Imperial Marinheiro foi um cruzador operado pela Armda Imperial Brasileira, posteriormente Marinha do Brasil, entre os anos de 1884 e 1887. Foi o segundo a ostentar esse nome, uma homenagem aos marinheiros nacionais. Naufrágou em 1887, próximo à desembocadura do Rio Doce, Espírito Santo.
Construção O Navio de construção mista, feito de madeira e ferro, com uma propulsão híbrida, combinando vela e vapor, teve seu início nos Estabelecimento de Fundição e Estaleiros da Ponta d'Areia, localizados em Niterói, Rio de Janeiro. Este projeto naval foi supervisionado pelo Primeiro-Tenente João Cândido Brazil, um engenheiro experiente que desempenhou um papel fundamental em sua concepção e construção.
A história deste navio teve início em 11 de agosto de 1882, quando sua quilha foi batida, marcando o início de sua construção. O processo culminou com o lançamento ao mar em 20 de junho de 1883. No entanto, sua verdadeira apresentação ao mundo ocorreu em 26 de novembro de 1884, quando foi realizada a Mostra de Armamento, um evento que simbolizou a maturidade e a prontidão desta embarcação para as tarefas que a aguardavam. Nesse dia, ele recebeu o distintivo numérico 17, tornando-se parte da Marinha do Brasil.
É importante notar que este não foi o primeiro navio a levar o nome em questão. O primeiro navio da Marinha do Brasil a ostentar esse nome foi uma embarcação de madeira com propulsão a vela, com um deslocamento de 623 toneladas. Este navio foi construído no Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, sob os planos e fiscalização do renomado Engenheiro Naval Napoleão J. B. Level. Sua jornada começou em 27 de agosto de 1851, quando foi solenemente lançado ao mar e classificado como Corveta.
Características O cruzador Imperial Marinheiro, tinha um deslocamento náutico que atingia a marca de 726 toneladas. Com um comprimento total de 65,12 metros e uma distância entre perpendiculares de 50,63 metros. Sua boca de 8,46 metros e um pontal de 4,27 metros contribuíam para sua estabilidade e capacidade de transportar uma tripulação e armamento consideráveis. O calado à vante de 3,05 metros e o calado à ré de 3,35 metros eram especificações que tornavam o cruzador Imperial Marinheiro adequado para uma variedade de missões e condições de mar.
O cruzador possuía uma máquina a vapor de tríplice expansão, que produzia uma potência total de 750 HP. Essa potência permitia ao cruzador atingir uma velocidade máxima de 10 nós, além de uma única chaminé e um hélice. Em termos de armamento, o cruzador Imperial Marinheiro possúia sete canhões de calibre 32. Além disso, a presença de quatro metralhadoras reforçava ainda mais seu poder de fogo. Sua tipulação consistia de 142 oficiais e praças.
História O cruzador Imperial Marinheiro, da Marinha do Brasil, carrega o título de ser o segundo navio a ser agraciado com esse nome. Seu nome é uma homenagem aos marinheiros nacionais que desempenham um papel fundamental na proteção e soberania das águas territoriais brasileiras.
O navio iniciou sua jornada sob o comando do Capitão-Tenente José Bitor de Lamare, que liderou a tripulação em suas missões e responsabilidades a partir de um ano não especificado. Em 1885, o cruzador Imperial Marinheiro viu uma transição de comando com a nomeação do Capitão-Tenente João Carlos Pereira Pinto como seu novo comandante.
Naufrágio
miniaturadaimagem|300px|O naufrágio do Imperial Marinheiro e os pescadores Bernardo e Antonio Pedro, que participaram do salvamento das vítimas (Revista Illustrada, 1887).
No dia 5 de setembro, o navio Imperial Marinheiro partiu do Rio de Janeiro em uma missão comissionada pela Repartição Hidrográfica. O objetivo era sondar o banco Marajó, localizado em Abrolhos, em resposta a pedidos vindos da França. Esses pedidos eram motivados por relatos de toques de paquetes franceses em áreas de risco à navegação naquela região.
