Taiobeiras é um município do norte de Minas Gerais, no Brasil. Possui área de 1.220 km² e tinha 33.050 habitantes no censo de 2022. O município é formado pelos distritos de Taiobeiras e Mirandópolis e integra a Região Geográfica Imediata de Salinas e a Região Geográfica Intermediária de Montes Claros.

A cidade se desenvolveu a partir do Sítio Bom Jardim, povoado que cresceu junto a caminhos percorridos por viajantes e tropeiros no fim do século XIX e início do século XX. Taiobeiras tornou-se distrito em 1911 e município em 1953. Sua economia reúne a indústria de confecções, o cultivo de mandioca, a apicultura e a extração de pedras ornamentais.

Etimologia

O nome do município vem da planta Xanthosoma sagittifolium, conhecida como taioba. Na região do município eram abundantes as taiobeiras e, por isso, levou esse nome. A taioba está presente no brasão e na bandeira municipal de tão importante que é esse símbolo para o município.

História

Taiobeiras se desenvolveu no Sítio Bom Jardim, uma propriedade rural atravessada por caminhos usados por viajantes e tropeiros entre Teófilo Otoni, o interior da Bahia, Brejo das Almas, atual Francisco Sá, e Montes Claros. Vitoriano Pereira da Costa mandou construir no local uma capela e um cemitério. Em 1875, Esperidião Gonçalves dos Santos, padre de Rio Pardo de Minas, benzeu o cemitério, e um cruzeiro foi erguido ao lado. Vitoriano e sua esposa, Ana Severina de Jesus, doaram parte da propriedade para a formação do povoado. Depois da morte de Vitoriano, em 1900, Ana vendeu as terras da atual região do município a Martinho Antônio Rego, tropeiro baiano nascido em 1851 cuja família havia se estabelecido no Sítio Bom Jardim em 1895. As compra das terras foram concluídas em 1901. Martinho abriu as primeiras lojas do povoado, inclusive uma loja de tecidos e, em 1907, instalou uma casa comercial de secos e molhados. Casas e pequenos estabelecimentos comerciais foram surgindo ao longo da via que se tornaria a Avenida da Liberdade. Fazendeiros da região financiaram a abertura de uma vala que levava água do córrego Bom Jardim até o povoado.

Martinho foi delegado de polícia e liderança política local e, em 1898, tornou-se o primeiro representante do povoado na Câmara Municipal de Rio Pardo de Minas. Seu filho João Rego tornou-se comerciante e proprietário rural. O estabelecimento de João vendia mercadorias em geral e tecidos e possuía uma bomba de gasolina. João participou da fundação da Cooperativa dos Produtores Rurais de Taiobeiras, tornou-se seu primeiro presidente, doou terrenos a instituições locais e trabalhou com Trajano Americano Mendes na abertura da estrada em direção a Salinas. A Lei Estadual nº 556, de 30 de agosto de 1911, transformou Taiobeiras em distrito de Rio Pardo. A Lei Estadual nº 843, de 7 de setembro de 1923, transferiu o distrito para Salinas e alterou seu nome para Bom Jardim de Taiobeiras. O nome Taiobeiras foi restabelecido em 1938.

A Lei Estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953, desmembrou Taiobeiras de Salinas e criou o município a partir do antigo distrito. O novo município foi instalado em 1º de janeiro de 1954. Seu primeiro sistema de distribuição de energia elétrica começou a funcionar em 1955, alimentado por uma pequena barragem no rio Grama, e fornecia eletricidade à cidade por duas horas a cada noite. Nos primeiros anos do município também começaram as obras do mercado municipal e de uma estrada entre a sede e Mirandópolis.

Berizal tornou-se distrito de Taiobeiras em 1962. Permaneceu ligado a Taiobeiras até a Lei Estadual nº 12.030, de 21 de dezembro de 1995, criar o município de Berizal, instalado em 1º de janeiro de 1997. A Lei Municipal nº 1.357, de 7 de novembro de 2018, criou o distrito` de Mirandópolis a partir do povoado de mesmo nome.

Geografia

Taiobeiras fica no norte de Minas Gerais, na Região Geográfica Imediata de Salinas e na Região Geográfica Intermediária de Montes Claros. O município ocupa 1.220 km² e é dividido nos distritos de Taiobeiras e Mirandópolis. Faz divisa com Rio Pardo de Minas e Indaiabira ao norte, Berizal e Curral de Dentro a leste, Salinas ao sul e Novorizonte a oeste.

