Madeleine Beth McCann (Leicester, 12 de maio de 2003) é uma menina britânica que desapareceu em Portugal, onde estava com os seus pais, irmão e irmã de férias na vila da Luz, Lagos no Algarve.
O desaparecimento da criança chamada Madeleine McCann ocorreu na noite de quinta-feira, 3 de maio de 2007 quando foi dada como desaparecida do seu apartamento em Praia da Luz, Algarve, Portugal, onde tinha sido deixada sozinha com os seus dois irmãos. Madeleine, então com quase quatro anos de idade, que estava no seu quarto na companhia dos seus dois irmãos gémeos de dois anos, foi inicialmente dada como tendo "saído" pelos seus próprios meios, segundo a polícia, enquanto que os pais estavam convencidos que tinha sido raptada.
O seu desaparecimento tornou-se uma das notícias mais notórias, quer pela rapidez com que se iniciou a divulgação das notícias, quer pela longevidade e pela massiva cobertura pelos órgãos de informação. O jornal britânico The Daily Telegraph às 00h00 da madrugada do dia 4 de maio já fazia manchete com o artigo "Three-year-old feared abducted in Portugal" (Teme-se que menina de 3 anos tenha sido raptada em Portugal).
Como no caso Madeleine McCann, o Caso Rui Pedro, que refere-se ao desaparecimento de outra criança em Portugal em 1998 também ficou popular, mas não conseguiu se beneficiar da fama para ajudar na investigação. A imprensa e a polícia também foram criticadas.
Biografia Madeleine Beth McCann é a filha mais velha de Kate McCann, antiga médica anestesista e de clínica geral, e Gerry McCann, cardiologista no Hospital Glenfield em Leicester. Madeleine, que tem dois irmãos gémeos, Sean e Amelie, em 2007 de dois anos, vivia com a sua família em Rothley, Inglaterra.
Uma marca característica é o seu olho direito que tem um tipo de coloboma, um alastramento completo da íris (uma faixa radial que se estende da pupila até ao limite do olho).
Desaparecimento Madeleine desapareceu do apartamento onde passava férias com a sua família na noite de 3 de maio. Na altura os seus pais puseram Madeleine e os seus dois irmãos gémeos na cama, e foram jantar a cerca de 100 metros de distância com amigos no Tapas bar do Ocean Club. Aproximadamente às 21h00, Gerry McCann verificou que os filhos se encontravam bem. Um amigo verificou perto de 21h30. Cerca das 22h, Kate encontrou a cama de Madeleine vazia e uma janela e uns estores abertos. Um amigo avisou a recepção do Ocean Club que alertou a GNR às 22h41. Funcionários e hóspedes do resort, juntamente com as autoridades, efectuaram buscas até às 04h30 e a polícia portuguesa e todos os aeroportos ibéricos foram notificados.
Acontecimentos de 3 e 4 de maio de 2007 thumb|Ocean Country, imobiliária|alt=Pelo que indaguei na internet esta foto não é do Ocean Club mas da imobiliária Ocean Country 21h10 Gerry verifica os seus filhos. 22h Kate verifica o desaparecimento da sua filha. Gerry afirma que foi um dos seus amigos que alertou o gerente e este último a polícia. 23h : chegada da GNR à Praia da Luz 23h50 O incidente é comunicado à Polícia Judiciária. Soldados da GNR com a ajuda de cães pisteiros conduzem as buscas durante a noite. A PSP de Lagos auxilia a operação de buscas durante a noite. 00h00 Agentes da Polícia Judiciária chegam e uma equipa de polícia científica começa a trabalhar 30 minutos depois. O porta-voz da GNR, tenente-coronel Costa Cabral, revela que as buscas prosseguiram durante toda a noite."Praia da Luz: Mais de 60 horas após rapto mantêm-se as buscas e o silêncio". Barlavento online. A Polícia Marítima participa das buscas com lanchas salva-vidas um helicóptero e elementos a pé. Um helicóptero da Protecção Civil participa nas buscas. Vários veículos todo-o-terreno da Protecção Civil fazem buscas nas margens da barragem da Bravura. Bombeiros participam nas buscas. Elementos da Cruz Vermelha fazem buscas a pé. Soldados e cães das patrulhas de busca e salvamento da GNR de Lisboa são enviados para participar das buscas.
