Russas é um município do nordeste brasileiro do estado do Ceará, localizado mais especificamente na região do Vale do Jaguaribe. Conhecida como a "Terra da Laranja" e "Terra de Dom Lino", Russas é referencial político-administrativo e sedia muitos órgãos estaduais, como o 1º Batalhão de Policia Militar, a CREDE-10, a Perícia Forense (PEFOCE/IML), Célula de Execução da Administração Tributária da Secretaria da Fazenda do Ceará (SEFAZ), Junta Comercial Regional, 4ª Zona Judiciária, DETRAN, Delegacia Regional de Polícia Civil e a Célula de Saúde Estadual, e órgãos federais, como Polícia Rodoviária Federal, Receita Federal, INSS, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, DNIT, Campus da Universidade Federal do Ceará, subestação da CHESF e da 9ª Zona Eleitoral.
Município mais populoso do Baixo Jaguaribe, Russas é um polo econômico com o crescente desenvolvimento de seus serviços, de expansão de suas indústrias, do comércio, do agronegócio e do ensino superior, o que ratifica sua condição de cidade polo da região. Segundo estimativa do IBGE 2024, o Município conta com 74.582 habitantes. miniaturadaimagem|Centro de Russas miniaturadaimagem|Avenida Dom Lino
Etimologia O topônimo Russas tem sido alvo de notável debate entre os principais estudiosos do Ceará. Podendo ter sido originado pela: Grande quantidade de grandes pedras na "cor ruça" (tom entre marrom e avermelhado, pardo) que se localizavam à meia légua do povoamento inicial. Essas pedras foram extintas por conta do seu uso nos primeiros calçamentos. É a versão segundo historiadores como Milet de Saint-Adolphe ("Dicionário Geográfico", 1845), Padre Aires de Casal ("Corografia", 1817), Luiz dos Santos Vilhena ("Recopilação de notícias soteropolitanas e brasílicas", 1802) e mais recentemente Limério da Rocha (2001). Cor das éguas de um velho fazendeiro chamado Zacarias do Pedro Ribeiro nos primeiros anos do povoamento, que possuía cobiçadas e vistosas éguas de cor ruça. Os animais se destacavam pela uniformidade de sua cor encarnada, sendo batizadas de éguas russas (embranquecidas). Essa história é contada por parte da população. Existência local de algumas pedras brancas de granito, com partes pintadas de tinta vermelha. Vistas de longe, se assemelham às éguas russas. Esta é a versão segundo o historiador Antônio Bezerra ("Algumas Origens do Ceará", 1918).
Originalmente chamou-se Santo Antônio do Ouvidor, depois Sítio Igreja das Russas, São Bernardo do Governador, São Bernardo de Russas e desde 1938, Russas.
História Russas é uma das únicas cidades do sertão brasileiro que originou-se de fortificação militar.http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/dtbs/ceara/russas.pdf Localiza-se dentro do então território dos povos indígenas Potiguara, Paiacu, Tapairiu, Panati, Ico, Ariu.Sebok. Lou, Atlases published in the Netherlands in the rare atlas collection. Compiled and edited by Lou Seboek. National Map Collection (Canada), Ottawa. 1974 A região começou a ser colonizada por Portugueses e seus descendentes oriundos da Bahia e Pernambuco em meados de 1690.
No século XVII os índios da região fizeram grande resistência à invasão dos portugueses e suas iniciativas econômicas. Era a chamada Guerra dos Bárbaros. Diante deste cenário é construído em 1701, a primeira fortificação militar no sertão cearense, o Forte Real de São Francisco Xavier da Ribeira do Jaguaribe. Este núcleo militar, que segurava 150 currais de gado, demarcou oficialmente o início da povoação europeia em Russas. Depois a localidade consolidou-se como entreposto dos vaqueiros que traziam gado do interior para negociar no porto de Aracati, na época do ciclo da carne de charque. Esses e outros visitantes que passavam pela cidade viam de longe pedras de cor ruça e criaram o a expressão terra das pedras ruças ou terra das éguas ruças.
A Igreja Matriz de Nossa Senhora do Rosário começou a ser construída em 1707, por doação de sesmaria, sendo o templo mais antigo construído no Estado. O Rei de Portugal encarregou da definição do terreno o desembargador Cristóvão Soares Reimão. Este demarcou as terras perto do antigo Forte que sucumbiu ao tempo e aos ataques dos indígenas jaguaribanos, que foram desaparecendo ou sendo assimilados nas fazendas de criação de animais.
