O Partido Conservador foi um partido político brasileiro do Período Imperial, surgido por volta de 1836. Foi sucessor ideológico direto do Partido Restaurador, reunindo os antigos caramurus (exceto Antônio Francisco de Paula de Holanda Cavalcanti de Albuquerque) com membros dissidentes do Partido Moderado. Também se denominavam regressistas, em contraposição aos progressistas partidários do Padre Diogo Antônio Feijó. O partido abarcava grandes proprietários rurais, ricos comerciantes e altos funcionários do governo.Jeffrey D. Needell, The Party of Order: The Conservatives, the State, and Slavery in the Brazilian Monarchy, 1831-1871 (Stanford University Press, 2006: ISBN 0-8047-5369-5), p. 110. A força política dos conservadores concentrava-se nas províncias do Nordeste. miniaturadaimagem|Painel fotográfico dos membros da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, no biênio 1882-1883, onde se vê a bancada do Partido Conservador e a do Partido Liberal, (Arquivo Público Mineiro).|219x219px Em 1862, um grupo de eminentes membros do Partido Conservador — Pedro de Araújo Lima, José Tomás Nabuco de Araújo Filho, João Lins Vieira Cansanção de Sinimbu, José Antônio Saraiva, João Lustosa da Cunha Paranaguá e Zacarias de Góis — formaram a "Liga Progressista", que a partir de 1868 se uniu ao Partido Liberal, gerando insatisfações dentro deste partido. Em 1870, os liberais "exaltados" do Partido Liberal lançaram o Partido Republicano. Com a Proclamação da República em 1889, o partido foi extinto.
História Antecedentes Após ocorrida a abdicação de Dom Pedro I em 1831, tem-se início o período Regencial e, acompanhado dele, uma considerável descentralização administrativa. Considerada por alguns historiadores como uma experiência republicana, a Regência foi palco de ação de políticos liberais, quer sejam de exaltados ou moderados, e também de revoltas, populares ou não, de cunho contestatório ao governo central. Muitas mudanças ocorreram durante esse período compreendido entre 1831 e 1840. Ainda no ano de 1832, com o Código de Processo Penal é atribuída ampla autonomia administrativa aos municípios e, também, cria-se o chamado habeas corpus, um mecanismo de defesa da liberdade individual, sendo-lhe intrínseco um cunho liberal.
Em 1834, vota-se o Ato Adicional à Constituição de 1824. A partir deste, são criadas as Assembleias Provinciais, extingue-se o Conselho de Estado, concede-se maior autonomia às Províncias, substitui-se a Regência Trina pela Una e, ainda, o Poder Moderador é praticamente esvaziado de seu poder. O projeto de lei, redigido pelo então liberal Bernardo Pereira de Vasconcelos, recebera várias emendas, que acabaram por modificar a essência da primeira redação: objetivava-se implantar no Brasil uma federação aos moldes norte-americanos, haja vista as medidas descentralizadoras e a transferência das atribuições apaziguadoras do poder moderador para o executivo.TORRES, João Camilo de Oliveria. Os construtores do Império: ideias e lutas do partido conservador brasileiroMERCADANTE, Paulo. A consciência conservadora no Brasil. Pois, na visão dos liberais, o quarto poder brasileiro era antidemocrático por ter direito a veto sobre as decisões dos demais, sendo assim prejudicial para a constituição da verdadeira federação no Império.
