O governo Juscelino Kubitschek teve início em 31 de janeiro de 1956, quando tomou posse Juscelino Kubitschek de Oliveira que, após ser Governador de Minas Gerais, venceu as eleições de 1955.

Sua presidência foi marcada pelo Plano de Metas, ação que concentrou-se no desenvolvimento de setores como energia, transporte, alimentação, indústria de base, educação e a meta-síntese, que foi a construção da nova capital Brasília, com o slogan de "Cinquenta anos em cinco", marca do desenvolvimentismo, já que o ideal era trazer ao Brasil o desenvolvimento econômico e social. Segundo JK, se com outros governantes este processo levaria cinquenta anos, com ele levaria apenas cinco. Trouxe diversas empresas estrangeiras para o país, entre elas, as automobilísticas Chrysler e Ford através do Grupo Executivo da Indústria Automobilística, já que ele queria incentivar o comércio de carros, além de televisões e outros bens de consumo.

No seu mandato, o PIB brasileiro cresceu em média 8,1%, um dos maiores crescimento da história do país.

Contexto

República Populista Após a derrubada da ditadura getulista e a promulgação de uma nova Constituição Federal (1946) até o Golpe Militar de 1964, o país vive uma das fases mais democráticas que já experimentara - o chamado Populismo (1946 - 1964) - embora abalada por fatos como o suicídio do presidente Getúlio Vargas em 1954. Vargas havia assumido em 1951 após ter vencido eleição direta para presidente.

Eleição de 1955

Kubitschek enfrentou problemas para dar legitimidade e prestígio à sua candidatura a presidente, como acusações de ser apoiado por comunistas,CHAGAS, Carmo 1994JK visitou o já idoso e venerado ex-presidente da república Venceslau Brás em sua residência no sul de Minas. Pediu e conseguiu o apoio do ex-presidente à sua candidatura.

Através de uma aliança política formada por seis partidos, Juscelino foi eleito Presidente da República em 3 de outubro de 1955, com 35,68% dos votos válidos; a UDN protestou alegando que Juscelino não havia obtido a maioria dos votos, a posse só foi garantida graças ao Golpe Preventivo, liderado pelo Marechal Lott, que depôs Carlos Luz. que era acusado de não querer passar o cargo para JK.

Posse

Eleito em um período conturbado, o movimento golpista para impedir a posse de JK contou com o apoio da ala conservadora do Exército e do presidente interino Carlos Luz que tinha tomado posse após o afastamento de Café Filho por motivos de saúde. A posse de Juscelino e de João Goulart só foi assegurada graças a o chamado Golpe Preventivo, em 11 de novembro, do General Teixeira Lott.

Com um forte esquema de segurança, a cerimônia aconteceu no Palácio Tiradentes, então sede da Câmara dos Deputados, a cerimônia começou ás 15h15 e foi presidida pelo presidente da câmara, José Antônio Flores da Cunha, a presidência do Senado estava vaga. Em seguida, ambos foram em carro aberto para o Palácio do Catete para o então presidente Nereu Ramos fazer a transmissão do cargo, quando Ramos fez um discurso falando que JK assumia o país "em hora de grandes transformações e não menor expectativas de toda a nação" e em seguida Juscelino fez seu discurso.

Houve manifestações de Queremistas, que apoiaram Juscelino, mas foram de cunho principalmente a favor de Getúlio Vargas, incluindo orações em volta da estátua do ex-presidente.

