thumb|250px|Uma das vertentes ocidentais da Caldeira Guilherme Moniz, mostrando a falésia com disjunção prismática. thumb|250px|A Serra do Morião, nome dado ao falnco sul do Complexo Vulcânico de Guilherme Moniz, voltado para a cidade de Angra do Heroísmo. O Complexo Vulcânico de Guilherme Moniz (também referido por Vulcão da Serra do Morião ou pela designação da sua estrutura mais conhecida, a Caldeira de Guilherme Moniz) é um grande vulcão central em escudo, poligenético, considerado extinto, localizado na região centro-meridional da ilha Terceira, no arquipélago dos Açores.Angrosfera: Vulcão de Guilherme Moniz.Enciclopédia Açoriana: «Caldeira de Guilherme Moniz». A atividade eruptiva iniciou-se ali há mais de anos, formando um edifício vulcânico complexo, com um diâmetro da base, medido ao nível médio do mar, que ronda 6 a 7 km, elevando-se até à altitude de 632 m, com os flancos noroeste e norte totalmente recobertos por materiais provenientes do Maciço do Pico Alto. A estrutura é encimada por uma grande caldeira de colapso elíptica, com um diâmetro maior de 4 km e menor que ronda os 2 km, cujo interior se encontra parcialmente ocupada por produtos vulcânicos recentes,IVAR: Geomorfologia da Terceira - Guilherme Moniz. com destaque para lavas basálticas proveninetes da Faixa Vulcânica Fissural da Terceira, estrutura tectónica que atravessa a caldeira de oes-noroeste para sueste. Descrição A ilha Terceira, tal como as outras ilhas do arquipélago dos Açores, é um complexo edifício vulcano-tectónico, resultado de várias fases eruptivas, instalado numa vasta plataforma submarina de crosta oceânica engrossada, e por isso de profundidade reduzida em relação às áreas oceânicas vizinhas, designada por Plataforma dos Açores, ou Microplaca dos Açores.SIARAM: vulcão de Santa Bárbara. A ilha encontra-se instalada no borda nor-nordeste daquela plataforma, integrado numa longa estrutura tectónica, o rifte da Terceira, que liga o extremo ocidental da falha GLORIA, a sueste da ilha de Santa Maria, à Dorsal Média do Atlântico, a oes-noroeste da ilha Graciosa. A ilha é constituída por quatro grandes edifícios vulcânicos poligenéticos do tipo central (Cinco Picos, Guilherme Moniz, Pico Alto e Serra de Santa Bárbara) e um sistema fissural basáltico. Do vulcão dos Cinco Picos, o mais antigo grande vulcão da Terceira (com ± 3 milhões de anos) e extinto, restam a Serra do Cume e a Serra da Ribeirinha, escombros da maior caldeira de colapso (abatimento) dos Açores, a Caldeira dos Cinco Picos, gerada há menos de 100 mil anos.
No processo de construção da ilha seguiu-se o vulcão de Guilherme Moniz, a poente do vulcão dos Cinco Picos, também extinto,Enciclopédia Açoriana: «vulcão». do qual resta a Caldeira de Guilherme Moniz e a Serra do Morião, posteriormente invadida por materiais vulcânicos de episódios mais recentes, já que sobre o seu bordo norte se instalou posteriormente o Vulcão do Pico Alto (potencialmente ativo, pelo menos desde há cerca de 100 mil anos).Self, S. (1976), The recent volcanology of Terceira, Azores. J. Geol. Soc. London, 132, pp. 645-666. Por fim, surgiu o Vulcão de Santa Bárbara (há cerca de 1 milhão de anos), inicialmente um vulcão submarino a oeste da proto-Terceira, que formou uma ilha que acabou por se unir a esta, em boa parte através do contributo das poderosas erupções fissurais de basaltos muito fluidos que ocorreram ao longo do troço do rifte da Terceira que para leste liga o Vulcão de Santa Bárbara ao resto da ilha. Há algumas dezenas de milhar de anos reativou-se uma estrutura vulcânica, alongada, a Faixa Vulcânica Fissural da Terceira, que se desenvolve ao longo do eixo do rifte da Terceira, desde a da Serreta, no extremo W da ilha, até ao Porto Judeu-Fonte do Bastardo, no sueste da ilha, intersectando o interior da Caldeira de Guilherme Moniz, o sul de Maciço do Pico Alto e o troço central da Caldeira dos Cinco Picos.Lloyd, E. F. e Collis, S. K. (1981), Geothermal Prospection : Ilha Terceira, Açores: Geological Report. Relatório técnico não publicado produzido para a Secretaria Regional do Comércio e Indústria do Governo Regional dos Açores: 96 p. Geomorfologia e história eruptiva O Complexo Vulcânico de Guilherme Moniz (por vezes designado por Vulcão da Serra do Morião) é um de quatro grandes edifícios vulcânicos do tipo central existentes na ilha Terceira, constituindo a região centro-meridional da ilha, ocupando o território a norte de Angra do Heroísmo.Self, S. (1971), The Lajes ignimbrite, Ilha Terceira, Açores. Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, 55: 165-184.Zbyszewski, G., Cândido de Medeiros, A., Veiga Ferreira, O. e Torre de Assunção, C. (1971), Carta Geológica de Portugal: Notícia Explicativa da folha da Ilha Terceira. Lisboa, Serviços Geológicos de Portugal.
