Haakon VII, nascido Cristiano Frederico Carlos Jorge Valdemar Abssalão; (Charlottenlund, 3 de agosto de 1872 – Oslo, 21 de setembro de 1957) foi o rei da Noruega desde de sua eleição, em 18 de novembro de 1905 até a data de sua morte, sendo o primeiro monarca após a Dissolução da União Pessoal com a Suécia.

Como um dos poucos monarcas eleitos, Haakon rapidamente ganhou o respeito e afeição do povo e teve papel importante ao unir os noruegueses em resistência a invasão nazista e a subsequente ocupação de cinco anos na Segunda Guerra Mundial.

Na Noruega, é considerado como um dos maiores noruegueses do século XX, particularmente reverenciado por sua coragem durante a invasão alemã, ameaçando abdicar caso o governo cooperasse com os invasores, e por sua liderança e preservação da unidade do país durante o conflito.

Viveu até os 85 anos, reinando por quase 52 anos, sendo sucedido por seu filho Olavo V.

Biografia Primeiros anos thumb|left|160px|Príncipe Carlos da Dinamarca em 1883. O príncipe Carlos nasceu em Charlottenlund, em Copenhague. Ele era o segundo filho do príncipe Frederico (futuro Frederico VIII), o filho mais velho de Cristiano IX da Dinamarca, e de sua esposa, a princesa Luísa da Suécia, a única filha do rei Carlos XV da Suécia. Carl tornou-se rei da Noruega pessoalmente antes de seu pai e de seu irmão mais velho, o futuro Cristiano X.

O príncipe Carlos pertencia à divisão de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo da Casa de Oldemburgo, à qual a família real dinamarquesa pertence desde 1448. A Casa de Oldemburgo reinou a Noruega quando ela fazia parte do reino da Dinamarca-Noruega, entre 1536 e 1814.

A Casa era originalmente do norte da Alemanha, onde Glucksburg (Lyksborg) tinha seu pequeno feudo. A família tinha ligações permanentes com a Noruega desde o começo da Idade Média, e muitos dos ancestrais de Carlos (do lado paterno) tinham sido reis da Noruega independente (Haakon V da Noruega, Cristiano I da Noruega, Frederico I, Cristiano I, Frederico II, Cristiano IV, bem como Frederico III da Noruega, que incorporou a Noruega dentro do reino dinamarquês, de Schleswig e de Holstein — depois dessa incorporação, ela não era independente até 1814). Cristiano Frederico, que foi rei da Noruega brevemente em 1814, era seu tio-bisavô. Depois de 1814, a Noruega e a Suécia formaram uma união pessoal, e o rei da Noruega passou a ser Carlos XIII da Suécia (Carlos II da Noruega).

O jovem príncipe foi batizado no Palácio de Charlottenlund em 7 de setembro de 1872 pelo Bispo da Zelândia, Hans Lassen Martensen. Ele foi batizado com os nomes de Christian Frederik Carl Georg Valdemar Axel e era conhecido como Príncipe Carl (em homenagem ao seu avô materno, o Rei da Suécia-Noruega, que morreu apenas 11 dias após o seu batismo).

Foram seus padrinhos Cristiano IX da Dinamarca (seu avô paterno), Luísa de Hesse-Cassel (sua avó paterna, que o segurou no colo durante a cerimônia), Carlos XV da Suécia e Noruega (seu avô materno), Carolina Amália de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Augustemburgo (Rainha Viúva da Dinamarca, segunda esposa do rei Cristiano VIII), princesa Carolina da Dinamarca (filha do rei Frederico VI), Alexandra da Dinamarca (sua tia paterna, então Princesa de Gales e futura rainha do Reino Unido), Dagmar da Dinamarca (sua tia paterna), Frederico Guilherme de Meclemburgo-Strelitz, Jorge, Duque de Cambridge, Frederico, Duque de Eslésvico-Holsácia-Sonderburgo-Glucksburgo e Jorge de Hesse-Cassel.

