A Comil Ônibus S.A. é uma encarroçadora de ônibus brasileira, com sede na cidade de Erechim, no Rio Grande do Sul. O nome é um acrônimo de Corradi e Mascarello Indústria Ltda.

Criada em 1985 a partir da aquisição da massa falida da Incasel - Indústria de Carrocerias Serrana Ltda pelo grupo paranaense Comil, fabricante de silos e secadores, com sede em Cascavel, formado pela sociedade entre as famílias Corradi e Mascarello.

Em 23 de maio de 2003, a sociedade foi desfeita e o Grupo Mascarello, que continuou com a fabricação de silos, fundou a Mascarello Carrocerias e Ônibus Ltda.Mascarello - Histórico A Comil Ônibus S.A. continuou a produção da linha Incasel, mas aos poucos passou a criar novos projetos. Chegou a inaugurar uma unidade em Lorena, no Estado de São Paulo, encerrando suas atividades dois anos após o início das operações, por erros de gestão.

Atualmente é a segunda maior fabricante de ônibus rodoviário do país, contando com boa parte da produção nacional do setor. Com o parque fabril de Erechim somando 40 mil metros quadrados, tem capacidade de produção de 4,5 mil unidades por ano. Conta também com uma fábrica no México. Exporta para trinta países.Comil vai instalar sua primeira unidade para fabricação de carrocerias fora do Estado – Zero Hora

Histórico Incasel A Indústria de Carrocerias Serrana Ltda. (Incasel) iniciou suas atividades em junho de 1949, em Erechim. Inicialmente, nos anos 50, construía uma carroceria de madeira por mês. A produção cresceu lentamente e, no início dos anos 60, já saíra do âmbito local e conquistado mercado nos demais estados da Região Sul do Brasil. Já então com estrutura metálica, suas carrocerias simplesmente copiavam modelos de maior produção, como era prática usual dos pequenos fabricantes da região, quase todos tendo a Eliziário como referência. Anos depois, na segunda metade da década, foi o Nielson Diplomata o modelo que inspirou sua carroceria rodoviária.

Em 1970, quando a produção atingia a média de dez unidades mensais, a Incasel se voltou para o mercado nacional – que lentamente se recuperava de profunda recessão – estreando com um stand no VII Salão do Automóvel. Lá apresentou uma carroceria rodoviária sobre o chassi Mercedes-Benz LP, chamada Continental, claramente calcada nos primeiros modelos Marcopolo. Dois anos depois, na edição seguinte, mostrou o rodoviário Continental II, com diversas alterações técnicas e estéticas, como estrutura tubular de aço, janelas maiores, colunas inclinadas, diversos detalhes de conforto para os passageiros, painel e capô de fibra redesenhados, poltrona do motorista com suspensão hidráulica e toalete em peça única. No mesmo evento foi apresentado seu primeiro urbano da nova fase, o Belvedere, sobre os tradicionais chassis com motor dianteiro da Mercedes-Benz.

No IX Salão, em 1974, o Continental III mostrou algumas alterações estéticas, a mais visível delas uma nova grade envolvendo os faróis; além do maior uso de fibra de vidro, seguindo a tendência, também foi equipado com toaletes químicos com desintegrador de detritos. Pouco depois, surgiram seu primeiro e único micro, denominado "Pônei", e o Continental RT, com piso e teto semi-elevados.

A partir daí a produção da Incasel adquiriu personalidade própria. Um novo rodoviário foi lançado em 1976 – o Jumbo –, ganhando traços mais pessoais e criativos, especialmente nas versões sobre chassis Scania e Volvo. Tinha para-choque dianteiro englobando faróis e grade, para-choque traseiro integrando às lanternas, traseira imponente, com teto elevado e relevos horizontais, à meia altura, reduzindo a sensação de volume – ideia já explorada pela Marcopolo. Com a chegada do Jumbo, os modelos Continental e RT passariam a responder pelo transporte de média distância. Em 1978 o modelo urbano foi renovado, com o lançamento do Cisne, também apresentado na versão intermunicipal, com traseira cega. Um ano depois surgiu o Minuano, próprio para operação em corredores, com carroceria padron montada sobre chassi Scania BR-116, duas portas largas e grande área envidraçada.

A produção da empresa cresceu, passando de 116 unidades, em 1971, para 555, em 1980, com média de quase 50 carrocerias por mês. Em 1981, ano de recessão econômica, praticamente manteve o total do exercício anterior, com 523 unidades. Durante aqueles anos conquistou importantes clientes no segmento rodoviário, inclusive a Eucatur, que opera as mais longas rotas existentes em território nacional, ligando o Sul ao extremo Norte do país. No mesmo ano a linha de rodoviários ganhou sua versão mais pesada, o Delta, modelo inspirado fortemente no Ciferal Dinossauro.

Falência da Incasel e surgimento da Comil A partir do início dos anos 80, desentendimentos societários trouxeram problemas para a empresa, deteriorando a situação financeira e levando a demissões e à redução paulatina da produção, caindo para menos de 20 unidades por mês, em 1984. Incapaz de saldar as dívidas acumuladas, no final daquele ano, a Incasel teve a falência decretada.

Em outubro de 1985, a Incasel teve seus bens levados a leilão, sendo arrematados pelo Grupo Comil, empresa fabricante de silos e equipamentos agrícolas de Cascavel, que em menos de três meses retomou a produção. Sob nova razão social (Indústria de Carrocerias Erechim), inicialmente deu continuidade aos modelos da antiga linha de produção, tais como os urbanos Cisne e Minuano, bem como os rodoviários Delta, Continental, Colúmbia e Jumbo, com algumas alterações nos desenhos.

