BrasilCampeãocentro|282x282pxAssociaçãoCBFConfederaçãoCONMEBOLParticipação15º (todas as Copas)Melhor resultado anterior15px Campeão: 1958, 1962, 1970Técnico Carlos Alberto Parreira
A edição de 1994 da Copa do Mundo marcou a décima quinta participação do Brasil nessa competição, sendo o único país a participar de todas as edições do torneio da FIFA, fato que persiste até a última edição, em 2022.
O técnico foi Carlos Alberto Parreira, tendo Zagallo como coordenador, e o capitão Dunga. O Brasil conquistou o quarto título, se isolando, à época, como a seleção mais vencedora dos mundiais, e encerrando o jejum de 24 anos sem conquistas.
Ciclo da Copa A seleção brasileira começou a preparação para a Copa do Mundo de 1994 tendo Paulo Roberto Falcão como treinador, sucedendo Sebastião Lazaroni após o fracasso na Copa de 1990. A escolha do novo técnico esteve entre o ex-meia, Zagallo, Carlos Alberto Parreira e Gérson. A CBF tentava repetir o sucesso da Alemanha Ocidental, que foi campeã do mundo em 1990 tendo Franz Beckenbauer como treinador sem ter experiência anterior na função, apesar de ter sido auxiliar. Pesquisa do Sistema Brasileiro de Televisão mostrou que o nome de Falcão era o favorito do público com 13% da preferência popular, seguido por Telê Santana com 4%. Falcão já era comentarista esportivo e teria criado o termo Era Dunga.Placar Magazine Ago 1995 Um ano depois, em agosto de 1991, Falcão foi demitido após fazer o retrospecto de 15 jogos, 5 vitórias, 7 empates e 3 derrotas (48% de aproveitamento), e ser vice-campeão da Copa América de 1991. A cúpula da CBF acusava Falcão de "sumiços, que por inciativa própria, ficava dias sem aparecer na sede da CBF". Falcão alegou que foi pressionado a convocar jogadores do Rio de Janeiro: "Tinha uma história em que, na época, o futebol carioca não estava legal. Então me colocaram assim: 'De repente, entre convocar um jogador de São Paulo e um jogador do Rio, traz o do Rio se os dois tiverem o mesmo peso'. Aí não dá. Eu vou levar não importa de onde.".
Para substituir Falcão, as especulações caíram sobre os nomes de Carlos Alberto Parreira e Vanderlei Luxemburgo. Confirmado, Parreira treinou a seleção com uma equipe alternativa na Copa América de 1993, sendo derrotado nos pênaltis pela Argentina nas quartas de final. Zagallo foi confirmado como assistente tendo a responsabilidade de cuidar da disciplina. "Não posso deixar que o técnico se exponha diretamente com os jogadores. Alguém tem que fazer esse trabalho. Minha experiência ajuda.".
Nas Eliminatórias, o Brasil estreou com um empate sem gols fora de casa contra o Equador, seguido por uma derrota por 2-0 para a Bolívia, marcando a primeira derrota da seleção na história das Eliminatórias. Uma pesquisa encomendada pelo instituto Datafolha indicava que 67% dos torcedores queriam a saída de Parreira. Após a partida, segundo o atacante Muller: "Parreira ia pedir demissão. Eu, o Ricardo Rocha e outras lideranças, nos reunimos e dizemos que nos jogos de volta íamos voar baixo". Ainda sobre o episódio, o lateral Branco afirmara: "Aquele dia na volta ao Brasil, o Parreira estava querendo vazar. Aí a gente no voo, acho que era eu, o Dunga, Ricardo Rocha, Taffarel, não sei quem mais, pegamos o presidente [Ricardo Teixeira] no avião e falamos com ele. Aí na Granja [Comary, centro de treinamento da CBF] fizemos uma reunião e tiramos essa ideia do Parreira sair da seleção. Aí chega em Recife e tem a ideia do Ricardo Rocha de entrar de mãos dadas (em todos os jogos)". Após essas duas partidas, Careca discutiu com o jornalista Mário Sérgio, que o acusou de ser velho, e pediu para não ser mais chamado.
Para o terceiro jogo do certame, Parreira trouxe de volta o volante Dunga, contestado por sua atuação no mundial da Itália. A recuperação aconteceu com goleada sobre a Venezuela em San Cristóbal, mas depois ocorreu um novo empate contra o Uruguai em Montevidéu. A seleção apresentava um futebol burocrático, de poucos gols.
