196x196px|thumb|Nossa Senhora com o Menino Jesus, ícone da Rússia 226x226px|thumb|Anjo com Cabelos Dourados, ícone russo, Museu Russo, São Petersburgo

Ícone, termo derivado do grego εἰκών (eikon, imagem), no campo da arte pictórica religiosa identifica uma representação sacra pintada sobre um painel de madeira. No Ocidente, ícone pode também ser qualquer imagem (seja estátua ou pintura) de representação religiosa, e não pode ser confundida com o ídolo.

O ícone é a representação da mensagem cristã descrita por palavras nos Evangelhos. Se trata de uma criação bizantina do século V, quando da oferta de uma representação da Virgem, atribuída pela tradição a São Lucas. Quando da queda de Constantinopla em 1453, foi a população dos Bálcãs que contribuiu para difundir e incrementar a produção desta representação sacra, sendo na Rússia o local onde assume um significado particular e de grande importância. O simbolismo e a tradição não englobam somente o aspecto pictórico, mas também aquele relativo à preparação espiritual e aos materiais utilizados.

O maior pintor russo de ícones foi Andrei Rublev.

Origem dos ícones As imagens sempre foram muito defendidas pela Igreja, como sendo a "bíblia dos que não sabem ler". São João Damasceno foi um dos maiores iconófilos de todos os tempos, que defendia o culto aos ícones, no . As primeiras pinturas sacras cristãs surgiram no século II, como mostram as catacumbas de Santa Priscila em Roma. Provavelmente, os cristãos incorporaram dos judeus, a arte da pintura mural e mosaicos, já que na época que o Cristianismo estava se formando, muitas sinagogas judias como a Sinagoga de Dura Europo e Beth-Alpha, começaram a utilizá-los.

No judaísmo Segundo a Bíblia, os ícones e imagens de escultura eram fabricados pelos judeus. Fabricavam muitos anjos e leões. Na arca da aliança, fizeram a imagem de dois querubins (Êxodo 25,18-22; Êxodo 37,7-9); O templo de Salomão, era cheio de ícones, principalmente de esculturas (1 Reis 6,23-35;1 Reis 7,29;1 Reis 7,36; 1 Reis 10,18-20;1 Reis 7,23-26;1 Reis 7,31;2 Crônicas 3,7; 2 Crônicas 3,10-13; 2 Crônicas 4,2-4); Deus mandou Moisés fez uma imagem sagrada para o judaísmo, que quando o judeu olhava para ela se curava (Números 21,4-9) e o próprio Jesus se comparava com tal imagem (João 3,14-15). Também, no templo profetizado por Ezequiel, que foi provavelmente o Segundo Templo, também possuía imagens (Ezequiel 41,17-20). Deus também mandou os judeus fazerem vários outros tipos, de imagens, não só as de escultura, mas também as bordadas (2 Crônicas 3,14; Êxodo 26,1; Êxodo 26,31; Êxodo 36,8; Êxodo 36,35).alt=Ícone judeu do ou III, presente na Sinagoga de Dura Europo, que representa o momento em que o Moisés foi tirado do rio, pela filha do faraó|thumb|247x247px

Também, é sabido que os judeus se ajoelhavam para a arca que continha imagens (Josué 7,5-6), e faziam procissões com ela (Josué 6,4; Números 10,33-34; Josué 3,3; Josué 6,4; Josué 6,9). Isso tudo, contribuiu para que os judeus dessem essas ideias para os cristãos.

Sinagogas que regulam com o período do Cristianismo Primitivo, como: Bet-Alfa, Gérasa, Naara e a famosa sinagoga de Dura-Êuropos, são exemplos de sinagogas repletas de pinturas e mosaicos. O Dr. Jodi Magnees, da North Carolina University (EUA), em parceria com arqueólogos da Israel Antiquities Authority (Autoridade de Antiguidades de Israel), achou uma sinagoga do período 4 a.C ou 11 a.C., com um mosaico, de uma representação de Sansão, mostrando que os judeus faziam imagens, principalmente pinturas.

Provavelmente eles 'doaram' este costume para o Cristianismo da época, que 'doou' para os cristãos atuais.

No Cristianismo Primitivo Os cristãos quase sempre veneraram as imagens. Eusébio de Cesareia, relata, que desde antes do seu século (), os cristãos já veneravam as imagens, embora ele, particularmente, fosse contra. As catacumbas eram repletas de representações de cenas bíblicas, como é o Caso da pintura da Virgem e do Menino, datada da segunda metade do . Santo Agostinho, um dos maiores cristãos e pais primitivos falou sobre o assunto:alt=Ícone de São Paulo, dos séculos II ou III, em uma das catacumbas romanas.|thumb|247x247pxTambém vê com naturalidade as imagens, e reconhece que em Roma são veneradas imagens:Atanásio de Alexandria (296-373) foi bispo de Alexandria e o mais proeminente teólogo do século IV. São João Damasceno preserva uma citação onde Atanásio mostra de forma clara o mesmo argumento que o atual catecismo da Igreja católica nos trás:Também lembra:Basílio Magno (329-379), também nos lembra, o culto cristão às imagens:São Jerônimo também descreve sobre as imagens dos Apóstolos como ornamentos bem conhecidos das igrejas (In Ionam, IV).

