O Estádio José do Rego Maciel, mais conhecido como Estádio do Arruda, é um estádio de futebol localizado no bairro do Arruda, na cidade do Recife, em Pernambuco. Pertencente ao Santa Cruz Futebol Clube, possui capacidade atual para 60 044 espectadores, sendo o maior estádio particular da Região Nordeste e o sexto maior do Brasil.

Inaugurado em 1972, o local já foi palco de importantes eventos esportivos, incluindo partidas da Copa América de 1989, das Eliminatórias da Copa do Mundo e jogos da Seleção Brasileira. Em 2009, foi avaliado com nota 9,5 no quesito organização pela CBF.

História O Santa Cruz Futebol Clube passou por alguns bairros do Recife antes de se estabelecer no atual. A primeira sede do clube foi num sobrado da Rua Glória, nº 140. Depois, esteve na Rua do Imperador, Estrada de Belém e, finalmente, Avenida Beberibe nº 1285, na sede atual no bairro do Arruda.

Em 1943, entretanto, o Santa Cruz começava a se implantar no bairro do Arruda, ao alugar um terreno entre a Avenida Beberibe e a Rua das Moças e que até então vinha sendo utilizado pelo Centro Esportivo Tabajaras, um clube suburbano de muito peso. Como o local — propriedade particular do industrial Arthur Lundgren, fundador das Casas Pernambucanas — era bastante cobiçado, o Santa Cruz, através de Aristófanes de Andrade e do médico Gonçalo de Melo, apressou-se em adquiri-lo e pagou ainda CR$ 1.000,00 (mil cruzeiros) ao Tabajaras, que tinha uma loja de artigos esportivos.

No mesmo ano foi comprada uma casa na Avenida Beberibe, que, quando reformada, acabou servindo como sede para o clube. Neste ano foi criada uma comissão pró sede que, após grande campanha, obteve expressivo valor para aquisição da sede. Na presidência do clube, Aristófanes de Andrade trabalhou obstinadamente para que o local passasse para os domínios tricolores. Foi o que aconteceu, o Santa Cruz finalmente consegue comprar o terreno com apoio dos seus torcedores, um local que mais adiante iria ser construído o estádio coral.

Construção Em 1954, José do Rego Maciel — que empresta seu nome ao estádio — dava condições para que o Santa Cruz se apossasse definitivamente do terreno; o advogado e político atraiu investidores como o banco BANDEPE para construção do estádio. Nesse ano, começou a ser construído o local que possui a alcunha de "Repúblicas Independentes do Arruda". Muitas campanhas foram feitas junto aos torcedores, porém, o estádio foi financiado pelo banco, que acabou ajudando a construir inicialmente o "Alçapão do Arruda", com arquibancadas de madeira e situado em posição oposta à atual.

No ano de 1965, com a venda de cadeiras cativas e títulos patrimoniais, o clube começou a construir o seu estádio, o que só foi possível devido a uma mobilização de torcedores nunca antes vista. As pessoas levavam ao clube todo tipo de material de construção e doavam a sua mão de obra, construindo assim com as próprias mãos o quarto maior estádio particular do mundo. Graças à fiel torcida, o Santa Cruz construiu a sua casa (estádio) e também uma das histórias mais bonitas do futebol brasileiro, pois o Arruda foi construído a suor, sangue e lágrimas de seus torcedores. O terreno onde está situado o estádio foi doado pelo Coronel Frederico João Lundgren.

"Campanha do tijolo" A "campanha do tijolo" foi uma das maiores mobilizações já vista no Brasil feita por uma torcida de um clube de futebol. No início da década de 1970, muitos torcedores do Santa Cruz uniram-se para ajudar a construir o estádio do Arruda. Foi através de várias doações, de sua torcida, que o Santa Cruz Futebol Clube conseguiu construir um dos maiores estádios do Brasil, foi uma mobilização épica, os torcedores corais traziam todo tipo de material de construção, além disso muitos ajudaram a construir o estádio com as próprias mãos realizando serviços de construção civil. Mestre-de-obras, pedreiros, encanadores, engenheiros civis, arquitetos e ajudantes em geral conseguiram construir o estádio tricolor, um dos maiores do Brasil.