Investigação Igreja da Luz|thumb|200px
Fase inicial A primeira declaração oficial da Polícia Judiciária (PJ), feita por Guilhermino Encarnação, às 12h00 de sábado dia 5 de maio, revela haver suspeita de crime de rapto da criança e da existência de um "esboço" de um eventual suspeito.
A Polícia Judiciária referiu a 6 de maio terem identificado um suspeito e que a criança deveria estar viva e ainda na área. Cães treinados farejaram o aldeamento do resort, que tem uma capacidade de cerca de mil pessoas. No entanto, a 8 de maio, cinco dias após o desaparecimento, a Polícia Judiciária admitiu não ter certeza quanto ao estado de Madeleine.
A 7 de maio é anunciado que a PJ pediu ajuda do SIS que entrou em contacto com as suas congéneres espanhola e inglesa.
A 9 de maio, a Interpol lançou um alerta amarelo a todos os seus membros.
Os media portugueses revelaram que a PJ seguia duas linhas de investigação: o rapto por uma rede internacional de crimes relacionados à pedofilia ou o rapto por uma rede de adopção ilegal.
Especialistas britânicos chegaram para assistir as autoridades nacionais nas investigações e a polícia de Leicestershire enviou representantes para ajudar a família. Foi ainda noticiado que a polícia britânica informou a polícia portuguesa que cerca de 130 ingleses abusadores de menores estiveram no Algarve, semanas antes do rapto de Madeleine, com o conhecimento das autoridades inglesas. A 11 de maio, o local de investigação foi declarado livre após a não obtenção de resultados. Depois, a 13 de maio, a polícia admitiu pela primeira vez que não tinham qualquer suspeito em vista. A única via de investigação que estavam dispostos a revelar consistia na examinação de fotografias tiradas por turistas.
Interrogatórios relacionados tiveram início a 14 de maio.
Murat e Malinka Às 7 horas de 14 de maio foram iniciadas buscas na Casa Liliana, propriedade de Jennifer Murat, cidadã britânica, perto do apartamento do desaparecimento de Madeleine. A polícia e equipas de investigação forense selaram a casa, e às 16h00 a piscina foi drenada. Três pessoas, incluindo o seu filho Robert Murat, foram interrogados na esquadra em Portimão. Robert, um visitante frequente do aldeamento, gerou suspeitas a Lori Campbell, uma jornalista do Sunday Mirror, que informou a polícia do facto. Uma antiga colega de escola, Gaynor de Jesus, disse não ter conhecimento de que Murat fosse o tradutor oficial da polícia. Robert Murat afirmou estar profundamente preocupado com o caso de Madeleine devido à perda recente da custódia da sua filha de três anos que é parecida com a menina desaparecida. Não foram efectuadas detenções. Na lei portuguesa, as detenções só podem ser efectuadas após alguém ser indiciado oficialmente como arguido; até lá são considerados testemunhas do processo. A 15 de maio, Robert Murat recebeu o estatuto de arguido mas não foi detido nem acusado. Não é claro se foi Murat ou a polícia que pediram o estatuto de arguido, pois este confere direitos adicionais ao arguido tais como o direito de permanecer em silêncio. Desde essa altura Murat está ausente em parte incerta.
