Christian Wolff (também conhecido como Wolfius; enobrecido como Christian Freiherr von Wolff em 1745; 24 de janeiro de 1679 – 9 de abril de 1754) foi um polímata e filósofo alemão. Wolff é caracterizado como o mais eminente filósofo alemão entre Leibniz e Kant. A sua obra abrangeu quase todos os assuntos acadêmicos da sua época, expostos e desenvolvidos de acordo com o seu método matemático demonstrativo-dedutivo, que alguns consideram o auge da racionalidade iluminista na Alemanha.

Wolff escreveu em alemão como sua principal língua de instrução acadêmica e pesquisa, embora tenha traduzido suas obras para o latim para seu público europeu transnacional. Um dos pais fundadores, entre outros campos, da ciência da administração pública, da psicologia, da estética como disciplinas acadêmicas independentes, bem como pioneiro e influente em outros campos como a matemática, física, economia e a filosofia da linguagem.

Foi o filósofo que mais contribuiu à modernização da academia alemã e à popularização da filosofia em língua vernácula. Seus livros-textos tiveram várias edições enquanto vivo e muitos de seus estudantes ocuparam cargos em universidades alemãs. Nas faculdades de filosofia do século XVIII, surgiram facções pró e anti-Wolff. Sua filosofia acessível ao público também repercutiu de forma notória sobre mulheres filósofas e divulgadoras de seu pensamento. Devido ao seu impacto cultural, recebeu o título de "educador da nação alemã" (praeceptor Germania), mas seu pensamento se disseminou também por vários países da Europa. Vida Wolff nasceu em Breslau, Silésia (hoje Wrocław, Polônia), em uma família modesta. Ele estudou matemática e filosofia natural na Universidade de Jena, em 1699. Em 1702, defendeu em Leipzig uma dissertação (Philosophia practica universalis mathematica methodo conscripta) sobre o método matemático para a resolução de problemas da filosofia prática.

Em 1703, ele se qualificou como Privatdozent na Universidade de Leipzig, onde lecionou até 1706, quando foi chamado como professor de matemática e filosofia natural na Universidade de Halle, após ter sido recomendado por Gottfried Leibniz. Ambos Wolff e Leibniz mantiveram uma correspondência epistolar.Leibniz to Christian Wolff (selections) - Leibniz Translations.

Em 1716, Wolff casou-se com Katharina Maria Brandis, filha de um governador de condado. De vários filhos, apenas seu filho Ferdinand, nascido em 1722, sobreviveu a ele.Wuttke, Heinrich (ed.) (1841). Christian Wolffs eigene Lebensbeschreibung. Leipzig. p. 79 em diante.

Em Halle, Wolff restringiu-se inicialmente à matemática, mas com a saída de um colega, acrescentou a física e logo incluiu todas as principais disciplinas filosóficas.miniaturadaimagem| Placa de cerâmica de Delft com chinoiserie, século XVIIEntretanto, as alegações de Wolff em nome da razão filosófica pareciam ímpias para seus colegas teólogos. Halle foi a sede do pietismo, que, após uma longa luta contra o dogmatismo luterano, assumiu as características de uma nova ortodoxia. O ideal professado por Wolff era basear verdades teológicas em evidências matematicamente certas. A contenda com os pietistas eclodiu abertamente em 1721, quando Wolff, por ocasião de sua renúncia ao cargo de pró-reitor, fez um discurso "Sobre a filosofia prática dos chineses" (tradução inglesa de 1750), no qual elogiou a pureza dos preceitos morais de Confúcio, apontando-os como uma evidência do poder da razão humana para alcançar a verdade moral por seus próprios esforços. Em 12 de julho de 1723, Wolff deu uma palestra para estudantes e magistrados no final de seu mandato como reitor. Wolff comparou, com base nos livros dos missionários flamengos François Noël (1651–1729) e Philippe Couplet (1623–1693), Moisés, Cristo e Maomé com Confúcio.

Segundo Voltaire, o Prof. August Hermann Francke estava dando aulas em uma sala de aula vazia, mas Wolff atraiu com suas palestras cerca de 1.000 alunos de todo o mundo.

