O Museu Medeiros e Almeida, anteriormente, Casa-Museu Medeiros e Almeida, é uma das principais coleções privadas de artes decorativas portuguesas, reunida pelo empresário, colecionador e mecenas António de Medeiros e Almeida (1895-1986).
O museu, instalado na antiga residência de Medeiros e Almeida, um palacete de finais do século XIX situado no centro de Lisboa, compreende duas áreas museológicas distintas: a área que foi habitada pelos donos da casa, que foi mantida tal como era, e uma nova ala construída sobre o jardim da moradia, formada pela recriação de ambientes, nomeadamente ao gosto francês do século XVIII.
A coleção - peças em destaque
Arte Chinesa
Um grupo de peças de enterramento - mingqi - das dinastias Han (206 a.C.-220) e Tang (618-790); Sete peças da dinastia Ming (1368-1644), de inícios do século XVI, de porcelana de exportação para o mercado português, conhecidas como “primeiras encomendas”; Um vaso da dinastia Qing (1644-1911), reinado Qianlong (1736-1795), pintado com decoração auspiciosa e ladeado com duas figuras moldadas de europeus prestadores de tributo;
Dois instrumentos musicais em nefrite - “pedras sonoras” - da dinastia Qing, período Kangxi (1662-1722), datados 1717, pertencentes a um carrilhão imperial; Um raro biombo de laca Coromandel, de seis folhas, do período Kangxi, de finais do século XVII, presente de aniversário, decorado com poemas e uma inscrição;
Relógios
Ampulheta em âmbar de meados do século XVII, de Gdansk, assinada: Michael Schödelock fecit Gedani; Raro relógio de noite, de cerca 1675-1685, do relojoeiro real inglês Edward East (1602-1696); Relógio de caixa alta, 1700, de corda mensal, do relojoeiro inglês Thomas Tompion (1639-1713); Um curioso relógio de mesa despertador com sistema de pederneira, para o mercado alemão, do relojoeiro inglês Godfrie Poy (activo 1718-1753); Relógio de bolso, de mesa e de carruagem, de 1808, que pertenceu ao general J.-A. Junot e mais tarde ao duque de Wellington, do mestre relojoeiro Abraham-Louis Breguet (1747-1823); Relógio de caixa alta “Grand Régulateur”, c.1900, do marceneiro francês François Linke (1855-1935).
Pintura
“A Paragem”, 1606, do pintor miniaturista flamengo Jan Brueghel (1568-1625); “O Cobrador de Impostos”, 1616, do pintor flamengo Pieter Brueghel o Novo (1564-1638); Um conjunto de 8 paisagens, de 1623 a 1652, do naturalista holandês Jan van Goyen (1596-1656); “Arquimedes” do atelier do pintor espanhol Jose Ribera (1588-1652); “Natureza Morta”, 1643-1644, do pintor holandês Jan Davidsz de Heem (1606-1684); “Rainha Catarina de Bragança” 1670, retrato atribuído ao pintor inglês John Riley (1646-1691); “Nascimento de Adónis”; “Morte de Adónis” (par), c.1720-1730, do pintor francês François Boucher (1703-1770); “Retrato de Velho com espada”, 1768, do pintor italiano GianDomenico Tiepolo (1727-1804); “Mrs. William Fitzroy”, 1801-1808, atribuída ao pintor inglês John Hoppner (1758-1810); “Amédée Berny d’Ouville”, 1830, do pintor francês Eugène Delacroix (1798-1863).
Mobiliário
Duas cómodas ditas “mazarinas”, c.1690, com marchetados do marceneiro real francês André-Charles Boulle (1642-1732); Um par de cómodas rocaille, 1720-1730, estampilhadas por Antoine Criaerd (act. 1720-50); Uma cómoda “vernis-Martin”, 1745-1755, atribuída ao marceneiro francês Pierre Roussel (1723-1782); Mesa de jogo portuguesa, de quatro tampos, em pau santo com embutidos de madeiras preciosas e marfim, terceiro quartel do século XVIII; Uma secretária com alçado, 1854-1957, com marchetados estilo Boulle, do marceneiro inglês John Webb (1799-1880), o par pertencente à coleção Wallace de Londres ; Um cartonnier com secretária, estilo Luís XV, assinado e datado 1892, do marceneiro Joseph-Emmanuel Zwiener (1849-c.1925); Uma cómoda francesa de aparato “Vénus e Marte”, decorada com bronzes dourados assinada e datada de François Linke (1855-1935), feita para a Exposição Universal de Paris de 1900; Uma consola estilo Luís XV, decorada com bronzes dourados, de François Linke, marcada nos bronzes LF, c. 1900.