Tal como os seus irmãos, o príncipe Carlos recebeu uma educação cristã rigorosa, num ambiente de frugalidade, diligência, regularidade, dever e ordem, focando no aprendizado de história, línguas estrangeiras e instrução militar. Como um filho homem mais novo, Carlos não cresceu com a expectativa direta ou a pressão de herdar uma coroa. Isso permitiu que ele tivesse uma criação e educação ligeiramente mais flexíveis do que a de seu irmão mais velho, Cristiano. Os tutores particulares proporcionaram-lhe a formação necessária.

O jovem príncipe tinha como objetivo tornar-se oficial da Marinha desde a sua confirmação e, aos 17 anos, passou no exame de admissão para a Escola de Oficiais da Marinha. A disciplina era rigorosa e Carlos não gozava de privilégios como aluno, exceto por eventuais licenças para comparecer a eventos da família real. Obteve resultados escolares bastante fracos. No entanto, adaptou-se bem à vida de marinheiro. Formou-se na Academia Naval Real Dinamarquesa em 1893, foi nomeado segundo tenente e, no ano seguinte, primeiro tenente da Marinha Dinamarquesa. Como cadete e tenente, participou de diversas expedições a outros países, tanto dentro como fora da Europa.

Casamento e descendência

Em 22 de julho de 1896, o príncipe Carlos desposou sua prima-irmã, a princesa Maud de Gales, a terceira e última filha do Príncipe de Gales e neta da rainha Vitória. A mãe de Maud, a Princesa de Gales, era sua tia paterna. O único filho do príncipe Carlos e da princesa Maud, o príncipe Alexandre, nascido em 2 de julho de 1903, assumiu o trono norueguês com o nome de Olavo V e é avô do atual monarca, Haakon VIII.

Ascensão ao trono Depois que a União entre Suécia e Noruega foi dissolvida em 1905, um comitê do governo norueguês selecionou muitos membros da realeza européia como candidatos para o cargo de primeiro rei da Noruega em muitos séculos. Gradualmente, o príncipe Carl tornou-se o principal candidato. Ele tinha um filho (e portanto um herdeiro), e sua esposa, a princesa Maud, tinha laços com a família real britânica, que foram vistos como uma vantagem para a nova e independente nação.

Idealista democrático, Carlos, ciente de que a Noruega ainda estava debatendo se continuaria com a monarquia ou se aderiria ao sistema de governo republicano, estava lisonjeado com a oferta do governo norueguês, mas não a aceitaria sem que um plebiscito mostrasse que a monarquia era verdadeiramente a escolha do povo da Noruega.

Depois que um referendo esmagadoramente confirmou que 79% dos noruegueses desejavam manter a monarquia, foi oferecido formalmente ao príncipe Carlos o trono pelo Storting (parlamento) em 18 de novembro de 1905. Quando Carlos a aceitou naquela noite, com a aprovação de seu avô Cristiano IX, ele adotou o nome Haakon VII e deu ao seu filho Alexandre o nome de Olavo. Os nomes estavam associados às primeiras famílias reais norueguesas e ao período de independência na Alta Idade Média. Fazendo isso, sucedeu seu tio-avô Oscar II da Suécia, que abdicou em outubro daquele ano após um acordo entre Suécia e Noruega com os termos da separação da união. Quando o rei Haakon recebeu a delegação parlamentar em sua primeira audiência, declarou que adotaria o lema "Tudo pela Noruega". A coroação de Haakon ocorreu na Catedral de Nidaros, em Trondheim, no dia 22 de junho de 1906.

Haakon VII arranjou como esposa para seu filho e herdeiro a filha de sua irmã, a princesa Marta da Suécia.

