Piúma é um município brasileiro no litoral sul do estado do Espírito Santo, Região Sudeste do país. Localiza-se a sul da capital estadual, distando desta cerca de . Ocupa uma área de aproximadamente , sendo que estão em área urbana, e sua população foi estimada em habitantes em 2025.

A sede tem uma temperatura média anual de e na vegetação original do município predomina a Mata Atlântica, com presença de manguezais às margens dos cursos hidrográficos. Com 98% da população vivendo na zona urbana, a cidade contava, em 2009, com vinte estabelecimentos de saúde. O seu Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é de 0,727, classificado como alto.

A área onde hoje está situado o município de Piúma era ocupada originalmente pelos goitacazes e começou a ser desbravada no século XIX. Um povoado se formou devido às terras férteis e ao desenvolvimento da pesca e em 1883, foi criado o distrito, subordinado a Anchieta, desmembrando-se em 1891. Em 1904, sua sede foi transferida para o até então distrito de Iconha, adotando este nome, mas Piúma foi emancipada em 1963.

A cidade se desenvolveu principalmente à base da pesca, que continua a ser a principal fonte de renda municipal, aliada ao artesanato e ao turismo. Piúma reúne milhares de turistas na alta temporada, que vêm em busca de suas praias, atrativos como o Monte Aghá e a culinária. Aliada ao turismo está a produção artesanal, baseada em grande parte nas conchas coletadas no próprio município, gerando o apelido de "Cidade das Conchas". Eventos como o Carnaval de Piúma e a Festa de São Pedro também se fazem presentes como atrativos culturais.

História thumb|esquerda|Vista noturna da Praça Dona Carmem, cujo nome homenageia uma das propulsoras do artesanato em Piúma. A área onde hoje está situado o município de Piúma era ocupada originalmente pelos goitacazes, que habitavam todo o litoral do Espírito Santo. Além dos goitacazes, que ocupavam grande parte do litoral do Espírito Santo, a região onde hoje se localiza Piúma também foi habitada por grupos do povo Puri, pertencentes ao tronco linguístico Macro-Jê. Estudos etno-históricos indicam que os Puris ocuparam áreas do litoral sul capixaba antes da colonização e, com o avanço das frentes coloniais e das missões jesuíticas, migraram gradualmente para o interior do Espírito Santo, Minas Gerais e Rio de Janeiro.Universidade Federal de Viçosa – Diáspora e Transformações do Povo Puri No século XIX, observou-se a chegada dos primeiros desbravadores, que se afixaram no local devido à fertilidade das terras em seu interior, dando início a um povoamento mais tarde denominado Iconha. Vieram italianos, que se ocupavam predominantemente na agropecuária e, após algum tempo, na exploração turística da orla; os libaneses, que se sustentavam a partir do comércio local; e os ingleses, que atuaram na pecuária. As terras foram apossadas por coronéis, principais responsáveis pela ratificação dos indígenas e suas culturas.

Dado o desenvolvimento econômico e demográfico, pela lei provincial nº 14, de 4 de maio de 1883, o povoado foi elevado à categoria de freguesia, subordinada ao município de Benevente (atual Anchieta) e com o nome de Nossa Senhora da Conceição de Piúma. Segundo a Enciclopédia dos Municípios Brasileiros, o nome da freguesia foi uma homenagem à Nossa Senhora da Conceição Aparecida e "Piúma" é derivado do vocábulo tupi Pi'uma, que significa "pele negra". Em 2 de janeiro de 1891, foi criada a vila, desmembrando-se de Benevente com a denominação de Piúma, sendo constituída dos distritos de Iconha e Piúma (sede) e se instalado a 19 de janeiro do mesmo ano.

Pelo decreto estadual nº 81, de 18 de novembro de 1904, a sede foi transferida para Iconha e o então município passou a ter a denominação do ex-distrito pela lei estadual nº 1.428, de 3 de julho de 1924. Em 24 de dezembro de 1963, pela lei estadual nº 1.908, Piúma foi emancipada de Iconha, instalando-se em 6 de julho de 1964 composta pela sede municipal e pelo distrito de Aghá. Ao longo do século XX, a agricultura perdeu espaço na participação econômica municipal, que passou a ser baseada na pesca, no turismo e artesanato.

