Saneamento reúne os serviços e as práticas que mantêm a água para consumo segura e separam as pessoas dos excrementos e das águas residuais, desde o uso do banheiro até o destino final do esgoto. A lavagem das mãos com sabão e o manejo seguro dos resíduos ajudam a interromper a transmissão de doenças como diarreia, cólera e hepatite A.
Os excrementos podem seguir por uma rede de esgoto ou permanecer em instalações no próprio terreno. Em qualquer dos casos, é preciso cuidar da coleta, do transporte quando necessário, do tratamento e da disposição final. Parte da água, dos nutrientes e da energia presentes nos resíduos pode ser recuperada com segurança.
O acesso ao saneamento é acompanhado em níveis que vão da defecação a céu aberto aos serviços geridos de forma segura. A água e o saneamento são direitos humanos reconhecidos pela Assembleia Geral das Nações Unidas e integram as metas do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 6. Em 2024, 3,4 bilhões de pessoas ainda não dispunham de saneamento gerido de forma segura. A falta do serviço afeta a saúde, a privacidade e a segurança das pessoas.
Definição e alcance
A palavra "saneamento" pode ter alcance diferente conforme o país ou a organização que a emprega. A Organização Mundial da Saúde usa a seguinte definição:
"Saneamento geralmente se refere ao fornecimento de instalações e serviços para a disposição segura da urina e das fezes humanas. A palavra 'saneamento' também se refere à manutenção de condições higiênicas por meio de serviços como coleta de lixo e disposição de águas residuais."
miniatura|esquerda|upright=1.0|alt=Animação com ilustrações de sanitários, pessoas e manejo de excrementos|A proteção não termina no banheiro: os excrementos ainda precisam de coleta e destino seguros.
Quando abrange todo o serviço, o saneamento reúne o manejo de excrementos humanos, a coleta e o tratamento de águas residuais em estações de tratamento, a gestão de resíduos sólidos e a drenagem da chuva por galerias pluviais. No setor de água, saneamento e higiene, conhecido pela sigla inglesa WASHA sigla vem de water, sanitation and hygiene. Em português, reúne água, saneamento e higiene. É comum em relatórios internacionais., a palavra costuma ter um sentido mais restrito, centrado no manejo de excrementos.
O manual Humanitarian Charter and Minimum Standards in Humanitarian Response, da organização Sphere, estabelece padrões mínimosSão condições básicas esperadas numa resposta humanitária. Servem como ponto de partida, não como descrição de um serviço ideal. para quatro setores de resposta em operações de ajuda humanitária. Um deles é "abastecimento de água, saneamento e promoção da higiene", que abrange promoção da higiene, abastecimento de água, manejo de excrementos, controle de vetores, gestão de resíduos sólidos e ações de WASH em surtos de doenças e unidades de assistência médica.
Ao incluir a promoção da higiene, o Conselho Colaborativo de Abastecimento de Água e Saneamento definia o serviço como "a coleta, o transporte, o tratamento e a disposição ou reutilização de excrementos humanos, águas residuais domésticas e resíduos sólidos, acompanhados da promoção da higiene". Mesmo assim, é comum encontrar as expressões "saneamento" e "gestão de águas residuais" lado a lado.
O manual de orientação do Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido para programas de abastecimento de água e saneamento, publicado em 1998, adotou uma definição mais restrita:
"Para os fins deste manual, a palavra 'saneamento', quando usada sozinha, significa o manejo seguro dos excrementos humanos. Abrange o 'hardware', como latrinas e redes de esgoto, e o 'software', como regulação e promoção da higiene, necessários para reduzir a transmissão de doenças pela via fecal-oral. Abrange também a reutilização e a disposição final dos excrementos humanos. A expressão saneamento ambiental é usada para o conceito mais amplo de controle de todos os fatores do ambiente físico capazes de prejudicar a saúde e o bem-estar humanos. Nos países em desenvolvimento, normalmente inclui drenagem, gestão de resíduos sólidos e controle de vetores, além das atividades abrangidas pela definição de saneamento."
