Goffredo Carlos da Silva Telles ou, conforme adotou posteriormente, Gofredo da Silva Telles JúniorAs regras da onomástica da língua portuguesa determinam que os nomes de pessoas já falecidas sejam referenciados conforme o acordo ortográfico em vigor. Na grafia antiga, seu nome era grafado Goffredo Carlos da Silva Telles. (São Paulo, 16 de maio de 1915 — 27 de junho de 2009) foi um advogado, jurista e professor universitário brasileiro.
Ex-líder da Ação Integralista Brasileira em São Paulo, foi o único deputado eleito para a elaboração de Constituição de 1946 pelo partido integralista, o Partido de Representação Popular. Atuou como deputado federal até 1950. Durante a ditadura militar, foi o autor e orador da Carta aos Brasileiros, marco inaugural da redemocratização.
Catedrático da Universidade de São Paulo, foi Diretor e Vice-Diretor da mesma instituição, onde também organizou os cursos de Filosofia, de Teoria Geral do Estado e os de Pós-Graduação. Ajudou a fundar o Instituto Brasileiro de Filosofia. É conhecido por ter elaborado a teoria do Direito Quântico.
Biografia Filho de tradicional família paulista, proprietária da Fazenda Santo Antonio, em Araras, nasceu em 16 de maio de 1915, no centro da cidade de São Paulo. Os seus pais eram Gofredo Teixeira da Silva Teles e Carolina Penteado da Silva Teles, sendo esta irmã da mecenas Yolanda Penteado e filha de Inácio Leite Penteado e de Olívia Guedes Penteado.
Fez o ensino primário no Liceu Franco-Brasileiro, atual Liceu Pasteur, e o secundário no Ginásio de São Bento.esquerda|miniaturadaimagem|Gofredo, à direita, durante a Revolução Constitucionalista.|210x210px Ainda adolescente, durante a Revolução Constitucionalista de 1932, Gofredo Teles Júnior serviu como voluntário em Guaratinguetá. Na ocasião, seu pai era Prefeito de São Paulo. Em 1933, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.Editor, O. (1979). Goffredo Telles Junior em seu jubileu de cátedra. Revista Da Faculdade De Direito, Universidade De São Paulo, 74, 13-39. Recuperado de https://www.revistas.usp.br/rfdusp/article/view/66866
Entre 1932 e 1937, Gofredo Teles Júnior participou ativamente da Ação Integralista Brasileira (AIB) ao lado de seu irmão, Ignácio da Silva Teles. Foi um dos principais dirigentes da Ação Integralista em São Paulo, tendo desta participado como membro da Câmara dos Quatrocentos. Percorreu todo o interior paulista em divulgação da doutrina integralista. Em 1934, candidatou-se pela AIB à Assembleia Nacional Constituinte, sendo eleito suplente de deputado. Tendo iniciado uma ativa vida pública, interrompeu-a em 1937, com o Golpe do Estado Novo, passando a se dedicar à advocacia e aos estudos. No ano seguinte, publicou Justiça e júri no Estado Moderno, defendendo um Estado antiliberal e antitotalitário, em contraposição à tendência nazista mundial.
Formou-se em 1937, colando grau em 1938 e casando-se em 1939 com Elza Xavier da Silva. Foi professor de direito na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), onde lecionou desde 1940, inicialmente como livre docente, depois como professor catedrático.Em 1946, foi eleito para a Assembleia Nacional Constituinte através do Partido de Representação Popular, associação partidária integralista, presidida por Plínio Salgado. Nos trabalhos constituintes, teve uma atuação polêmica. Dedicou-se especialmente a combater o comunismo e a defender o aumento da arrecadação tributária dos municípios (municipalismo). Defendeu a inclusão do nome de Deus no preâmbulo da Constituição, lutou em defesa da soberania brasileira sobre a Amazônia e preocupou-se com o salário dos trabalhadores, a economia agrária e a Polícia Militar. Entre outras coisas, também atuou na organização fiscal e tributária, na regulamentação do Poder Executivo e na anistia dos presos políticos do Estado Novo. Titular da Comissão Permanente de Segurança Nacional, Gofredo destacou-se na defesa de causas nacionalistas, criticando várias medidas governamentais a seu ver contrárias aos interesses do país. Além disso, empenhou-se nos problemas do algodão, do fio de seda, da brucelose, dos minérios e das areias monazíticas. Em 1947, propôs e aprovou a lei que entronizou o Crucifixo na Câmara dos Deputados, alegando que a política deve se subordinar à moral cristã.