Por fim, quem mostra que os cristãos sempre veneraram os ícones é São Gregório Magno (540-604):

Características gerais 270px|thumb|Nossa Senhora das Neves O ícone era pintado sobre um painel de madeira, geralmente larice ou abeto. Sobre a superfície aplainada era feito o desenho e começava-se a pintura pela aplicação do dourado, geralmente nas bordas, detalhes das roupas, fundo e resplendores ou coroas. Então se pintavam as roupas, construções e a paisagem de fundo. A última etapa era a aplicação do branco puro na face e mãos. O efeito tridimensional era alcançado misturando ocre ao branco e aplicando essa tinta mais escura nas maçãs do rosto, nariz e testa. Uma fina camada de verniz avermelhado dava o sutil acabamento final a lábios, face e ponta do nariz. Um verniz marrom era usado no cabelo, barbas e detalhes dos olhos.

A produção de ícones religiosos era considerada uma arte nobre, que necessitava grande preparação técnica e espiritual. O pintor precisava se purificar de corpo e alma para conseguir a perfeição, achava-se que o divino operava pela mão do pintor, então era inoportuno assinar a obra.

O simbolismo das cores e letras Como na maioria das representações sacras, a cor no ícone assume uma importância fundamental para expressar a intenção do pintor. O azul é a cor da transcendência, mistério divino. O vermelho, sem dúvida a cor mais viva presente nos ícones, é a cor do humano e do sangue dos mártires. O verde é usado como símbolo da natureza, da fertilidade e da abundância. O marrom simboliza o terrestre, o humilde e pobre, branco é a harmonia, a paz, a cor do divino que representa a luz que se avizinha e o preto, decepção e tristeza.

Muitos ícones trazem a inscrição ICXC, forma grega abreviada de Cristo. Também Ø O N, significando ‘’aquele que é’’, aparece no halo cruciforme. Maria é frequentemente identificada com MP OY, mãe de Deus.

A compreensão do significado do ícone pode ser difícil para a ótica da cultura ocidental. Como a pintura impressionista e a arte abstrata, são representações de emoções, de características que não podem ser estabelecidas pelo cânone. Para um artista deste gênero, a luz é uma manifestação divina, não existe o meio tom. Daí a abundância do dourado: a luz é divina.

História Após a legalização do cristianismo pelo imperador Constantino e sua posterior adoção como religião oficial do império por Teodósio I, a arte cristã começou a mudar, não somente em qualidade e sofisticação, como também em natureza, pois os cristãos ficaram pela primeira vez livres para exprimir a sua fé sem as restrições judaicas dos primeiros tempos ou das religiões pagãs do império, que os perseguiram. Pinturas de mártires e seus feitos começaram a aparecer, e a habilidade de imitar a vida causou efeitos duradouros nos novos senhores da fé imperial. É dessa época a primeira representação mencionada da mãe de Jesus, em cerca de 460, quando a esposa de Teodósio II enviou uma imagem da Mãe de Deus de Jerusalém, supostamente pintada por São Lucas.

thumb|250px|São Miguel, Museu Cristão e Bizantino, Atenas Os ícones mais antigos, como os preservados no Mosteiro Ortodoxo de Santa Catarina, são de aparência realista, em contraste com a estilização posterior.

Período iconoclasta e posterior restauração No século VIII, as autoridades do Império Bizantino mudaram totalmente o uso dos ícones, e uma proibição pelo imperador e seu filho durou muitos anos, o chamado período iconoclasta, até ser revogada por um concílio e ser restaurado pela Imperatriz Teodora. Restaurou-se e ampliou a veneração.

Não existem muitos representantes da iconografia de Constantinopla, pelas destruições sistemáticas, sejam pelos iconoclastas, pelas cruzadas ou pelos muçulmanos que tomaram a cidade. Mas não restam dúvidas que foi a partir do século XII que o culto e a produção de ícones se tornaram regra no império, recebendo os melhores e mais ricos materiais e sendo introduzidos nas práticas eclesiásticas. O estilo se tornou severo, hierárquico e distante.

Após a queda de Constantinopla Ao fim do Império Bizantino em 1453, fugindo da invasão muçulmana, a tradição das pinturas foi levada para as regiões previamente influenciadas por Constantinopla: Veneza no ocidente, os Bálcãs e a Rússia ao norte e os restos da cultura que falava grego, principalmente de Creta.

Em Veneza, onde se fundou uma Escola de São Lucas, um tipo de guilda de pintores de influência bizantina, existem referências a encomendas de pinturas no modelo bizantino, e no restante da Itália, pronta para o apogeu do Renascimento, essa influência foi logo superada por Tiziano, Leonardo, Mantegna e outros mestres que levaram a pintura a outro patamar.

Creta especializou-se na pintura de painéis, facilmente transportáveis, dentro da iconografia da igreja ortodoxa. Desenvolveram habilidade em vários estilos, para agradar a vários patrões, e mantiveram a atividade até ceder aos turcos.

Mas foi com certeza na Rússia que o ícone se tornou um objeto de importância ímpar, venerado em igrejas, mosteiros e residências, que costumavam ter vários ícones numa parede ou canto, chamado ‘’krasny ugol’’. Existe um rico e elaborado simbolismo religioso associado aos ícones. Nas igrejas russas, a nave é separada do sanctus por uma parede de ícones chamada ikonostas.

A confecção e o uso de ícones entraram na Rússia por Kiev, a seguir à sua conversão ao cristianismo ortodoxo em 988. Como regra geral, estes ícones seguem estritos modelos e fórmulas consagrados pelo uso, alguns originados em Constantinopla. Com o passar do tempo, os russos alargaram o vocabulário de tipos e estilos.

Artistas medievais Andrei Rublev Daniil Chyorny Prokhor Teófanes, o Cretense Teófanes, o Grego Toros Roslin

Ver também Escola cretense Escola de Novgorod História da pintura Iconóstase Pintura na Rússia Teótoco de Vladimir Triunfo da Ortodoxia

Referências

Ligações externas

História da Iconografia Bizantina

Categoria:Sacramentais