Action Comics é uma revista em quadrinhos publicada pela editora norte-americana DC Comics, uma empresa ligada ao grupo Time-Warner. É atualmente comercializada em edições lançadas mensalmente, e, apesar das alterações em suas periodicidade e formato, inclusive com a suspensão de sua publicação em mais de uma oportunidade, já teve mais de 900 edições lançadas, o que a torna, em quantidade de edições, a maior série de seu gênero na história dos Estados Unidos. Lançada originalmente em abril de 1938 - sendo posterior à Adventure Comics (dezembro de 1935) e à Detective Comics (março de 1937), que, apesar da menor quantidade de edições, é a mais longeva revista publicada continuadamente, pelo período em que já vem sendo lançada ininterruptamente - é considerada uma das mais importantes e emblemáticas revistas em quadrinhos existentes.

O primeiro exemplar da revista, apresentando em sua capa uma famosa imagem de Superman carregando com as mãos um automóvel, é considerado o "marco zero" das histórias em quadrinhos americanas de super-herói e é um dos, se não "o" mais valioso item colecionável de todo o mercado, sendo uma das edições mais procuradas e valorizadas por aficcionados. Um exemplar original em bom estado dessa primeira edição já chegou a ser leiloado por 1,5 milhões de dólares - e sua capa já foi alvo tanto de homenagens quanto de debate.

Em 2011, como parte do relançamento editorial promovido pela DC Comics, a revista foi cancelada na sua 904ª edição, e relançada sob um novo "número um" como parte da linha "Os Novos 52". A linha foi descontinuada em 2015, mas a versão renumerada da revista durou até 2016, quando voltou a ser publicada com a sua numeração original a partir da 957ª edição. Em abril de 2018, como parte das comemorações pelos 80 anos tanto da revista quanto de Superman, a 1000ª edição da revista foi publicada nos Estados Unidos. Desde então, é escrita por Brian Michael Bendis e, embora não faça da linha "Wonder Comics", capitaneada pelo escritor, tem tido histórias relacionadas às tramas publicadas.

História

Jerry Siegel e Joe Shuster viram sua criação, Superman, lançado em Action Comics #1 em abril de 1938, após por anos tentar, sem sucesso, encontrar uma editora para seu personagem, originalmente concebido para ser publicado como uma tira de jornal.JONES, p. 80-84, até que em 1938 a " National Periodical Publications", com quem os dois já haviam trabalhado anteriormente, os convidou para contribuir com um novo personagem para a mais recente publicação da National. Mostraram Superman para apreciação, e uma vez aprovado, passaram a recortar e colar as tiras de jornal da amostra que tinham preparado no formato de páginas de uma revista em quadrinho.JONES, p.124

A escolha de Superman como o personagem que figuraria na capa, em meio aos vários personagens que também apareceriam, seria posteriormente citada por Liebowitz como "quase acidental", em razão do escasso prazo de fechamento da revista, mas se mostraria acertada: toda a tiragem seria vendida rapidamente e, a partir de sua quarta edição, Action já começaria a apresentar um significativo aumento em suas vendas, em comparação com os demais títulos da National: entre 1938 e 1939, já possuía uma tiragem de mais de 500 mil exemplares - mais que o dobro da tiragem inicial da primeira edição, de 200 mil exemplares.

Se no final da década de 1930 a revista já vendia cerca de 500 mil exemplares, na década de 1940 esse número já havia quase dobrado, com cada exemplar vendendo 900 mil cópias, um tiragem à época superada apenas pela revista Superman, lançada em 1939. Action passaria a focar-se majoritariamente nas histórias de Superman, e as tramas iriam evoluindo, refletindo o cotidiano dos Estados Unidos: Se nas suas primeiras aparições Superman enfrentava criminosos comuns e políticos corruptos, com o tempo suas histórias passariam a ganhar um viés mais "extraordinário" com o surgimento dos primeiros "supervilões" a enfrentar o personagem. O Ultra-Humanoide já havia aparecido numa história isolada em 1939, mas seria na década seguinte que personagens dessa categoria se tornariam mais populares: Lex Luthor, o Galhofeiro e o Homem dos Brinquedos surgiriam nos anos seguintes.