Residência e estilo de vida A Família Real recebeu o Palácio Real de Bygdøy e Oscarshall quando chegou à Noruega. O Palácio Real havia sido pouco utilizado pelos reis sueco-noruegueses, que residiam principalmente em Estocolmo e faziam apenas breves visitas à capital norueguesa. Encontrava-se em mau estado de conservação e teve de ser reconstruído antes que a Família Real pudesse lá se instalar em abril de 1907. Foram angariados fundos para um presente de coroação e, após um concurso de arquitetura, o Palácio Real foi construído em Voksenkollen e oferecido à Família Real em 1910. Mais tarde, a villa Gamlehaugen, do primeiro-ministro Christian Michelsen, em Bergen, a antiga residência da família Kielland, Ledaal, em Stavanger, e Stiftsgården, em Trondheim, também foram disponibilizadas como residências para a Família Real durante as suas estadias nessas cidades. thumb|right|240px|Haakon VII praticando esqui, em 1923. Comparado ao que outros reis tinham à sua disposição em termos de castelos e edifícios magníficos, isso era modesto. Ao mesmo tempo, o rei e o governo consideravam uma virtude que a nova monarquia agisse com frugalidade, estabelecesse uma corte pequena e, de modo geral, mantivesse as despesas o mais baixas possível. Era importante não alimentar o espírito republicano tornando o novo reino muito caro. Mas a frugalidade também era vista no contexto das tradições norueguesas, caracterizadas pelo fato de Copenhague, e não Kristiania, ter sido a capital do reino por vários séculos; pela Noruega, portanto, ter poucos edifícios públicos estatais; pelo país não ter tido uma monarquia própria com corte; e por ter sido historicamente pobre.

Desde o início, Haakon procurou familiarizar-se com a realidade norueguesa, conversando com homens e mulheres de diferentes classes sociais e consultando diversas fontes. Sua pronúncia do dinamarquês era norueguesa, mas sempre transparecia sua origem dinamarquesa. Inexperiente como era, precisou ouvir muito Michelsen e Fridtjof Nansen no começo, mas gradualmente adquiriu a experiência necessária e pode agir com mais independência. Nansen, que desempenhou um papel importante durante a dissolução da união, tornou-se amigo da família real. Ele ajudou a apresentar o esqui como esporte nacional norueguês à família real. Fotografias e cartões-postais mostravam ao povo norueguês como a família real praticava esse esporte. Já em 1906, o rei esteve presente em Holmenkollen, dando início a uma tradição.

Reinado Desde o início, o Rei Haakon VII desejava agir como um monarca constitucional e evitar se envolver diretamente com o governo. O poder político deveria residir no Storting (Parlamento) e no governo, mas o rei queria ser informado por seus ministros. Ele não se furtava a expressar sua opinião sobre qualquer assunto e podia defender uma posição específica perante os ministros. Ele queria que o governo tomasse suas decisões reais no gabinete, e não em reuniões prévias ao gabinete, como logo se tornaria costume. Contudo, ele sempre recuava se não conseguisse o apoio dos ministros e era muito cuidadoso para não ser considerado um beneficiário de nenhum partido político.

As qualidades pessoais do rei e seu esforço consciente para se integrar à sociedade norueguesa e agir corretamente como um monarca constitucional causaram impacto e contribuíram muito para a consolidação da jovem monarquia. O crescente Partido Trabalhista sempre se opôs fundamentalmente à monarquia, e ainda havia tendências republicanas ou antimonárquicas na ala radical do Partido Liberal, mas isso não foi suficiente para abalar a monarquia. Após o referendo de 1905, a maioria dos republicanos aceitou a monarquia como a forma de governo estabelecida do país.

Antes de mais nada, o monarca constitucional deveria ser um símbolo nacional e um ponto de convergência, e Haakon VII desempenhou todas as funções que isso exigia. Ele recebia visitantes constantemente, inaugurava exposições e congressos, participava de almoços e jantares, lançava pedras fundamentais e comparecia a eventos de diversos tipos. Isso ocupava a maior parte do tempo do rei diariamente. Através de viagens constantes, adquiriu um conhecimento profundo das diferentes partes do país. Sua sociabilidade informal lhe permitia entrar em contato facilmente com pessoas de todas as classes sociais.

Primeira Guerra Mundial thumb|left|160px|Haakon VII, Gustavo V da Suécia e Cristiano X da Dinamarca no Trekongemøtet, em 1914. Para fortalecer a posição geopolítica da região durante a Primeira Guerra Mundial, Haakon VII promoveu a aproximação histórica entre as três monarquias nórdicas (Noruega, Suécia e Dinamarca). O marco dessa estratégia ocorreu em dezembro de 1914, no Encontro dos Três Reis (Trekongemøtet) em Malmö, na Suécia. Haakon VII se reuniu com o rei Gustavo V da Suécia e o rei Cristiano X da Dinamarca para consolidar um pacto de neutralidade conjunta, garantindo que nenhum dos países escandinavos entrasse na guerra ou fosse usado por potências estrangeiras.