Ministério semmoldura|80x80pxPastaMinistroPartidoTempoAeronáuticaVasco Alves Secosem partido31 de janeiro de 1956 — 20 de março de 195698x98pxHenrique Fleiusssem partido20 de março de 1956 — 30 de julho de 1957100x100pxCorreia de Melosem partido30 de julho de 1957 — 31 de janeiro de 1961Agricultura113x113pxErnesto DornelesPTB31 de janeiro de 1956 — 30 de setembro de 1956 98x98pxParsifal BarrosoPSD30 de setembro de 1956 — 3 de outubro de 1956Mário MeneghettiPSD3 de outubro de 1956 — 5 de abril de 1960Paulo Fróes da Cruz (interino)PSD1 de agosto de 1958 — 31 de agosto de 195896x96pxFernando NóbregaPTB3 de outubro de 1956 — 5 de abril de 1960109x109pxAntônio de Barros CarvalhoPTB6 de junho de 1960 — 30 de janeiro de 1961Educação e Cultura107x107pxClóvis Salgado da GamaPR31 de janeiro de 1956 — 30 de abril de 1956Celso Brant (interino)PR30 de abril de 1956 — 2 de outubro de 195699x99pxNereu Ramos (interino)PSD3 de outubro de 1956 — 4 de novembro de 1956107x107pxClóvis Salgado da GamaPR4 de novembro de 1956 — 18 de junho de 1959106x106pxPedro CalmonPSD18 de junho de 1959 — 16 de junho de 1960José Pedro da Costa (interino)PSD17 de junho de 1960 — 24 de junho de 196093x93pxPedro Paulo Penidosem partido1 de julho de 1960 — 17 de outubro de 1960107x107pxClóvis Salgado da GamaPR18 de outubro de 1960 — 31 de janeiro de 1961Fazenda96x96pxJosé Maria AlkminPSD1 de Fevereiro de 1956 — 24 de Junho de 195896x96pxPaes de Almeida (interino)PSD19 de Setembro de 1956 — 26 de Outubro de 1956Castro Viana Júnior (interino)15 de Agosto de 1957 — 9 de Outubro de 1957Lucas Lopes25 de Junho de 1958 — 3 de Junho de 195996x96pxPaes de Almeida (interino)PSD28 de Novembro de 1958 — 3 de Junho de 1959Paes de Almeida4 de Junho de 1959 — 31 de Janeiro de 1961Maurício Chagas Bicalho (interino)19 de Setembro de 1959 — 15 de Junho de 1960Antônio Carlos Barcellos (interino)19 de Setembro de 1960 — 29 de Novembro de 1960Guerra93x93pxHenrique Teixeira Lottsem partido31 de janeiro de 1956 — 15 de fevereiro de 196090x90pxOdylio Denyssem partido15 de fevereiro de 1960 — 31 de janeiro de 1961Justiça e Negócios do Interior99x99pxNereu RamosPSD31 de janeiro de 1956 — 4 de novembro de 1957108x108pxEurico SalesPSD4 de novembro de 1957 — 8 de julho de 195892x92pxCarlos Cirilo JúniorPSD8 de julho de 1958 — 31 de julho de 195996x96pxArmando FalcãoPSD31 de julho de 1959 — 31 de janeiro de 1961Marinha78x78pxAntônio Alves Câmara Júniorsem partido31 de janeiro de 1956 — 19 de agosto de 195895x95pxJorge do Paço Matoso Maiasem partido19 de agosto de 1958 — 3 de janeiro de 1961Relações Exteriores88x88pxJosé Carlos de Macedo Soares31 de janeiro de 1956 — 4 de julho de 195890x90pxNegrão de LimaPSD4 de julho de 1958 — 30 de agosto de 195990x90pxHorácio LaferPSD30 de agosto de 1959 — 31 de janeiro de 1961Saúde100x100pxMaurício de Medeiros31 de janeiro de 1956 — 2 de julho de 195894x94pxMário Pinottisem partido3 de julho de 1958 — 31 de julho de 196093x93pxPedro Paulo Penido1 de agosto de 1960 — 31 de dezembro de 196096x96pxArmando FalcãoPSD1 de janeiro de 1961 — 2 de fevereiro de 1961Trabalho, Indústria e Comércio98x98pxParsifal BarrosoPSD31 de janeiro de 1956 — 30 de junho de 1958Mário MeneghettiPSD1 de julho de 1958 — 17 de julho de 195896x96pxFernando NóbregaPTB18 de julho de 1958 — 17 de abril de 196096x96pxJoão Batista RamosPTB19 de abril de 1960 — 7 de novembro de 1960Alírio Sales Coelho7 de novembro de 1960 — 31 de janeiro de 1961Viação e Obras Públicas95x95pxLúcio MeiraPTB31 de janeiro de 1956 — 28 de julho de 195993x93pxErnâni do Amaral PeixotoPSD28 de julho de 1959 — 31 de janeiro de 1961