Chapadas amplas e planas cobrem boa parte de Taiobeiras. Sob a superfície encontram-se rochas metassedimentares das formações Nova Aurora e Salinas, enquanto depósitos detríticos mais recentes recobrem muitas das áreas elevadas. Quartzitos e metaconglomerados da Formação Salinas são extraídos para uso como pedras ornamentais.

O município se estende pelas bacias hidrográficas dos rios Pardo e Jequitinhonha. A bacia do Pardo ocupa 76,87% do território municipal e recebe as águas dos córregos Taiobeiras, Cercado, Tocão, Itaberaba e Covão. Os 23,13% restantes drenam em direção ao Jequitinhonha por cursos d'água que incluem os rios Taboqueiro e Grama.

As chuvas se concentram nos meses mais quentes, enquanto os invernos são secos. Na área abrangida pela folha geológica de Taiobeiras, a temperatura média anual é de 25,8 °C, a precipitação anual fica em torno de 820 mm e as temperaturas máximas médias chegam a cerca de 34 °C. Partes do município estão nos biomas Cerrado e Mata Atlântica. O plano diretor municipal prevê medidas de controle do desmatamento, da erosão, do assoreamento dos cursos d'água e dos danos provocados pela atividade extrativa, além da recuperação da vegetação ciliar e das nascentes.

Demografia

População

O censo de 2022 registrou 33.050 habitantes em Taiobeiras, com densidade de 27,09 habitantes por quilômetro quadrado. Em 1º de julho de 2025, a população estimada era de 34 537 habitantes.

+ População nos censos Ano População Variação em relação ao censo anterior 2000 27.347 Não se aplica 2010 30.917 +13,1% 2022 33.050 +6,9%

O crescimento populacional diminuiu após 2010. Naquele censo, 25.060 habitantes viviam na área urbana e 5.857 na área rural. A população urbana correspondia a 81,1% do total.

Perfil populacional

Em 2022, Taiobeiras tinha 16.133 homens e 16.917 mulheres, o equivalente a 95,4 homens para cada 100 mulheres. A idade mediana passou de 28 anos em 2010 para 35 em 2022. Os menores de 15 anos correspondiam a 19,6% da população, enquanto as pessoas com 60 anos ou mais eram 16,9%.

O censo de 2022 utilizou categorias de cor ou raça autodeclaradas.

+ Cor ou raça autodeclarada, 2022 Categoria População Proporção Parda 20.486 61,98% Branca 10.046 30,40% Preta 2.472 7,48% Amarela 28 0,08% Indígena 18 0,05%

A taxa de alfabetização entre moradores com 15 anos ou mais passou de 82,3% em 2010 para 86,3% em 2022. Das 26.573 pessoas dessa faixa etária em 2022, 22.930 sabiam ler e escrever um bilhete simples.

Economia

Taiobeiras teve produto interno bruto de R$ 705,4 milhões em 2023. O PIB por habitante foi de R$ 21.342,59.

A indústria de confecções tornou-se uma das principais atividades industriais de Taiobeiras, com produção de lingerie, moda praia, roupas esportivas e vestuário de proteção. Minas Gerais reconheceu o setor local como arranjo produtivo em 2021. No fim de 2025, havia cerca de 122 empresas de confecção em Taiobeiras, que juntas geravam aproximadamente 450 empregos diretos e faturamento anual de R$ 25 milhões. Cerca de 96% desses negócios eram liderados por mulheres, e 35 faziam parte da Associação de Moda Íntima e Praia de Taiobeiras, a AMIP.

O crescimento da indústria veio acompanhado de investimentos públicos. Desde 2021, a Codevasf destinou mais de R$ 11 milhões a máquinas, capacitação, feiras, assistência técnica e novas instalações para o setor de confecções. O Quarteirão da Moda foi inaugurado em dezembro de 2025 como uma área destinada às empresas de vestuário. A Escola da Moda e um centro de convenções fazem parte do conjunto. A Escola da Moda e o centro de convenções receberam R$ 5,57 milhões em recursos federais. A escola oferece formação profissional para a indústria do vestuário, enquanto o centro de convenções fornece à cidade um espaço permanente para feiras e encontros empresariais.

