André Comte-Sponville (Paris, 12 de março de 1952) é um filósofo materialista francês. Em 2006 ele publicou o livro que o tornou famoso mundialmente "O Espírito do Ateísmo" (Albin Michel, Paris). Biografia
Seu contato com a filosofia vai se dar na adolescência. Na infância seu interesse era a literatura e em seguir a carreira de romancista. Foi aluno da École normale supérieure, tornou-se doutor pela Universidade de Paris I: Panthéon-Sorbonne em 1983, com a tese Éléments pour une sagesse matérialiste (Elementos para uma sabedoria materialista), orientado por Marcel Conche. Foi aluno de Louis Althusser. Menciona frequentemente a influência de Michel de Montaigne e de Blaise Pascal.
Por muito tempo foi um professor (maître de conférences) da Panthéon-Sorbonne, da qual se demitiu em 1998 para dedicar-se completamente a escrever e proferir palestras fora do circuito universitário.
Foi membro do Comité Consultatif National d'éthique (Comitê Consultivo Nacional de Ética) do seu país de 2008 até 2016-agosto.
Suas obras já alcançaram mais de 20 países e são em sua maioria uma divulgação de temas difíceis da filosofia. Entre os textos mais traduzidos estão "O Espírito do Ateísmo", "O Pequeno Tratado das Grandes Virtudes" e "Viver Desesperadamente".
O sucesso editorial lhe garantiu espaço na grande mídia onde escreveu durante anos artigos para revistas da área de saúde, direito, filosofia e religião.
Em 2015 em um livro de memórias no formato de entrevista, André Comte-Sponville revisitou toda a sua carreira filosófica que até aquele momento contava com algo mais do 7 mil páginas escritas.
Filosofia
Durante toda a sua carreira tanto na docência, quanto fora do meio acadêmico como escritor do grande público, André Comte-Sponville transitou por inúmeros temas, porém um recurso que lhe é recorrente é retornar aos Antigos para pô-los a dialogar com os pós-modernos e modernos. Sendo assim, são muitos os seus referenciais.
Ele costuma dizer que num primeiro momento para lecionar para os secundaristas, precisou contrapor Epicuro a Platão; contra Descartes e Leibniz Spinoza; contra Kant e Hegel: Marx. De fato, o resultado desses embates entre gerações de filósofos tão distantes cronologicamente, mas unidos nos temas que abordam, para Sponville seria a sua própria filosofia.
Em sua obra "O capitalismo é moral?", que é, transcrição de uma conferência onde tenta demonstrar a a-moralidade do capitalismo, já que enquanto técnica: "a economia é cientificidade exterior a toda preocupação moral". Sponville define então ordens, no sentido pascaliano do termo:
ordem econômico-tecno-científica; ordem político-jurídica; ordem da moral; ordem da ética;
Considera a possibilidade de existência de uma outra ordem, a do divino, mas, sendo ateu, pensa esta ordem em um sentido do ideal que inspira. Para ele aí reside a justificativa de uma espiritualidade no ateísmo.
Membro durante anos do Partido Comunista francês, Sponville possui
A respeito da bioética, diz que "não é uma parte da Biologia; é uma parte da Ética, uma parte de nossa responsabilidade simplesmente humana; deveres do homem para com outro homem, e de todos para com a humanidade."
Bibliografia
Do Corpo. (2013, pela Martins Fontes) Tratado do Desespero e da Beatitude (Traité du désespoir et de la béatitude Tomo 1:Le mythe d’Icare) (1984) PUF Viver (Traité du désespoir et de la béatitude Tomo 2:Vivre) (1988) Uma Educação Filosófica (Une éducation philosophique) (1989) Pourquoi nous ne sommes pas nietzschéens (em colaboração) (1991) O Amor A Solidão (L'amour-la solitude) (1992) "Je ne suis pas philosophe": Montaigne et laphilosophie (1993) Valor e verdade: estudos cínicos (Valeur et vérité. Études cyniques) (1994) Camus, de l’absurde à l’amour (em colaboração) (1995) Pequeno tratado das grandes virtudes (Petit Traité des Grandes Vertus) (1995) Arsène Lupin, gentilhomme philosopheur (com François George) (1995) Bom Dia, Angustia (Impromptus) (1996) De l’autre côté du désespoir. Introduction à la pensée de Svâmi Prajnânpad (1997) A sabedoria dos modernos (La sagesse des Modernées) (1998) O ser-tempo: algumas reflexões sobre o tempo da consciência (L'être temps) (1999) O Alegre Desespero (Le Gai désespoir) (1999) Chardin ou La matière heureuse (1999) Apresentação da Filosofia (Présentation de la philosophie) (2000) A Felicidade, Desesperadamente (Le Bonheur, désespérément) (2000) Lucrèce, poète et philosophe (2001) Dicionário Filosófico (Dictionnaire philosophique) (2001) O Capitalismo é moral? (Le capitalisme est-il une-moral sociale?) (2004) La plus belle histoire du bonheur (em colaboração) (2004) A Filosofia (La Philosophie) (2005) Dieu existe-t-il encore? (com Philippe Capelle) (2005) A Vida Humana (La Viehumaine) (2005) O Espírito do Ateísmo (L'Esprit de l'athéisme. Introduction à-une spiritualité sans dieu) (2006) Le miel et l'absinthe : Poésie et philosophie chez Lucrèce (2008) Do Corpo (Du Corps) (2009) Le Goût de vivre et cent autres propos (2010) Le Sexe ni la Mort. Trois essais sur l’amour et-la sexualisé (2012) Du tragique au matérialisme (et retour) (2015) C'est chose tendre que la vie, entretiens avec François L'Yvonnet (2015) Sous le signe de a philosophie (2018) L’inconsolable et autres-impromptus (2019)
Ligações externas
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