Geografia thumb|esquerda|Vista do Monte Aghá a partir de Piúma thumb|esquerda|Manguezal em Piúma, na margem do rio Novo. A área do município, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é de , sendo que constituem a zona urbana. Situa-se a 20°50'16" de latitude sul e 40°43'19" de longitude oeste e está a uma distância de 89 quilômetros a sul da capital capixaba. Faz limites com os municípios de Anchieta, a norte; Iconha, a oeste; Rio Novo do Sul, a sudoeste; e Itapemirim, a sul; além do Oceano Atlântico, a leste.

De acordo com a divisão regional vigente desde 2017, instituída pelo IBGE, o município pertence às Regiões Geográficas Intermediária e Imediata de Vitória. Até então, com a vigência das divisões em microrregiões e mesorregiões, fazia parte da microrregião de Guarapari, que por sua vez estava incluída na mesorregião Central Espírito-Santense.

Relevo e meio ambiente O relevo varia de semiplano a ondulado, tendo oito quilômetros de litoral, banhados pelo Oceano Atlântico. Apenas 3% do território municipal apresenta acima de 75% de declividade, com 50% da área total tendo menos de 8% de declividade e 45% da área apresentando de 8% a 75%. O ponto mais elevado é o Monte Aghá, situado na divisa com o município de Itapemirim, que chega aos . Em 2011, 38,68% da área total apresentava terras quentes, acidentadas e de transição úmida-seca, 31,57% eram terras quentes, planas e de transição úmida-seca, 19,53% eram terras quentes, planas e secas e 10,42% eram terras quentes, planas e acidentadas. A umidade do solo sofre influência das marés, sendo constituído pelo Vale do Orobó e banhado pelos rios Novo e Iconha.

A vegetação predominante no município é a Mata Atlântica, com presença de manguezais às margens dos cursos hidrográficos, sendo que boa parte das áreas nativas, que cobrem cerca de 5% do território piumense, estavam presentes em ilhas ou em reservas ambientais como o Parque Natural dos Puris — que tem 36,63 hectares de cobertura vegetal — e a área de proteção ambiental (APA) Guanandy — que conta com cerca de 10 mil hectares que abrangem os municípios de Piúma, Itapemirim e Marataízes. As principais ilhas pertencentes a Piúma são a Ilha do Gambá, Ilha do Meio e Ilha dos Cabritos, todas consideradas como refúgios para aves e animais marinhos, além da Ilha dos Franceses, que também abriga um farol construído em 1730 por franceses é alimentado por energia solar.

Desde o começo do século XXI a cidade vem sendo afetada pelo avanço do mar e pelas ressacas, que danificaram severamente as praias e avenidas costeiras. Ocasionalmente obras e reparos emergenciais precisam ser realizados.

Clima thumb|esquerda|Fim de tarde em Piúma O clima piumense é caracterizado, segundo o IBGE, como tropical quente superúmido (tipo Aw segundo Köppen), com diminuição de chuvas no inverno e temperatura média anual em torno dos , tendo invernos amenos e verões chuvosos com temperaturas altas. O mês mais quente, fevereiro, tem temperatura média de , enquanto que o mês mais frio, julho, possui média de . Outono e primavera são estações de transição, embora condições de umidade relativa elevada prevaleçam na maior parte do ano. O índice pluviométrico anual é de aproximadamente , sendo junho o mês mais seco e novembro o mais chuvoso.

Durante a época das secas e em longos veranicos em pleno período chuvoso são comuns registros de queimadas em morros e matagais, principalmente na zona rural da cidade, o que contribui com o desmatamento e com o lançamento de poluentes na atmosfera, prejudicando ainda a qualidade do ar. O Monte Aghá também é alvo desses incêndios. De acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), Piúma é o último colocado no ranking de ocorrências de descargas elétricas no estado do Espírito Santo, com uma média anual de 0,4804 raios por quilômetro quadrado.