O comandante da embarcação, na época, era o Capitão-Tenente João Carlos da Fonseca Pereira Pinto. Na madrugada do dia 7 de setembro, o navio naufragou a duas milhas da desembocadura do Rio Doce, próximo à Vila de Regência, no Espírito Santo. Um escaler com 12 tripulantes foi lançado ao mar em busca de socorro. Eles procuraram o Patrão-Mor da Barra do Rio Doce, José da Rocha de Oliveira Pinto, que se dirigiu ao local do acidente com equipamento de salvatagem. No entanto, devido à escuridão, nada puderam fazer para ajudar. Com a chegada da luz do dia, os destroços do navio se espalharam pela praia, e vários sobreviventes estavam agarrados a eles, cercados por tubarões. Durante cinco horas angustiantes, uma batalha contra o mar revoltoso se desenrolou, resultando no resgate dos sobreviventes restantes através de um cabo estendido pelo Remador Bernardo José dos Santos entre a praia e o casco naufragado nas rochas.
Graças ao heroísmo de Bernardo José dos Santos e de outros corajosos envolvidos no resgate, centenas de homens foram salvos, incluindo diversos oficiais notáveis que posteriormente se destacariam na Marinha, como Índio do Brasil, Francisco de Matos, Calheiros da Graça e outros. Bernanrdo demonstrou uma coragem notável, nadando até o navio naufragado e conseguindo estabelecer uma ligação crucial com a costa, possibilitando assim o resgate de muitos náufragos. Sua contribuição heróica e altruísta foi reconhecida e aplaudida. No entanto, a tragédia também teve seu custo humano, com a perda de 14 vidas. A causa do naufrágio foi alvo de diversas especulações, com hipóteses que incluíam variação da bússola, erros de cálculo ou observação. Em sua defesa, o Comandante Pereira Pinto alegou que o acidente ocorreu devido à forte correnteza, uma explicação que lançou dúvidas e debates sobre as circunstâncias que levaram ao trágico naufrágio do Imperial Marinheiro.
A vítimas fatais foram: Segundo-Tenente Trifeno de Oliveira, o Guarda-Marinha Francisco de Paula Mello Alves, o Terceiro Maquinista Américo Brasílio da Silva, o Quarto Maquinista Ildefonso Machado Dutra, além de praticantes de máquinas como Francisco Dias Braga e Frederico Cândido de Andrade. Os Imperiais Marinheiros Francisco Segundo, Roque Lúcio, Américo Soares Lobo, Pedro Felício, Inácio Pereira, bem como o foguista contratado Francisco Xavier Estevão e os taifeiros Agostinho e José Alves Ferreira também perderam suas vidas na tragédia. 117 pessoas conseguiram sobreviver a esse desastre. Dentre esses sobreviventes, 92 eram praças do Corpo de Imperiais Marinheiros. Um nome se destacou nesse cenário de desespero e perigo: o pescador Bernardo José dos Santos, conhecido como Caboclo Bernardo.
Entretanto, a tragédia do cruzador Imperial Marinheiro não ficou isenta de responsabilidades e investigações. Por sentença do Conselho Supremo Militar de Justiça, datada de 10 de dezembro de 1887, o Capitão-Tenente João Carlos da Fonseca Pereira Pinto, que era o ex-comandante do navio no momento do naufrágio, foi condenado a dois anos de suspensão de comando. O Segundo-Tenente Alfredo de Azevedo Alves, que também era oficial do cruzador e estava encarregado da navegação, recebeu uma sentença de seis meses de prisão. Por outro lado, o Segundo-Tenente Alípio Mursa, oficial de quarto na ocasião do naufrágio, foi absolvido. Além das consequências legais, houve gestos de reconhecimento e gratidão para aqueles que desempenharam um papel fundamental no salvamento das vítimas. O pescador Bernardo José dos Santos, em particular, foi recebido com calorosos festejos em Vitória e no Rio de Janeiro, e o Governo Imperial o condecorou com uma medalha humanitária. Outros indivíduos, como o Furriel Imperial Faustino José Pedro, o Mestre do navio João Roque da Silva e o segunda-classe Imperial Marinheiro Manuel Francisco da Silva, também receberam galardões do Governo em reconhecimento pelos serviços prestados no resgate durante essa trágica calamidade.
Ver também Lista de navios descomissionados da Marinha do Brasil
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