miniaturadaimagem|upright|O presidente Mark L. Burns A Gulfstream Aerospace Corporation é uma fabricante de aeronaves dos Estados Unidos e uma subsidiária da General Dynamics. A Gulfstream projeta, desenvolve, fabrica, comercializa e presta manutenção a jatos executivos. A empresa produziu mais de 2.000 aeronaves desde 1958. Sua linha é formada pelo G280, pelo G400, pelos G500 e G600 e pelos G650, G700 e G800.

História

Origens A empresa que deu origem à Gulfstream Aerospace Corp. começou a tomar forma no fim da década de 1950. Conhecida pela fabricação de aeronaves militares, a Grumman Aircraft Engineering Co. desenvolveu em suas instalações de Bethpage, no estado de Nova Iorque, o Grumman Gulfstream I, um avião executivo bimotor turboélice também chamado G-I. O G-I comportava 12 passageiros, alcançava a velocidade máxima de 560 km/h a 7.620 m de altitude e tinha alcance de 3.540 km. O avião, o primeiro de seu tipo criado para viagens de negócios, teve boa aceitação, e a Grumman passou a desenvolver o Grumman Gulfstream II, ou GII, movido a jato.

Década de 1960 No início do programa GII, os dirigentes da Grumman separaram a produção de aeronaves civis da produção militar para melhorar a eficiência. A divisão civil foi transferida em 1966 para Savannah, onde havia mão de obra qualificada, um campo de aviação ao lado da fábrica e espaço para ampliação. A cidade também oferecia meios de transporte próprios para equipamentos e máquinas pesadas, além de clima favorável para ensaios e treinamento em voo ao longo de todo o ano. O novo edifício abriu em junho de 1967 e foi inaugurado em 29 de setembro daquele ano. O local abrigava a produção e os ensaios em voo do GII. Dos cem trabalhadores que construíram o avião, 90% eram da região. O quadro passou de 1.700 pessoas poucos anos depois. Em 4 de maio de 1968, o Gulfstream II fez o primeiro voo sem escalas de um jato executivo dos Estados Unidos à Europa.

Década de 1970 Em 2 de janeiro de 1973, a Grumman reuniu suas operações de aeronaves civis às da fabricante de aviões leves American Aviation Corporation. O 256.º e último GII foi entregue em 1977. Um ano depois, a linha Gulfstream e a fábrica de Savannah foram vendidas à American Jet Industries, comandada pelo empresário Allen Paulson. Paulson assumiu a presidência e a direção executiva da companhia, que passou a se chamar Gulfstream American. Ele deu prioridade ao desenvolvimento do Gulfstream III. O GIII foi projetado para ter alcance e velocidade superiores aos do GII. Fez o primeiro voo em dezembro de 1979 e teve a primeira unidade entregue em 1980. Foi o primeiro jato executivo projetado para voar sobre os dois polos. O Hustler 400 era uma aeronave empresarial com uma hélice dianteira, usada em pistas curtas, e um motor a jato traseiro para voos em grande altitude. O protótipo voou pela primeira vez em 11 de janeiro de 1978, mas não entrou em produção.

Década de 1980 miniaturadaimagem|Um Gulfstream G450 de 2004 na pista de estacionamento Em 1981, a Gulfstream apresentou o Gulfstream GIIB. O avião combinava uma fuselagem de GII modificada com as asas e os winglets do GIII. A variante tinha peso e desempenho próximos aos do GIII, mas conservava a fuselagem mais curta do GII. Cerca de 40 GIIB foram concluídos e entregues.

Sob o comando de Paulson, o quadro de funcionários em Savannah chegou a 2.500 na primavera de 1982. Naquele ano, a empresa adotou o nome Gulfstream Aerospace Corporation para expressar o alcance mundial de suas operações e começou a conceber o Gulfstream IV. No ano seguinte, ofereceu 8,8 milhões de ações ao público. Em 1985, a Chrysler Corp., antecessora da Stellantis North America, comprou a Gulfstream por US$ 637 milhões como parte de um plano para entrar em setores de alta tecnologia. A Gulfstream entrou pela primeira vez na lista Fortune 500 naquele ano, na 417.ª posição. Dois anos depois, o 200.º e último Gulfstream III foi entregue, assim como o primeiro Gulfstream IV. O GIV foi o primeiro jato da aviação executiva com cabine de pilotagem inteiramente digital. A Chrysler decidiu vender a Gulfstream em 1989. Paulson se uniu à Forstmann Little & Co., uma firma de capital privado especializada em aquisições alavancadas, e recomprou a companhia.