Banco do Estado de Pernambuco e José do Rego Maciel: patronos do Arruda Não se pode falar do Estádio do Arruda sem lembrar do ex-governador de Pernambuco, José do Rego Maciel, que foi também presidente do Santa Cruz, e conseguiu gordos empréstimos "a fundo perdido", os quais foram preponderantes para que se construísse o estádio. O Brasil na década de 1970 vivia uma ditadura militar e se proliferavam por todo o país estádios monumentais, como o Maracanã. Nesse período construíram o Mineirão, em Belo Horizonte, o Castelão, em Fortaleza, e a Fonte Nova, em Salvador, somente para citar os mais importantes. No entanto, inúmeros outros estádios foram construídos pela iniciativa pública, e o estado de Pernambuco e o Recife não poderiam ficar de fora. O advogado Coral José do Rego Maciel conseguiu que ao invés de construírem um novo estádio, ampliassem as precárias estruturas do Arruda. Formou-se assim uma parceria entre Governo do Estado e Santa Cruz. E o empréstimo foi dado a fundo perdido, logo após a falência do Banco.

Inauguração No dia 4 de junho de 1972, num amistoso contra o Flamengo, do Rio de Janeiro, o Estádio do Arruda foi inaugurado oficialmente, contando com a presença de 62 mil pessoas, como descreveu o Diário da Noite no dia seguinte:

Mas não foi somente por isso que a partida terminou zero a zero. A boa performance do goleiro Renato, do Flamengo, impediu a movimentação do placar pelas suas extraordinárias defesas. As duas equipes aplicaram idênticas sistematizações táticas: 4-2-4, variando para 4-3-3. O Santa Cruz utilizava o ponta-esquerda Betinho para, com Erb e Luciano, formar seu tripé. Quando os cariocas ficavam em posse da bola, Narciso Doval abandonava aquela posição, transformando-se em outro atacante. O mesmo foi observado com relação ao time da casa. Atrás, pelo lado tricolor, Sapatão e Rivaldo bloqueavam a passagem da área pelo miolo. No Flamengo, o mesmo acontecia com Chiquinho Pastor e Tinho. As jogadas esquematizadas não surtiam efeitos. Os atacantes não tiveram criatividade, não tentaram jogadas pessoais e a troca de passes laterais foi muito usada na tentativa de encontrar um caminho por onde os atacantes ultrapassassem. Foi por isso que, no primeiro tempo, apenas um lance motivou o público: um chute de Betinho, de longe, forçando Renato a fazer uma boa defesa. Daí para a frente, o público não vibrou e o placar em branco permaneceu até o final do primeiro tempo.

No segundo tempo, o rubro-negro carioca voltou com duas substituições: Fio Maravilha e Liminha. O primeiro no lugar de Doval e o último no lugar de Zé Mário. O Santa não mexeu. Por ser um jogador exibicionista, que procurava sempre fazer firulas com a bola, Fio deu a impressão inicial que iria deslanchar a retaguarda do Santa, através dos seus dribles desconcertantes. Mas foi apenas um lampejo. O "crioulo doido", depois de 15 minutos de jogo, voltou ao lugar comum, pior disso até, não conseguindo fazer metade que Doval fizera no primeiro tempo. Já Liminha, não alterou nada; jogou o mesmo futebol de Zé Mário. Como o Flamengo ficou meio esfacelado no seu meio de campo, o Santa Cruz disso se aproveitou e passou a jogar melhor que o seu rival. Aos 15 minutos, Cuíca perdeu a primeira grande chance, chutando por cima um bola em que ele estava cara a cara com Renato. Numa tentativa de dar maior agressividade ao seu ataque, o Flamengo procedeu outra substituição, desta vez, Dionísio no lugar de Vicentinho, mas o Santa Cruz continuou apertando o cerco e teve outra grande chance para abrir o marcador surgiu aos 31 minutos: Beto, que substituíra Cuíca, cabeceou encobrindo o goleiro Renato no lance mais bonito da partida. Todo o estádio gritou gol, mas a bola passou de mansinho pelo poste do lado esquerdo do Flamengo, se perdendo pela linha de fundo. Daí por diante, os jogadores não se entregaram com vigor nas jogadas, passando a tocar a bola como que satisfeitos pelo marcador em branco. Os jogadores ficaram em campo "gastando" a bola até terminar a partida. O amistoso contou com a arbitragem de Sebastião Rufino, que teve como auxiliares Armindo Tavares e Geraldo Alves. O público pagante foi de 62 185 mil pessoas, e a renda da partida fornecida pela federação foi de CR$ 223.834,00.