Wolff também enfrentava críticas à sua filosofia por teólogos ortodoxos e pietistas, além do mais, pelos mesmos motivos que Leibniz fora antes criticado: devido à aplicação do método matemático para outras áreas; devido à afirmação de que este era o melhor dos mundos possíveis; e devido à proposição de explicações mecânicas do universo e da harmonia pré-estabelecida. Wolff, porém, foi atacado mais diretamente do que Leibniz, devido a acusações de que o alegado determinismo leibniziano-wolffiano ameaçaria o livre-arbítrio e a responsabilidade moral.

Wolff foi acusado por Francke de fatalismo e ateísmo, e afastado em 1723 de sua primeira cadeira em Halle, em um dos dramas acadêmicos mais celebrados do século XVIII. Seus sucessores foram Joachim Lange, um pietista, e seu filho, que ganhou a atenção do rei Frederico Guilherme I. Eles alegaram ao rei que se o determinismo de Wolff fosse reconhecido, nenhum soldado que desertasse poderia ser punido, pois ele teria agido apenas como era necessariamente predeterminado que ele deveria, o que enfureceu tanto o rei que ele imediatamente privou Wolff de seu cargo e ordenou que Wolff deixasse o território prussiano em 48 horas, caso contrário seria enforcado. Posteriormente, o rei proibiu que os livros de Wolff fossem utilizados ou ensinados na Prússia. esquerda|miniaturadaimagem|Retrato de c. 1735 na Universidade de Marburgo No mesmo dia, Wolff passou para a Saxônia e logo seguiu para Marburg, Hesse-Kassel, para cuja universidade (a Universidade de Marburg) ele havia recebido um chamado antes mesmo desta crise, que agora fora renovado. O Landegrave de Hesse o recebeu com todas as marcas de distinção, e as circunstâncias de sua expulsão atraíram atenção universal para sua filosofia. Foi discutido em toda a parte, e mais de duzentos livros e panfletos apareceram a favor ou contra ele antes de 1737, sem contar os tratados sistemáticos de Wolff e seus seguidores.

Segundo Jonathan I. Israel, "o conflito tornou-se um dos confrontos culturais mais significativos do século XVIII e talvez o mais importante do Iluminismo na Europa Central e nos países bálticos antes da Revolução Francesa".

Não havia muita liberdade de pensamento no Império Germânico do início do século XVIII. Outra intensa controvérsia ocorreu em 1735, quando foi feita uma tradução wolffiana da Bíblia por Johann Lorenz Schmidt, a chamada Bíblia de Wertheim, que provocou mais de 100 escritos a favor ou contra no meio teológico. Esse caso foi utilizado por Joachim Lange, o maior rival teológico de Wolff em Halle, para propor o banimento da filosofia de Wolff em todos os estados do Império Germânico.

Em 1736, a corte em Berlim livrou a filosofia de Wolff das acusações de Lange, porém sugeriu o banimento da Bíblia de Wertheim na Prússia. O tradutor da Bíblia foi processado e ameaçado de prisão perpétua, tendo que viver como foragido pelo resto de sua vida. Outros filósofos wolffianos foram perseguidos pelos teólogos: Johann Christoph Gottsched foi forçado a parar de ensinar a filosofia de Wolff, e outros wolffianos encararam tribunais, como Wolf Balthasar Adolph von Steinwehr e Friedrich Otto Mencke. Bernhard Bilfinger, Jakob Hermann e Samuel König tiveram que encontrar cargos fora do Império Germânico.

Nesse ínterim, houve grande entusiasmo de estudantes de graduação que divulgavam as propostas de Wolff, bem como o surgimento de jornais e sociedades wolffianas independentes das instituições estatais e eclesiásticas.