Em 1986 contratou 58 funcionários e finalizou 166 vendas. Mas foi em 1987, com o fim da produção dos modelos da antiga Incasel, que a empresa lançou seu primeiro modelo de projeto próprio, o rodoviário Palladium, iniciando também o desenvolvimento do Condottiere, lançado ao mercado um ano depois. Iniciou também a construção da nova fábrica no distrito industrial de Erechim, onde está localizada atualmente, inaugurada três anos depois. Em 1989 ocorreu o lançamento do urbano Svelto, substituto dos modelos Cisne e Minuano e primeiro modelo urbano inteiramente projetados pela fábrica do Alto Uruguai, sob o nome atual.

Em 1991 ocorreu o primeiro lançamento da Comil na classe superior dos rodoviários com piso alto, o Galleggiante. Montado sobre chassis ou plataformas Mercedes-Benz, Scania ou Volvo de dois ou três eixos, com altura total de 3,80 m (fora da área do ar condicionado), o ônibus tinha frente acentuadamente inclinada, grandes para-brisas dianteiros com desembaçador elétrico, portas pantográficas para acesso ao salão e bagageiros, melhor acabamento interno. Para racionalizar a produção, foram utilizadas as mesmas janelas laterais do Condottiere.

Em 1993 marcou o maior volume de vendas do Galleggiante. No mesmo ano o Condottiere mereceu mais um leve face-lift (para-choques, grade, distribuição dos elementos decorativos na dianteira e traseira), estabelecendo identidades com o Galleggiante e criando uma imagem de “família” para os diversos modelos rodoviários; além de novo painel, o ônibus ganhou diversos melhoramentos internos. Ao mesmo tempo foi apresentada uma versão “fretamento”, de linhas e acabamentos simplificados.

Em , a Comil completou 10 anos de existência. E entra no mercado de articulados também lançando o modelo Doppio, um veículo que oferece soluções econômicas para as necessidades de transporte de massa nos grandes e médios centros. No final do mesmo ano foi a vez do Svelto ser atualizado. Mantendo as linhas angulosas, para-brisas e janelas do modelo anterior, teve alterações na frente (para-choques com rebaixo para ventilação do motor, faróis redondos em lugar de retangulares, nova grade, tampa dianteira com dobradiças embutidas) e traseira, além do painel e capô do motor.

Em 1996 a Comil atinge a marca histórica de 5 mil unidades produzidas. Aposta em design e passa a atuar de maneira mais expressiva no mercado externo e a produção mensal, de 870 unidades, já ultrapassava em muito o pico de fabricação da Incasel, de 555 ônibus em 1980. Neste mesmo ano, é criado o programa Sugestão de Melhorias Permanentes (SUMEPE), o programa de Círculo de Controle da Qualidade (CCQ) da COMIL, voltado para melhorias nos processos e produtos. Preparando-se para o crescimento, naqueles anos a empresa se submeteu a um processo de atualização administrativa e gerencial, ampliando o uso da informática, adotando modernas técnicas de organização da produção e criando divisões específicas para Processos e Engenharia de Produto. Ainda em 1996 é lançado a terceira geração do Svelto. No ano seguinte a empresa entra no mercado de intermunicipais com o modelo Versatile.

Renovação e nova Razão Social thumb|250px|direita|Piá II, lançado em 2002 A Comil começou a renovar a linha em 1998, ano em que produziu mais de 1.300 unidades. Houve lançamentos em todas as faixas. Inicialmente, o urbano Svelto relança a série 3 reformulada, perdendo de vez as formas quadradas. A seguir chegou o novo rodoviário Campione, em substituição ao Galleggiante, que foi oferecido inicialmente em quatro versões (3.25, 3.45, 3.65 e 3.85, nomeado de acordo com sua altura correspondente) e no início de 1999 foi apresentado o Campione 4.05 HD. Este foi o primeiro high-deck da marca com vidros colados, o maior bagageiro da categoria e cabine do motorista e da tripulação com cama e controles do ar condicionado/aquecedor independentes do salão. A seguir foi a vez do primeiro micro-ônibus da marca a ser lançado, o Piá, que acompanha a dianteira cheia de curvas do novo Svelto, com para-brisa dianteiro inteiriço, amplas janelas, vidros colados opcionais (exceto na dianteira) e lanternas traseiras do Campione, entre outras.

Na virada da década, os proprietários da Comil, que é composto pela sociedade das família Corradi e Mascarello, foi desfeita. O Grupo Mascarello permaneceu com a Comil Silos e Secadores, em Cascavel. Posteriormente montaram uma encarroçadora, a Mascarello Carrocerias e Ônibus. Já aos Corradi coube a fábrica de Erechim e o negócio das carrocerias. Já os Corradi, por seu lado, no mesmo ano retornariam ao setor de silos agrícolas, porém com pouca duração.

Para 2001, seguindo a mesma linguagem estética, o estilo dos urbanos e rodoviários foi novamente atualizado. A partir daí a Comil já dispunha de uma completa linha com 15 modelos: os rodoviários Campione e Campione HD, o multiúso Versatile (direcionado para interurbano, fretamento e rodoviário para motor dianteiro e curtas distâncias), os urbanos Svelto e Doppio, o micro Piá e os minis Bella e Bello (lançados em 2000, no rastro do extremamente bem-sucedido Volare), sendo os três últimos também na versão escolar.