O telescópio espacial CoRoT foi um telescópio espacial que fez parte de uma missão astronômica e astrofísica que observou 120 mil estrelas dentro do disco da Via Láctea, com dois objetivos principais:
Descobrir novos planetas extrassolares a partir da detecção de trânsitos planetários; Estudar a rotação e a convecção nas estrelas através da sismologia estelar.
O CoRoT pretende ser a primeira missão científica a detectar planetas extrassolares do tipo terrestre além de obter dados para uma melhor compreensão dos fenômenos da rotação diferencial e da convecção em estrelas.
O acrônimo CoRoT (pronuncia-se "corrô") vem justamente da fusão dessas três palavras: COnvecção + ROtação + Trânsitos. Mas também é homônimo de Jean-Baptiste Camille Corot (1796-1875), pintor parisiense que foi um dos grandes nomes da transição entre o classicismo e o impressionismo nas artes plásticas, um nome adequado para uma missão que pretende pintar um novo quadro na astronomia moderna.
O projeto CoRoT foi desenvolvido pela Agência Espacial Francesa (CNES), em conjunto com vários laboratórios franceses e parceiros internacionais, incluindo o Brasil.
O satélite pesa 630 kg, mede 4,1 metros de comprimento e 2,0 metros de diâmetro, tendo sido lançado por um foguete russo em dezembro de 2006 entrando em órbita circular polar a 896 km de altitude. O satélite porta um telescópio que, durante os dois anos e meio previstos para a duração da missão, realizará observações em direções perpendiculares ao seu plano orbital, evitando a interferência da luz refletida pela Terra. Durante o verão no hemisfério norte observará uma região do céu perto da constelação de Serpens. Durante o inverno no hemisfério norte observará numa região do céu na direção oposta, nas proximidades da constelação de Monoceros.
História O projeto do satélite CoRoT foi proposto em 1994 por cientistas e engenheiros do CNES.
A missão principal do satélite era analisar pulsações de estrelas.
A pesquisa por planetas extrassolares era então um objetivo secundário da missão.
Como missões espaciais possuem um custo relativamente alto e a sismologia estelar não é uma das áreas de maior prioridade em astronomia, por diversas vezes, o projeto CoRoT foi ameaçado de ser cancelado ou ter seu orçamento reduzido.
Por este motivo, a missão CoRoT adotou a pesquisa por planetas extrassolares como seu objetivo principal, já que esta área é uma das prioridades da pesquisa na astronomia moderna e goza de grande interesse por parte do grande público. Isto assegurou uma melhor promoção do projeto junto às autoridades governamentais e garantindo sua execução. O estudo das pulsações estelares passou a ser o objetivo número dois da missão.
O "mestre de obras" é o Centre National d´Études Spatiales (CNES), a agência espacial francesa, que financiou cerca de 70% dos custos da missão, em cooperação com a Agência Espacial Europeia (ESA), a Alemanha, a Espanha, a Áustria, a Bélgica e o Brasil. O custo total do projeto foi de 170 milhões de euros. O satélite foi construído pela Alcatel Alenia Space.
O CoRoT foi lançado em 27 de dezembro de 2006 por um foguete Soyuz 2.1.B do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão. A missão foi projetado para durar dois anos e meio, mas em 2012, CNES tinha estendido operações até 2016 poucos dias antes da anomalia de 2 de novembro que colocou um ponto final na missão.Scientists losing hope of reviving French telescope por STEPHEN CLARK em 4 de janeiro de 2013 (SPACEFLIGHT NOW) Durante a missão, o CoRoT recolheu quase de luz" (variação com o tempo de o brilho de uma estrela). Os alvos eram poucas estrelas brilhantes (160) observadas com grande precisão, e mais de mais fracas para detectar um número razoável de planetas extrassolares, descobrir e interpretar as vibrações de muitas estrelas, mas também tratar muitas outras questões de física estelares tais como atividade, rotação, sistema binário, etc.The main stages of the project - The satellite's mission lasted 2,137 days
Descrição do satélite O satélite pesa 630 kg, mede 4,1 metros de comprimento e 2,0 metros de diâmetro.