Década de 1990 Na década seguinte à recompra de 1989, a Gulfstream lançou novos projetos. A empresa assinou um contrato de cinco anos com a NetJets em 1994. Em 1995, concluiu a instalação de ensaios integrados do Gulfstream V e apresentou o GV, o primeiro jato executivo de alcance ultralongo. Em 1996, abriu em Savannah um centro de serviços de US$ 16 milhões com 12.630 m² de hangares. No ano seguinte, começou a fabricar ao mesmo tempo o GIV-SP e o GV. Poucos meses depois da primeira entrega do GV, feita em junho de 1997, o modelo estabeleceu cerca de quarenta recordes entre pares de cidades e de velocidade ou distância. A equipe responsável por seu desenvolvimento recebeu o Troféu Collier de 1997, a mais alta distinção da aeronáutica ou da astronáutica na América do Norte. Em 1998, a Gulfstream comprou a K-C Aviation da Kimberly-Clark Corp. por US$ 250 milhões. A empresa adquirida mantinha operações em Dallas, Appleton, no Wisconsin, e Westfield, em Massachusetts.

Década de 2000 A General Dynamics comprou a Gulfstream em 1999. Em 2000, abriu em Savannah uma instalação de US$ 5,5 milhões para reforma de aeronaves e apoio à finalização de interiores. A Galaxy Aerospace foi comprada em 2001, junto com o Astra SPX de médio porte e o Galaxy de porte supermédio, mais tarde rebatizados como Gulfstream G100 e Gulfstream G200. Também em 2001, a Gulfstream comprou quatro instalações de manutenção nos Estados Unidos, em Dallas, Las Vegas, Minneapolis e West Palm Beach. Esses centros, reunidos a uma unidade da Gulfstream em Westfield, formaram a General Dynamics Aviation Services, responsável pela manutenção e pelo reparo de aeronaves Gulfstream e de outros jatos executivos.

Em 2002, a Gulfstream mudou os nomes dos produtos e passou a usar algarismos arábicos no lugar dos romanos. Sua linha tinha então os G550 e G500 de alcance ultralongo, o G400 de longo alcance, os G300 e G200 de médio alcance e o G100 de alta velocidade. Naquele ano, a empresa apresentou a aeronave Airborne Product Support, um G100 equipado para transportar peças e prestar atendimento a qualquer hora aos clientes com aviões Gulfstream em garantia na América do Norte e no Caribe.

Em 2003, a Gulfstream comprou um centro de serviços no Aeroporto de Londres-Luton, a primeira unidade da empresa fora dos Estados Unidos. O G450 de longo alcance também foi apresentado naquele ano. O G350, de cabine grande e médio alcance, veio um ano depois. Em 2004, a companhia recebeu o Troféu Collier de 2003 pelo desenvolvimento do G550. Foi a segunda vitória da Gulfstream em menos de dez anos. O G550 foi a primeira aeronave civil cujo certificado de tipo, emitido pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, ou FAA, incluiu um sistema de visão aprimorada como equipamento de série. O avião também recebeu a primeira cabine de pilotagem com o PlaneView, um conjunto aviônico integrado com quatro telas de cristal líquido de 36 cm em formato horizontal.