Dentro de casa, o saneamento pessoalAqui, o cuidado pessoal diz respeito à pessoa e à casa. O coletivo abrange serviços usados por toda a comunidade, como a limpeza das ruas. pode envolver o manejo de resíduos da higiene menstrual, a limpeza de vasos sanitários domésticos e a gestão dos resíduos da residência. Fora de casa, há coleta e tratamento de resíduos sólidos urbanos, limpeza de ralos, ruas, escolas, trens e espaços públicos, manutenção de banheiros comunitários e públicos e de redes de esgoto, além da operação de estações de tratamento. Quem realiza essas tarefas para outras pessoas trabalha no setor de saneamento.
Saneamento ambiental
miniatura|direita|upright=0.9|alt=Pessoa realizando limpeza em uma área externa|Ruas e espaços coletivos também precisam de limpeza e manejo dos resíduos.
O saneamento ambiental procura reduzir os riscos à saúde presentes no ambiente físico por meio da gestão de resíduos sólidos, do tratamento de água, águas residuais e resíduos industriais e do controle da poluição sonora. A definição ampla alcança outros fatores do ambiente físico capazes de prejudicar o desenvolvimento, a saúde ou a sobrevivência das pessoas. Seu objetivo é proteger a saúde pública.
Finalidades e funcionamento
miniatura|esquerda|upright=1.2|alt=Mapa temático mundial do indicador de água e saneamento do índice ambiental de 2016|No índice ambiental de 2016, o acesso à água e ao saneamento compôs a avaliação da saúde ambiental.
O saneamento busca oferecer um ambiente de vida saudável, proteger recursos naturais como água superficial, água subterrânea e solo e garantir segurança, privacidade e dignidade durante a defecação e a micção.
O percurso dos excrementos
miniatura|direita|upright=0.9|alt=Trabalhadores ligando mangueiras para retirar lodo de uma fossa|O lodo retirado de uma fossa ainda precisa ser transportado até o tratamento.
Para que o banheiro proteja a saúde, o material retirado dele também precisa receber um destino seguro. Isso depende da gestão de lodo fecal, das redes e das estações de tratamento, conforme o tipo de serviço. A cadeia inclui a experiência do usuárioÉ o que a pessoa encontra ao usar o serviço: acesso, privacidade, limpeza e facilidade de uso., os métodos de coleta de excrementos e águas residuais, o transporte e o tratamento dos resíduos e sua reutilização ou disposição final. O aproveitamento da água, dos nutrientes, da energia ou da matéria orgânica presentes nos resíduos faz parte da chamada "cadeia de valor do saneamento" ou "economia do saneamento".
miniatura|esquerda|upright=1.0|alt=Diagrama das etapas de coleta, transporte, tratamento e disposição ou reutilização de excrementos|O manejo seguro acompanha os excrementos desde a coleta até o tratamento e o destino final.
A separação entre pessoas e excrementos começa no banheiro e precisa continuar depois que o material sai dali. Quando existe rede de esgoto, os excrementos são transportados com as águas residuais e, para que o serviço seja considerado gerido de forma segura, precisam receber tratamento. Nos sistemas sem rede, podem permanecer em uma fossa ou latrina, ser tratados e dispostos com segurança no próprio terreno ou ser retirados e levados para tratamento em outro local. No caso das águas residuais, o tratamento procura remover poluentes e reduzir microrganismos causadores de doenças antes do lançamento no ambiente.
Planejamento e operação dos serviços
miniatura|esquerda|upright=0.85|alt=Trabalhador instalando um trecho de tubulação de esgoto|Uma rede de esgoto precisa ser construída, operada e mantida para funcionar.
