A análise financeira refere-se à avaliação ou estudo da viabilidade, estabilidade e capacidade de lucro de um negócio ou projeto. Engloba um conjunto de instrumentos e métodos que permitem realizar diagnósticos sobre a situação financeira de uma empresa, assim como prognósticos sobre o seu desempenho futuro.

Para que o analista possa verificar a situação econômico-financeira de uma empresa, é fundamental o recurso a alguns indicadores. Os mais utilizados são aqueles que assumem a forma de rácios. Estes apresentam uma vantagem, não só de tornar mais precisa a informação, como também de facilitar comparações, quer para a mesma empresa, ao longo de um certo período de tempo, quer entre empresas distintas, num mesmo referencial de tempo. Contudo, convém salientar que os rácios apenas constituem um instrumento de análise. Esse instrumento deve ser complementado por outros tantos. Com efeito, a análise de indicadores fornece apenas alguns indícios que o analista deverá procurar confirmar através do recurso a outras técnicas.

A análise financeira é, assim, a capacidade de avaliar a rentabilidade das empresas, tendo em vista, em função das condições actuais e futuras, verificar se os capitais investidos são remunerados e reembolsados de modo a que as receitas superem as despesas de investimento e de funcionamento.

De forma a alcançar a sobrevivência e desenvolvimento pretendido pela empresa, a avaliação e interpretação da situação económico-financeira de uma empresa centra-se nas seguintes questões fundamentais: equilíbrio financeiro; rentabilidade dos capitais; crescimento; risco; valor criado pela gestão.

O recurso à análise financeira é extremamente importante para as diversas partes interessadas numa boa gestão empresarial, sendo que essas partes interessadas são gestores, credores, trabalhadores e as respectivas organizações, Estado, investidores e clientes.

Cada grupo ou indivíduo tem diferentes interesses, por isso fazem a análise financeira mais adequada aos objetivos pretendidos. Apesar desses objetivos poderem ser diferentes, as técnicas utilizadas baseiam-se, fundamentalmente, no mesmo conjunto de informações econômico-financeiras: balanço patrimonial; demonstração de resultados líquidos; demonstração dos fluxos de caixa.

A técnica mais utilizada pela análise financeira é a que recorre aos rácios, um instrumento de apoio para sintetizar uma enorme quantidade de informação, e comparar o desempenho econômico-financeiro das empresas ao longo do tempo. Constituem assim uma base da análise financeira, mas não dão respostas. Essas encontrar-se-ão nos aspectos qualitativos da gestão.

Evolução da análise financeira Nos anos 80, dá-se uma revolução financeira, marcada pelo aumento dos riscos financeiros a que as empresas estavam expostas, pela crescente importância das emissões de títulos no financiamento das empresas e pela consequente relevância quer da gestão de tesouraria, quer das variáveis financeiras. A implicação desta revolução foi o aumento do número de entidades que emitem pareceres sobre a situação financeira das empresas, não estando já este papel reservado apenas aos bancos, aparecendo aí os auditores e suas empresas de auditoria.

Esta evolução foi acompanhada de alterações na gestão das empresas, no sentido de questionar os tradicionais instrumentos de análise financeira (como os rácios ou o fundo de maneio), não para os inviabilizar mas antes para os enriquecer. A medida que a Análise Financeira evolui, torna-se assim cada vez mais claro que não se trata de uma ciência exata e que não há uma forma única de analisar a saúde financeira de uma empresa.

Objetivos da Análise Financeira O diagnóstico da situação financeira de uma empresa pode surgir de uma necessidade interna ou externa. Um diagnóstico interno pode ser necessário para tomar decisões de gestão, utilizando a análise financeira como um instrumento de previsão no âmbito de planos de financiamento e investimento ou para o controle interno (acompanhamento da atividade e comparação entre as previsões e a performance real). Pode também servir um objetivo informacional, usando a informação financeira como instrumento de comunicação interna ou como elemento de relações sociais na empresa. A análise financeira quando a serviço do Estado visa auditar a centralização do poder bancário permitido ilicitamente pelo governo a fim de estabilizar o mercado de commodities essenciais.[https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1057521915001477 A lost century in economics: Three theories of banking and the conclusive evidence][https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1057521914001434 How do banks create money, and why can other firms not do the same? An explanation for the coexistence of lending and deposit-taking][https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1057521912000555 Towards a new research programme on ‘banking and the economy’ — Implications of the Quantity Theory of Credit for the prevention and resolution of banking and debt crises][https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S1057521912000737 Lessons from the Bank of England on ‘quantitative easing’ and other ‘unconventional’ monetary policies]EXAMINING FINANCIAL HOLDING COMPANIES: SHOULD BANKS CONTROL POWER PLANTS, WAREHOUSES, AND OIL REFINERIES?Did Wall Street Banks Create the Oil Crash?U.S. Quietly Drops Bombshell: Wall Street Banks Have $2 Trillion European Exposure

Quanto ao diagnóstico externo, surge como instrumento de decisão para entidades externas com influência junto da empresa, tais como bancos, investidores institucionais, governos, fornecedores e clientes. O diagnóstico externo surge também como ferramenta de comunicação com os investidores, o público, os media, as agências de rating e as entidades que elaboram estudos estatísticos financeiros. Os bancos e casas de investimento publicam ou comercializam a sua análise financeira de empresas, com base nas qual divulgam recomendações de investimento. A evidência sobre a capacidade de previsão destas recomendações não é sólida.

Fontes da Informação Os dados utilizados para calcular os rácios são na sua grande maioria retirados dos principais documentos financeiros das empresas, já mencionados anteriormente.

