Maurício Matos Peixoto (Fortaleza, 15 de abril de 1921 – Rio de Janeiro, 28 de abril de 2019) foi um engenheiro e matemático brasileiro. Foi presidente do CNPq, da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). Foi também um dos pioneiros mundiais nos estudos da estabilidade estrutural. Em 1969 recebeu o Prêmio Moinho Santista em reconhecimento aos seus estímulos à produção intelectual brasileira. Em 1997, recebeu o Prêmio de Matemática da Academia Mundial de Ciências (TWAS).
Biografia Nascido em Fortaleza, em 1921, filho de José Carlos de Matos Peixoto, governador do Ceará e de Violeta Rodrigues Peixoto. Depois da revolução de 1930, a família foi forçada a se mudar para o Rio de Janeiro. Maurício se interessou pela matemática depois de ser reprovado nela na escola, aos 11 anos, já morando no Rio de Janeiro e estudando no Colégio Pedro II. Assim começou a fazer aulas de reforço particulares, onde acabou se decidindo por uma formação na área.
Por não existir cursos no Brasil na época voltados para a formação em matemática, Maurício ingressou em engenharia, na Escola de Engenharia da atual Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).
Vida pessoal Foi na universidade que ele conheceu sua primeira esposa, a também matemática Marília Chaves Peixoto, com quem se casou em 1946. Separado, casou-se mais duas, tendo ao todo quatro filhos. Foi na universidade que ele conheceu Leopoldo Nachbin, com quem viria a fundar o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) em 1953, ao lado de Lélio Gama.
Peixoto era amigo do matemático Cândido Lima da Silva Dias, ambos debatiam sobre política e matemática.
Carreira Mesmo sendo engenheiro de formação, Maurício nunca exerceu a profissão. Passou a lecionar matemática, tendo a cadeira da disciplina na mesma escola de engenharia onde estudou e depois se tornou livre docente em Mecânica Racional. Foi visitante na Universidade de Chicago entre 1949 e 1951. Peixoto enviou uma carta a Solomon Lefschetz, pesquisador com grande interesse na estabilidade estrutural que o incentivou a tentar uma posição como pesquisador associado em Princeton. Assim, com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), atuou na Universidade de Princeton entre 1957 e 1958 e continuou sua pesquisa em no Instituto de Pesquisa para Estudos Avançados em Baltimore até 1959.
Em 1953, ao lado de Leopoldo Nachbin e Lélio Gama, fundou o Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada. No mesmo ano, orientou um grupo de estudos avançados na Universidade do Brasil, atual UFRJ e, em 1962, envolveu-se na organização do Primeiro Colóquio Brasileiro de Matemática. Durante a década de 1960, Maurício lecionou na Universidade Brown, nos Estados Unidos. Ao retornar ao Brasil, nos anos 1970, foi para a Universidade de São Paulo, onde lecionou no Instituto de Matemática e Estatística (IME-USP, atualmente Instituto de Matemática, Estatística e Ciência da Computação).
Maurício foi presidente do CNPq entre 1979 e 1980, da Academia Brasileira de Ciências e da Sociedade Brasileira de Matemática (SBM). Em 1969 recebeu o Prêmio Moinho Santista em reconhecimento aos seus estímulos à produção intelectual brasileira. Em 1997, recebeu o Prêmio de Matemática da Academia Mundial de Ciências (TWAS). Em 1987, Peixoto foi premiado pela Academia de Ciências do Terceiro Mundo, "por seus estudos fundamentais e pioneiros da estabilidade estrutural em sistemas dinâmicos, em particular, por provar que fluxos superficiais são genericamente estáveis". Também possui associações com a Sociedade Americana de Matemática, Academia de Ciências do Estado de São Paulo e Academia das Ciências de Lisboa.
Em 1974, foi o segundo brasileiro palestrar como convidado no Congresso Internacional de Matemáticos (ICM), em Vancouver, no Canadá, sendo que o primeiro havia sido o amigo de longa data, Leopoldo Nachbin, em Estocolmo, na Suécia, em 1962. Foi palestrante convidado do Congresso Internacional de Matemáticos (ICM) em Vancouver (1974), o segundo brasileiro a palestrar no ICM depois de Leopoldo Nachbin.
Pesquisa e estudos Maurício desenvolveu o Teorema de Peixoto, que caracteriza os campos de vetores estruturalmente estáveis em variedades compactas de dimensão, relacionado a Sistemas Dinâmicos, estudo considerado um marco na matemática brasileira e mundial. Foi também um dos pioneiros mundiais nos estudos da estabilidade estrutural.
Os estudos de Peixoto sobre a estabilidade estrutural de fluxos em superfícies inspirou a pesquisa para as equações diferenciais da geometria clássica de superfícies e para as equações diferenciais descontínuas.
Morte Maurício morreu na cidade do Rio de Janeiro, em 28 de abril de 2019, aos 98 anos. A causa da morte não foi divulgada.
Ligações externas O Teorema de Peixoto: Estudo foi pioneiro em estabilidade estrutural de sistemas dinâmicos no Ciência Hoje (versão arquivada no archive.org) Perfil no site da Academia Brasileira de Ciências
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