Lecionou durante quase 45 anos na Faculdade de Direito da Universidade de USP, onde era considerado o professor mais admirado. No ano de 1954, tomou posse da cadeira Introdução à Ciência do Direito. Em 1957, tornou-se Secretário da Educação e Cultura da Prefeitura de São Paulo, dedicando-se a consolidar e reorganizar o ainda incipiente ensino primário municipal. Foi vice-diretor da Faculdade de Direito de 1966 a 1969, tendo exercido sua diretoria em diversos períodos. miniaturadaimagem|302x302px|Gofredo durante a leitura da Carta aos Brasileiros, em 1977, no Largo de São Francisco. Em 1977 foi o principal redator da Carta aos Brasileiros, em que juristas importantes condenavam o regime de exceção e apelavam pelo estado de direito. A escolha de Gofredo para a redação e leitura da Carta foi estratégica, por sua falta de laços com a esquerda e seu repúdio ao marxismo, devido à sua condição de integralista. Imaginou-se que qualquer outro inimigo da ditadura que ousasse protagonizar o famoso evento seria impedido e preso. Com imensa repercussão nacional, a Carta teve destaque em toda a imprensa nacional e manchetes de primeira página nos principais jornais do mundo, sendo traduzida para numerosos idiomas. Gofredo, ao mesmo tempo, dotou a esquerda de argumentos técnicos e poderosos e persuadiu os que ainda acreditavam que os militares eram a única alternativa para o país. No ano seguinte, o Ato Institucional nº 5 foi revogado, e no posterior veio a anistia.
Em 1985, por força de lei, foi aposentado compulsoriamente da Faculdade de Direito da USP, ao atingir setenta anos de idade. Pouco depois de sua aposentadoria, e pelo voto unânime do conselho universitário, foi honrado com o título de "Professor Emérito da Universidade de São Paulo".
Em 5 de outubro de 1988, data da promulgação da Constituição Federal, criou, junto aos estudantes Adriano Nunes Carrazza e Cássio Schubsky, o Círculo das Quartas-Feiras, ao qual depois se juntaram outros estudantes da Faculdade de Direito. O "Círculo", como ficou conhecido, se reuniu por anos, semanalmente, para debater temas jurídicos, políticos, literários, históricos etc. O "Círculo" teve importante papel político, com medidas como o primeiro mandado de segurança coletivo do País e as primeiras manifestações pelo impeachment do então presidente da República Fernando Collor de Mello.
Morreu de causas naturais (caquexia) em sua casa no dia 27 de junho de 2009, aos 94 anos de idade.
Descendentes De seu primeiro casamento, com Lygia Fagundes Teles, teve: o cineasta Gofredo Telles Neto, que foi pai de Lúcia Carolina e Margarida. De seu segundo casamento, com Maria Eugênia Raposo da Silva Telles, teve uma filha, Olívia.
Livros publicados
Justiça e júri no Estado Moderno (1938) A definição do Direito (1938) O sistema brasileiro de discriminação de rendas (1946) Dois problemas brasileiros: o algodão e o fio de seda (1948) Tratado da Consequência: curso de lógica formal (1949) A criação do Direito, vol. 1 (1953) A criação do Direito, vol. 2 (1958) A democracia e o Brasil (1965) A Filosofia do Direito, vol. 1 (1965) A Filosofia do Direito, vol. 2 (1967) O Direito Quântico (1971) A Constituição, a Assembleia Constituinte e o Congresso Nacional (1986) Ética (1988) A folha dobrada (1999) Iniciação na Ciência do Direito (2001) O Povo e o poder (2003) Palavras do amigo aos estudantes de Direito (2003) O que é a Filosofia do Direito? (2004) Estudos (2005) Três Discursos (2009) Doze Trabalhos: Caminhos do Brasil (2016; obra póstuma)
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