No ano seguinte, o expoente dos moderados, Diogo Antônio Feijó, torna-se o regente, tendo que controlar as várias rebeliões que eclodiam no território, em especial a Farroupilha. A descentralização, implantada em 1834, mostrava-se como a promotora da anarquia e não da satisfação provincial, como se previa no momento de sua votação. Isso é percebido na fala de Bernardo Pereira de Vasconcelos, em sessão do Senado em 1839: “eu entendi que o Ato Adicional deveria ser aprovado tal qual o redigi e apresentei […]. Não consegui o meu desejo; fizeram-lhe consideráveis emendas que o podem tornar, como eu receava, a carta da anarquia”.SOUZA, Octávio Tarquínio de. Bernardo Pereira de Vasconcelos. In: História dos fundadores do Império do Brasil. p. 147
Além disso, Feijó ainda propagava ideias abolicionistas, considerando que o trabalho escravo deveria ser substituído, progressivamente, por meio da imigração. A ala mais conservadora dos liberais moderados, temendo a abolição, balcanização do território e a desordem gerada pela descentralização administrativa, retira seu apoio a Feijó. Sem maioria na Câmara, o regente é obrigado a renunciar, sendo substituído por Araújo Lima cuja permanência na Regência se dá até a maioridade de D. Pedro de Alcântara.
Início thumb|direita|220x220px|Caricatura de Bernardo Pereira de Vasconcelos, a "enterrar" as conquistas liberais do 7 de abril. A queda de Feijó marca, assim, o início do processo de constituição dos partidos imperiais da primeira metade do século XIX, a saber, o Liberal e o Conservador. Não obstante a ação enquanto representantes no poder legislativo, configura-se uma incorreção considerar os grupos liberal e conservador como partidos na significação completa da palavra, isso porque até 1860 nenhum desses grupos possuía um programa bem definido, nem tão pouco escrito como o Partido Conservador.
Em 1837, portanto, os grupos se distanciam, revelando a capa conservadora de um e a tendência liberal do outro. O grupo conservador constitui-se por moderados pretendentes do restabelecimento da ordem e da centralização administrativa, como também por caramurus que viram suas intenções restauradoras enfraquecidas a partir de 34, momento em que D. Pedro I falece e malogra a tentativa de reinstituí-lo no trono do Brasil.
Os conservadores provinham de grupos ligados à burocracia imperial e, também, de proprietários de terra e escravos que tinham o mercado externo como alvo de sua produção. A estes era necessário um governo central forte, capaz de garantir condições únicas para o escoamento da produção em todas as províncias, além de manter o papel unívoco da administração, traço que conferia uma posição privilegiada aos funcionários imperiais. Uma considerável parte destes possuíam formação superior, em sua maioria, na área jurídica, o que lhes conferia grande capacidade discursiva e características favoráveis à administração: eram bons dirigentes, além de possuírem aliados em todas as frentes, da elite agroexportadora aos detentores do nascente capital burguês.
Os moderados, participantes fervorosos no 7 de abril, contrários aos desmandos de D. Pedro I, fundam um partido conservador, entendendo que o liberalismo se ressignificara no período Regencial. Para eles a facção de Feijó havia “bebido em liberalismo de fontes exageradas”: a descentralização administrativa criava nas províncias uma certa repulsa ao poder central, cujas marcas estavam nas revoltas e no decorrente risco da balcanização do território.
Bernardo Pereira de Vasconcelos, fundador do Partido Conservador, justifica sua mudança utilizando-se dessa mesma tese:
Saquaremas Carregado de um sentimento tradicional manipulador, o termo saquarema é difundido como identificador do Partido Conservador Imperial. A gênese da denominação remonta o ano de 1845, momento em que os liberais compunham o ministério de D. Pedro II.
Em Saquarema, vila da Província do Rio de Janeiro, dois chefes conservadores, proprietários de terra e escravos, libertaram os eleitores do mando do padre, e também subdelegado, José Cêa e Almeida que obrigava estes a votarem nos candidatos do Partido Liberal. Aos protegidos pelos proprietários atribuiu-se o nome de saquaremas, indicativo de proteção e favorecimento. Os liberais, aproveitando-se da ocorrência, disseminaram o termo, visando vingar-se da denominação de luzias, lhes atribuída após sua derrota frente aos conservadores em 1842 na batalha de Santa Luzia. O intento liberal mostrou-se eficaz, pois em 1846, na Província de Pernambuco, um jornal conservador fora batizado como “O Saquarema”.MATTOS, Ilmar R. de. Tempo Saquarema: a formação do estado imperial. 106-107 p.