Demografia

Em 2022, a população foi estimada em habitantes pelo censo daquele ano, realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2010, a população era de habitantes. Segundo o censo de 2010, habitantes eram homens e habitantes mulheres. Ainda segundo o mesmo censo, habitantes viviam na zona urbana e 674 na zona rural. Da população total em 2010, habitantes (23,75%) tinham menos de 15 anos de idade, habitantes (68,97%) tinham de 15 a 64 anos e pessoas (7,28%) possuíam mais de 65 anos, sendo que a esperança de vida ao nascer era de 76,1 anos e a taxa de fecundidade total por mulher era de 2,1.

Em 2010, a população piumense era composta por brancos (52,51%), 924 negros (5,10%), 91 amarelos (0,50%), pardos (41,71%) e 33 indígenas (0,18%). Considerando-se a região de nascimento, eram nascidos no Sudeste (93,18%), 43 na Região Norte (0,24%), 902 no Nordeste (4,98%), 79 no Centro-Oeste (0,43%) e 94 no Sul (0,52%). habitantes eram naturais do estado do Espírito Santo (77,07%) e, desse total, eram nascidos em Piúma (41,87%). Entre os naturais de outras unidades da federação, Minas Gerais era o estado com maior presença, com pessoas (8,19%), seguido pelo Rio de Janeiro, com residentes (6,93%), e pela Bahia, com 560 habitantes residentes no município (3,09%). thumb|direita|Igreja Santa Rosa de Lima

O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDH-M) de Piúma é considerado alto pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), sendo que seu valor é de 0,727 (o 3201º maior do Brasil). A cidade possui a maioria dos indicadores próximos à média nacional segundo o PNUD. Considerando-se apenas o índice de educação o valor é de 0,643, o valor do índice de longevidade é de 0,852 e o de renda é de 0,702. De 2000 a 2010, a proporção de pessoas com renda domiciliar per capita de até meio salário mínimo reduziu em 51,53% e em 2010, 88,16% da população vivia acima da linha de pobreza, 6,87% encontrava-se na linha da pobreza e 4,97% estava abaixo e o coeficiente de Gini, que mede a desigualdade social, era de 0,51, sendo que 1,00 é o pior número e 0,00 é o melhor. A participação dos 20% da população mais rica da cidade no rendimento total municipal era de 54,83%, ou seja, 13 vezes superior à dos 20% mais pobres, que era de 4,08%.

De acordo com dados do censo de 2010 realizado pelo IBGE, a população de Piúma está composta por: católicos (52,9%), evangélicos (32,32%), pessoas sem religião (10,07%), 224 espíritas (1,24%) e 3,47% estão divididos entre outras religiões. Em alguns períodos de alta temporada, com a vinda de turistas, a população municipal chega a quintuplicar, podendo passar dos 100 mil habitantes.

Política e administração A administração municipal se dá pelos Poderes Executivo e Legislativo. O Executivo é exercido pelo prefeito, auxiliado pelo seu gabinete de secretários. O atual prefeito é José Ricardo Pereira da Costa, do Partido Democrático Trabalhista (PDT), eleito nas eleições municipais de 2016 com 51,31% dos votos válidos e empossado em 1º de janeiro de 2017, ao lado de Martha Scherrer como vice-prefeita. O Poder Legislativo, por sua vez, é constituído pela câmara municipal, composta por onze vereadores. Cabe à casa elaborar e votar leis fundamentais à administração e ao Executivo, especialmente o orçamento participativo (Lei de Diretrizes Orçamentárias).

Em complementação ao processo Legislativo e ao trabalho das secretarias, existem também conselhos municipais em atividade, entre os quais dos direitos da criança e do adolescente, criado em 2007, e tutelar (1998). Piúma se rege por sua lei orgânica, que foi promulgada em 1990, e abriga uma comarca do Poder Judiciário estadual, de primeira entrância, que funciona no Fórum Desembargador Gilson Veira de Mendonça. O município possuía, em fevereiro de 2017, eleitores, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o que representa 0,589% do eleitorado capixaba.

Economia thumb|direita|Barcos pesqueiros em Piúma