O museu
Galeria de entrada Na residência original, a entrada fazia-se por um pequeno lanço de escadas em mármore, acedendo-se, através de um guarda-vento de vidro a um corredor com acesso, de ambos os lados, às principais salas de receção, sala de jantar e escritório e ao andar dos apartamentos privados. No corredor destaca-se um importante núcleo de oito óleos sobre madeira do pintor Jan van Goyen (1596-1656), demonstrativo da evolução pictórica e temática de um dos primeiros paisagistas holandeses.
Sala de jantar Nesta sala os anfitriões receberam família, amigos e inúmeras individualidades nacionais e estrangeiras do mundo social, da política e da alta finança.
A sala mantém, dentro do possível, a decoração original, marcada pelo mobiliário inglês do século XIX. Ao centro, a mesa em mogno para doze pessoas, está posta para um jantar de cerimónia, com baixela e faqueiro do prateiro inglês Paul Storr (1770-1844) e serviço de copos de cristal com decoração a ouro, da fábrica francesa Daum, sobre individuais de renda da época.
Num dos topos, num armário louceiro de grandes proporções, composto por dois corpos envidraçados expõem-se alguns dos serviços de mesa de porcelana da China da coleção, usados em ocasiões especiais, o raro conjunto de cristais ingleses e irlandeses prismatic cut de inícios do século XIX e um conjunto de vidros com camafeus de biscuit, do início da produção da Fábrica da Vista Alegre (1837-1846).
Quatro naturezas-mortas holandesas do século XVII compõem a decoração.
Sala das pratas The old scullery exhibits the silver collections, among the British silversmith, the set of Paul Storr (1771-1838) tableware vessels, decorated with fauna and flora elements, stands out for its quality. As far as the Portuguese production is concerned, there is a famous tea and coffee service, produced in 1815 by António Firmo da Costa, which is engraved with Napoleon Bonaparte's monogram, as it served the deposed emperor while in Saint Helena island and two 16th-century engraved silver-gilt salvers decorated with imagery from the Discoveries;
Two figure-shaped toothpick holders collections can be admired in this gallery: one is made of Portuguese silver and the other of Vista Alegre Manufactory porcelain.
Escritório Era neste espaço que o coleccionador se dedicava à consulta de livros, revistas de arte e catálogos de leilões e dava largas à sua paixão, procurando alargar conhecimentos nas áreas que mais o interessavam ou tentando encontrar a peça que lhe faltava para completar um ou outro núcleo da colecção.
Neste espaço encontram-se ainda os retratos do coleccionador e da sua mulher, Margarida bem como de outros membros da família, por pintores portugueses.
Apartamentos privados Neste andar ainda se pode ver o ambiente do quotidiano íntimo do casal no quarto de cama e na casa de banho privada do dono da casa, forrada a mármore de Estremoz, onde instalou um equipamento de ginástica que mandou vir dos E.U.A. nos anos 70.
Na antecâmara, destaca-se um raro móvel-secretária de mogno, datado de 1740-1750, do marceneiro inglês John Channon (1711-1783), com um alçado que foi utilizado como farmácia pessoal de Medeiros e AlMeida e uma espreguiçadeira D. José, do 3º quartel do século XVIII, entre pinturas de Lisboa de Carlos Botelho (1899-1982), colega de Liceu Pedro Nunes do colecionador.
Ala nova No início da década de setenta, António de Medeiros e Almeida concretiza um dos seus maiores sonhos - a criação e doação ao país de uma Casa-Museu - cujo espírito vinha tomando forma há já alguns anos, à medida que o património se multiplicava e as peças adquiridas nos mercados europeus se tornavam mais valiosas e raras.
