Vicente Yáñez Pinzón (Palos de la Frontera, 1462 — Triana, 1514) foi um navegador e explorador espanhol.

É considerado o descobridor do Brasil pelas enciclopédias Britânica e Barsa, por ter atingido o Cabo de Santo Agostinho no litoral de Pernambuco em 26 de janeiro de 1500, cerca de três meses antes da chegada de Pedro Álvares Cabral a Porto Seguro.Município brasileiro ensina que foi o espanhol Pinzón a descobrir o Brasil, Diário de Notícias, acessado em 28 de junho de 2021 Trata-se da mais antiga viagem comprovada ao território brasileiro, no entanto, persistem controvérsias acerca do 'descobrimento'. Segundo Capistrano de Abreu, sociologicamente o título se deve à Cabral, já que a viagem deste de fato influiu consequências significativas no que viria a ser o Brasil. Por ter chegado ao Brasil, Pinzón foi condecorado pelo rei Fernando II de Aragão em 5 de setembro de 1501.

O navegador foi também codescobridor da América em 1492 como capitão da caravela La Niña, uma das três embarcações da primeira expedição de Cristóvão Colombo — sendo que os dois outros navios foram comandados pelo seu irmão mais velho Martín Alonso Pinzón (caravela La Pinta) e por Juan de la Cosa (nau Santa Maria, capitânia do almirante Colombo).

Juventude Vicente Yáñez nasceu em 1462, na cidade portuária de Palos de la Frontera, na costa atlântica da Andaluzia. Era de longe o mais jovem dentre seus irmãos, e provavelmente recebeu o sobrenome "Pinzón" de um certo Yáñez de Rodrigo Yáñez, um alguacil (funcionário da administração municipal espanhola), que seria seu padrinho, como era costume na região. A tradição da cidade aponta o seu solar na calle de la Ribera. Desde muito pequeno aprendeu a arte de navegar com seu irmão mais velho, um dos mais destacados navegadores da época e participou desde a adolescência em combates e assaltos naqueles tempos conturbados. Casou-se duas vezes, a primeira com Teresa Rodríguez, que lhe deu duas filhas: Ana Rodríguez e Juana González. A segunda, ao voltar de sua última viagem, à península de Iucatã, em 1509, com Ana Núñez de Trujillo, com quem viveu em Triana, um bairro de Sevilha, até sua morte.GIL, Juan (septiembre-diciembre 1987). Sobre la Vida Familiar de Vicente Yáñez Pinzón. Revista de Indias XLVII (181): pp. 645-754.

As primeiras notícias documentadas sobre Vicente Yáñez são várias denúncias sobre assaltos a embarcações catalãs e aragonesas, desde os 15 anos de idade, entre 1477 e 1479, durante a época da Guerra de Sucessão de Castela. A cidade de Palos participou ativamente nos conflitos, o que agravou a sua já frequente escassez de trigo. Apesar das ordens reais que permitiam o abastecimento da cidade com cereais, estas foram desobedecidas e seus vizinhos se queixavam por estarem passando fome. Assim, assumindo suas responsabilidades como líderes naturais da comarca, os irmãos Pinzón atacaram caravelas que transportavam principalmente trigo.

Expedições Primeira Viagem de Colombo Vicente Yáñez foi o primeiro a aceitar o convite de alistamento feito pelo seu irmão, quando o cônego português Fernão Martins decide apoiar o projeto de Colombo de chegar às Índias pelo Oeste. Juntos foram visitando, casa por casa, seus parentes, amigos e conhecidos, animando-os a juntarem-se aos mais destacados marinheiros da região. Rejeitaram as embarcações embargadas por Colombo e contrataram outras mais adequadas à expedição, tendo investido meio milhão de maravedis de recursos próprios.

Terminou capitão da caravela Niña, tripulada por 24 homens. A sua embarcação foi incumbida de socorrer a nau Santa Maria, que encalhou em 25 de dezembro de 1492, na costa da Ilha de São Domingos.

Conflito em Nápoles Em 1495 o encontramos preparando duas caravelas, Vicente Yáñez e Fraila, para participar na Armada que Alonso de Aguilar, irmão mais velho de Gonzalo Fernández de Córdova, o Gran Capitán, ia levar ao norte da África, mas antes vieram notícias das guerras de Nápoles, que havia sido invadida pelos franceses, e terminam por se dirigiram para lá. Retornam em 1498, tendo passado no caminho de volta pela costa de Argel e Túnis.

