Pós-estruturalismo é um termo para formas filosóficas, teóricas e literárias de teoria que tanto constroem quanto rejeitam ideias estabelecidas pelo estruturalismo, o projeto intelectual que o precedeu. Embora todos os pós-estruturalistas apresentem críticas diferentes ao estruturalismo, os temas comuns entre eles incluem a rejeição da autossuficiência do estruturalismo, bem como uma interrogação das oposições binárias que constituem suas estruturas. Consequentemente, o pós-estruturalismo descarta a ideia de interpretar a mídia (ou o mundo) dentro de estruturas pré-estabelecidas e socialmente construídas.Bensmaïa, Réda. 2005. "Poststructuralism." Pp. 92–93 in The Columbia History of Twentieth-Century French Thought, edited by L. Kritzman. Columbia University Press.Poster, Mark. 1988. "Introduction: Theory and the problem of Context." pp. 5–6 in Critical theory and poststructuralism: in search of a context.Merquior, José G. 1987. Foucault, (Fontana Modern Masters series). University of California Press. .Craig, Edward, ed. 1998. Routledge Encyclopaedia of Philosophy, vol. 7 (Nihilism to Quantum mechanics). London: Routledge. . p. 597.
Enquanto o estruturalismo propõe que se pode entender a cultura humana por meio de uma estrutura modelada na linguagem, e que essa compreensão difere da realidade concreta e das ideias abstratas ao propor, em vez disso, uma "terceira ordem" que faz a mediação entre as duas,Deleuze, Gilles. 2004. "How Do We Recognize Structuralism?" Pp. 170–92 in Desert Islands and Other Texts 1953–1974, translated by D. Lapoujade, edited by M. Taormina, Semiotext(e) Foreign Agents series. Los Angeles: Semiotext(e). . pp. 171–73. a crítica pós-estruturalista pode sugerir que para construir significado a partir de tal interpretação, deve-se (falsamente) assumir que as definições desses signos são válidas e fixas, e que o autor que emprega a teoria estruturalista está de alguma forma acima e à parte dessas estruturas que eles estão descrevendo de forma a poder apreciá-los totalmente. A rigidez, tendência para categorizar e insinuação de verdades universais encontradas no pensamento estruturalista é, então, um alvo comum do pensamento pós-estruturalista, ao mesmo tempo que se baseia em concepções estruturalistas da realidade mediadas pela inter-relação entre os signos.
Escritores cujas obras são frequentemente caracterizadas como pós-estruturalistas incluem: Roland Barthes, Jacques Derrida, Michel Foucault, Gilles Deleuze, Judith Butler, Jean Baudrillard, Julia Kristeva, Jacques Rancière e Paul Ricoeur, embora muitos teóricos que foram chamados de "pós-estruturalistas" tenham rejeitado o rótulo.
Não se trata exatamente de um movimento, e poucos desses pensadores aceitam o rótulo de 'pós-estruturalista' — criado por outros para designar genericamente um conjunto de diferentes reações ao estruturalismo. Consequentemente, nenhum dos ditos pós-estruturalistas se sentiu na obrigação de elaborar um "manifesto" do pós-estruturalismo.Harrison, Paul; 20016; "Post-structuralist Theories"; pp122-135 in Aitken, S. and Valentine, G. (eds); 2006; Approaches to Human Geography; Sage, London; Johannes Angermuller : Why There Is No Poststructuralism in France. The Making of An Intellectual Generation. London: Bloomsbury, 2015.
História O pós-estruturalismo surgiu na França durante a década de 1960 como um movimento de crítica ao estruturalismo. De acordo com J. G. Merquior, uma relação amor-ódio com o estruturalismo desenvolvida entre muitos dos principais pensadores franceses na década de 1960.Merquior, José G. 1987. Foucault, (Fontana Modern Masters series). University of California Press. . O período foi marcado pela rebelião de estudantes e trabalhadores contra o estado em maio de 1968.
Em uma palestra de 1966 intitulada "Structure, Sign, and Play in the Discourse of the Human Sciences", Jacques Derrida apresentou uma tese sobre uma aparente ruptura na vida intelectual. Derrida interpretou este evento como uma "descentralização" do antigo cosmos intelectual. Em vez de progresso ou divergência de um centro identificado, Derrida descreveu esse "evento" como uma espécie de "jogo".
Um ano depois, Roland Barthes publicou A Morte do Autor, em que anunciava um acontecimento metafórico: a "morte" do autor como fonte autêntica de sentido para um determinado texto. Barthes argumentou que qualquer texto literário tem múltiplos significados e que o autor não era a fonte primária do conteúdo semântico da obra. A "Morte do Autor", afirmou Barthes, foi o "Nascimento do Leitor", como fonte da proliferação de significados do texto.
Relação com o estruturalismo O estruturalismo como movimento intelectual na França nas décadas de 1950 e 1960 estudou estruturas subjacentes em artefactos culturais (como textos) e usou conceitos analíticos de linguística, psicologia, antropologia e outros campos para interpretar essas estruturas. O estruturalismo postula o conceito de oposição binária, em que pares frequentemente usados de palavras opostas, mas relacionadas (conceitos) são frequentemente organizados em uma hierarquia; por exemplo: Iluminismo/Romantismo, masculino/feminino, fala/escrita, racional/emocional, significado/significante, simbólico/imaginário.
