O Campeonato Paulista de Futebol de 1980 foi a 40.ª edição do campeonato organizado pela Federação Paulista de Futebol. O São Paulo foi campeão e o jogador Edmar, do Taubaté, foi o artilheiro, com 17 gols.

A competição durou de 11 de maio de 1980 até 19 de novembro do mesmo ano e contou com a participação de vinte equipes: todas jogavam entre si em dois turnos, com os quatro melhores classificando-se para as semifinais de cada turno e os vencedores desses confrontos, para a final. Os campeões de cada turno enfrentar-se-iam em melhor de quatro pontos, a não ser que um mesmo time vencesse ambos os turnos — nesse caso, ele seria declarado campeão automaticamente.

Primeiro turno A Portuguesa foi o melhor time da primeira fase do primeiro turno, conquistando 29 pontos nos dezenove jogos (doze vitórias, cinco empates e duas derrotas), seguida por Santos, Botafogo e Ponte Preta. A disputa pelas vagas foi tranquila, com Santos e Portuguesa garantindo as suas com antecedência.

O Corinthians impetrou, no final da primeira fase, um recurso no Superior Tribunal de Justiça Desportiva, pedindo os pontos da partida contra a Portuguesa. O jogo estava empatado por 0 a 0 e foi interrompido aos 44 minutos do segundo tempo, quando o árbitro Márcio Campos Sales apitou um pênalti a favor da Portuguesa e a torcida corintiana invadiu o campo do Pacaembu. O recurso, entretanto, foi rejeitado por unanimidade, e foi ratificada a decisão de dar os pontos da partida à Portuguesa — mesmo que o resultado de 0 a 0 tivesse sido mantido, o alvinegro teria ficado de fora das semifinais pelo primeiro critério de desempate, o número de vitórias. O Corinthians já havia sofrido um revés em campo naquele mês ao perder por 1 a 0 para o São Paulo, derrota que não ocorria havia quatro anos

Nas semifinais, a Portuguesa empatou o primeiro jogo com a Ponte Preta, no Morumbi, sem gols, e venceu o segundo, no Pacaembu, por 2 a 0, após cinco anos sem vitória sobre o time campineiro. Na outra série, o Santos venceu o primeiro jogo contra o Botafogo por 5 a 1, no Morumbi, mas, mesmo assim, os ribeirão-pretanos precisavam de uma vitória simples no segundo jogo, no Pacaembu, para forçar uma prorrogação. Esta acabaria por não ser necessária, já que o time da Vila Belmiro venceu por 2 a 0 no tempo normal e classificou-se para enfrentar a Portuguesa na final do turno.

Com a vantagem de poder empatar três vezes (no primeiro jogo, no tempo regulamentar do segundo jogo e em uma eventual prorrogação), a Portuguesa manteria o time e a tática da vitória sobre a Ponte Preta. O Santos também prometia não mudar nada. "Não podemos mudar nossa tática de jogo diante de um adversário como a Portuguesa", avisava o técnico santista, Pepe. "Seria até uma incoerência de minha parte querer mudar numa decisão. Vamos jogar ofensivamente e tentar de todas as maneiras chegar a um resultado positivo, pois a Portuguesa precisa só de empates para ficar com o título [do primeiro turno]." Com um gol logo aos cinco minutos, o Santos venceu o primeiro jogo e pegou para si a vantagem do empate na segunda partida. "Foi um descuido muito grande da nossa defesa", lamentou o goleiro luso Moacir. "E esse descuido acabou sendo fatal, pois daí em diante a defesa deles fechou-se e impediu as nossas penetrações".

Precisando da vitória na segunda partida, o técnico da Portuguesa, Mário Travaglini, avisava que pretendia atacar: "Nós vamos jogar no ataque, mas sem nenhuma alteração no esquema empregado habitualmente, porque basta consultar o retrospecto e perceber que chegamos à disputa do título de campeão do turno justamente atuando no ataque. Temos um dos ataques mais positivos, o Enéas foi o jogador que mais gols marcou, seguido de perto pelo Caio. Então, quando afirmo que vamos para cima do Santos, resolver tudo em 120 minutos, não pretendo uma alteração de esquema, mas que tudo o que foi mostrado no primeiro turno seja posto em prática [na decisão]." Já o Santos chegava confiante, pelas declarações de Pepe, ainda que em tom de brincadeira: "Eu acho que tudo será decidido em noventa minutos, embora o Travaglini fale em prorrogação."