A ala nova - que se liga à antiga residência -, foi decorada com luxuosos ambientes de gosto francês dos séculos XVIII e XIX, com apainelados e tetos de caixotão pintados, lareiras de mármore, mobiliário francês e inglês, pintura francesa e holandesa, oferecendo um panorama desta época de ouro europeia.
Galeria nova Nesta sala destacam-se os motivos decorativos do desenhador ornamental Jean Bérain O Velho (1640-1711) nas duas secretárias “mazarinas” de André-Charles Boulle, no par de pinturas de cariz mitológico de François Boucher e nas duas tapeçarias francesas de 1730’s, pertencentes à armação conhecida como “Os Grotescos” que representam arquiteturas imaginárias, fauna, flora, funâmbulos e dançarinos, numa tipologia estética caracterizada pela cor e cariz decorativo, transversal a todas as peças.
Sala do piano Esta sala é uma reconstituição de um ambiente francês Luís XV, que deve o seu nome ao piano de meia cauda da casa Erard, de 1880-1890, decorado com bronzes dourados e pinturas em verniz-Martin, com apainelado em carvalho trabalhado e tecto português, em maceira invertida, de madeira de castanho policromada com cenas do quotidiano cortesão. No eixo central, a lareira de mármore branco de gramática rocaille é proveniente da casa do escritor inglês Somerset Maugham, em Londres.
Nas paredes pinturas por Gian Domenico Tiepolo (1727-1804), do retratista inglês George Romney (1734-1802), e uma Ressurreição de Lázaro do holandês Jacob Willemsz de Wet (1610- 1677).
Sala Luis XIV Duas grandes peças de mobiliário do marceneiro real francês André-Charles-Boulle dão o nome à sala: um monumental relógio de mesa com barómetro sobre pedestal e uma mesa-secretária (bureau-plat). A sala é revestida com boiserie italiana de tons verdes ostentando painéis de inspiração grotesca.
Um conjunto de quatro raras peças austríacas, de esmaltes de Viena, de finais do século XIX, encontra-se exposto nesta sala: um cofre em cristal de rocha e esmaltes montados em prata, uma garnitures de três peças (relógio de mesa e par de candelabros), uma ave bicéfala e uma cornucópia também em cristal de rocha lapidado.
Sala do lago Esta sala, bem como os espaços adjacentes, Galeria de Cima e Galeria de Baixo, pretende ser uma memória do espaço ajardinado que ali existia até às obras de prolongamento do Museu. Daí a presença da água. Em redor, as paredes são forradas com painéis de azulejos azul e branco, representando as Quatro Estações e os Quatro Continentes, tema favorito da era barroca.
O tecto em masseira quadripartida é decorado com pinturas policromadas do século XVIII português representando os Quatro Continentes.
Sala dos relógios Esta sala apresenta um conjunto de cerca 200 relógios, dos cerca de seiscentos que constituem a colecção. Os exemplares estão dispostos cronologicamente contando a história da evolução da relojoaria na Europa. A coleção inclui diversas categorias: relógios de bolso, de mesa, de caixa alta, de suspender, de carruagem, de marinha, de noite, de água, de areia, de fogo, etc…
Sala das porcelanas Este espaço, destinado exclusivamente à exposição da colecção de cerâmica chinesa. A primeira vitrina mostra a colecção de terracotas, incluindo as Dinastias Han, Tang, Wei e Song. A segunda vitrina ostenta objectos da dinastia Ming, destacando-se as denominadas “primeiras encomendas”, peças pintadas em cobalto sob o vidrado, encomendadas pelos europeus na China, no início do século XVI. Alguns destes exemplares serão encomendas reais para D. Manuel I, estando decorados com a esfera armilar, seu brasão pessoal e as Armas Reais de Portugal.
As outras duas vitrinas são dedicadas à dinastia Qing, com peças do período Kangxi decoradas com os esmaltes da chamada “família verde”, com objectos para o mercado interno chinês e para o mercado europeu/ocidental, e ainda peças dos períodos Yongzheng e Qianlong, com esmaltes da chamada “família rosa”, como serviços de jantar.