Desde o século XVIII a população da ribeira do jaguaribe aspirava por autonomia política. A 15 de junho de 1801, o governador da Capitania do Ceará, Bernardo Manuel de Vasconcelos, ordenou ao ouvidor Manuel Leocádio Rademaker que transformasse em Vila a povoação de Sítio Igreja das Russas ou Freguesia de Nossa Senhora do Rosário das Russas, que passou a ser conhecida como Vila de São Bernardo do Governador (posteriormente São Bernardo das Russas). A Vila foi instalada em 6 de agosto daquele ano, desmembrando-se da recém-criada Vila de Aracati e fazendo divisa com a Vila do Icó e Capitania da Paraíba.
Instalada a Vila de São Bernardo do Governador, foram eleitos para os seguintes cargos:
- Juízes Ordinários (funções jurisdicionais e administrativas): Sargento-mor Francisco Xavier de Mattos Fontes e José Jacob de Freitas;
- Vereadores: Manoel Ferreira de Mendonça; Agostinho Vicente Colares; Simão Pita de Holanda e Porto;
- Juiz de Órfãos: Capitão-mor José Antônio de Souza Galvão;
- Procurador: Manoel Dionísio de Araújo.
A cidade teve, contudo, a primeira oportunidade de ser elevada à vila em 1766, durante o governo do ministro português Sebastião José de Carvalho e Melo, o Marquês de Pombal.
No início do Século XIX, as Vilas de Icó, Aquiraz e São Bernardo das Russas eram as mais ricas do Ceará. A cidade logo se tornaria uma cidade-polo. Assim foi primeiramente o núcleo militar com a Fortaleza de São Francisco Xavier que protegia 150 currais(ou fazendas), centro religioso (com a construção da Matriz de Nossa Senhora do Rosário de Russas e criação da freguesia). Depois centro econômico (com intenso comércio), político e administrativo cujo território englobaria atualmente cerca de 17 cidades. miniaturadaimagem|Matriz de Russas
Lista dos intendentes e prefeitos de Russas
João Nogueira de Freitas Costa - 1893 José Honório Nogueira de Pontes - 1895 José Casimiro Delgado Perdigão - 1896 Francisco Ferreira de Araújo Lima - 1897 Francisco Honorato Rodrigues Lima - 1906 Francisco Ferreira de Araújo Lima - 1911 José Perdigão Sobrinho - 1912 Francisco Ferreira de Araújo Lima - 1914/1919 Felipe José Santiago de Lima - 1919/1921 (nomeado) José Ramalho de Alarcon e Santiago - 1921/1929 (primeiro eleito por sufrágio direto) João Maciel Pereira, de 1929 a 1930. Coronel João Ivo Xavier - 1930/1933 Dr. Ezequiel Silva de Menezes - 16/1/1933-25/5/1935 Vicente Veloso - 02/06/1935-novembro/1937 Manuel Matoso Filho, de 1937 a 1945 Manuel Sales de Andrade - 1945 (quinze dias) Carlos Pontes Santos Lima - 1945/1946 João Maciel Filho - 1946 (meses) Coronel João Ivo Xavier - 1947 João de Deus, de 15 de março de 1947 a 15 de março de 1951 Raimundo Maciel Pereira, de 1951 a 195 Eliseu Ferreira Lima, de 25 de março de 1955 a 25 de março de 1959 Gerardo Matoso de Oliveira, de 25 de março de 1959 a 25 de março de 1963 João de Deus, (segundo mandato) de 25 de março de 1963 a 25 de março de 1967 José Martins de Santiago, de 25 de março de 1967 a 25 de março de 1971 Pedro Maia Rocha, de 25 de março de 1971 a 31 de março de 1973 Aurino Estácio de Sousa, de 31 de janeiro de 1973 a 31 de janeiro de 1977 José Martins de Santiago, de 31 de janeiro de 1977 a 31 de janeiro de 1982 Zilzo Leandro Evangelista, de 1 de fevereiro de 1983 a 31 de dezembro de 1988 Francisco de Assis Bezerra Nunes, de janeiro de 1989 a dezembro de 1992 Francisco Agaci Fernandes da Silva, de 1 de janeiro de 1993 a 31 de dezembro de 1996 Raimundo Weber de Araújo, de 1 de janeiro de 1997 a 31 de dezembro de 2004 Raimundo Cordeiro de Freitas, de 1 de janeiro de 2005 a 31 de dezembro de 2012 Raimundo Weber de Araújo, de 1 de janeiro de 2013 a 31 de dezembro de 2020 Sávio Gurgel Nogueira, de 1 de janeiro de 2021 até a atualidade.
