Tarifa Zero (também conhecida como catraca livre) é a política de transporte público que isenta os utilizadores de pagamento pelo serviço de transporte prestado.

Experiências A cidade de Hasselt, capital da província de Limburg, na Bélgica, faz parte de um pequeno, mas crescente, número de cidades ao redor do mundo que estão oferecendo tarifa zero no transporte público. Desde 1 de julho de 1997, as linhas municipais de Hasselt são de uso gratuito para todos e, no caso de linhas centrais, até mesmo não-habitantes da cidade usufruem da tarifa zero.

A cidade de Sydney, na Austrália, oferece linhas circulares de ônibus gratuitos. Dois exemplos são as linhas no centro comercial da cidade e a linha do bairro residencial de Kogarah.Ônibus circulares a tarifa zero em Sydney, Austrália

Desde 1 de julho de 2008, moradores locais e visitantes da cidade chinesa de Changning podem desfrutar das três linhas de transporte público gratuitamente. Para financiar a iniciativa, o governo utilizou sete milhões de yuans (aproximadamente um milhão de dólares).Tarifa zero em Changning, China

Desde o dia 17 de setembro de 2009 que a população de Changzhi - condado de característica industrial, com 320 mil habitantes, situada na província de Shanxi - pode utilizar gratuitamente qualquer ônibus da região. Esta política segue uma linha de ações de bem-estar social implantadas na China.Tarifa zero em Changzhi, China

O governo de Zagreb, capital da Croácia, implementou um programa de transporte público gratuito como forma de retirar carros das ruas.Tarifa zero no centro de Zagreb, Croácia

A partir de 29 de fevereiro de 2020, todo o transporte no Luxemburgo é gratuito, com exceção da primeira classe no transporte ferroviário, e do transporte internacional.

Transporte público gratuito no Brasil

Tarifa Zero é um projeto de política pública em aplicação no Brasil, e que pretende democratizar o acesso ao transporte público sem cobrar do usuário no momento do uso, mas sim custeá-lo a partir do orçamento público. Consiste na ideia de que o transporte coletivo é um direito e, como os demais serviços públicos essenciais, deve ser oferecido para todos os cidadãos, sem distinções de qualquer natureza - como, por exemplo, a disponibilidade de recursos para pagar as tarifas.

O projeto foi inicialmente proposto por Lúcio Gregori, secretário municipal de transportes de São Paulo na gestão de Luiza Erundina (1989-1992), e consistia na criação de um Fundo de Transportes, reunindo recursos públicos - através de um aumento progressivo no IPTU, seguindo a linha de quem tem mais paga mais, quem tem menos paga menos, quem não tem não paga - para custear a totalidade do sistema. O projeto sofreu resistência dentro e fora do partido da então prefeita e o projeto de lei que criaria o Fundo de Transporte para financiar a tarifa zero não chegou a ser votado. No entanto, um projeto piloto de tarifa zero foi aplicado no bairro Cidade Tiradentes e o projeto de municipalização do transporte foi aprovado pela Câmara. A partir de 2006, o Movimento Passe Livre passou a defender a tarifa zero.

Em 2022, a literatura contabilizava 53 casos de Tarifa Zero em operação no Brasil, com experiências de operação privadas e estatais.

Campanha pela Tarifa Zero em Belo Horizonte

Como resposta a mais um aumento da tarifa do transporte público na capital mineira, a vereadora Iza Lourença apresentou, na Câmara Municipal de Belo Horizonte, o Projeto de Lei (PL) 60/2025 para instituir a tarifa zero na cidade, que tem a segunda passagem cara do país. O projeto foi elaborado junto de movimentos sociais e pesquisadores da mobilidade urbana, prevendo um esquema de financiamento inovador e viável: a ideia seria substituir o vale-transporte (que já é pago pelas empresas) por uma contribuição das empresas que têm mais de dez funcionários, isentando totalmente aquelas que têm até nove funcionários.

O Projeto de Lei 60/2025 chegou a ter 22 assinaturas dos 41 vereadores de Belo Horizonte e recebeu pareceres favoráveis na Comissão de Legislação e Justiça e na Comissão de Mobilidade Urbana, Indústria, Comércio e Serviços, mas, por pressão do prefeito Álvaro Damião, o projeto foi derrotado no primeiro turno. Dias após a votação do projeto, o prefeito anunciou a tarifa zero em Belo Horizonte aos domingos e feriados.

Experiências no Brasil CidadeUF Operadora Primeiro ano Duração População notasMarianaMinas GeraisConcessionária (Transcotta)2022desde 202264 506MaricáRio de JaneiroMunicípio2014desde 2014 AgudosSão PauloMunicípio2003desde 2003 IvaiporãParanáMunicípio2011desde 2011 MuzambinhoMinas GeraisMunicípio2011desde 2012 PaulíniaSão PauloMunicípio1995até 2018 PitangaParanáMunicípio2012desde 2012 Porto RealRio de JaneiroMunicípio2011desde 2011 PotirendabaSão PauloMunicípio1998desde 1998Volta RedondaRio de JaneiroMunicípio2017desde 2017HolambraSão PauloMunicípio2010desde 2010Vargem Grande PaulistaSão PauloConcessionária2019desde 2019Pirapora do Bom JesusSão PauloMunicípio2020desde 2020JaboticabalSão PauloMunicípioem estudosItatiaiuçuMinas GeraisMunicípio2015CaucaiaCearáMunicípio2021desde 2021São Joaquim de BicasMinas GeraisMunicípio2021desde 2021ParanaguáParanáMunicípio2022desde 2022São Caetano do SulSão PauloConcessionária2023desde 2023LeopoldinaMinas GeraisMunicípio2023desde 2023TeresinaPiauíMetrô de Teresina2025desde 2025MagéRio de JaneiroMunicípio2025desde 2025

Ligações externas Movimento Passe Livre de São Paulo TarifaZero.org Campanha pela Tarifa Zero em Belo Horizonte

Ver também Projeto de lei Rodízio de veículos de São Paulo

Categoria:Transporte público