David Frederick Attenborough (Londres, ) é um naturalista britânico. Sua carreira representa a voz e a face dos programas sobre história natural nos últimos sessenta anos. Seus inúmeros trabalhos foram feitos para a rede britânica de televisão BBC, da qual foi diretor de 1965 a 1972.

Histórico Filho de Frederick Levi Attenborough, diretor da Universidade de Leicester, cresceu na casa do campus. Era filho do meio de três irmãos: o mais velho, Richard Samuel Attenborough (diretor e ator de filmes de cinema) e o mais novo John Michael Attenborough. Durante a Segunda Guerra Mundial, foram adotadas mais duas meninas judias refugiadas, que com a mãe, Mary Clegg, formavam a família Attenborough.

Attenborough passou a infância colecionando fósseis e pedras. Recebeu um grande incentivo nessa caçada aos sete anos, quando a então jovem Jacquetta Hawkes admirou sua coleção. Alguns anos mais tarde, uma de suas irmãs lhe deu de presente um âmbar envolvendo uma criatura fossilizada, que mais tarde ele usaria como foco em um de seus programas.

Attenborough estudou na Wyggeston Grammar School for Boys, em Leicester, e se formou em ciências naturais na Universidade de Cambridge. Ele continuou seus estudos no London School of Economics, onde se formou em antropologia entre os anos de 1944 e 1946. Serviu à Marinha Real em 1947, em Gales do Norte, durante seus dois anos de serviço.

Em 17 de fevereiro de 1950 casou com Jane Elizabeth Ebsworth Oriel, com quem viveu até sua morte por derrame, em 16 de fevereiro de 1997. O casal teve dois filhos, Susan e Robert.

Primeiros anos na BBC Depois de sair da Marinha, Attenborough foi contratado por uma editora e lá escreveu livros escolares sobre ciência. Contudo, logo se desiludiu com o trabalho e tentou buscar uma outra oportunidade de vida. Em 1950, aplicou-se ao trabalho como produtor de rádio na BBC. Embora tenha sido rejeitado para este trabalho, seu currículo atraiu o interesse de Mary Adams, chefe de departamento da BBC. Attenborough, como a maioria dos britânicos na época, não possuía televisão e só havia assistido a um programa televisivo até então. No entanto, aceitou a oferta de Adams para três meses de treinamento e, em 1952, juntou-se à BBC definitivamente. Inicialmente desanimado por não aparecer diante das câmeras porque Adams pensou que seus dentes eram grandes demais, tornou-se produtor para o Talks Department, no qual realizou todas as transmissões de não-ficção. Seus primeiros projetos incluíram o programa de perguntas "Animal, Vegetal or Mineral?" e "Song Hunter", uma série sobre música popular apresentada por Alan Lomax.

A associação de Attenborough com programas de História Natural teve início quando produziu e apresentou uma série de três partes chamada “The Pattern of Animals”. Falava sobre os animais do jardim zoológico de Londres, com o naturalista Julian Huxley, e discutiu temas como a camuflagem, aposematismo e outros mecanismos de defesa animal. Por causa desse programa, David Attenborough, junto do curador da casa de répteis do jardim zoológico Jack Lester, decidiu realizar uma série chamada “Zoo Quest”, com a primeira transmissão em 1954.

Em 1957, a BBC Natural History Unit foi formalmente criada em Bristol. Attenborough foi convidado a participar, mas recusou, não querendo se mudar de Londres, onde ele e sua jovem família já estavam estabelecidos. Ao contrário, ele formou seu próprio departamento, a Travel and Exploration Unit, o que lhe permitiu continuar à frente de Zoo Quest, bem como produzir outros documentários, como "Travellers’ Tales" e "Adventure".

No início de 1960, desligou-se do quadro permanente da BBC para realizar uma pós-graduação em Antropologia Social na London School of Economics, intercalando seu estudo com as filmagens. No entanto, aceitou um convite para voltar à BBC como diretor da BBC 2 antes que pudesse terminar o grau.

Administração da BBC Entre 1965 e 1969, Attenborough foi diretor da BBC2. Durante esse tempo foram exibidos programas como: "Match of the Day", "Civilisation", "The Ascent of Man", "The Likely Lads", "Not Only… But Also", "Man Alive", "Masterclass", "The Old Grey Whistle Test" e "The Money Programme". Essa diversidade de programas reflete o pensamento de Attenborough de que a programação da BBC 2 deve ser a mais variada possível. Em 1967, sob seu comando, a BBC 2 foi o primeiro canal de TV no Reino Unido a transmitir a cores.

Entre 1969 e 1972 foi diretor de programação da BBC Television. Por fim, rejeitou uma proposta de promoção para diretor-geral da BBC. No ano de 1972 Attenborough renunciou ao seu posto e voltou a ser um criador e apresentador de programas.