Geografia Clima Tropical semiárido com pluviometria média de 824 mm com chuvas concentradas de janeiro a maio.
Hidrografia e recursos hídricos As principais fontes de água são o Rio Jaguaribe, os riachos de Araibu e Umburanas, o Córrego da Bananeira, a Lagoa da Caiçara, lagoa do Toco, Lagoa do Torão e os açudes da Altamira, do Santo Antônio e das Melancias.
Relevo e solos As terras de Russas são de várzea e não possuem grandes elevações, sendo as principais elevações os serrotes de Verde e da Serraria, na divisa com Morada Nova.
Vegetação Composta por caatinga arbustiva aberta, floresta caducifólia espinhosa e mata ciliar com predomínio da carnaúba.
Localização O centro histórico da cidade de Russas está situado geograficamente entre o Riacho Araibu, que é um afluente do Rio Jaguaribe, e a Lagoa da Caiçara.
Russas sempre foi ponto estratégico para o transporte de pessoas e mercadorias. Isso ocorreu inicialmente pela cidade ser afluente do Rio Jaguaribe. Também por ter no passado a Estrada Real do Jaguaribe no período colonial, depois estrada Transnordestina e hoje a BR 116 ou Rodovia Santos Dumont. miniaturadaimagem|Lagoa da Caiçara em Russas
Economia Favorecida pelo fértil solo do Vale do Jaguaribe, Russas foi primeiramente palco do ciclo do gado, depois da cultura do algodão, posteriormente da extração da carnaúba e mais tarde do cultivo da laranja. Esta última lhe rendeu o título de "Terra da Laranja Doce", pois se criou uma verdadeira marca para a laranja da região, a "Laranja de Russas" nacionalmente conhecida. Atualmente, além da laranja, há cultivo de melancia, banana, goiaba, uva, dentre outras frutas para exportação. Na fruticultura local ocorreu um salto quantitativo e qualitativo com a expansão do Perímetro Irrigado Tabuleiro de Russas, um dos maiores do país. O comércio e a indústria também são grandes impulsionadores da economia local, tendo em vista que Russas conta com a presença de inúmeras cerâmicas, uma fábrica de calçados da Dakota Nordeste e empresas de grande porte se instalaram na cidade, como o Mix Mateus, que foi inaugurado em 2024 e possui uma área de vendas de 2.670 m²; a Agrocera, indústria de cera de carnaúba; e o Parque Solar Lagoinha, primeiro parque de energia solar greenfield desenvolvido pela CGN Brasil. Além disso, o Município conta com órgãos administrativos do governo federal (RF, PRF, DNIT e INSS) e estadual (DETRAN, SEFAZ, CREDE 10 e PEFOCE), que acaba aumentando o fluxo de pessoas residentes em outras cidades.
Agricultura Na área da agricultura, o Projeto Irrigado Chapadão de Russas foi criado para potencializar a economia e torná-la uma das mais prósperas do Nordeste. É o maior projeto irrigado do nordeste juntamente com perímetro irrigado do vale do São Francisco. O projeto tabuleiro de Russas possui 20 mil hectares de área irrigável.O Perímetro Irrigado Tabuleiros de Russas está localizado nos municípios de Russas, Limoeiro do Norte e Morada Nova, mais precisamente no baixo vale do Jaguaribe, na chamada zona de Transição Norte dos Tabuleiros de Russas. A área é constituída por uma faixa contínua de terras agricultáveis ao longo da margem esquerda do Rio Jaguaribe, entre a cidade de Russas e a confluência do rio Banabuiú, região nordeste do Estado do Ceará. São as seguintes, as suas coordenadas geográficas: latitude Sul 5o 37‟ 20”, longitude Oeste 38o 07‟ 08” e altitude de 81,50 m acima do nível do mar.
O acesso ao perímetro se dá pela BR-116, que margeia o limite leste da área e segue, paralela ao Rio Jaguaribe, alcançando a cidade de Russas e Limoeiro do Norte.
A distância rodoviária do Perímetro Irrigado Tabuleiros de Russas: Porto do Pecém 210 km, Fortaleza 160 km; Recife 642 km; Salvador 1.197 km; Brasília 2.811 km, Rio de Janeiro 2.651 km e São Paulo 2.902 km.
Juntamente com o Perímetro de Irrigação Baixo Acaraú, é um dos perímetros públicos irrigados mais modernos do País, ainda em processo de formação.
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