Em 2005, a Gulfstream passou a oferecer conexão à internet durante o voo por meio do sistema Broad Band Multi-Link, ou BBML. A companhia também projetou o Quiet Spike, dispositivo criado para reduzir o estrondo sônico produzido quando uma aeronave rompe a barreira do som. O Quiet Spike é uma haste telescópica instalada no nariz que distribui a onda de pressão formada no voo à velocidade do som e atenua o estrondo. Para a Gulfstream, a revogação da proibição de voos supersônicos sobre o território continental dos Estados Unidos era necessária para tornar viável um jato executivo supersônico.

miniaturadaimagem|O Gulfstream G650 parte do Aeroporto de Bristol, na Inglaterra, em 2014 Em 2006, terminou o ciclo de produção de doze anos do G100, substituído em serviço pelo G150. O G150 foi o primeiro jato executivo certificado pela FAA no Estágio 4, o padrão mais rigoroso de ruído do setor naquele período. A Gulfstream também anunciou a ampliação de suas instalações de fabricação e atendimento em Savannah. O plano de sete anos, orçado em US$ 300 milhões, previa um novo centro de serviços de cerca de 58.500 m², uma área própria de abastecimento, um hangar de pintura de 3.960 m² e um novo centro de vendas e projeto. A ampliação poderia criar até 1.100 empregos. Para atender à necessidade imediata de escritórios de engenharia, a empresa abriu um centro de pesquisa e desenvolvimento, que recebeu cerca de 750 técnicos e engenheiros.

Em abril de 2007, começou a construção de um prédio para fabricar jatos executivos na sede de Savannah. No mês seguinte, a empresa assinou com a North Point Real Estate o arrendamento por nove anos de um segundo centro de pesquisa e desenvolvimento. O RDC II era formado por um edifício de escritórios para 550 funcionários e um laboratório para 150 pessoas e os equipamentos usados nos trabalhos de pesquisa e desenvolvimento. Em junho, a Gulfstream concluiu a ampliação do novo centro de vendas e projeto. A primeira etapa do novo centro de serviços de Savannah abriu oficialmente em agosto.

Em 2007, a empresa testou em conjunto, pela primeira vez, a tela primária de voo com visão sintética, conhecida como SV-PFD, e o EVS II. O SV-PFD aperfeiçoava as telas de voo PlaneView da Gulfstream. Uma imagem tridimensional colorida do terreno era sobreposta aos símbolos dos instrumentos primários de voo, reunidos na tela para dar uma visão ampla do relevo. A FAA certificou o EVS II e o SV-PFD no início de 2008.

Em 13 de março de 2008, a Gulfstream anunciou o Gulfstream G650. O G650 tinha o maior alcance, a maior velocidade, a maior cabine e a cabine de pilotagem mais avançada da linha Gulfstream. Podia percorrer 12.960 km a Mach 0,85 ou distâncias menores a Mach 0,925, o que o tornou o avião civil mais rápido em operação naquele período. Sua altitude máxima era de 15.540 m, acima de boa parte do tráfego aéreo e do mau tempo.

Em 5 de outubro daquele ano, a Gulfstream anunciou outro jato executivo, o G250, de cabine grande e médio alcance, mais tarde rebatizado como G280. A aeronave podia percorrer 6.670 km a Mach 0,80 e tinha velocidade operacional máxima de Mach 0,85. Em vinte minutos, chegava à altitude inicial de cruzeiro de 12.500 m e podia subir até 13.720 m.

Em 2009, a empresa apresentou dois aviões capazes de se mover com os próprios motores, com uma semana de diferença. O G650 saiu oficialmente da fábrica de Savannah em 29 de setembro. O G280 veio uma semana depois.

Os dois modelos voaram antes do fim de 2009. O primeiro voo do G650 ocorreu em 25 de novembro, e o G280 voou pela primeira vez em 11 de dezembro.

Década de 2010 Em novembro de 2010, a Gulfstream anunciou outro plano de expansão de sete anos para suas instalações em Savannah, desta vez no valor de US$ 500 milhões. O projeto criou mil empregos, um aumento superior a 15% no quadro da empresa.

As unidades de Westfield, nos Estados Unidos, e Luton, no Reino Unido, também cresceram em 2011. Em outubro, a Gulfstream anunciou a ampliação do centro de serviços no Aeroporto Regional de Barnes, em Westfield, com a previsão de cem novos empregos. O número correspondia a um aumento de quase 80% sobre o quadro local. O centro de Luton mudou-se para um hangar mais moderno, com 6.970 m². O hangar e os escritórios quase dobraram o espaço da unidade e permitiram que os técnicos de Luton atendessem toda a frota da Gulfstream, inclusive o então novo G650.