miniaturadaimagem|285px| Assaltos a motorista em Copacabana, no Rio de Janeiro.|alt=Imagem que mostra uma cena de assalto a veículo Criminalidade no Brasil é um problema persistente que atinge direta ou indiretamente a população. O país tem níveis acima da média mundial no que se refere a crimes violentos, com níveis particularmente altos de violência armada e homicídios. Historicamente, o Brasil sustenta uma das mais altas taxas de homicídios intencionais do mundo.
De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2018–2021, elaborado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP), foram identificadas pelo menos 53 organizações criminosas atuando nas 27 unidades federativas do Brasil.
Em 2025, o Brasil teve 34.086 homicídios, uma taxa de 15,97 homicídios por 100 mil habitantes. Embora o número esteja caindo ano após ano, o limite considerado como suportável pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é de 10 homicídios por 100 mil habitantes.
Observa-se, no entanto, que há diferenças entre os índices de homicídios dentro do país, com São Paulo tendo os menores índices e diversos estados do nordeste como Ceará, Pernambuco e Alagoas sustentando os maiores. Bahia e Rio de Janeiro sustentam os maiores números brutos de homicídios.
Em maio de 2017, uma pesquisa do instituto Datafolha indicou que aproximadamente um em cada três brasileiros já teve um parente ou amigo que foi assassinado. Outra pesquisa do instituto indica também que três em cada quatro brasileiros afirmam ter medo de serem assassinados.
Causas As causas apontadas a seguir baseiam-se em um estudo acadêmico de 1999 originado de uma pesquisa de campo com visitas e entrevistas com indivíduos ligados à questão da segurança.
Fatores socioeconômicos
miniatura|upright=1.4|Fotografia aérea da favela da Rocinha no Rio de Janeiro.
A sociedade brasileira é uma das mais desiguais e estratificadas do planeta, podendo-se encontrar extrema pobreza ao lado de grande riqueza.
A necessidade de subsistência e o desemprego podem contribuir para o surgimento da criminalidade. Segundo uma autoridade policial de um bairro pobre de São Paulo, "ser ladrão aqui é a melhor profissão. […] Todos o respeitam pois a população admira os esbanjadores, os emergentes, a ostentação e o consumismo".
Infraestrutura precária O sistema escolar brasileiro ainda há de ser melhorado pelo estado. As crianças mais pobres muitas vezes ficam entregues à própria sorte, pois tanto o pai quanto a mãe precisam trabalhar para garantir a subsistência, já que nem todos tem acesso fácil a moradia e vagas em creches. Os professores são desmotivados pelo salário precário e algumas crianças vão à escola somente para suprir a necessidade de alimentação, pois são dadas refeições gratuitas nas escolas públicas. O ensino privado tem qualidade significativamente superior, mas só é acessível para os que se situam nas classes alta ou média-alta. A discrepância entre o ensino público e privado amplia a segregação social, o que novamente remete aos fatores socioeconômicos.
Ter uma moradia confere segurança e dignidade. Os aluguéis no Brasil após o Plano Real atingiram um nível fora do alcance de muitos da classe pobre e mesmo da classe média. Essa população desenraizada é simultaneamente ameaçada e ameaçadora, além de ser facilmente manipulável pelos chefes do tráfico e do crime que dela se servem para o roubo, para a venda de drogas, entre outras atividades. Garotos de rua são presa fácil desses chefes que, em troca de proteção, os exploram em proveito próprio, corrompendo-os.
Nos hospitais faltam equipamentos e remédios e as filas de espera por atendimento são longas. São precisamente nos bairros mais pobres onde patologias tem mais chances de se propagarem. Esse sentimento de vulnerabilidade biológica modifica a percepção que se tem do próprio corpo e tende a diminuir o valor da vida humana, gerando uma atitude de indiferença perante o sofrimento e a morte. "A saúde é condicionante da esperança, da produtividade, do investimento e do desenvolvimento", diz o estudo.