Romário havia sido chamado para um amistoso contra a Alemanha em 1992, mas reclamou por ter ficado no banco de reservas. “Ele é desagregador e tem antecedentes. Já tomei minha decisão. O Brasil foi tricampeão do mundo por saber trabalhar junto. É claro que existia talento, mas a união foi um fator fundamental nestas conquistas. Romário quase acaba com nosso trabalho em apenas três dias. O Romário tinha que ter dito na conversa que se achava o titular. O que ele fez foi molecagem, pois tentou jogar a torcida contra nós”, declarou após a partida Zagallo. As seguidas boas atuações do atleta no Barcelona deram origem a um clamor público por sua convocação.
A comissão técnica cedeu ao apelo popular e Romário foi convocado para o jogo decisivo contra o Uruguai, no Estádio do Maracanã, em que o Brasil precisava da vitória para garantir vaga na Copa do Mundo. Antes da partida, a rede britânica de televisão BBC propôs a Barbosa, goleiro do Maracanaço, que fosse até o centro de treinamento da Seleção Brasileira em Teresópolis para gravar uma entrevista entre o ex-goleiro e o então titular, Taffarel. O encontro, no entanto, foi vetado por Parreira: "Proibi mesmo. Não quero contato com Barbosa ou nenhum jogador do passado. Não acrescenta nada".
Em campo, o Brasil derrotou o Uruguai por dois a zero, com ambos os gols de Romário, e garantiu a classificação para a Copa do Mundo na última rodada.
Artilheiros 4 gols Bebeto
3 gols Raí Ricardo Gomes
2 gols Romário Palinha Branco
1 gols Müller Dunga Evair
Assistências 4 assistências Zinho
3 assistências Bebeto
2 assistências Mauro Silva
1 assistência Branco Jorginho Müller Valdeir
Amistosos
Convocados Técnico: Carlos Alberto Parreira
Nº CamisaJogadorPosiçãoData de nascimentoClube1TaffarelGoleiro8 de maio de 1966 Reggiana2JorginhoLateral Direito17 de agosto de 1964 Bayern3Ricardo RochaZagueiro11 de setembro de 1962 Vasco da Gama4RonaldãoZagueiro19 de junho de 1965 Shimizu S-Pulse5Mauro SilvaVolante12 de janeiro de 1968 Deportivo La Coruña6BrancoLateral Esquerdo4 de abril de 1964 Fluminense7BebetoAtacante16 de fevereiro de 1964 Deportivo La Coruña8DungaVolante31 de outubro de 1963 Stuttgart9ZinhoMeia17 de junho de 1967 Palmeiras10RaíMeia15 de maio de 1965 Paris Saint-Germain11RomárioAtacante29 de janeiro de 1966 Barcelona12ZettiGoleiro10 de janeiro de 1965 São Paulo13AldairZagueiro30 de novembro de 1965 Roma14CafuLateral Direito19 de junho de 1970 São Paulo15Márcio SantosZagueiro15 de setembro de 1969 Bordeaux16LeonardoLateral Esquerdo5 de setembro de 1969 São Paulo17MazinhoVolante Lateral Direito8 de abril de 1966 Palmeiras18Paulo SérgioMeia2 de junho de 1969 Bayer Leverkusen19MüllerAtacante31 de janeiro de 1966 São Paulo20RonaldoAtacante22 de setembro de 1976 Cruzeiro21ViolaAtacante1 de janeiro de 1969 Corinthians22GilmarGoleiro13 de janeiro de 1959 Flamengo 350px
Originalmente, Mozer, Ricardo Rocha, Ricardo Gomes e Márcio Santos foram os zagueiros convocados por Carlos Alberto Parreira. Cerca de um mês antes do mundial, Mozer foi cortado por conta de uma hepatite, sendo substituído por Aldair. Em seguida, Ricardo Gomes também foi cortado após sofrer um estiramento durante um amistoso na véspera da Copa, dando lugar a Ronaldão.
