Félix de Souza Araújo (Cabaceiras, — Campina Grande, 27 de julho de 1953) foi um político brasileiro, vereador de Campina Grande, no estado da Paraíba. Também foi poeta, tribuno, secretário de governo, ensaísta, crítico literário, escriturário, livreiro, radialista, jornalista e conferencista. Foi pai de Félix Araújo Filho, prefeito de Campina Grande entre 1993 e 1997.

Síntese histórica

Félix Araújo era filho de Francisco Virgolino de Souza e Nautília Pereira de Araújo, também nascidos em Cabaceiras. Contraiu matrimônio com Maria do Socorro Douettes, em janeiro de 1947, com quem teve dois filhos: Maria do Socorro Tamar Araújo Celino e Félix Araújo Filho, que viria a se eleger vereador e, posteriormente, prefeito de Campina Grande.

Cursou o primário em Cabaceiras e prosseguiu seus estudos no Colégio Diocesano Pio XI (Campina Grande) e no Liceu Paraibano (em João Pessoa). Concluiu o curso clássico em 1949. Foi aluno da Faculdade de Direito do Recife, escolhido orador de sua turma, porém foi assassinado por razões políticas pouco antes de concluir o curso. Explica Evaldo Gonçalves que "seu talento verbal, sua extraordinária capacidade de aprender, sua voracidade intelectual em termos de assenhorear rapidamente dos conhecimentos, seu trato de cavalheiro, tudo lhe somou para que se destacasse nesse primeiro patamar de sua vida estudantil".

Aos dezesseis anos, Félix de Souza Araújo já publicava artigos em jornais. Ainda no ano de 1938, Alceu Amoroso Lima reconheceu importante vertente de sua personalidade: a sua erudição.

Foi colaborador de diversos jornais, entre outros, o Diário de Pernambuco (iniciado em março de 1950). Ainda em Cabaceiras, fundou o Jornal "Cruzeiro".

É autor do poema em prosa TAMAR - escrito em 1940, publicado em 1945 - e também das obras DOR, FRATERNIDADE, POEMAS SOLTOS e CARROSSEL DA VIDA. O poema em prosa "TAMAR" mereceu destaque do jornal "O Globo", em 17 de julho de 1945, mediante elogiosa crítica do romancista Eloy Pontes. O Diário de Pernambuco publicou os poemas "Naufrago" (em 28 de abril de 1950, em sua edição n. 93), "A Porta" (em 28 de outubro de 1951, edição n. 250).

Foi pracinha voluntário da Força Expedicionária Brasileira (FEB). Lutou nos campos da Itália contra o nazifascismo, em 1943. Foi correspondente de guerra e fundou o jornal "Cruzeiro do Sul". Ao voltar, fixou residência em Campina Grande.

Criou o programa "A Voz dos Municípios" na Rádio Borborema de Campina Grande. Durante vários anos, manteve o programa "Carrossel da Vida", com leitura de crônica diária na Rádio Caturité.

Felix era tribuno de massa. Orador com imenso domínio da plateia. Era figura esperada em comícios, palestras e solenidades. No dizer do historiador Josué Sylvestre: "nunca vi até hoje alguém falar tão bem quanto Felix Araújo".

Filiou-se ao PCB, disputando, por este partido, duas eleições: em 1946, para deputado federal e 1947, para deputado estadual. Na eleição para o legislativo estadual, obteve 885 votos, alcançando a primeira suplência do deputado João Santa Cruz, este eleito com 1 654 votos. No ano de 1948, deixou o PCB por discordar do radicalismo, à época, da rígida disciplina partidária. Mesmo assim, recebeu apoio de setores de esquerda, segmentos sindicalizados, diretórios estudantis e bairros populares.

Ainda em 1946, instalou a "Livraria do Povo", incendiada, criminosamente, por adversários ideológicos, sectários de extrema direita.

Em 1947, Félix liderou a campanha de Elpídio Josué de Almeida a prefeito de Campina Grande. Foi secretário de Educação e Cultura deste governo, introduziu o "Cinema Educativo". Coordenou a campanha eleitoral de José Américo de Almeida a governador da Paraíba (1950).

Elegeu-se vereador mais votado de Campina Grande em 1951, pelo PL (Partido Libertador). Integrou as comissões de Justiça, Legislação e Redação e de Educação e Cultura (1951 a 1953).

