O Edifício Maletta (Conjunto Arcângelo Maletta) é um edifício localizado no Centro de Belo Horizonte, no cruzamento entre a avenida Augusto de Lima e a Rua da Bahia. Foi construído sobre o Grande Hotel no ano de 1957, e é um dos mais históricos edifícios do centro de Belo Horizonte. O Grande Hotel foi demolido e deu lugar ao edifício com nome de seu proprietário, Arcângelo MalettaSILVA, Luiz Roberto da. "Doce Dossiê de BH", BDMG Cultural, Belo Horizonte, 1996.. O antigo hotel recebeu importantes nomes da cultura brasileira, como Oswald de Andrade e Tarsila do Amaral, antes de ser demolido na década de 1950 para a construção do novo conjunto arquitetônico.
O Conjunto Arcângelo Maletta tornou-se um dos espaços mais simbólicos da vida cultural e boêmia da cidade. Inaugurado em 1961, o edifício reúne apartamentos residenciais, salas comerciais, lojas, bares e restaurantes, consolidando-se como importante ponto de encontro de artistas, estudantes, intelectuais e frequentadores da cena cultural belo-horizontina.
O personagem que dá nome ao edifício, Arcângelo Maletta, nasceu na região da Calábria, na Itália, em 18 de novembro de 1875, filho de Vicente e Theresa Maletta. Chegou ao Brasil ainda adolescente, aos 14 anos, inicialmente para trabalhar nas lavouras de café do estado de São Paulo, naturalizando-se brasileiro posteriormente. Mais tarde mudou-se para Queluz de Minas, atual Conselheiro Lafaiete, onde iniciou sua atuação no setor hoteleiro.
Posteriormente estabeleceu-se em Belo Horizonte, onde se destacou como empresário do ramo da hotelaria. Em 1918 adquiriu o tradicional Grande Hotel, localizado na rua da Bahia, esquina com a então avenida Paraopeba, atual avenida Augusto de Lima, por 300 contos de réis. Além do Grande Hotel, Arcângelo Maletta administrou outros empreendimentos hoteleiros importantes, incluindo o Hotel Itajubá, Hotel Serrador, Hotel da Montanha, Hotel Ouro Verde e Hotel Alto da Tijuca, todos situados no Rio de Janeiro.
Após a morte de Arcângelo Maletta em 1953, o antigo Grande Hotel foi vendido à Companhia de Empreendimentos Gerais. O edifício foi demolido em 1957 para a construção do novo conjunto arquitetônico, inaugurado posteriormente com o nome do antigo proprietário do hotel.
A partir da década de 2010, o segundo andar do Maletta passou por um processo de revitalização cultural e gastronômica, com a abertura de novos bares, sebos, restaurantes, brechós e espaços culturais, reforçando a permanência do edifício como importante polo cultural do centro da capital mineira. O edifício também integra o Conjunto Urbano Rua da Bahia e Adjacências, área protegida pelo patrimônio cultural municipal devido à sua relevância histórica, arquitetônica e cultural para a cidade.
Características Seu uso é tanto comercial quanto residencial. Os apartamentos são predominantemente ocupados por estudantes (alugados ou em repúblicas), ou pessoas que moravam no interior e precisavam se estabelecer na capital. No hall de entrada e no pilotis funcionam bares, restaurantes, sebos, livrarias, salões de cabeleireiros e lojas de informática.
O edifício possui 19 andares comerciais e 31 residenciais, abrigando 319 apartamentos, 642 salas, 72 lojas e 74 sobrelojas. Cerca de 1.300 moradores vivem no conjunto, enquanto aproximadamente cinco mil pessoas circulam diariamente por seus corredores. Desde a década de 1960, o Maletta também abriga tradicionais sebos e livrarias, contribuindo para sua forte relação com a produção cultural e intelectual de Belo Horizonte.
O Conjunto Arcângelo Maletta foi projetado pelo arquiteto Oswaldo Santa Cruz Nery e construído entre 1957 e 1958 em estilo modernista. Localizado na avenida Augusto de Lima, nº 245, no Centro de Belo Horizonte, o edifício consolidou-se como um dos principais exemplares da arquitetura moderna da capital mineira. Concebido como um grande conjunto de uso misto, integrando funções residenciais e comerciais em uma única estrutura, característica marcante do urbanismo modernista da época. A proposta buscava articular habitação, comércio e intensa circulação urbana em plena área central da cidade, acompanhando o processo de verticalização e expansão do centro belo-horizontino durante as décadas de 1950 e 1960.