Para o morador da periferia, trabalhar no centro significa longas jornadas desconfortáveis passadas no transporte público para receber um baixo salário. Essa situação desencoraja o trabalho, pois torna mais vantajoso o trabalho informal ou mesmo o crime.
Polícia e justiça
Os salários da polícia são baixos em comparação a outros setores públicos, o que aumenta a facilidade dos seus agentes em serem corrompidos. A Polícia Militar é considerada violenta mas são os que estão na linha de frente para combater as organizações criminosas e estão a serviço do estado. A existência de quatro polícias públicas (Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e Polícia Municipal) atrapalha a eficiência da atuação. A justiça é lenta e ineficaz, além de ser inacessível a muitos devido aos altos honorários dos advogados. As penitenciárias são precárias e, frequentemente, superlotadas, o que não favorece a reabilitação.
Explosão demográfica
A explosão demográfica entre os anos 1950 e 1970, juntamente com a queda da mortalidade infantil, representou uma pressão sobre a infraestrutura e a disputa por empregos. A Grande São Paulo, em 1895, tinha uma população de apenas 200 mil habitantes. Um século mais tarde, em 1995, subiu para 16 milhões. Entre 1970 e 1995, o número de habitantes dobrou, passando de 8 para 16 milhões. Segundo o estudo, os bairros que tinham uma taxa de crescimento da população maior (tanto por fecundidade quanto por imigração) eram justamente os bairros mais violentos. É nessas áreas onde a população tem dificuldade de achar trabalho e moradia e que a polícia tem mais dificuldade de controlar o narcotráfico e outros crimes.
Globalização O processo de globalização da economia tenta derrubar fronteiras. Em um país como o Brasil, que faz fronteira com vários países e tem um enorme território que precisa de vigilância, esse processo facilita a proliferação de atividades ilícitas e do crime organizado, bem como o comércio de carros roubados, drogas e tráfico de armas. Paralelamente, a partir de meados dos anos 1980, o narcotráfico se fortaleceu, e o Brasil passou a ser não apenas um país de trânsito para a cocaína (vinda de países vizinhos para ser enviada aos Estados Unidos e à Europa), mas, também, um consumidor da droga. O comércio de drogas é lucrativo e tem efeito devastador, pois gera um clima de guerra civil, caracterizado pela rivalidade entre chefes de cartéis, polícia, acerto de contas, etc.
Assaltos e roubos Um relatório da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) mostrou que 40% das pessoas entrevistadas se sentem seguras para andarem sozinhas na rua à noite, menos do que a média de 67% dos países membros da OCDE. O relatório também diz que 8% dos entrevistados relataram que foram vítimas de assalto nos últimos doze meses.
Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), mostrou que 1,8 milhão de brasileiros foram vítimas de roubo dentro e fora de casa, com armas de fogo sendo a mais utilizada em roubos e aparelho celular sendo o item mais roubado devido ao seu alto preço e impostos colocados pelo governo dentro e fora dos domicílios em 2021. A pesquisa também aponta que 2,9 milhões de domicílios tinham pelo menos um morador que foi vítima de furto e 1,5 milhão de domicílios com ao menos uma vítima de roubo nos 12 meses anteriores à data da entrevista. O número de pessoas que se sentem seguras para andar sozinhas nas proximidades de seus domicílios é superior a 71% mas cai entre as vítimas de furtos e roubos. O resultado da pesquisa difere do apresentado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública pois muitos roubos não foram reportados aos órgãos competentes.
Roubo de carga Os roubos de carga custaram incríveis 6,1 bilhões de reais à economia brasileira entre os anos de 2011 e 2016, segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan). Um exemplo deste problema é o fato de as transportadoras terem exigido taxas extras nos casos de produtos com destino ao Rio de Janeiro. Outras transportadora pensaram inclusive em desistir de chegar ao estado. O presidente da Firjan afirmou que "chegamos a níveis intoleráveis, cifras vergonhosas. Ano passado batemos todos os recordes."