O pós-estruturalismo rejeita a noção estruturalista de que a palavra dominante em um par é dependente de sua contraparte subserviente e, em vez disso, argumenta que fundar o conhecimento na experiência pura (fenomenologia) ou em estruturas sistemáticas (estruturalismo) é impossível, porque história e cultura condicionam o estudo das estruturas subjacentes e estas estão sujeitas a vieses e interpretações erradas. Gilles Deleuze e outros viram essa impossibilidade não como um fracasso ou perda, mas sim como uma causa para "celebração e libertação". Uma abordagem pós-estruturalista argumenta que para compreender um objeto (um texto, por exemplo), é necessário estudar tanto o objeto em si quanto os sistemas de conhecimento que o produziram. As fronteiras incertas entre o estruturalismo e o pós-estruturalismo tornam-se ainda mais obscuras pelo fato de os estudiosos raramente se rotularem como pós-estruturalistas. Alguns estudiosos associados ao estruturalismo, como Roland Barthes e Michel Foucault, também se destacaram no pós-estruturalismo.
O prefixo pós não é, todavia, interpretado como sinal de contraposição ao estruturalismo. De fato, esses pensadores levaram às últimas consequências os conceitos e desenvolvimentos do estruturalismo, até dissolvê-los no desconstrutivismo, construtivismo ou no relativismo e no pós-modernismo. O movimento pós-estruturalista está intimamente ligado ao pós-modernismo — embora os dois conceitos, conforme mencionou Michael Peters não sejam sinônimos. Nas palavras de Peters: "o pós-estruturalismo tem sido, muito frequentemente, confundido com o termo afim, Pós-modernismo. Na verdade, alguns críticos chegam a argumentar que o conceito de pós-estruturalismo deve ser subordinado ao de Pós-modernismo". Para o autor, o pós-modernismo, apesar de ter uma acepção histórica e filosófica, no geral, está relacionado aos movimentos artísticos de meados do século XX; já o Pós-estruturalismo "é, decididamente, interdisciplinar, apresentando-se por meio de muitas e diferentes correntes".
Conceituação Como corrente filosófica, embora não constituindo propriamente uma "escola", o pós-estruturalismo carateriza-se pela recusa em atribuir ao cogito cartesiano, ao sujeito ou ao homem, qualquer privilégio gnoseológico ou axiológico, privilegiando, em vez disso, uma análise das formas simbólicas, da linguagem, mais como constituintes da subjetividade do que como constituídas por esta.
São típicas da abordagem pós-estruturalista a retomada dos temas nietzschianos, como a crítica da consciência e do negativo (por Deleuze) ou o projeto genealógico (por Foucault), a radicalização e a superação da valorização ontológica da linguagem heideggeriana e uma perspectiva antidogmática e antipositivista. De modo geral, os pós-estruturalistas rejeitam definições que encerrem verdades absolutas sobre o mundo,Derrida, Jacques; 1983; "Letter to a Japanese Friend"; pp271-276 in Derrida, Jacques; Kamuf, Peggy (ed.); 1991; A Derrida Reader: Between the Blinds; Harverster Wheatsheaf; Hemel Hempstead; ISBN 0-7450-0991-3 pois a verdade dependeria do contexto histórico de cada indivíduo.
O pós-estruturalismo instaura uma teoria da desconstrução na análise literária, liberando o texto para uma pluralidade de sentidos. A realidade é considerada como uma construção social e subjetiva, em perpétuo devir. A abordagem é mais aberta no que diz respeito à diversidade de métodos, neste sentido, "o Pós-estruturalismo não pode ser simplesmente reduzido a um conjunto de pressupostos compartilhados, a um método, a uma teoria ou até mesmo a uma escola. É melhor referir-se a ele como um movimento de pensamento — uma complexa rede de pensamento — que corporifica diferentes de prática crítica" Em contraste com o estruturalismo, que não afirma a independência e superioridade do significante em relação ao significado (para eles os dois são inseparáveis), os pós-estruturalistas veem o significante e o significado como separáveis.
Como mencionado, o conceito de pós-estruturalismo "pode" ser, ou não, interligado ao de pós-modernismo (verificando que pós-modernismo é referido a movimentos culturais, não políticos e sociais), aos quais, os últimos, retrata a ruptura com os grandes esquemas metanarrativos que pretendem explicar ou significar o mundo social, mas, em sua grande pretensão, não explicam nada (retoricamente vazio). Assim, é possível dizer que o pós-estruturalismo não condiz com o positivismo, já que o mesmo se utiliza de metateorias para embasar esquemas teóricos de pré-conceituação de uma certa visão de mundo que retrata o social como coisa.
Em relação a abordagem nietzschiana, existem dúvidas, pois a crítica da consciência não significa eliminá-la, ao contrário, mas transformá-la, considerando o fator sócio-histórico em que a problemática está inserida ao discernir um determinado assunto. Ao contrário da genealogia de Foucault, que incide em desconstruir justamente os grandes esquemas metanarrativos, pondo um "ponto" no significante e libertando a pluralidade de significados. Assim, pode haver alguma intersecção entre pós-estruturalismo e modernidade, ou não, se considerado o inverso da penúltima afirmação do referido texto, pois as duas vertentes consideram exatamente o contrário, não pretendem "rejeitar definições que encerrem verdades absolutas sobre o mundo", mas, sim, rejeitam definições que pretendem ser verdades absolutas sobre o mundo, já que se trata exatamente da diferença entre estruturalismo X pós-estruturalismo e modernidade X pós-modernidade.
Crítica