Viagem ao Brasil, Venezuela e Caribe (1499-1500) thumb|260px|direita|O Mapa de Juan de la Cosa, datado de 1500, menciona a viagem ao Cabo de Santo Agostinho no litoral de Pernambuco feita por Vicente Yáñez Pinzón. A leste do cabo aparece, desconectada do continente, a Ilha de Vera Cruz (Ysla descubierta por portugal). thumb|260px|direita|A Praia de Calhetas está situada na face norte do Cabo de Santo Agostinho, local da descoberta do Brasil pelo navegador espanhol Vicente Yáñez Pinzón em 26 de janeiro de 1500. O acidente geográfico faz parte do território da cidade pernambucana homônima, na Região Metropolitana do Recife. Em 1498 a Coroa Espanhola decide permitir que particulares realizassem viagens de descobrimento. Depois de compactuarem em Sevilha com o bispo Fonseca em nome dos Reis Católicos, em 19 de novembro de 1499, Yáñez saiu do porto de Palos de la Frontera com quatro pequenas caravelas, por iniciativa própria e com seus próprios recursos - advindos como recompensa pela descoberta de 1492. Grande quantidade de parentes e amigos o acompanharam, entre eles, como escrivão, Garcí Fernández, o famoso médico de Palos que apoiou Colombo quando ninguém o apoiava. Estavam a bordo seus sobrinhos e capitães Arias Pérez e Diego Fernández Colmenero, filhos de Martín Alonso; seu tio Diego Martín Pinzón com seus primos Juan, Francisco y Bartolomeu; os prestigiosos pilotos Alonso Núñez, Juan Quintero Príncipe, Juan de Umbría e Juan de Jerez, estes últimos três veteranos das três primeiras viagens de Colombo (Bueno, 2006); assim como os marinheiros Cristóbal de Vega, García Alonso, Diego de Alfaro, Rodrigo Álvarez, Diego Prieto, Antón Fernández Colmenero, Juan Calvo, Juan de Palencia, Manuel Valdobinos, Pedro Ramírez e García Hernández.

O jornalista e escritor Eduardo Bueno conta como foi a travessia do Atlântico:

Pinzón avistou o Cabo de Santo Agostinho e ancorou suas naus num porto abrigado e de fácil acesso a pequenas embarcações, com 16 pés de fundo, segundo as indicações da sonda. O referido porto era a enseada de Suape, localizada na encosta sul do promontório, que a expedição espanhola denominou Cabo de Santa María de la Consolación. A Espanha não reivindicou a descoberta, minuciosamente registrada por Pinzón e documentada por importantes cronistas da época como Pietro Martire d'Anghiera e Bartolomeu de las Casas, devido ao Tratado de Tordesilhas, assinado com Portugal.

O mapa de Juan de la Cosa, carta do século XV, mostra a costa sul-americana enfeitada com bandeiras castelhanas do Cabo da Vela (na atual Colômbia) até o extremo oriental do continente. Ali figura um texto que diz "Este cavo se descubrio en año de mily IIII X C IX por Castilla syendo descubridor vicentians" ("Este cabo foi descoberto em 1499 por Castela sendo o descobridor Vicente Yáñez") e que muito provavelmente se refere à chegada de Pinzón em finais de janeiro de 1500 ao Cabo de Santo Agostinho.

Durante a noite após o desembarque, perceberam grandes fogueiras queimando à distância, na linha da costa à noroeste. Na manhã seguinte zarparam naquela direção até chegarem a um belo rio, batizado por Pinzón de "rio Formoso". Na praia, às margens do rio, registrou-se um violento combate com os índios locais, pertencentes à tribo dos potiguaras.

Infletindo para o Norte, Pinzón atingiu, em fevereiro, a foz do Rio Amazonas, a qual denominou de Mar Dulce, de onde prosseguiu para as Guianas e, daí, para o Mar do Caribe. Na costa do Brasil, Pinzón teria capturado 36 indígenas.

