anos antes do começo do escândalo, em outubro de 2024, a revista publicou a reportagem Alta Tensão, de Consuelo Dieguez, sobre o rápido crescimento do Banco Master e suas operações de risco. Posteriormente, em setembro de 2026, mensagens divulgadas pelo SBT News revelaram que o dono do banco, Daniel Vorcaro, teria ordenado seu capanga Luiz Phillipi Mourão, conhecido como Sicário, a derrubar ou bloquear o site da Piauí, que chegou a ficar indisponível por algumas horas; nas mensagens, Sicário relata também ter conseguido acessar o e-mail corporativo de Dieguez. As mensagens registraram ainda que, em julho de 2025, após outra reportagem sobre negócios de Vorcaro, jornalistas da revista foram alvo de ataques coordenados em suas contas no Instagram.

Projeto editorial Um estudo das cinquenta primeiras edições da Piauí, identificou como característica recorrente a diversidade de temas e a busca por enfoques pouco usuais. As reportagens alternavam personagens conhecidos e anônimos e frequentemente partiam de aspectos do cotidiano situações aparentemente secundárias para abordar questões sociais, políticas e culturais mais amplas.

Os perfis biográficos constituíram também uma vertente recorrente da revista, especialmente na cobertura política. Um estudo de doze perfis da revista e posteriormente reunidos em livro, nas coletâneas Vultos da República (2010) e Tempos Instáveis (2016), analisou o modo como a Piauí construía seus personagens combinando a narrativa biográfica com o jornalismo literário.

A cobertura de ciência e tecnologia também integrou o projeto editorial desde o primeiro ano de publicação. Um outro estudo que analisou os primeiros números da revista identificou que sua cobertura se distinguia pela atenção à explicação de conceitos e métodos de pesquisa.

Colunas A Piauí não tem, normalmente, colunas definidas. Isto supostamente imprime à publicação um grau maior de versatilidade e de maleabilidade quanto ao conteúdo disponibilizado. As mais comuns são: Chegada Colaboradores Esquina Diário Perfil Quadrinhos Ficção Poesia Despedida

Das citadas acima, "Chegada", "Colaboradores" (que é uma descrição dos profissionais que tiveram naquela edição seus textos publicados na revista), "Esquina", "Quadrinhos" e "Despedida" são as únicas fixas.

Festival Piauí GloboNews de Jornalismo miniaturadaimagem|Entrada da terceira edição do festival no Colégio Dante Alighieri em São Paulo O Festival Piauí GloboNews de Jornalismo ocorre anualmente, desde 2014, na cidade de São Paulo. Inicialmente, era promovido somente pela revista Piauí. Mas a partir de 2015 passou a contar com a coorganização do canal de TV GloboNews. A curadoria das três primeiras edições foi realizada pela jornalista Daniela Pinheiro.

Organizado a cada ano gira em torno de eixos temáticos, o festival procura abordar questões fundamentais do jornalismo a partir de uma perspectiva não acadêmica, mas que prefere discuti-las a partir dos relatos de experiências práticas as quais se constituam como realizações atuais e relevantes para a área. Assim, temas como as novas experiências do jornalismo contemporâneo, a extensão e relevância do processo de apuração e as coberturas sobre o poder constituíram, respectivamente, as três primeiras edições do festival.

Já passaram pelo evento vários vencedores do Prêmio Pulitzer e jornalistas renomados como Seymour Hersh e Anabel Hernández. Na seção Conversa com a Fonte, grandes nomes da política brasileira já entrevistados pela revista, como Fernando Henrique Cardoso e Ciro Gomes, reencontram os repórteres que realizaram seus perfis para uma conversa diante do público.

I Festival Piauí de Jornalismo A primeira edição do evento ocorreu nos dias 15 e 16 de novembro de 2014 no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo. Com o slogan “Onde é que isso vai parar?”, o festival contou com oito debates, cada um deles com um palestrante estrangeiro e dois mediadores brasileiros, a fim de trazer experiências originais do jornalismo contemporâneo. Os debates contaram ainda com o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso e o advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, que já tinham sido perfilados pela revista Piauí, em entrevistas mediadas pelo documentarista João Moreira Salles e a jornalista Daniela Pinheiro, respectivamente.