Caracterizado por rígidas e inegociáveis convicções ideológicas, acusa o governador José Américo de Almeida de ter se afastado dos ideais libertários que deram substrato e identidade à campanha de 1950. Pouco depois, em 13 de março de 1953, escreveu o "Acuso", um manifesto contra o governador do Estado. Denunciou a corrupção na Administração Municipal, rompeu com o prefeito Plínio Lemos e com o governador José Américo. Foi assassinado em 13 de julho de 1953, vindo a falecer em 27 de julho do referido ano.

De acordo com o jornal carioca Correio da Manhã, Felix, além de vereador de grande prestígio, era líder dos estudantes e aluno da Faculdade de Direito do Recife, Iria concluir o Curso de Direito ainda no ano de 1953, quando foi vítima de atentado de natureza política.

Morte Em 13 de julho de 1953, quando presidia a comissão que investigava as contas da administração municipal, foi baleado, pelas costas, por João Madeira, funcionário da prefeitura e guarda-costas de Plínio Lemos. Momentos após o atentado, João Madeira foi encontrado - e preso - escondido na residência do citado prefeito. De acordo com o Diário de Pernambuco, após o atentado, João Madeira buscou refúgio na residência de Plínio Lemos, onde permaneceu escondido, tendo sido localizado pelo Delegado Genival Queiroz, pelo vereador Pedro Sabino e pelo dr. Willian Arruda. Nesse local, foi efetuada a sua prisão em flagrante.

Em 15 de julho de 1953, o jornal do Brasil publicou, na coluna "Câmara dos Deputados", mensagem do deputado João Agripino, lida pelo dr. Osvaldo Trigueiro, explicando o ocorrido nos seguintes termos: "(...) o vereador Felix Araújo solicitara, a fim de apreciar, a documentação relativa a despesas de vulto não comprovadas e autorizadas pelo prefeito daquela cidade, Plinio Lemos. Por esse motivo, o jovem vereador, que é estudante, numa das ruas mais centrais da cidade, foi alvejado, pelas costas, por um capanga do chefe do Executivo Municipal, tombando com a coluna vertebral seccionada pelo tiro disparado pelo facínora que, em seguida, se homiziou na residência do próprio prefeito onde o foram encontrar as autoridades policiais". (Jornal do Brasil, edição 00160, caderno 1, p. 9).

Após o atentado, o poeta Felix Araújo foi levado para a casa de saúde dr. Francisco Brasileiro e acompanhado por equipe médica. Permaneceu em estado grave por 14 dias. Além do acompanhamento de médicos de Campina Grande, foi providenciada a vinda do especialista do Recife, o neurocirurgião Dr. Manoel Caetano de Barros, para examinar a gravidade dos ferimentos e proceder à intervenção cirúrgica. É que, segundo publicação do Diário de Pernambuco, “a bala que atingiu o jornalista Felix Araújo atravessou-lhe o pulmão esquerdo e, depois de fraturar duas costelas, foi alojar-se na espinha". A impressão clínica indicava secção da medula, porém a cirurgia foi adiada e condicionada à melhora do grave estado pulmonar do paciente. A cirurgia foi realizada dias após o atentado e apontava a possibilidade de resultar, como consequência, paraplegia.

Nas ruas, a população acompanhava a divulgação de boletins médicos e protestava contra o atentado. Os estudantes da União Universitária e Centro Estudantil também lançaram protestos contra a agressão sofrida pelo poeta Felix Araújo e percorreram, em passeatas, as ruas da cidade. Concomitantemente, doações de sangue e vigílias de orações eram espontaneamente reproduzidas por populares. Os estudantes da Faculdade de Direito do Recife também enviaram mensagens de protesto ao prefeito Plínio Lemos contra a agressão covarde e brutal que foi vítima o estudante de Direito Felix Araújo.

Félix Araújo faleceu, em 27 de julho de 1953 (14 dias após o atentado), aos 30 anos de idade em decorrência dos ferimentos, na Casa de Saúde dr. Francisco Brasileiro, em Campina Grande. O assassinato de Felix Araújo "ganhou conotações e proporções políticas", sendo identificado com as causas populares, com movimentos sociais e com as manifestações nacionalistas. Conforme publicado no jornal carioca Correio da Manhã, de 15 de julho de 1953, foi "crime de natureza política em Campina Grande".

