Linha 2, anteriormente conhecida também como Ramal do Barreiro, é uma linha do Metrô de Belo Horizonte que se encontra em fase de operação parcial. Em sua primeira etapa, terá 10,5 km de extensão e 7 estações.

Uma segunda fase, que adicionaria à linha mais 8,5 km de trilhos subterrâneos que a levaria até o Hipercentro e região dos Hospitais encontra-se em estudo, mas ainda sem prazo definido para ser executada.

Histórico

O trem de subúrbio (1957–1988) O traçado da Linha 2 do metrô de Belo Horizonte sobrepõe-se ao antigo Ramal do Barreiro, uma linha ferroviária originalmente implantada pela Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB) para o transporte de passageiros e cargas. Em 1957, motivada pelo acelerado crescimento populacional e industrial da região, a EFCB inaugurou o serviço de trem de subúrbio ligando o Barreiro ao Matadouro Modelo (atual região da Estação São Gabriel), operando em um trajeto de 20 km que contava com carros de passageiros conhecidos popularmente como "Caturrão".

Na década de 1960, o serviço chegou a receber investimentos para a eletrificação dos trilhos e o planejamento de muros de vedação. No entanto, o sistema enfrentou forte declínio a partir do final daquela década devido à oposição de moradores locais às barreiras físicas, à pressão do setor de transporte coletivo rodoviário e à progressiva perda de passageiros pela falta de confiabilidade e infraestrutura precária das paradas. Sob a gestão da Rede Ferroviária Federal (RFFSA), o compartilhamento dos trilhos entre o transporte deficitário de passageiros e a atividade mais lucrativa de cargas levou à redução gradual das viagens, culminando na extinção definitiva do serviço de subúrbio em 1988. Desde então, o leito ferroviário passou a ser utilizado exclusivamente para trens de carga, enquanto o projeto de conversão do ramal em linha de metrô de superfície sofreu décadas de paralisações.

Projeto thumb|left|Cartazes na Avenida Amazonas protestando contra o abandono das obras do metrô, 2014. A partir do final da década de 1980 seu traçado foi para suprir as necessidades de transporte público da região do Barreiro em Belo Horizonte. Inicialmente, seu traçado Iria do Barreiro à Estação Calafate, onde deveria se integrar com a Linha 1 do Metrô. As obras chegaram a ser iniciadas em 1998, entretanto, foram paralisadas em 2004, com cerca de 40% de execução.

Com o passar do tempo, os projetos para a implantação do ramal foram sendo reformulados, mas as obras continuaram paradas. Em 17 de setembro de 2011, a então presidente da república, Dilma Rousseff, anunciou verbas no valor de R$ 3,16 bilhões provenientes de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) Grandes Cidades para a ampliação, reforma e modernização do sistema metroviário de BH. O projeto previa, além da retomada das obras da linha 2, também a modernização e requalificação da Linha 1, com a introdução da futura Estação Novo Eldorado, e também da implantação da Linha 3, que ligaria Lagoinha à Savassi.

Entretanto, a verba nunca chegou de fato, embora tenha ocorrido a contratação dos novos projetos básico e executivo das obras e, inclusive trabalhos de sondagem de solo. Houve troca de acusações entre o Governo Federal, Governo do Estado de Minas Gerais e Prefeitura de Belo Horizonte e, mais uma vez, as obras não aconteceram. Para piorar, a Prefeitura de Belo Horizonte descartou a ideia de investir no Metrô de Belo Horizonte para a Copa do Mundo de 2014, decidindo investir no sistema BRT Move.

Privatização esquerda|miniaturadaimagem|Governador Romeu Zema assina ordem de serviço para inicio das obras da Linha 2 do Metrô. A esperança de retomada das obras permaneceu esvanecida até o ano de 2019, quando o Governo Federal decidiu incluir a praça mineira da Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU) no Programa Nacional de Desestatização, que previa, além da transferência da gestão do sistema metroviário de Belo Horizonte para a alçada do Governo do Estado de Minas Gerais e sua posterior concessão para a iniciativa privada, também um aporte de recursos na ordem de R$ 3,7 bilhões para a retomada das obras da linha 2 e também a completa modernização e requalificação da linha 1, além de substituição de grande parte da frota de trens.

Em dezembro de 2022, o sistema metroviário de Belo Horizonte foi privatizado em leilão realizado na Bolsa de Valores B3, no qual o Grupo Comporte (controlador da concessionária Metrô BH), arrematou a totalidade das ações da Veiculo de Desestatização de Minas Gerais Investimentos S/A (VDMG Investimentos), empresa detentora da CBTU-MG após sua cisão da CBTU Nacional. O valor do lance ofertado foi de R$ 25,7 milhões, um ágio de 33,9% sobre o valor inicial previsto em edital.