A atividade eruptiva que deu origem a este complexo vulcânico terá tido início há mais de anos, estando o seu aparelho vulcânico parcialmente sobreposto ao edifício vulcânico mais antigo da ilha, o vulcão dos Cinco Picos (ou vulcão da Serra do Cume), cujo centro eruptivo se situa para es-sueste. Por sua vez, o Complexo Vulcânico de Guilherme Moniz encontra-se parcialmente recoberto por materiais emitidos pelos centros vulcânicos do Pico Alto, da Serra de Santa Bárbara e pelo vulcanismo fissural instalado ao longo da Faixa Vulcânica Fissural da Terceira localizada entre aqueles dois grandes vulcões.
O complexo apresenta um diâmetro da base, medido ao nível médio do mar, que ronda 6 a 7 km, elevando-se até à altitude de 632 m acima do nível médio do mar no vértice geodésico do Rosto, no cume da Serra do Morião. A forma da estrutura, em tronco de cone, resulta do colapso da porção superior que truncou o topo do edifício. O colapso poderá ter ocorrido num só episódio, conforme parece indicar a forma regular da depressão. A caldeira de colapso formada constitui a vasta Caldeira de Guilherme Moniz, de configuração fortemente elíptica, alongada na direcção NW-SE, com diâmetro maior de 4 km e diâmetro menor que ronda os 2 km, delimitada nalguns pontos por escarpas interiores que atingem os 150 m de altura, onde a rocha nua evidencia a natureza traquibasáltica da formação. O fundo da caldeira, plano, situa-se em torno dos 460 m de altitude, sendo a profundidade máxima, medida entre o fundo e os relevos circundantes, de 370 m. A cumeeira bem definida que a circunscreve do lado sul, este e oeste, atinge uma altitude máxima de 660 metros, é chamada na sua generalidade de Serra do Morião (ou Costaneira no extremo SW).Enciclopédia Açoriana: «Costaneira». Isso não impede que sejam chamados outros nomes a diferentes zonas desta serra em forma de ferradura.
A caldeira encontra-se aberta a norte e nordeste, tendo o seu bordo sido recoberta pelos produtos vulcânicos mais modernos do vulcão do Pico Alto. O interior foi posteriormente preenchido por volumoso derrame basáltico, emitido pelo cone do Algar do Carvão há 2115 ± 115 anos, o qual transbordou para o exterior da caldeira na zona do Pico do Areeiro, onde se dividiu em dois ramos que se dirigiram em direcção às Lajes e Feteira, atingindo o mar. Esse derrame, que deu origem a um enorme lago de lava, originou uma morfologia extremamente aplanada no interior da caldeira, que se encontra apenas interrompida pelo Pico do Gualpanar.