Participaram da primeira edição Laura Zommer (Chequeado), Andrei Scheinkman (538), Max Fisher (Vox Media), Pamela McCarthy (The New Yorker), Evan Ratliff (Atavist) Carlos Dada (El Faro), Stephen Engelberg (ProPublica), e Nikil Saval (n+1).

II Festival Piauí GloboNews de Jornalismo O festival teve como tema “E nada mais foi igual – Repórteres e reportagens que fizeram história”, reunindo jornalistas de diversos países, como Argentina, Estados Unidos e México para discutirem sobre suas experiências na realização de reportagens extensas com apuração delicada.

Participaram da segunda edição Jorge Lanata (Grupo Clarín), Anabel Hernández (Proceso), Ben Anderson (Vice News), Sheri Fink (The New York Times), Daniel Alarcón (Radio Ambulante), Franklin Foer (The New Republic), Seymour Hersh, e Nick Davies (The Guardian).

III Festival Piauí GloboNews de Jornalismo miniaturadaimagem|João Dória em entrevista após sua participação no Festival|220px|right O III Festival Piauí GloboNews de Jornalismo ocorreu nos dias 8 e 9 de outubro de 2016, novamente no colégio Dante Alighieri. Com a curadoria de Daniela Pinheiro, repórter da revista Piauí, o encontro teve como tema “Histórias do Poder: Quando o Repórter Põe a Mão no Vespeiro”, contando com a participação de oito jornalistas de seis países que se notabilizaram internacionalmente pela publicação de reportagens investigativas sobre diferentes contextos do poder. Na sessão “Conversa com a Fonte”, em que jornalistas da revista se encontram com personalidades de quem já escreveram o perfil, os convidados inicialmente seriam a ex-presidente Dilma Rousseff, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, e o ex-governador do Ceará, Ciro Gomes.

A terceira edição contou com a participação de Walter Robinson (The Boston Globe — Estados Unidos), Jon Lee Anderson (The New Yorker — Estados Unidos), Thomas Kistner (Süddeutsche Zeitung — Alemanha), Ginna Morelo (El Tiempo — Colômbia), Mikhail Zygar (Dozhd — Rússia), César Batiz (El Pitazo — Venezuela), Michael Hudson (ICIJ — Estados Unidos), Gianni Barbacetto (Il Fatto Quotidiano — Itália).

O festival contou ainda com a primeira Oficina de Fact-Checking da Agência Lupa, em parceria com o Grupo Wikimedia Brasileiro de Educação e Pesquisa. Durante o evento, além de palestras sobre metodologia de checagem e edição da Wikipédia, um grupo de 16 estudantes universitários realizou atividades práticas em verbetes da Wikipédia.

Prêmios 6ª revista mais admirada do Brasil - Troiano Consultoria de Marca e Meio & Mensagem (jan/2010) Prêmio Especial do Júri do 21º Prêmio Veículos de Comunicação - Editora Referência (nov/07) Revista do Ano - Revista About (2007) Destaque do Ano do Prêmio Colunistas Rio - Editora Referência (2007) Melhor Jornalista de Mídia Impressa – Daniela Pinheiro - Portal e Revista Imprensa (mar/08) Veículo Impresso do Ano - Prêmio Colunistas (2009) Prêmio ABERJE 2009 - Mídia do Ano em Comunicação Empresarial Brasil, na categoria Revista. Prêmio Esso 2010 - Prêmio Esso de Informação Científica, Tecnológica e Ecológica, com o trabalho “Artur tem um Problema”. 2019: Menção Honrosa do Prêmio Vladimir Herzog por Texto, pela obra "O meio ambiente como estorvo", concedido a Bernardo Esteves Gonçalves da Costa Prêmio Engenho de Comunicação

Bibliografia LIMA, Alceu Amoroso. O jornalismo como gênero literário. R.J. Agir. 1958 PENA, Felipe. O Jornalismo literário como gênero e conceito. LIMA, Edvaldo Pereira. Páginas Ampliadas: o livro-reportagem como extensão do jornalismo e da literatura. 4ª ed. São Paulo: Manole, 2009.

Ligações externas

Notícia da Folha sobre o lançamento da Piauí Matéria do Observatório da Imprensa sobre o lançamento da Piauí Notícia do Meionorte.com sobre o nome da revista