O certame ocorreu sob forte disputa política, enfrentando tentativas de suspensão por parte da equipe de transição do governo federal eleito e motivando uma greve dos metroviários na capital mineira. O contrato de concessão por 30 anos, até 2053, estipulou um investimento total de R$ 3,7 bilhões para a modernização da Linha 1 e a construção da Linha 2 até o Barreiro, prevendo que 86% desse montante (R$ 3,2 bilhões) seriam financiados por aportes públicos da União e do Governo de Minas Gerais, cabendo à concessionária o aporte complementar de R$ 400 milhões e a execução das obras.

Construção direita|miniaturadaimagem|Canteiro de Obras da Estação Amazonas da Linha 2 em maio de 2025. As obras foram retomadas em setembro de 2024 e o primeiro trecho com as duas primeiras estações, Nova Suíça e Amazonas, entrou em funcionamento em 03 de julho de 2026 de forma assistida. As demais devem ser totalmente concluídas até 2028.

Estações A principio, a linha 2 do metrô de Belo Horizonte terá 7 estações. +EstaçãoSituaçãoObservaçãoBarreiroEm processo de implantaçãoIntegração com a Estação BHBUS BarreiroFerrugemEm processo de implantaçãoIntegração com o futuro Terminal FerrugemVista AlegreEm processo de implantaçãoNova CintraEm processo de implantaçãoNova GameleiraEm processo de implantaçãoAmazonasOperação assistidaNova SuíçaOperação assistida Acesso a Linha 1

Controvérsias Via singela Em 2024 a Metrô BH enviou solicitação à Secretaria de Estado de Infraestrutura, Mobilidade e Parcerias (SEINFRA) propondo uma mudança no projeto original a ser contratado, que previa a implantação de uma via singela no trecho final entre as estações Barreiro e Ferrugem. A justificativa da empresa se deu diante de uma eventual impossibilidade técnica de implantação de via duplicada em razão do espaço que a MRS Logística disponibilizaria em seu pátio de manobras, que em tese, seria insuficiente para a adoção da via duplicada.

A medida provocou insatisfação e polêmica entre a população e políticos de oposição à gestão do governo, inclusive com acusações de que empresa e poder concedente estariam querendo "economizar" na obra. O Governo então solicitou à empresa que apresentasse estudos técnicos que comprovassem a inviabilidade da implantação da via dupla e que a operação em via singela não causaria impacto nos indicadores de qualidade da operação estabelecidos no contrato de concessão.

Em 08 de outubro de 2025, o Governo do Estado anunciou oficialmente a rejeição da proposta e determinou a retomada do projeto de construção do trecho entre as estações Barreiro e Ferrugem em via dupla, conforme proposta original estabelecida no contrato de concessão. Após a análise dos estudos técnicos apresentados pela concessionária, e um acordo com a concessionária ferroviária da cessão do pátio, a conclusão foi de que a implantação do par de trilhos era possível de ser realizada.

Desapropriações A execução das obras da Linha 2 gerou controvérsias significativas devido aos impactos sociais das desapropriações na faixa de domínio ferroviário. Em março de 2026, a demolição de imóveis deixou sete famílias desabrigadas na região, motivando o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e os moradores afetados a registrarem uma notícia-crime junto ao Ministério Público por falta de aviso prévio adequado, ausência de ordem judicial e tratamento desrespeitoso; o movimento alegou que as famílias dispunham de documentos de ocupação anterior a 2021 reconhecidos pela concessionária, mas que tiveram o pagamento negado. Em contrapartida, a Metrô BH e a Secretaria de Estado de Infraestrutura (Seinfra) argumentaram que as remoções seguiram estritamente o contrato de concessão e a legislação, tratando-se de ocupações irregulares recentes fora do processo técnico de selagem original e sem comprovação de vínculo anterior. O governo estadual destacou que o planejamento mapeou originalmente 341 famílias na região, das quais mais de 90% foram devidamente indenizadas e assistidas com aluguel social por meio de acordos de conciliação firmados em maio de 2025 com o Ministério Público e a Defensoria Pública, enquanto a Prefeitura de Belo Horizonte declarou não ter participação direta nas remoções.

Os protestos persistiram e marcaram a cerimônia de inauguração das estações Nova Suíça e Amazonas, em julho de 2026. Na ocasião, manifestantes cobraram o cumprimento integral dos termos acordados em 2025, alegando que cerca de 16 famílias não identificadas no levantamento inicial aguardavam novas vistorias para serem incluídas nas indenizações. Representantes dos atingidos também denunciaram problemas de segurança no entorno dos canteiros de obras, como a falta de cercamento e sinalização que estariam provocando acidentes na linha férrea e nos escombros das demolições. Durante o evento, as manifestações geraram atrito político quando o governador de Minas Gerais, Matheus Simões, rebateu publicamente as interrupções de seu discurso, acusando o protesto de ter motivação político-partidária.

Ver também

Linha 1 do Metrô de Belo Horizonte

Ligações externas

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