Política interna

Economia miniaturadaimagem|254x254px|Inauguração da Fábrica da General Motors em São José dos Campos (SP). 10 de março de 1959. Kubitschek iniciou seu governo quando o país contava com aproximadamente 60 milhões de habitantes. Sua gestão foi marcada pelo Plano de Metas, cujo objetivo era acelerar e complementar o processo de industrialização substitutiva de importações através do investimento maciço nas áreas de infraestrutura, bens intermediários e bens de capital, e que se traduziu, sobretudo, em crescimento industrial. Entre 1955 e 1961, a produção do setor cresceu 80%, destacando-se as indústrias do aço, mecânicas, elétricas e de comunicações, e de equipamentos de transportes. Entre 1957 e 1961, a taxa de crescimento real foi de 7% ao ano. Esse processo, orientado pelo projeto nacional-desenvolvimentista,FONSECA, Pedro Cezar Dutra. Gênese e precursores do desenvolvimentismo no Brasil.Pesquisa & Debate, São Paulo, v. 15, n. 2 (26), p. 225-256, 2004. foi possibilitado pela existência de um amplo mercado interno,LAFER, Celso. JK e o programa de metas (1956/1961): processo de planejamento e sistema político no Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2002a. 256 p pela capacidade de produção de ferro e de aço e pela disposição externa de investimento. Além do incentivo à entrada de capitais externos, o governo voltou-se para as áreas de transporte e de energia, constituindo uma infraestrutura para a expansão do parque industrial.

O governo orientou os investimentos segundo os estudos e projetos formulados pelos representantes da Comissão Econômica para a América Latina (Cepal) e pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE).FARO, Clovis de; SILVA, Salomão Quadros da. A década de 50 e o Programa de Metas. In:GOMES, Angela de Castro (Org.). O Brasil de JK . Rio de Janeiro: FGV, CPDOC, 1991. p.44-70.

A política econômica dos anos JK obteve resultados expressivos na área da expansão industrial, mas gerou contradições, como o favorecimento à concentração de capital, com a entrada de empresas multinacionais no paísLAFER, Celso. JK e o programa de metas (1956/1961): processo de planejamento e sistema político no Brasil. Rio de Janeiro: FGV, 2002a. 256 p. Do ponto de vista dos trabalhadores, verificou-se que o aumento de produtividade decorrente do aprimoramento tecnológico não foi transferido nem para os preços nem para os salários. As importações, que visavam suprir a escassez interna de insumos, aprofundaram a dependência externa da economia brasileiraNETO, J. A. Freitas; TASINAFO, Celio Ricardo. História Geral e do Brasil. São Paulo: Harbra, 2015., elevando o desequilíbrio financeiro e o déficit da balança de pagamentos, o que influiu decisivamente para a o retorno do processo inflacionário, um dos maiores problemas enfrentados pelo presidente Kubitschek. Um plano de estabilização anti-inflacionário foi formulado pelo ministro da Fazenda, Lucas Lopes, e pelo diretor do BNDE, Roberto Campos, e submetido ao Fundo Monetário Internacional (FMI), que deveria avalizar um crédito de 300 milhões de dólares proveniente dos Estados Unidos. Diante das exigências de ajuste da economia brasileira pelo FMI, o governo teve duas opções: levar adiante o Plano de Metas ou conter a economia interna, satisfazendo os credores externos e os defensores brasileiros do programa de estabilização. Foram muitas as pressões internas, gerando um debate que envolveu também os intelectuais nacionalistas e aqueles de tendência liberal, representados no Instituto Superior de Estudos Brasileiros (ISEB). Em junho de 1959, o presidente Kubitschek rompeu as negociações com o FMI.

Infraestrutura Junto com Brasília, diversas rodovias ajudaram o povoamento e desenvolvimento do Brasil Central e da Amazônia:

A Rodovia BR-153 (antiga BR-14), também conhecida como Rodovia Belém-Brasília.

A Rodovia Régis Bittencourt, (antiga BR-2), que liga o Sudeste do Brasil ao Sul do Brasil, inaugurada no início de 1961.

A rodovia Fernão Dias que liga São Paulo a Belo Horizonte, obra iniciada por Getúlio Vargas, inaugurada por JK em 1960 e concluída em 1961. A BR-364 ligando Cuiabá a Porto Velho e Rio Branco, inicialmente uma estrada de terra e que foi asfaltada em 1983. A BR-364 foi a primeira rodovia a ligar o Centro Oeste a Rondônia e ao Acre. A BR-364 viabilizou o povoamento de Rondônia que passou de 70 000 habitantes em 1960 para 500 000 habitantes em 1980.

O início da construção Refinaria de Duque de Caxias, foi fundamental para o aumento da produção do Brasil na época e no futuro.

Construção de Brasília miniaturadaimagem|263x263px|JK hasteando a bandeira na inauguração de Brasília.