Sobre as fontes Relatos desta viagem aparecem em várias crônicas do século XVI. O principal relato é o que aparece em De Orbe Novo Decades Octo (As Oito Décadas do Novo Mundo), obra escrita em 1501 pelo milanês Pietro Martire d'Anghiera, o mais próximo dos fatos, e baseado em relatos de testemunhas oculares, entre eles o próprio Vicente Yáñez. Outro "entrevistado" foi seu primo Diego de Lepe, capitão que realizou uma viagem "gêmea" à de Pinzón, saindo de Palos um mês e meio depois seguindo Pinzón e chegando antes dele ao rio Amazonas. Outro relato importante é o de Gonzalo Fernández de Oviedo na sua Historia General y Natural de las Indias, pois "conheceu e esteve com" Pinzón, que lhe proporcionou muitos dos fatos narrados na sua obra. Já as crônicas de Bartolomeu de las Casas e Antonio de Herrera y Tordesillas se baseiam em parte no depoimento de Anghiera.BUENO, Eduardo. Náufragos, Traficantes e Degredados. Rio de Janeiro: Objetiva, 2006. Nota de fim número 1, pg. 150. Informações bibliográficas sobre a obra de Anghiera também disponíveis em .

Consequências da viagem de 1499-1500 Apesar de Cristóvão Colombo já ter sido nomeado virrey (vice-rei) das Índias, os Reis Católicos tinham pressa para encontrar uma passagem para as regiões produtoras de especiarias no Oriente - tanto que haviam autorizado expedições exploratórias particulares para o Novo Mundo, como a de Pinzón. Para isso, logo depois da descoberta das novas terras por Ojeda, Pinzón e Lepe, em 1501 criaram duas gobernaciones na costa norte da América do Sul, sem o consentimento ou conhecimento de Colombo: a Gobernación de Coquibacoa, na costa da Venezuela, concedida a Alonso de Ojeda, e outra, Gobernación de Vicente Yáñez Pinzón, na costa norte do Brasil, para Pinzón.

A viagem de Pinzón, apesar da sua enorme importância para o conhecimento geográfico do Novo Mundo, havia sido um desastre financeiro, a ponto de uma biografia se referir a um "muy serio quebranto experimentado en 1500".PASCUAL, Emilio S. Exploradores y viajeros por España: 1492, Vicente Yáñez Pinzón , Biblioteca Virtual Miguel de Cervantes. Apesar disso, os Reis estavam interessados na posse daquela imensa costa, e assim o estimularam a voltar a ela. O acordo em que a concessão das terras foi feita, é de 5 de setembro de 1501 e, dentre outras coisas, os Reis o nomeavam Capitão e Governador de região entre o tal cabo de Santa María de la Consolación e a foz do Amazonas, e lhe concediam a sexta parte de todos os produtos que se obtivessem naquela terra, sempre que voltasse a ela, desde que o fizesse dentro de um ano, a partir daquela data. Adicionalmente, para o recompensar pelas descobertas e o encorajar, na sexta-feira dia 8 de outubro de 1501, Pinzón foi nomeado cavaleiro pelo rei Fernando, o Católico, na torre de Comares de Alhambra, o Palácio Real de Granada. Abaixo estão trechos do original:

No entanto, Pinzón não pode ou não quis realizar nenhuma outra viagem para aquelas terras. Geralmente se acredita que não a tenha feito impedido pela falta de recursos. No entanto, como seguramente Pinzón tinha acesso a crédito, ainda que a altos juros, possivelmente o fato de aquelas terras estarem seguramente dentro das possessões portuguesas de acordo com o Tratado de Tordesilhas, tenha também inibido o empreendimento. Portanto, a concessão foi anulada:

Teorias acerca do descobrimento do Brasil por Pinzón O local avistado por Vicente Yáñez Pinzón é contestado por algumas teorias. O primeiro historiador brasileiro a questionar o desembarque do navegador espanhol no Cabo de Santo Agostinho foi o Visconde de Porto Seguro, Francisco Adolfo de Varnhagen, em meados do século XIX. Embora Varnhagen reconhecesse que Pinzón esteve no Brasil antes de Cabral, no seu pensamento o Cabo de Santa María de la Consolación seria a Ponta do Mucuripe, na cidade de Fortaleza. A tese foi aceita por nomes como Capistrano de Abreu, mas contestada por muitos historiadores.