De antologia para publicação de Superman thumb|Action Comics #252, com a primeira aparição da Supergirl, em 1959, evento citado como determinante para que Action Comics deixasse de ser uma antologia e se focasse nas histórias de Superman.

Originalmente, Action Comics era uma antologia com uma série de outras histórias, além daquelas protagonizadas por Superman. Zatara, o mágico, era um dos outros personagens que tiveram suas próprias histórias publicadas nas primeiras ediçõesDOWELL, p. 65-66 ao lado do Vigilante e de Tex Thomson, que eventualmente se tornaria também um super-herói, adotando as alcunhas de "Mr. América" e "Americommando"PRESS, p. 2. Gradualmente, a quantidade de páginas da revista foi sendo reduzida, como forma de evitar com que o preço de capa de 10 centavos por edição fosse aumentado. Diminui-se a quantidade de histórias publicadas por edição e, consequentemente, havia menos espaço para outros personagens que não Superman. Após a introdução da Supergirl na edição #252, em maio de 1959 (em que houve também a estreia do vilão Metallo), as histórias não relacionadas ao Superman ficariam completamente esquecidas.EURY, p. 129

Em 1947 teria início a disputa de Siegel e Shuster com a editora pelos direitos do personagem, o que resultaria em um julgamento desfavorável aos criadores, bem como na perda de seus empregos. O afastamento dos dois representaria uma significativa queda na qualidade das histórias durante a primeira metade da década seguinte. Adicionalmente, o surgimento do Comics Code Authority, em 1954, uma organização que impôs uma série de regras que visavam impedir que as histórias influenciassem negativamente as crianças americanas, também seria visto como um fato que contribuiria para que a década de 1950 fosse considerada uma "década perdida" para o personagem, ainda que tivesse ocorrido em 1958 e 1959 a publicação de histórias que estabeleceriam importantes elementos da mitologia de Superman: em Action Comics #241 seria publicada a primeira história envolvendo o conceito de uma "Fortaleza da Solidão"}} e na edição seguinte surgiria Brainiac, que viria a se tornar um dos mais importantes antagonistas. Em março do ano seguinte seria publicada Action Comics #252, responsável por apresentar Kara Zor-El, a prima de Superman, a primeira personagem a adotar a alcunha de Supergirl e continuar aparecendo de forma recorrente nas histórias da editora. Em maio do mesmo ano surgiria Bizarro, uma versão defeituosa de Superman inspirada numa história publicada no ano anterior na revista Superboy #68.

Com a publicação, na 123ª edição da revista The Flash, da história "Flash of Two Worlds", surgiria o conceito do "Multiverso DC", uma representação ficcional da interpretação da mecânica quântica que propõe a existe de universos paralelos. A partir da história, ficaria estabelecido que os personagens surgidos durante o período denominado por historiadores como "Era de Ouro dos Quadrinhos" (entre 1938 e 1955), bem como as histórias por eles protagonizadas, pertenceriam a um universo paralelo denominado "Terra 2", distinto daquele em que ocorriam as histórias publicadas pela editora durante a década de 1960.

Uma vez que as histórias de Superman vinham sendo publicadas ininterruptamente era preciso esclarecer quais edições de Action Comics pertenceriam ao cânone estabelecido, e em 1969 ficou decidido que o personagem surgido em Action Comics #1 era Kal-L, o Superman da Terra 2 e somente as histórias publicadas durante a década de 1960 que poderiam ser consideradas como protagonizadas pelo "Superman da Terra 1". A década de 1960 marcaria também o surgimento do vilão Parasita na 340ª edição de Action. Sob o título de Superman starring in Action Comics a revista continuaria sendo publicada até setembro de 1986, quando encerraria-se, por causa da conclusão do evento "Crise nas Infinitas Terras", a continuidade ficcional iniciada na década de 1960, com a publicação, na 583ª edição, da conclusão da história Whatever Happened to the Man of Tomorrow?, escrita por Alan Moore e desenhada por Curt Swan com a colaboração de Kurt Schaffenberger e George Pérez.