O Santos ganhou novamente, ficando com o título do turno, após boa atuação de Pita. Miro, quase sem querer, abriu o placar para o Santos no primeiro tempo. "Nós estamos cansados de saber que o Santos tem esse tipo de jogada ensaiada em cobranças de escanteio", lamentou Moacir. "Faz tempo que tentam o gol desta maneira, e estávamos precavidos. Mas aconteceu que, no lance, o [zagueiro] Duílio estava fora de campo [sendo atendido pelo médico após choque com Pita]. E justamente ele, que é quem marca a bola nos escanteios." Toquinho empatou no início do segundo tempo, com um gol classificado como "surpreendente" pelo jornal Folha de S.Paulo, mas Claudinho definiria a vitória santista por 2 a 1 três minutos depois. "Chegamos ao título pela seriedade de todo o time", explicava Miro. "Superamos uma porção de comentários e fofocas e, agora, somos campeões deste primeiro turno."

Classificação da primeira fase PosTimePGJVEDGPGCSG1Portuguesa291912523117142Santos271910722913163Botafogo23199552716114Ponte Preta23198743020105Corinthians2219784181266Taubaté20197752023-37Palmeiras2019766221938São Paulo2019766211839São Bento20197661919010Comercial19197572225-311Guarani19196762823512Internacional19195952624213América18195862017314Juventus17196581723-615Ferroviária16194872123-216XV de Jaú15194782029-917Marília141962111529-1418XV de Piracicaba131953111626-1019Francana13193791827-920Noroeste121944111431-17

Semifinais DataPlacar26 de julhoPonte Preta0×0Portuguesa27 de julhoBotafogo1×5Santos30 de julhoPortuguesa2×0Ponte Preta31 de julhoSantos2×0Botafogo

Finais

Santos: Marolla, Nélson, Joãozinho, Márcio Rossini e Washington; Miro, Toninho Vieira e Pita; Nílton Batata, Claudinho (Rubens Feijão) e João Paulo. Técnico: Pepe.

Portuguesa: Moacir, César (Joãozinho), Duílio, Daniel González e Toninho Braga; Zé Mário, Wílson Carrasco e Danival; Toquinho, Caio e Pita. Técnico: Mário Travaglini.

Portuguesa: Moacir, Joãozinho, Daniel González (Cláudio), Duílio e Toninho Braga; Zé Mário, Wílson Carrasco e Danival (Jorge Luiz); Toquinho, Caio e Pita. Técnico: Mário Travaglini.

Santos: Marolla, Nélson, Joãozinho, Márcio Rossini e Washington; Miro, Toninho Vieira e Pita; Nílton Batata, Claudinho e João Paulo. Técnico: Pepe.

Segundo turno Logo na primeira rodada do segundo turno, o São Paulo goleou o Corinthians por 4 a 0, na estreia do zagueiro Oscar. "Oscar, faixa de capitão no braço, foi saudado com uma efusão que espantou até a torcida corintiana, habitualmente mais barulhenta que qualquer outra", descreveu a Folha. O zagueiro, entretanto, acabaria substituído após "um lance violento e desnecessário" de Toninho, do Corinthians, e teve seu tornozelo machucado exibido para fotógrafos no vestiário. Na mesma rodada, o Palmeiras estreou com derrota por 1 a 0 para a Francana, em casa, e o técnico Osvaldo Brandão viu sua permanência no comando técnico do clube ficar difícil. Sua saída seria confirmada no dia seguinte, sendo, segundo a Folha, a primeira vez que ele foi demitido de um clube em sua carreira. Ele foi substituído interinamente por Valdir Joaquim de Moraes, que seguiria acumulando o cargo de treinador de goleiros. Brandão, por sua vez, assumiria o rival Corinthians naquele mesmo mês.

A campanha palmeirense no segundo turno foi um desastre, com cinco derrotas nos seis primeiros jogos e apenas uma vitória nos onze primeiros jogos. Àquela altura, o clube ocupava a penúltima posição da classificação do segundo turno e, embora o rebaixamento ainda fosse pouco provável, o time já estava praticamente fora do Campeonato Brasileiro de 1981, para o qual apenas os seis primeiros colocados do Paulistão de 1980 teriam vaga. O Palmeiras, entretanto, foi tão mal no restante do segundo turno que o rebaixamento só foi matematicamente evitado na penúltima rodada, quando o time empatou por 2 a 2, fora de casa, com o Taubaté depois de estar perdendo por 2 a 0. O gol de Sotter, aos 44 minutos do segundo tempo, "foi comemorado como se representasse uma conquista de título", como descreveu a Folha. "Conseguimos o ponto que viemos buscar", comemorou o técnico Diede Lameiro.