O inspector Olegário de Sousa disse em conferência de imprensa a 15 de maio que tinha sido interrogada uma pessoa de 33 anos, mas não foram encontradas evidências que justificassem a sua detenção. Sousa referiu que a polícia efectuou buscas em cinco residências na segunda-feira e apreendeu "vários materiais" das propriedades que estavam sujeitas a investigação e que haviam interrogado duas outras pessoas na qualidade de testemunhas. O suspeito assinou uma declaração de identidade e residência que o impede de se deslocar ou sair do país, e que requer deslocações regulares às instalações da polícia. Apesar de não terem sido referidos nomes na conferência de imprensa, acredita-se que o suspeito seja Robert Murat e os restantes inquiridos a sua alegada companheira Michaela Walczuch, alemã, e o seu ex-marido, Luís António.
Apesar da relutância de Murat em prestar declarações públicas, ele declarou que o caso "arruinou" a sua vida e que a única hipótese de restituir o seu bom nome é a captura dos raptores de Madeleine. Murat disse ainda que tem sido um "bode expiatório" para que a polícia dê a sensação de obtenção de resultados.
A 16 de maio, acreditava-se que dois carros utilizados pelos Murat haviam sido examinados, e confiscados computadores, telemóveis e várias cassetes de vídeo dos seus pertences pessoais. Foi também dado a conhecer que o arquitecto que projectou o aldeamento no qual residem os Murat foi ignorado ao comunicar à polícia a existência de uma cave escondida na propriedade. Era convicção igualmente que a polícia levou para interrogatório Sergey Malinka, 22, de origem russa, de cuja residência as autoridades também confiscaram um computador portátil e dois discos rígidos. Malinka concebeu um websítio para Murat. De acordo com a imprensa portuguesa, Malinka foi anteriormente acusado de abuso sexual infantil e ser um técnico informático de boas relações com Robert Murat, dado que se comunicam frequentemente por telefone desde o desaparecimento de Madeleine - os motivos que levaram as autoridades a suspeitar.
No dia seguinte, foi dada uma conferência de imprensa na qual o inspector Olegário de Sousa reafirmou a insuficiência de evidências para efectuar uma detenção. Sobre Sergey Malinka, a polícia afirmou ter sido inquirido na qualidade de testemunha durante aproximadamente cinco horas, o que não significa, dada a natureza dinâmica da investigação, que se possa tornar suspeito.
Malinka fez uma apreciação negativa da cobertura do caso pelos media portugueses, que alegaram que ele havia sido condenado por abuso sexual infantil, e negou haver contactado Murat e que é "completamente inocente". A 18 de maio, no entanto, emergiram inconsistências nas suas alegações acerca do seu relacionamento com Robert Murat; embora tenha referido que não contactava Murat há mais de um ano, disse três meses a um outro repórter enquanto que os registos do telemóvel de Murat alegadamente revelam que este contactou Malinka às 23:40 do dia do desaparecimento de Madeleine.
A 19 de maio, investigadores portugueses deslocaram-se a Londres para entrevistar Dawn Murat, a mulher de Robert Murat.
A 23 de maio, os investigadores reentrevistaram testemunhas ligadas a Murat; a sua companheira alemã Michaela Walczuch, e o seu ex-marido Luís António, o que faz pressupor o interesse renovado da polícia em torno de Murat.
Setembro de 2007 Após meses de investigação, a Polícia Judiciária (PJ) interroga os pais de Madeleine. Saem ambos como arguidos e sujeitos a termo de identidade e residência, através da suspeita do homicídio acidental causado por negligência ou excesso de medicação calmante na criança. A corroborar os fatos, vários indícios de fluidos corporais com o ADN da criança encontrados num carro alugado pelos pais mais de vinte dias após o desaparecimento, que indicam o transporte do corpo da menina.
Tem sido notável a actuação dos media britânicos, apontando "falhas" na investigação policial (Sky News e The Sun). Suspeitas que o relacionamento entre os pais de Maddie e o então primeiro-ministro britânico possam estar por trás duma imensa campanha politizada, que implicou até audiência papal, têm sido apontadas por vários meios noticiosos televisivos portugueses (Francisco Moita Flores, na RTP a 8 de Setembro de 2007).