Outro aspecto marcante do conjunto é sua intensa dinâmica urbana interna. O edifício abriga usos e públicos variados ao longo do dia e da noite, combinando atividades comerciais, residenciais, gastronômicas e culturais em uma mesma estrutura. Essa multiplicidade contribuiu para que o Maletta fosse frequentemente descrito como uma pequena cidade inserida dentro do tecido urbano central de Belo Horizonte.
Memória O Conjunto Arcângelo Maletta consolidou-se como um importante espaço de resistência cultural e convivência social em Belo Horizonte, especialmente durante o período da ditadura militar, quando bares, restaurantes e espaços culturais do edifício tornaram-se pontos de encontro de artistas, intelectuais e estudantes. Locais tradicionais como a Cantina do Lucas e o antigo Centro de Cultura contribuíram para transformar o prédio em um dos principais polos culturais da capital mineira.
Entre as décadas de 1960 e 1990, o Maletta figurava como um dos principais espaços de convivência intelectual, artística e boêmia de Belo Horizonte. O edifício passou a reunir estudantes, jornalistas, escritores, músicos, atores e artistas ligados à produção cultural da cidade, tornando-se também um importante espaço de resistência política e cultural durante o período da ditadura militar brasileira. Frequentadores históricos do edifício e da tradicional Cantina do Lucas incluíram nomes como Murilo Rubião, Milton Nascimento, Wagner Tiso, Nivaldo Ornelas e Clara Nunes.
O edifício também ficou conhecido por abrigar, nas décadas de 1960 e início de 1970, um ambiente de forte vigilância policial devido à intensa concentração de bares, boates e restaurantes no térreo e na sobreloja. Em 1964, já havia cerca de 22 pontos comerciais noturnos no edifício, incluindo bares, restaurantes, boates e lanchonetes, o que gerou preocupação de moradores e das autoridades locais. Esse movimento fez com que o edifício recebesse apelidos pejorativos na época, associados à percepção de desordem urbana, enquanto simultaneamente se consolidava como ponto de encontro de artistas, intelectuais, estudantes e grupos marginalizados, incluindo frequentadores LGBT+ e outros públicos dissidentes para o contexto da época.
Em 1963, o edifício já era alvo de batidas policiais, e em 1965 chegou a receber um posto de policiamento dentro de uma das lojas do térreo. No ano seguinte, foram propostas medidas de controle de circulação, como catracas nas entradas, e em 1968 foram instalados portões de ferro para restringir o acesso, refletindo o conflito entre o uso cultural/boêmio e a tentativa de controle institucional do espaço.
Outro dado importante é a existência, no canteiro central da avenida Augusto de Lima em frente ao edifício, de uma pequena praça com fonte instalada como parte de um projeto de reurbanização da área. Esse espaço também se tornou ponto de encontro de pessoas LGBT+, especialmente travestis e gays, antes de ser demolido em 1969. Além disso, alguns bares específicos do Maletta, como o Nosso Encontro e o Three Glasses, aparecem como frequentados pela população LGBT+ já nos anos 1960, reforçando a presença histórica dessa comunidade no entorno do edifício.
Modernismo em Belo Horizonte O Edifício Maletta consolidou-se como um dos principais espaços de sociabilidade intelectual e artística de Belo Horizonte ao longo do século XX. Inaugurado em 1961, o edifício tornou-se símbolo da modernização urbana da capital mineira e da consolidação de circuitos culturais ligados à literatura, ao jornalismo, às artes e à vida universitária.
O edifício passou a reunir livrarias, bares, cafés, editoras e espaços frequentados por estudantes, escritores, músicos e artistas ligados à cena cultural belo-horizontina. Sua localização central, próxima à Praça Sete de Setembro e à região da avenida Augusto de Lima, favoreceu sua integração à dinâmica cultural da cidade.
Pesquisadores da história urbana de Belo Horizonte apontam que o Maletta se inseriu em um contexto de expansão das práticas modernistas e de consolidação de novos espaços de circulação intelectual na capital mineira durante as décadas de 1960 e 1970.
Boemia O Edifício Maletta tornou-se amplamente associado à boemia belo-horizontina, especialmente devido à concentração de bares e restaurantes frequentados por artistas, jornalistas, estudantes e intelectuais.
Ao longo das décadas, o edifício ganhou reputação como espaço de convivência noturna e debates culturais, funcionando como ponto de encontro de diferentes gerações ligadas à produção artística e universitária da cidade.
A presença de cinemas, sebos, livrarias e cafés contribuiu para a consolidação do Maletta como espaço de circulação cultural alternativa, frequentemente associado à vida noturna e ao ambiente intelectual de Belo Horizonte.
Ver também Avenida Augusto de Lima Centro de Belo Horizonte
Categoria:Edifícios de Belo Horizonte Categoria:Arquitetura modernista no Brasil