A energia necessária para seu funcionamento é obtida através de dois painéis solares que fornecem uma potência de 530 W.
O satélite utiliza uma plataforma Proteus, desenvolvida pela Alcatel. Sua carga útil de 300 kg é composta de um telescópio refletor, afocal, com um espelho primário de 29 cm de diâmetro, acoplado a uma câmera de grande abertura (10° de raio) contendo quatro CCDs de 2048 x 2048 pixeis cada, operando na faixa de luz visível e cuja função é medir variações sutis que ocorrem na intensidade da luz das estrelas.
O satélite foi colocado em órbita circular polar, a 896 km de altitude, com um período orbital de 1 hora e 49 minutos. Este tipo de órbita, incomum para um satélite de observação astronômica, impôs inúmeros problemas, sendo um desfio para a missão. A vida útil mínima do CoRoT é estimada em dois anos e meio.
A cada dia, serão transmitidos cerca de 900 Mb de dados para a Terra.
Propósitos da missão Durante seis meses, o CoRoT observará estrelas com magnitudes entre 4,5 e 15,5 em uma região do céu na direção do centro da galáxia. No final deste período, o satélite gira 180° e aponta para uma outra região do céu na direção oposta (na direção do anticentro da galáxia) que observará durante os seis meses seguintes. No final deste período, ele torna a girar 180° para repetir o ciclo de observações.
Nas observações o telescópio capta a luz vinda da direção para onde aponta, formando uma imagem da região observada do céu sobre o plano focal onde estão os quatro detectores CCDs. Cada CCD é um chip quadrado, com menos de 2 cm de lado, contendo uma matriz de 2048 x 2048 pixeis. Cada pixel funciona como um "contador de fótons", que "conta" os fótons que o atinge durante um certo período de tempo, chamado de "tempo de integração". O CoRoT usa tempos de integração de 1 segundo, 32 segundos ou 512 segundos, dependendo do propósito da medida.
No final de cada tempo de integração, as contagens feitas pelos pixeis são lidas pelo sistema de controle do CoRoT. Para se saber qual é a intensidade luminosa de uma estrela durante um tempo de integração, basta somar as contagens dos pixeis sobre os quais se forma a imagem da estrela e convertê-las para unidades adequadas. A curva das medidas em função do tempo é chamada de "curva de luz" da estrela.
Estrelas "normais" apresentam um brilho constante; suas curvas de luz são praticamente uma linha reta. Existem estrelas, chamadas de "estrelas variáveis", cujo brilho não é constante e sim variável. A variabilidade observada pode ter causas intrínsecas ou extrínsecas à estrela. Em outras palavras, ela pode ser causada por processos físicos que estão ocorrendo no interior ou na superfície da estrela, ou por ação de algum agente externo.
Um exemplo de variabilidade com causas intrínsecas são as pulsações periódicas observadas em estrelas pulsantes. O estudo dessas pulsações pode revelar como é o interior dessas estrelas e o que ocorre lá dentro. Um exemplo de variabilidade com causas extrínsecas são os eclipses ou os trânsitos planetários que ocorrem quando um outro corpo celeste, uma outra estrela ou um planeta, passa diante da estrela observada, obstruindo sua luz.
A missão CoRoT possui dois programas científicos principais. Um deles é o programa de "sismologia estelar" que irá estudar estrelas variáveis do tipo pulsante, mas que também procurará por outros tipos de estrelas variáveis, talvez tipos ainda não conhecidos. O outro programa da missão é o programa de "exoplanetas" que procurará por planetas extrassolares, orbitando em torno das estrelas observadas. A grande ambição do programa de exoplanetas é encontrar planetas menos massivos do que os que já foram descobertos até o presente, talvez, planetas com tamanho e massa similares aos da Terra.