O fundo da caldeira apresenta sinais de vários episódios eruptivos que ali ocorreram nos últimos anos. Alguns estão ligados às erupões do Vulcão do Pico Alto, que alguns autores consideram como sendo uma deslocação para nordeste do centro eruptivo do Vulcão de Guilherme Moniz, e por isso parte do mesmo edifício vulcânico, com os seus domos lávicos, coulées e outros materiais e estruturas, constibuíram significativamente para o preenchimento da cratera, particularmenste no sector nordeste. Mais recentemente surgiram diversas escoadas lávicas basálticas, muito fluidas, em particular a do Pico do Carvão (de há cerca de anos), que preencheram e aplanaram grande parte do chão da caldeira. A caldeira parece ter sido, no período anterior ao seu preenchimento pelas lavas basálticas mais recentes, uma grande lagoa de cratera, cujo imperme que lhe servia de fundo sobreviveu ao preenchimento. A consequência foi fazer surgir um importante aquífero suspenso, cuja água origina fortes nascentes. As nascentes mais superficiais estão localizadas no interior de tubos de lava, como a Furna de Água e a Furna do Cabrito, originadas pela mesma lava do Pico do Carvão que transbordou a leste onde a cumeeira da serra era mais baixa. As mais profundas emergem no flanco sul da Serra do Morião, dando origem às nascentes da Nasce-Água e outras, inicialmente captadas para abastecimento da levada da Ribeira dos Moinhos, presentemente captadas para consumo humano.
Caldeira Guilherme Moniz A Caldeira Guilherme Moniz é uma grande estrutura de abatimento, formada há cerca de anos atrás, implantada na parte central da ilha Terceira (Açores). Corresponde a uma depressão vulcânica alongada no sentido noroeste-sueste, com diâmetro máximo e mínimo de 4,3 e 2,3 km,Geoparque Açores: Caldeira de Guilherme Moniz. e cerca de 15 km de perímetro e mais de 11 km2 de superfície. A formação da caldeira deverá estar relacionada com as erupções que deram origem ao ignimbrito de Angra, há anos ( ± 350 anos) e outros episódios explosivos mais antigos.Lloyd, E. F., e Collis, S. K. (1981), Geothermal Prospections – Ilha Terceira, Azores. Secretaria Regional do Comércio e Indústria. Laboratório de Geociências e Tecnologia. Ponta Delgada, 96 pp.
A estrutura é uma caldeira de abatimento, formada pelo afundamento da zona central de um grande vulcão em escudo poligenético, que assumiu a sua presente configuração geral há cerca de 23 000 anos atrás na sequência das erupções explosivas que deram origem ao Pico Alto. Sobre o seu bordo norte instalou-se o maciço do Pico Alto, pelo que apenas o bordo sul da caldeira está preservado. O flanco sul, sobranceiro à cidade de Angra do Heroísmo, correspondendo à Serra do Morião (ou Costaneira), com o seu ponto mais alto a 619 m de altitude, com escarpas muito declivosas e irregulares. Este bordo da caldeira tem uma altura média da ordem de 170 m acima do fundo da caldeira e na sua face interior estão visíveis grandes estruturas colunares resultantes da disjunção prismática dos traquibasaltos que a formam. A estrutura é claramente poligenética, com domos e coulées bem visíveis.
O fundo desta caldeira, muito plano e situado em torno dos 468 m de altitude, foi ocupado por diversas escoadas lávicas basálticas recentes, com especial destaque para aquelas emitidas há cerca de 2 000 anos do sistema vulcânico do Algar do Carvão, as quais depois de formarem um extenso lago de lava, hoje a zona plana do fundo da Caldeira Guilherme Moniz, transbordaram do lado leste da caldeira, junto ao Pico da Cruz. Dada a fluidez destas lavas do tipo pahoehoe desenvolveram-se vários túneis lávicos no seu seio, como a Furna d’Água ou a Furna do Cabrito. As torrentes de lava que emergiram da caldeira formaram duas grandes escoadas lávicas, uma que se dirigiu para sul, atingindo o mar na Fajã do Fischer (Feteira), outra que se dirigiu para nordeste, formamndo o Biscoito das Fontinhas e atingiu o mar na Caldeira das Lajes.
Esta cratera é a abertura do vulcão da Serra do Morião ou Serra da Nasce Água. Tem uma abertura de 15 km de diâmetro, e uma flora endémica muito valiosa, por ser única no mundo, estando por essa razão protegida por lei.
Nesta caldeira existe o maior reservatório de água da ilha, dado que aqui se encontrava uma lagoa cujas águas foram, há pouco tempo, em termos geológicos, cobertas pela erupção do Algar do Carvão que lhe aprisionou as águas debaixo das escoadas lávicas. Dos seu bordos brotam algumas nascentes de grande caudal como é caso da Furna de Água situada na lado oeste da vertente.