A diretoria passou a prometer "uma profunda reformulação no elenco a curto prazo", apesar de a colocação final palmeirense (16.º lugar) tê-lo deixado bem longe da zona de classificação para a Taça de Ouro de 1981 (o Campeonato Brasileiro). Afinal, o presidente da Federação Paulista, Nabi Abi Chedid, tinha sinalizado que poderia dar ao clube um "convite a clubes fundadores da competição". A ideia, entretanto, foi rejeitada pela CBF, que, pela primeira vez na história, decidiu usar apenas critérios técnicos para definir os participantes de uma edição do torneio nacional, apesar dos protestos da diretoria palmeirense. "Não sei explicar o que aconteceu com o Palmeiras neste ano, mas, em 1968, passamos por fase semelhante e saímos dela para o título do Robertão em 1969", afirmou o vice-presidente do clube, Carlos Facchina Nunes.

A briga pelas quatro vagas nas semifinais do segundo turno estava maior do que havia sido no primeiro. Após nove jogos, o São Paulo liderava, com dezesseis pontos, apenas quatro de vantagem sobre os três clubes que dividiam a quinta colocação (Corinthians, Guarani e Santos). O São Paulo acabaria confirmando sua classificação com antecedência, mas não sem problemas. O contrato do zagueiro Darío Pereyra (que, enfim, tinha encontrado uma posição em que conseguisse se destacar no São Paulo, após três anos no meio-campo, com pouco sucesso) tinha vencido, e havia diferença entre o que ele pedia para renovar e o que o São Paulo oferecia. Além disso, a expulsão de Serginho contra o América, em 16 de outubro, foi avaliada pela diretoria, e ele foi punido, embora a punição não tenha sido divulgada. "A punição já está definida, mas não vamos divulgá-la", afirmou o diretor Jaime Franco. "Ela ocorrerá em nível interno. A verdade é que resolvemos na reunião do departamento de Futebol que Serginho tem de ser advertido. Até agora, estamos tentando entender os problemas dele. Aqui temos estrutura, que outros clubes não têm, para tentar recuperá-lo. Nossa meta é vê-lo no Mundial de 1982."

Em outubro, o lateral Arnaldo, do Juventus, denunciou uma suposta tentativa de suborno de Cláudio Amantini, presidente do Noroeste. Antes da partida entre os dois times, Amantini teria procurado o jogador para oferecer-lhe 120 mil cruzeiros, em troca de "o time do Juventus segurar pelo menos o empate", que seria um bom resultado para os bauruenses na luta contra o rebaixamento. "No momento em que Amantini falou comigo, fiquei calado, surpreso e sem ação", disse Arnaldo à imprensa, após depor na sede da Federação Paulista de Futebol. "Como tenho um nome a zelar e amigos em Bauru, não poderia esconder um fato tão lamentável." No mesmo dia, Amantini compareceu à entidade e defendeu-se: "O Juventus está-se valendo de Arnaldo para desviar as atenções sobre a sua vitória, que foi arranjada pelo juiz." Amantini ainda entrou com uma queixa-crime na polícia contra Arnaldo.

O empate entre Ponte Preta e São Paulo, na penúltima rodada, assegurou a classificação dos campineiros às semifinais e a liderança da primeira fase do returno aos tricolores. No mesmo dia, o Corinthians venceu o Noroeste por 2 a 1 e também garantiu sua classificação. A última vaga seria disputada por Guarani e Internacional, com vantagem para o time de Limeira, que tinha dois pontos a mais. Na parte de baixo da tabela, o XV de Piracicaba, mesmo sem jogar, foi matematicamente rebaixado, após a vitória do Marília sobre o Taubaté por 2 a 1, e sua partida no dia seguinte (derrota para o Juventus por 2 a 1 em casa) foi testemunhada por apenas 684 pagantes. O time que disputaria a repescagem seria definido na última rodada, com a briga restrita a três clubes: Francana (29 pontos), Marília (28) e Noroeste (27).