Escalações Santa Cruz Detinho; Ferreira, Sapatão, Rivaldo e Cabral (Botinha); Erb e Luciano; Cuíca (Beto), Fernando Santana (Zito), Ramón e Betinho. Treinador: Evaristo de Macedo.

Flamengo Renato; Moreira, Chiquinho Pastor, Tinho e Vanderlei; Zanata e Zé Mário (Liminha); Vicentinho (Dionísio), Caio (Ademir), Narciso Doval (Fio Maravilha) e Arílson. Treinador: Joubert.

Parque aquático Em 1978 foi inaugurado o parque aquático, com toda a infraestrutura de vestiários, sauna e banho turco.

Sede A atual sede foi inaugurada em 3 de fevereiro de 1980.

Última ampliação Em 1 de agosto de 1982, foi inaugurado o anel superior, quando o Mundão do Arruda passou a ter a capacidade elevada para 110 mil pessoas. Em 2000, todos os estádios brasileiros tiveram sua capacidade reduzida quase à metade. Assim, a capacidade do anel superior do Arruda caiu de 44 mil para 25 mil pessoas, e a do estádio de 110 mil para 65 mil. Desde 2023, a capacidade máxima sem restrições passou a ser de 60 582.

Dados Nome oficial: Estádio José do Rego Maciel Acesso: 1 - Ônibus: 82 linhas (uma integrada ao metrô) 2 - Sistema de transporte complementar Coordenadas: 8.026900 Lat. S, 34.891301 Long. Oeste Data da Inauguração: 4 de julho de 1972 Ano da ampliação: 1982 Área construída: 30 mil metros quadrados Capacidade antiga: 110 mil espectadores Capacidade atual: 60 582 pessoas Capacidade detalhada: anel superior (25 mil lugares), anel inferior (21 400 lugares), sociais (6 100 lugares), sociais ampliação (1 200 lugares), cadeiras (5 950 lugares) e camarotes/conselho (932 lugares) Iluminação: 2000 lux Dimensões do campo: 105 x 68 metros Tipo de grama: Bermuda Vestiários: quatro Banco de reservas: quatro Banheiros: 48

Qualificações Inclinação suave do estádio e acesso facilitado Campo de jogo protegido por fosso Melhor visibilidade do campo de jogo (sem alambrado) Excelente acústica Maior número de guichês de bilheterias do Brasil Gramado de primeira linha Vestiários padrão FIFA Ponto turístico do Recife Um dos estádios mais conhecidos do Brasil

Estrutura Sede Monumental das Repúblicas Independentes do Arruda Auditório climatizado com capacidade de 200 pessoas Museu Histórico Coral Elevadores com acesso à tribuna de honra, camarotes e cadeiras Ginásio poliesportivo Dois campos anexos de futebol society Parque aquático com 3 piscinas anexas Sauna Banho turco Centro médico para recuperação de atletas Dois restaurantes Sala para futebol de mesa Sala de sinuca Sala de pebolim Sala de taekwondo Três academias de musculação Alojamento profissional Alojamento da base Loja oficial Salão de eventos com capacidade de 5 mil pessoas Estacionamento para 400 veículos Várias lanchonetes Delegacia do torcedor Dois geradores Três bilheterias com 13 guichês (total 39 guichês) Sala de troféus

Cobertura Cerca de 15 600 lugares são protegidos do sol e da chuva (28% do estádio). Além das cadeiras cativas, parte do anel inferior é coberta. O projeto da Arena Coral visa cobrir o estádio em sua totalidade atual.

Assentos miniatura|Estádio do Arruda durante a partida entre Santa Cruz e Betim, válida pelo Campeonato Brasileiro de 2013 - Série C O estádio conta com 6 mil assentos novos instalados em 2009, sem contar com os camarotes e tribunas. Existe um projeto para que toda a social receba os mesmos tipos de assentos utilizados nas cadeiras cativas.

Camarotes