O príncipe herdeiro prussiano Frederico defendeu Wolff contra Joachim Lange e ordenou ao ministro berlinense Jean Deschamps, um ex-aluno de Wolff, que traduzisse Vernünftige Gedanken von Gott, der Welt und der Seele des Menschen, auch allen Dingen überhaupt para o francês. Frederico propôs enviar uma cópia de Logique ou réflexions sur les forces de l'entendement humain a Voltaire em sua primeira carta ao filósofo de 8 de agosto de 1736. Em 1737, a Metafysica de Wolff foi traduzida para o francês por Ulrich Friedrich von Suhm (1691–1740). Voltaire teve a impressão de que o próprio Frederico havia traduzido o livro. miniaturadaimagem|245x245px|Placa em edifício em Wrocław (Breslau), onde Wolff nasceu e viveu, 1679–99 Em 1738, Frederico Guilherme começou o árduo trabalho de tentar ler Wolff.MacDonogh, G. (1999) Frederick the Great, p. 129. Em 1740, Frederico Guilherme morreu, e um dos primeiros atos de seu filho e sucessor, Frederico, o Grande, foi adquiri-lo para a Academia Prussiana.MacDonogh, G. (1999) Frederick the Great, p. 134. Wolff recusou, mas aceitou em 10 de setembro de 1740 uma nomeação em Halle.

Com fama e prestígio, Wolff foi recebido como herói pelo povo. Sua entrada na cidade em 6 de dezembro de 1740 assumiu o caráter de uma procissão triunfal. Em 1743, tornou-se chanceler da universidade e, em 1745, recebeu o título de Freiherr (Barão) do Eleitor da Baviera, possivelmente o primeiro acadêmico a ser criado Barão hereditário do Sacro Império Romano com base em seu trabalho acadêmico.

Quando Wolff morreu em 9 de abril de 1754, ele era um homem muito rico, devendo quase inteiramente sua renda às taxas de palestras, salários e royalties. Ele também foi membro de muitas academias. Sua escola, a dos wolffianos, foi a primeira escola no sentido filosófico a ser associada a um filósofo alemão. Dominou a Alemanha até a ascensão do kantismo.

Obra científica e filosófica O pensamento de Wolff era em grande parte original, não sendo apenas uma reformulação das ideias de Leibniz ou um primórdio da filosofia crítica kantiana.

Os manuais de matemática de Wolff foram os primeiros a abranger todo o campo da época e que estabeleceram um vocabulário padrão em alemão, adotado em todas as universidades e que continua atual até hoje. O impacto foi ainda maior na filosofia, em que ele também estabeleceu a terminologia convencional com suas obras publicadas entre 1713 e 1726. Quando ele começou a publicar seu sistema filosófico em latim, após sua expulsão de Halle, atraiu alunos de toda Europa.

Wolff foi um dos grandes criadores de sistemas filosóficos. Embora a metafísica ocupe uma pequena proporção em relação ao conjunto de sua obra, ela abrange seis volumes, incluindo Ontologia, Cosmologia e Teologia Natural e os volumes de psicologia. A estrutura metafísica foi baseada em grande parte em tradições da filosofia escolástica, porém ela foi inovadora ao dar grande ênfase à psicologia.

A filosofia wolffiana tem uma insistência marcante em todos os lugares em uma exposição clara e metódica, confiando no poder da razão para reduzir todos os assuntos a essa forma. Ele se destacou por escrever cópias em latim e alemão. Por meio de sua influência, o direito natural e a filosofia eram ensinados na maioria das universidades alemãs, em particular naquelas localizadas nos principados protestantes. Wolff acelerou pessoalmente a introdução delas em Hesse-Cassel.

O sistema wolffiano mantém a harmonia pré-estabelecida e o otimismo de Leibniz, mas a monadologia recua para segundo plano, com as mônadas se desintegrando em almas ou seres conscientes, por um lado, e meros átomos, por outro.

Wolff dividiu a filosofia em uma parte teórica e uma parte prática. A lógica, às vezes chamada de philosophia rationalis, constitui a introdução ou propedêutica de ambas. Os pontos de partida para uma primeira dedução de seu sistema foram a alma, corpo e Deus (criador dos dois primeiros), que definiriam os campos de estudo da psicologia, física e teologia. A partir disso, ele estabelece a ciência do ser comum a todas as coisas, a ontologia; a ciência das coisas do mundo em geral e dos mundos possíveis, a cosmologia; e enfim a filosofia prática, sobre os usos do homem na escolha do bem. Depois, segundo uma necessidade de ordenar essas áreas por meio do método matemático, ele segue a seguinte orientação: a lógica, em primeiro lugar; seguida da metafísica, da filosofia prática e da física.