Frase histórica thumb|esquerda|250px|Frase célebre do poeta Félix Araújo, grafada na Praça Clementino Procópio, em Campina Grande.

Outras frases de Felix Araújo, destacadas em Antologia dos Oradores Paraibanos: "Dura é a verdade. Dura e incômoda. A sua luz queima como ferro em brasa, e cega a sua claridade."

(Félix Araújo)O referido livro também ressalta: "Maldito para sempre o que esconder a verdade, que não lhe pertence, é de todos. Mil vezes melhor sucumbir incendiado em suas chamas crepitantes e irresistíveis, e ter os olhos corroídos pela intensidade de sua luz, que caminhar sobre o pântano venenoso da mentira, movediço porque embebido de sangue, iluminado, como os cemitérios, pela enganosa luz dos fogos-fátuos."

(Félix Araújo)E ainda:

Em João Pessoa, das escadarias do Palácio do Governo, durante manifestação dos estudantes pela entrada do Brasil na II Guerra, Felix arrematou:

Obras escritas - Poemas Felix Araújo foi destacado poeta. Escreveu importante produção intelectual. Logo cedo, despontou refinada vertente poética. Aos dezesseis anos, Félix de Souza Araújo já publicava poemas e artigos em diferentes periódicos nacionais. As suas obras são:

Dor Fraternidade Poemas Soltos Carrossel da Vida TAMAR Álbum de Guerra - Poemas inéditos escritos durante o combate da Segunda Guerra Mundial.

Aos dezoito anos, Felix Araújo escreveu o livro "TAMAR". Por essência, é uma "profissão de fé no Amor". Uma obra lírica que exalta a consagração ao amor, à natureza, enfim, à própria vida. No dizer de Evaldo Gonçalves, “Tamar não foi fruto do acaso. Trata-se de uma criação literária que revela um nível de amadurecimento intelectual acima da idade do autor”.

A obra "Tamar" retrata uma história romântica entre dois jovens enamorados, projetada em simbologias impactantes, meio a cenários da natureza que revelam significados, descobertas, sentimentos e até incertezas. Em seu poema, Felix Araújo escreveu:“Ninguém sabe quem é Tamar, e eu não direi nunca.

Ela é o meu grande mistério.

Nem todos os ouvidos podem ouvir a sua voz; nem todos os olhos podem ver a sua beleza.

É sagrada, a minha Tamar. Por isso eu a guardo comigo, só para mim, minha religião e minha esperança”.Felix Araújo produziu diversos outros poemas. Alguns deles, até então inéditos, foram publicados em seu livro "Obras Poéticas", no capítulo intitulado "FÔLHAS SÔLTAS", onde vários de seus poemas foram reunidos. A denominação "Folhas Soltas" foi conferida em 1964, onze anos após a morte do poeta Felix Araújo, pela Comissão Cultural do Centenário de Campina Grande, criada pelo Prefeito Newton Vieira Rique, através da lei nº. 91, de 29 de abril de 1964. A Comissão foi composta por Elpídio Josué de Almeida, Severino Bezerra de Carvalho, Raymundo Asfora, José Elias Barbosa Borges e Maria de Lourdes Passos. Entre outros poemas, foi publicado "A Liberdade". Neste, há uma firme defesa da liberdade! Nele, Felix Araújo reflete e arremata: "Derrete as armas com que os homens se batem pela ambição e pela intolerância.

E êsse ferro velho, e êsse aço inútil, transforma-os em máquinas para os operários, arados para o lavrador, brinquedos para as crianças, em leitos confortáveis, onde as mães grávidas esperem os seus filhos e onde os velhos recordem pela última vez, e durmam para sempre".

Carta do Crítico Literário Alceu Amoroso Lima a Felix Araújo

Após ampla repercussão do artigo de autoria do jovem poeta Felix Araújo, no jornal "A Voz da Borborema", em defesa de teses levantadas pelo crítico literário e teólogo Alceu Amoroso Lima, o poeta paraibano - então com apenas dezesseis anos de idade - recebeu carta do ilustre ensaísta, o renomado "Tristão de Ataíde", que, ao agradecer aquela defesa, impressionado com a maturidade intelectual do poeta Felix Araújo, ressalta a qualidade do texto, chegando até mesmo a duvidar tivesse o novel escritor cabaceirense apenas dezesseis anos de idade.