Ricardo Rocha se machucou na estreia, mas continuou com o grupo. O jogador relatou mais tarde: "Fiz uma ressonância no outro dia e pensei que seria cortado. Porque não tem como ficar. Eu poderia ficar bom para o último jogo e os jogadores me chamaram, junto com Parreira, e disseram: "Você vai ficar". E eu tive medo. Acho que é a primeira vez que falo isso. Falei: "Gente, nós temos três zagueiros (Aldair, Márcio Santos e Ronaldão). Se machuca mais um vamos ficar só com dois. Era o início da Copa do Mundo. Então não tem como você ficar numa situação que pode prejudicar vocês. Eles falaram: "Não, você foi importante e vai ficar. Se precisar, Dunga vai pra zagueiro, Mauro Silva... Se não tiver outro zagueiro, claro, mas a gente quer você." Chorei muito quando tive a lesão porque me preparei muito para essa Copa do Mundo, que era minha última. Mas o que acontece, os jogadores conversaram mais uma vez comigo. Romário me chamou, Parreira me chamou. E acordei no outro dia um "outro Ricardo". Se não dá pra ajudar dentro de campo, vou fazer de tudo fora de campo." Dessa forma, mesmo sem atuar, Ricardo Rocha permaneceu como elemento motivador da equipe graças ao seu bom humor e espírito coletivo.
Um pouco antes da estreia, Parreira acertou sua ida ao Valencia. Segundo o empresário Fernando Roig na Folha em 2 de Junho de 1994 : “No final de semana acertei um pré-contrato com o procurador do técnico, o que significa, para mim, meio caminho andado. (…) Acertamos também um acordo com o preparador [físico], que foi indicado pelo Parreira.”. Romário criticou a convocação de Müller alegando que o jogador foi mal nas copas de 1986 e 1990. A declaração abriu uma crise na equipe, com jogadores defendendo Muller. O coordenador-técnico Zagallo, mandou Romário "calar a boca". O técnico Carlos Alberto Parreira pediu que o jogador "ficasse quieto e apenas jogasse seu maravilhoso futebol".
Campanha No primeiro jogo, o Brasil venceu a Rússia por 2–0. Com 20 minutos Ricardo Rocha deixou o jogo. Segundo a Folha de S.Paulo, "O técnico da seleção brasileira, Carlos Alberto Parreira, cumpriu quase integralmente suas previsões. Ataque, meio-campo e defesa funcionaram. O teste só não foi completo porque a Rússia, salvo no início do jogo e no meio do segundo tempo, foi completamente dominada. Os meias Raí e Zinho não mais estão presos nos lados do campo, como "assessores" dos laterais Jorginho e Leonardo. Ao contrário, moveram-se pelo campo todo.".
Contra Camarões nova vitória, por 3–0. Telê Santana analisou: "Foi uma boa vitória, mas podia ter sido melhor. A seleção brasileira não rendeu tanto quanto no jogo de estreia contra a Rússia, quando o normal seria exatamente o contrário, pois nossos jogadores estavam livres do nervosismo da estreia. Vendo bem, Camarões não foi uma só vez área brasileira em todo o primeiro tempo. E sua defesa não era exatamente sólida. Diante disso, para que tantos homens lá atrás? Para que Mauro Silva e Dunga de cabeças de área e Zinho e Raí embolados no meio campo. Tínhamos pela frente um adversário que nos permitia soltar mais o Dunga e fazer com que Raí e Zinho se projetassem mais.".
No terceiro jogo, Brasil e Suécia empataram por 1–1. Foi a primeira partida da seleção brasileira em estádio coberto em sua história. As maiores críticas foram à lentidão e falta de mobilidade do Brasil. Matinas Suzuki Jr.: "Além disso, o esquema idealizado por Parreira na Copa é muito previsível: Raí por um lado, Zinho por outro, tentativa de subida ao ataque dos laterais. Todos os técnicos adversários já manjaram.".
Brasil e Estados Unidos jogaram em San Francisco no dia 4 de Julho, dia do aniversário da independência norte-americana, diante de quase 85 mil pagantes. Vitória do Brasil por 1–0, com tento do atacante Bebeto em raro lance no qual recebeu passe de Romário. A partida ficou marcada pela cotovelada do lateral Leonardo em Tab Ramos, que causou não só a expulsão do lateral pelo resto da Copa, além dos danos físicos ao jogador norte-americano, que só se recuperou definitivamente em dezembro, quando voltou a jogar com o seu clube de então, o Bétis, da Espanha. Matinas Suzuki Jr. criticou: "Foi uma vitória constrangedora de um time medíocre e sem imaginação. Um futebol sem personalidade e medroso.". Telê Santana analisou: "Precisamos dar mais liberdade aos homens que atuam à frente de Mauro Silva. Nossa defesa jogou bem, não teve problemas. Logo, não há necessidade de armarmos barreiras defensivas contra times como o norte-americano.".