Vasco Anes Corte-Real (1395? — ?), inicialmente chamado Vasco Anes da Costa, foi um fidalgo cavaleiro originário de Tavira que exerceu as funções de alcaide-mor de Tavira e Silves e fronteiro-mor do Algarve. Deu origem à família Corte-Real que se viria a distinguir na ilha Terceira (Açores) como governantes e exploradores e depois se incorporaria entre a mais prestigiada nobreza portuguesa. Biografia Era filho de Vasco Anes da Costa, que viveu no , honrado cavaleiro de Tavira e um dos mais destros auxiliares do Mestre de Avis na defesa do reino contra as investidas dos castelhanos.

Foi este Vasco Anes o primeiro a fazer uso do apelido Corte Real, mas outros dos seus irmãos, nomeadamente Gil Anes da Costa e os seus descendentes, adotaram posteriormente também o apelido Corte Real. Outro irmão, Afonso Vaz da Costa, foi comendador da Ordem de Santiago no concelho de Cacela, embora não tenha deixado descendência. João Vaz Corte-Real era filho de Vasco Anes Corte Real, sendo assim pertencente à linhagem dos Costas Corte-Reais.

A forma Vasco Anes nem por todos os escritores tem sido seguida. Nas diferentes crónicas e mais diplomas, aparecem as variantes Vasqueanes, Vascoeannes, Vaasqu Eanfies, Vaasqae Anes, Vasque Afies, Vasco Eannes, etc. A primeira das referidas formas, porém, por ser a mais moderna e a que geralmente é empregue. Quanto ao apelido Corte Real, foi concedido a Vasco Anes por graça de el-rei D. Duarte, não só pelo brilhantismo com que assistia na sua corte, e por fazer parte de Os Doze de Inglaterra, mas também pelos seus feitos heróicos na tomada de Ceuta, enaltecido pelos cronistas da época, considerando-o "o primeiro homem que foi dentro".

Gomes Anes de Zurara diz na sua Crónica da tomada de Ceuta que Vasco Anes esteve entre os primeiros que desembarcaram e lutaram contra os mouros:

«Mas he agora de saber como o Inffamte Duarte como uallente caualleiro sahio de sua gallee, em quamto seu padre amdaua proueemdo a outra frota, e sse foi pêra aquelle porto, omde o Iffamte Dom Hamrrique filhara terra, e Martim Affomsso de Mello e Vaasquo Eannes Corte Reall eram açerqua delle, quamdo salltou na praia. (...) E em esto seriam os christaãos ja fora naquella praya ataa çemto e çimquoemta. e assy começarom muy rrijamente de sse meter com os mouros, magoamdoos a meude com suas armas, ataa que per força os fezeram meter per a porta dAlmina. E o primeiro homem que foy demtro com elles, foi Vaasquo Eannes Corte Reall e desios outros após elle.»

No século seguinte, o seu bisneto, o poeta e cronista Jerónimo Corte-Real irá homenagear o bisavô e os seus feitos. num poema inscrito na sua obra em verso Naufrágio de Sepúlveda.

Genealogia Vasco Anes Corte Real casou mas não deixou geração do matrimónio. Fora o casamento, porem, teve os seguintes filhos fruto de uma relação com Mor Anes Escudeiro: Fernão Vaz Corte Real, que serviu em África com muita distinção e que casou com Maria Segura, a qual obteve do rei D. Afonso V, depois de viúva, uma tença de 10$000 réis, em recompensa dos serviços prestados por seu marido. Não consta que deixasse filhos do matrimónio; fora deste, porem, houve em uma mulher de raça negra um filho: António Corte Real, que foi capitão-mor na índia (Estado Português da Índia). Este também não consta que casasse; mas deixou, pelo menos, dois filhos, que foram: António Corte Real, casado com D. Antónia de Sá. Fernão Vaz Corte Real, que faleceu em combate. Catarina Lopes Anes Mourato, nascida a 1515 João Vaz Corte Real, foi casado com D. Maria Abarca, filha de Pedro Abarca, Fidalgo de Tui. D. Isabel Vaz da Costa Corte Real, (1440 - ?) que foi a 1.ª mulher de Henrique Moniz, o Velho. alcaide-mor de Silves.

Bibliografia Eduardo de Campos de Castro de Azevedo Soares, Nobiliário da ilha Terceira, vol. I. Livraria Fernando Machado & Comp, Porto, 1944.

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