Em 2021, foram registrados 14.400 roubos de carga (aumento de 1,7% frente ao registrado em 2020), com prejuízo superando R$ 1,27 bilhão, apesar disso, os números estão abaixo dos 24.550 registrados em 2016 e 22.200 em 2018. A região sudeste lidera, com São Paulo e Rio de Janeiro registrando o maior número de desvios.
Homicídios miniatura|414x414px|alt=Gráfico que mostra o número e a taxa de homicídios no Brasil de 1996 a 2015|Homicídios no Brasil (total), de 1996 a 2015, segundo o Atlas da Violência (2017) em pesquisa realizada pelo Ipea e o Fórum Brasileiro de Segurança Pública miniaturadaimagem|444x444px|Taxa de homicídios por estados do Brasil (por 100.000 habitantes) em 2023 de acordo com o Atlas da Violência do IPEA e FBSP. Crimes violentos cresceram na maior parte dos estados desde 2005, segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP). O Brasil é um país grande e diverso, com diferenças socioeconômicas significativas entre as diferentes regiões. Enquanto em estados como São Paulo e Rio de Janeiro (região sudeste) se observou queda nos crimes violentos nesse período, o aumento da criminalidade nos estados da região norte e nordeste cresceram de forma muito mais significativa, fazendo a média de crimes no país aumentar de forma significativa.
O 18.º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado pelo FBSP em julho de 2024, registrou 46.328 homicídios dolosos no Brasil em 2023 — o menor número da série histórica iniciada em 2007.
Estatísticas
Em 2012, um estudo realizado pelo Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime indicou que das 30 cidades mais violentas do mundo, 11 são brasileiras (Maceió; Fortaleza; João Pessoa; Natal; Salvador; Vitória; São Luís; Belém; Campina Grande; Goiânia; e Cuiabá). Segundo o "Mapa da Violência 2013", os estados mais violentos do Brasil são Alagoas, Espírito Santo, Pará, Bahia e Paraíba; e os municípios, Simões Filho (BA), Campina Grande do Sul (PR), Ananindeua (PA), Cabedelo (PB) e Arapiraca (AL). Já segundo a organização não governamental mexicana Conselho Cidadão Para a Segurança, as regiões metropolitanas mais violentas do Brasil são as de Maceió, Belém, Vitória, Salvador e Manaus.San Pedro Sula, la ciudad más violenta del mundo; Juárez, la segunda Das 50 cidades classificadas em 2014 por uma ONG mexicana como as mais violentas do mundo, 21 são brasileiras. Segundo o ranking mundial da paz de 2016, o Brasil é o 105.º país mais pacífico do mundo e o nono mais pacífico da América do Sul. As vítimas letais de armas de fogo entre 1980 e 2014 totalizam no Brasil, cujo predomínio é de crime de homicídio (85,8%) e de vítimas homens (94,4%) e negros (o dobro em relação a brancos). Em 2017, o Brasil alcançou a marca de 63.880 homicídios e uma taxa de 31.6 mortes para cada 100 mil habitantes, uma das mais altas taxas de homicídios intencionais do mundo. A taxa e o número de homicídios vinham caindo desde 2017, caindo de 63.880 homicídiosTaxa de homicídios de 31.6 por mil habitantes em 2017 para 41.730 em 2019,Taxa de homicídios de 19.7 por mil habitantes em 2019 mas teve alta em 2020 subindo para 43.892 homicídios e recuando para 41.069 em 2021.
Ranking das cidades menores mais violentas do Brasil (2015) A seguir as trinta cidades mais violentas do pais, divulgadas pelo IPEA. PosiçãoEstadoCidadeTaxa de homicídio (por cem mil habitantes)PosiçãoEstadoCidadeTaxa de homicídio