Alterações no nome e periodicidade Em 1986 Action passaria pela primeira alteração na sua periodicidade: Durante três meses a revista deixou de ser publicada, por sua relação com Superman. Entre outubro e dezembro daquele ano o único título protagonizado pelo personagem seria a minissérie The Man of Steel, escrita e desenhada por John Byrne. No ano seguinte, após a conclusão da minissérie, Byrne assumiria os roteiros e desenhos da revista, que passou, a partir da edição 584, a ser uma revista dedicada à histórias do gênero team-up. (trechos arquivados no site "Superman Through the Ages!") No segundo semestre de 1988, após a revista atingir a histórica marca de 600 edições publicadas, Byrne sairia do título e a DC Comics tentaria retormar o formato de antologia, publicando a revista numa periodicidade semanal. A mudança duraria até junho do ano seguinte, e compreenderia as edições 601 à #642.MILLER, p.35-44 Dentre os personagens que tiveram histórias curtas publicadas na revista durante este período estão, além de Superman, Asa Noturna, Canário Negro, Deadman, Falcão Negro e o Vingador Fantasma.

Embora certos historiadores apontem a década de 1990 como parte da "era moderna" dos quadrinhos (período histórico que compreenderia de 1986 até a atualidade), muitos estudos a separam numa "era" distinta, denominada "Era de Ferro" ou "Era das Trevas", por seu conteúdo sombrio e dramático. Nem Superman e, consequentemente, nem Action Comics passariam incólumes: após confrontar o monstro Apocalypse, Superman, embora bem-sucedido em derrotá-lo, faleceria. As duas edições de Action que foram publicadas em novembro e dezembro de 1992, após a morte do personagem, retrataram em sua capa uma versão distinta de seu título: Com Superman morto, e transcorrendo o arco de história "Funeral para um Amigo", a revista não se chamou Superman in Action Comics, mas sim Supergirl in Action Comics. A partir de janeiro de 1993, a publicação da revista foi suspensa, e só foi retomada quatro meses depois, com o início do arco Reign of the Supermen, que mostrou quatro diferentes personagens buscando substituir Superman: Aço, Superboy, Superciborgue e o Erradicador, um personagem que havia surgido em 1989 como vilão, mas que passaria a apoiar Superman. As história do Erradicador foram publicadas em Action Comics até que Superman retornasse.WALLACE, p. 116

Numeração extraordinária na década de 1990 Durante Reign of the Supermen a fictícia cidade americana de Coast City, lar do personagem Hal Jordan, foi completamente destruída pelo vilão Superciborgue e a perda de Jordan seria utilizada pela editora como pretexto para o lançamento, em 1994, do crossover Zero Hora. O objetivo da DC Comics com o evento era corrigir incongruências cronológicas na história do fictício universo das publicações surgidas após a "Crise nas Infinitas Terras" - parte delas decorrentes das alterações que John Byrne havia promovido na origem de Superman - e o de Jordan era impedir a destruição de Coast City, e para tanto objetivava destruir o universo para poder recriá-lo, "corrigindo" a história. A minissérie que deu nome ao evento foi publicada em cinco edições, lançadas com uma numeração decrescente. A última edição, de número "0", representou o início do "Mês Zero", em que todas as revistas então publicadas pela editora ganharam também edições assim numeradas, mas retomando sua numeração comum no mês seguinte. Assim, entre as edições 703 e 704, há a edição 0 de Action Comics.