Sismologia estelar 220px|thumb|Uma imagem gerada por computador, mostrando o padrão de um oscilação acústica de modo -p, tanto no interior como na superfície do Sol.
Dois dos quatro CCDs são dedicados ao programa de sismologia estelar. Cada um eles observará cinco estrelas pulsantes durante cada período de cinco meses.
Estrelas são esferas de gás ionizado, em equilíbrio, sob efeito de sua própria gravidade. Sob certas condições, alguns tipos de estrelas podem oscilar em modos de pulsação bem específicos de acordo com sua estrutura interna, tal como um instrumento musical ou o próprio globo terrestre. Essas pulsações são causadas por mecanismos físicos que ocorrem no interior dessas estrelas e que as tornam hidrostaticamente instáveis. As pulsações fazem com que o brilho da estrela sofra pequenas variações em relação ao seu nível médio. A análise dessas variações na luz da estrela nos permite inferir uma série de informações sobre sua estrutura interna e sobre os fenômenos físicos que ocorrem em seu interior.
Pulsações deste tipo foram observadas no Sol a cerca de trinta anos atrás. Apesar do Sol estar tão próximo de nós comparado com as outras estrelas, as oscilações solares são difíceis de serem detectadas porque são muitíssimo fracas. Mas, graças aos estudos das oscilações solares, hoje sabemos como o Sol é estruturado por dentro e compreendemos melhor os fenômenos físicos que ocorrem em seu interior e em sua superfície, alguns dos quais, afetam a vida na Terra.
A missão CoRoT pretende estender esse estudo a dezenas de outras estrelas, com massas, idades e composições químicas superficiais diferentes. O desafio é bem maior, porque todas essas estrelas estão centenas de milhares ou até milhões de vezes mais distantes de nós que o Sol, e a luz que chega até nós é muito mais fraca. Mas, o estudo dessas estrelas trará uma enorme quantidade de informações sobre a estrutura e evolução estelar.
Um dos processos físicos que mais interessa aos astrônomos é a convecção. A convecção é um dos mecanismos de transporte de matéria e energia que ocorrem no interior das estrelas. Sob certas condições de temperatura e pressão, porções de matéria estelar em níveis mais profundos aquecem e dilatam subindo como "bolhas" para níveis mais superficiais, tal como ocorre quando a água ferve. Através da convecção, parte da energia térmica produzida em camadas mais profundas da estrela é trazida à superfície. Por outro lado, a "agitação" provocada pela convecção também ajuda a misturar diferentes componentes químicos da matéria estelar.
Outro mecanismo que também participa do processo de mistura de matéria no interior das estrelas é a rotação. De um modo geral, as estrelas não rotam como um corpo rígido, onde qualquer ponto sobre sua superfície ou em seu interior tem a mesma velocidade angular em relação ao eixo de rotação. Nas estrelas, um ponto próximo a um dos polos tem uma velocidade angular diferente de um ponto próximo ao equador. A velocidade angular também depende da posição radial: um ponto sobre o plano do equador, na superfície da estrela, tem uma velocidade angular diferente de um ponto sobre o mesmo plano, mas no interior da estrela. Esse tipo de rotação é chamada rotação diferencial e afeta outros processos físicos que ocorrem no interior estelar, como o processo de estratificação interna, as pulsações, o comportamento magnético, dentre outros.
A partir da análise da luz de dezenas de estrelas pulsantes, os astrônomos pretendem compreender melhor como se dão esses dois processos, a convecção e a rotação e como eles afetam e são afetados por outros processos físicos ao longo da evolução das estrelas. A parte da astronomia que estuda o interior das estrelas a partir das oscilações estelares é chamada de sismologia estelar ou asterosismologia.
Exoplanetas
400px|thumb|Sistema solar em escala. A maioria dos quase 200 exoplanetas descobertos até 2006 (ano do lançamento do CoRoT) são exoplanetas gigantes com tamanhos similares aos de Júpiter e Saturno.