A assistência técnica também se voltou à produção dentro das fábricas. Em 2025, a FIEMG informou que empresas de confecção atendidas por consultorias de Lean Manufacturing haviam aumentado a produtividade em 63% ao longo de dez meses, enquanto o faturamento do setor cresceu 17%.

Na zona rural, pequenos negócios agrícolas e atividades extrativas também fazem parte da economia local. Agricultores familiares da comunidade do Cercado cultivam mandioca e a transformam em farinha, polvilho, produtos assados e ração animal. Taiobeiras dá nome a uma rede local de apicultura que também abrange Indaiabira e Rio Pardo de Minas. Parte do município fica dentro da indicação geográfica registrada da Região de Salinas para a cachaça. Quartzito e metaconglomerado são extraídos para uso como pedras ornamentais.

Política e administração

Formação do governo municipal

Antes da criação do município, Taiobeiras era representada politicamente nas câmaras dos municípios aos quais pertencia. Martinho Antônio Rego, que havia adquirido as terras dos atuais limites do município, também exercia a função de delegado de polícia e se tornou a primeira liderança do povoado, sendo eleito em 1898 para a Câmara Municipal de Rio Pardo de Minas, onde representava Taiobeiras.

A emancipação foi discutida durante anos enquanto Taiobeiras ainda pertencia a Salinas. Em 1943, João, Maciel e Teófilo Rego estavam entre as lideranças locais que defendiam a criação do município, ao lado de nomes como Trajano Americano Mendes e Antonino Almeida. O grupo se opunha à corrente política de Salinas liderada por Idalino Ribeiro, que resistia à separação do distrito. Uma tentativa de emancipação naquele ano chegou a avançar no governo estadual, mas Taiobeiras acabou excluída da reforma administrativa aprovada em dezembro. O processo foi retomado e a emancipação ocorreu pela Lei Estadual nº 1.039, de 12 de dezembro de 1953.

A administração própria de Taiobeiras começou com a instalação do município, em 1º de janeiro de 1954. O governo estadual nomeou Lídio Ituassu como primeiro intendente municipal. Na recepção ao novo administrador, Eusa Rego discursou em nome das mulheres de Taiobeiras. Ituassu foi sucedido em julho por Oswaldo Costa, conhecido como Vadim Costa, que permaneceu à frente da prefeitura até janeiro de 1955. Lúcio José Miranda tomou posse naquele ano como o primeiro prefeito eleito. A Câmara Municipal também começou a funcionar nesse período. Francisco Nogueira foi seu primeiro presidente, entre 1955 e 1957, e José Mendes Rego o sucedeu em 1958.

Alguns nomes retornaram à prefeitura em períodos diferentes. Uilton Costa Mendes exerceu três mandatos, entre 1959 e 1962, de 1967 a 1970 e de 1974 a 1977. Joel da Cruz Santos governou de 1978 a 1982, voltou entre 1989 e 1992 e assumiu novamente em 1997, sendo reeleito para o mandato iniciado em 2001. Joel renunciou em 2002 para disputar uma vaga de deputado estadual, e o vice-prefeito João Emílio Arifa Silva concluiu o mandato até 2004. Maria Matos de Sena, que governou de 1993 a 1996, foi a primeira mulher a ocupar a prefeitura de Taiobeiras.

Desde 2005, a prefeitura tem sido ocupada alternadamente por Denerval Germano da Cruz e Danilo Mendes Rodrigues. Denerval governou por dois mandatos consecutivos entre 2005 e 2012. Danilo, que havia sido eleito vereador em 2008 e presidido a Câmara no biênio 2011–2012, foi prefeito entre 2013 e 2020. Denerval retornou à prefeitura em 2021 e foi reeleito em 2024.

Organização municipal

A Lei Orgânica em vigor foi aprovada em 27 de outubro de 1990, após a Constituição de 1988, e havia recebido doze emendas até 2022. Ela estabelece dois poderes municipais, Executivo e Legislativo, independentes entre si. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo vice-prefeito e pelos secretários municipais. O Legislativo cabe à Câmara Municipal, formada por treze vereadores eleitos para legislaturas de quatro anos.