Organização União Conservadora No final dos anos 1860, Antônio Cândido da Rocha era um dos gestores do grêmio paranaense da União Conservadora. Fundado em junho de 1867 pelas lideranças sociais do Partido Conservador, tal órgão partidário propiciou a consolidação da hierarquia partidária e das regras de absorção e atuação dos correligionários conservadores no interior das províncias.
É necessário salientar que antes da implantação da União Conservadora já existiam diretórios provinciais e municipais do Partido Conservador. Havia, também, um diretório nacional, denominado de Clube Central.
Antes da reorganização administrativa do Partido Conservador, não existiam ritos precisos e transparentes para a definição de candidaturas parlamentares. Por outro lado, tal excerto é uma evidência de que, antes da citada reorganização, o Partido Conservador possuía uma administração central.
O partido não era apenas uma reunião de núcleos administrativos independentes. Essa administração central, porém, era admoestada em virtude da natureza oligárquica de seu modelo de gestão.
A criação da União Conservadora ocasionou a implantação de um diretório nacional do partido, denominado de Centro Conservador. Ao mesmo tempo, a fundação da União também implicou a instauração de diretórios provinciais, denominados de Grêmios, e de diretórios municipais, que receberam o nome de Juntas.PARENTELAS, PARTIDOS E TRANSIÇÃO POLÍTICA: MUDANÇAS NA GESTÃO DE DIRETÓRIOS PARTIDÁRIOS E NA ATUAÇÃO POLÍTICA DAS ELITES REGIONAIS NA PASSAGEM DO IMPÉRIO PARA A REPÚBLICA (PARANÁ, c. 1853-c. 1926)
Diretórios Juntas As juntas possuíam a prerrogativa de participar da escolha dos candidatos dos Grêmios provinciais. Os membros das juntas enviados seus representantes — os deputados — às reuniões deliberativas dos Grêmios. Esses deputados também participavam da escolha do representante do Grêmio, denominado de deputado, no Centro da União Conservadora. Correio Mercantil, 15 de maio de 1868, n. 134, p. 1
Ao mesmo tempo, cumpre demonstrar que as juntas possuíam autonomia para inserir ou suprimir cargos específicos da Mesa Diretora. Assim, a principal diferença entre os diretórios municipais do Partido Conservador consistia no número de funções e de membros da Mesa Diretora.
Grêmios Por outro lado, a organização de diretórios provinciais do Partido Conservador permitiu que os potentados desenvolvessem uma ação política conjunta. Em geral, tal ação consistia em interferir na gestão dos presidentes de província. Essa interferência, portanto, solapava a autonomia desses agentes imperiais.
Segundo o articulista de O Publicador Maranhense, essa situação era peculiar às províncias do Norte em 1870: “A atitude que no Pará, no Maranhão e no Piauhy tem tomado os grêmios conservadores em relação às presidências, não pode deixar de merecer a attenção do governo imperial e do centro director desse partido. Os grêmios querem governar com a responsabilidade dos presidentes, e manifestam de dirigir e nullificar as administrações”.Diário do Rio de Janeiro, edição de 08 de fevereiro de 1870, p. 3.
Centro Conservador O Centro Conservador não possuía a prerrogativa de envolver-se na gestão das unidades regionais do partido. Trata-se, portanto, de uma evidência de que, no projeto da elite imperial, estava prevista ampla autonomia para as elites regionais consolidarem seu próprio modelo de administração de diretórios: “O Centro tem esse nome, não por ter jurisdição sobre os grêmios provinciais (o que é vedado pelo § 3º do art. 11 do capit. III), mas simplesmente por ter de funcionar na capital do Império”.
Dados políticos Nome