O projeto das instalações precisa levar em conta as pessoas que vão usá-las, os recursos disponíveis e as condições do lugar. As tecnologias podem recorrer a estruturas centralizadasNesses sistemas, os resíduos de muitos imóveis seguem para uma instalação comum. Uma solução local fica perto de onde os resíduos são gerados. de engenharia civil, como redes de esgoto, tratamento de esgoto, tratamento de escorrência superficial e aterros sanitários, destinadas a águas residuais e resíduos sólidos urbanos. Onde não há rede, uma latrina de fossa ou outro sanitário sem descarga pode integrar um sistema local.
A escolha de um banheiro, uma rede ou uma estação de tratamento vem acompanhada de decisões sobre construção, manutenção, financiamento e fiscalização. Também é preciso reunir dados que permitam acompanhar se o serviço é seguro. Para verificar o manejo seguro, os dados sobre os banheiros domiciliares precisam ser combinados, conforme o sistema, com informações sobre esvaziamento, transporte e tratamento.
Profissionais do saneamento
miniatura|direita|upright=0.8|alt=Participantes de um mutirão de limpeza em área aberta|A limpeza dos espaços compartilhados depende de equipes e da participação dos moradores.
Nos serviços de saneamento trabalham trabalhadores de saneamento, coletores de resíduos e engenheiros sanitaristas. O trabalho pode envolver planejamento, construção e operação de redes e instalações, coleta de resíduos, limpeza de espaços públicos e manutenção de banheiros, fossas, redes de esgoto e estações de tratamento.
Gestão de riscos e monitoramento
miniatura|esquerda|upright=0.95|alt=Vídeo sobre trabalhadores de saneamento na Índia|Trabalhadores de saneamento lidam com riscos à saúde ao coletar e transportar resíduos.
Ao planejar a segurança do serviço, as equipes procuram os pontos em que pode haver contato com excrementos ou águas residuais e definem como controlar esses riscos. O acompanhamento vai da coleta ao tratamento e à disposição ou reutilização. A abordagem pode ser aplicada a diferentes sistemas com a participação das autoridades de saúde, de quem presta o serviço e de quem opera as instalações.
miniatura|direita|upright=1.0|alt=Quatro recipientes com amostras de águas em diferentes etapas de tratamento|Comparar amostras ao longo do tratamento ajuda a acompanhar a qualidade da água.
A análise de amostras de água, solo e lodoSão pequenas porções de água, solo ou lodo recolhidas para análise. O resultado ajuda a avaliar o local de onde vieram. pode usar organismos indicadores para detectar contaminação por fezes. A análise bacteriológica da água costuma usar a bactéria Escherichia coli, abreviada como E. coli, e coliformes fecais inespecíficos. Em amostras de solo, lodo de esgoto, biossólidos ou matéria fecal de sanitários secos, ovos de helmintos são indicadores frequentes. Depois de separar os ovos da amostra, um teste distingue os que ainda podem se desenvolver dos inviáveisUm ovo viável ainda pode se desenvolver. Um ovo inviável não pode, e a contagem separa os dois grupos.. Conta-se, então, quantos ovos viáveis havia no material analisado.
A análise do esgoto também pode ajudar a acompanhar a circulação de agentes causadores de doenças na população. Onde há rede, colhem-se amostras de esgoto. Em locais sem rede, podem ser examinadas águas afetadas pelas atividades humanas.
Sistemas e abordagens para o manejo de excrementos
miniatura|esquerda|upright=1.1|alt=Gráfico da proporção da população atendida por diferentes sistemas de saneamento|A população é atendida por sistemas com rede ou por instalações no próprio terreno.
Alguns sistemas cuidam apenas dos excrementos humanos, enquanto outros também recebem águas cinzasSão águas usadas em pias, chuveiros e lavanderias, sem o conteúdo do vaso sanitário. Mesmo assim, precisam de manejo adequado., água pluvial e resíduos sólidos. Nomes como "saneamento seco" e "saneamento no local" chamam a atenção para características diferentes, como o uso de água, o lugar do tratamento, a coleta ou a forma de organizar o serviço. Um mesmo sistema pode pertencer a mais de uma dessas categorias.