Balanço Documento contabilístico que expressa a situação patrimonial de uma empresa num determinado momento (geralmente um trimestre, semestre ou ano). Este documento permite comparar o ativo (bens que a empresa possui assim como o dinheiro que tem e as dívidas de terceiros), com o passivo ou capital alheio (o que a empresa deve a terceiros, quer seja empréstimos bancários, responsabilidades para com o Estado, dívidas a fornecedores, etc.). A diferença entre o que tem e o que deve é designada de Situação líquida (composta pelo Capital que foi usado para criar a empresa, pelo acumular de resultados positivos ou negativos ao longo dos anos de funcionamento da empresa, e por eventuais reavaliações de componentes do ativo).

Num Balanço, o Ativo é igual à soma do Capital de Terceiro com a Situação líquida, ou seja, o Capital Alheio (Passivo) e a Situação líquida (Capitais próprios) financiam o Ativo, logo:

Ativo = Capital de Terceiro + Situação líquida

Devido às empresas se financiarem com Capitais Próprios e Alheios, o Ativo, normalmente, é maior que o Capital Alheio. Caso não se verifique, ou seja, sempre que o Ativo for inferior ao Passivo (valor do Capital Próprio vai ser negativo), existe falência ou insolvência técnica da empresa.

Numa óptica financeira, o ativo corresponde às aplicações de fundos ou investimento. Estes bens e direitos da empresa são financiados quer por capitais próprios, quer por capitais alheios. Por isso, também se designa o 2° membro do balanço como origens de fundos ou financiamento.

O total das aplicações de fundos iguala, a todo o momento, o total das origens de fundos, podendo enunciar-se a equação fundamental da contabilidade da seguinte forma:

Ativo = Passivo + Situação Liquida Ativo = Capitais Alheios + Capitais Próprios Aplicações de Fundos = Origens de Fundos.

Demonstração do Resultado Líquido Evidencia a formação de resultados num certo período (entre dois balanços), avalia a situação econômica da empresa.

Esta formação de resultados evidencia-se pela síntese dos custos e proveitos em grupos homogêneos, sendo que:

Resultados = Proveitos – Custos

Proveitos > Custos = Resultado Positivo (Lucro) Proveitos < Custos = Resultado Negativo (Prejuízo)

De acordo com o POC existem duas formas de elaboração da demonstração de resultados:

demonstração de resultados por natureza; demonstração de resultados por funções.

Demonstração de Resultados por Natureza Agrega os proveitos e os custos em grupos homogêneos, consoante a sua natureza.

Resultados Operacionais = Proveitos Operacionais - Custos Operacionais

Resultados Financeiros = Proveitos Financeiros - Custos Financeiros

É de salientar que existe uma distinção nítida entre resultados operacionais e resultados financeiros. Nos resultados operacionais integram-se os proveitos e custos respeitantes à exploração, enquanto que nos resultados financeiros consideram-se os proveitos de aplicações de capital e os custos dos financiamentos, assim como ganhos ou perdas resultantes de aplicações financeiras.Resultados Correntes = Resultados Operacionais + Resultados FinanceirosResultados Extraordinários = Proveitos e Ganhos Extraordinários - Custos e Perdas ExtraordináriosResultado antes de Impostos = Resultados Correntes + Resultados ExtraordináriosPor fim, temos então o Resultado Líquido do exercício:Resultado Líquido do exercício = Resultado antes dos Impostos - Imposto sobre o Rendimento Extraordinário Demonstração dos Fluxos de Caixa (Cash-Flows) A demonstração de fluxos de caixa deve relatar os movimentos de caixa durante o período, classificados por actividades operacionais, de investimento e de financiamento, de forma a proporcionar informação que permita aos utentes das demonstrações financeiras determinar o impacto dessas actividades na posição financeira da empresa e nas quantias de caixa e seus equivalentes.

Pode-se dizer que cada um destes itens dá-nos a respectiva comparação:

Balanço → Posição Financeira Demonstração de Resultados → Desempenho Demonstração de Fluxos de Caixa→ Alterações na Posição Financeira

Devido ao carácter sintético dos documentos contabilísticos referidos, estes não respondem por inteiro às exigências da análise financeira. Resumindo, temos como principais limitações dos documentos contabilísticos, os seguintes aspectos: não reflectem valores actuais; existem contas para as quais é preciso fazer algumas estimativas; enquanto a depreciação do imobilizado é uma prática corrente, a sua revalorização é normalmente ignorada; existem muitas rubricas com valor financeiro que estão omitidas do balanço; os diferentes critérios valorimétricos utilizados podem provocar diferenciações nas várias empresas; as normas contabilísticas são muitas vezes ditadas por imperativos fiscais que reduzem o significado económico-financeiro da informação contabilística.

Dados externos São também utilizados dados externos como: Dados macroeconómicos; Cotações; Taxas de juro; Valores de referência de empresas concorrentes para comparação.

Utilidade dos rácios Os rácios são fundamentais para o conhecimento da situação e evolução economico-financeira de uma empresa ao longo do tempo, servem também para perceber a sua evolução futura. Existem muitos rácios que podem ser calculados mas só interessa calcular aqueles que tenham interesse para a análise pretendida, só assim é que terão sentido e serão úteis.

A utilidade dos rácios na análise da situação das empresas faz-se sentir através da comparação com rácios calculados nos anos anteriores e rácios de empresas similares.

Para os analistas é importante saberem escolher bem os rácios que satisfaçam os objectivos da análise que pretendem fazer.