Principais documentários A principal série sobre a vida no planeta foi a trilogia formada por: Life on Earth (1979), The Living Planet (1984) e The Trials of Life (1990). Esses examinam, respectivamente, a taxonomia e filogenia, a ecologia e os estágios da vida.

Em adição a essa trilogia, Attenborough escreveu e apresentou documentários mais especializados, incluindo: "Life in the Freezer" (1993), "The Private Life of Plants" (1995),"The Life of Birds" (1998), "The Life of Mammals" (2002), "Life in the Undergrowth" (2005) e "Life in Cold Blood" (2008). A série "Life", como é conhecido o conjunto de todas as séries mencionadas anteriormente, dispõe de 79 programas no total.

Attenborough também tem escrito e apresentado outras produções fora da série "Life". Um dos primeiros, depois de seu retorno aos programa foi "The Tribal Eye" (1975), o que lhe permitiu expandir o seu interesse pela arte tribal. Outros incluem "The First Eden" (1987), sobre a relação do homem com o habitat natural do Mediterrâneo, e "Lost Worlds, Vanished Lives" (1989), que demonstrou a paixão de Attenborough por descobrir fósseis. Em 2000, a série "State of the Planet" analisou a crise ambiental que ameaça a ecologia da Terra. O naturalista também narrou duas outras séries significativas: "The Blue Planet" (2001) e "Planet Earth" (2006). Este último foi a primeira série de história natural a ser feita inteiramente em alta definição.

Em maio-junho de 2006, a BBC transmitiu a série de dois capítulos denominada "Climate Chaos", que aborda o tema aquecimento global. Em "Are We Changing Planet Earth?" e "Can We Save Planet Earth?", Attenborough investigou o assunto e apresentou algumas soluções potenciais. Voltou aos locais de algumas das suas produções anteriores e descobriu o efeito que a mudança climática teve sobre eles.

Em 2007, Attenborough apresentou "Sharing Planet Earth", o primeiro programa de uma série de documentários intitulada "Saving Planet Earth". Mais uma vez ele usou imagens de sua série anterior para ilustrar o impacto que a humanidade tem tido sobre o planeta. "Sharing Planet Earth" foi transmitido em 24 de junho de 2007.

"Life in Cold Blood" é a última grande série de Attenborough. Em uma entrevista para promovê-la, ele declarou:

No entanto, em entrevistas posteriores na "Radio Times", "Parkinson" e em "Friday Night with Jonathan Ross", disse que não pretende aposentar-se completamente e, provavelmente, continuará a fazer programas ocasionais.

Seu documentário seguinte, "Charles Darwin and the Tree of Life" (que analisa o desenvolvimento da teoria da evolução de Darwin), foi transmitido em 1 de fevereiro de 2009. Attenborough trabalhou como narrador também em "Nature's Great Events", uma série de seis partes transmitida em fevereiro de 2009 na BBC One e BBC HD. Também narrou e escreveu o documentário "Uncovering Our Earliest Ancestor: The Link", sobre o fóssil da espécie de primata recém-descoberta Darwinius masillae.

Ainda em 2009, a série de 10 capítulos escrita e narrada por Attenborough intitulada "Life" irá ao ar no Reino Unido. Com estreia marcada para 2011, a série de seis capítulos "The Frozen Planet" está sendo escrita e narrada por Attenborough.

Outros trabalhos Em 1975, Attenborough apresentou uma série para crianças chamada Fabulous Animals. Esse documentário mostrou um desviou do estilo de David, pois tratava de criaturas místicas e lendárias como, por exemplo, Grifo e Kraken.

A partir de 1983, Attenborough trabalhou em dois musicais com temática ambiental com a WWF e com os escritores Peter Rose e Anne Conlon. "Yanomamo" foi o primeiro, sobre a floresta amazônica, e a segunda, "Ocean World", estreou no Royal Festival Hall em 1991. Ambos foram narrados por Attenborough em sua turnê nacional, e gravados em fita cassete. "Ocean World" também foi filmado e transmitido pelo Channel 4.

Entre 1977 e 2005, Attenborough também produziu, narrou e eventualmente apresentou por volta de 250 capítulos de meia-hora para uma série chamada "Wildlife on One".

Em janeiro de 2009, a BBC pediu a Attenborough para fornecer uma série de dez monólogos de 20 minutos sobre história da natureza. Estes monólogos foram transmitidos pela Radio 4.

Attenborough também tem uma coluna na revista "BBC Wildlife".

Realizações, concessões e reconhecimentos 1970: BAFTA Desmond Davis Award 1974: Commander of the Order of the British Empire (CBE) 1979: BAFTA Fellowship 1980: Honoris causa Doctor of the University da Open University 1983: Membro da Royal Society (FRS) 1985: Cavaleiro Celibatário 1991: Commander of the Royal Victorian Order (CVO) por ter produzido a Mensagem de Natal da Rainha Elizabeth II de 1986 até 1991 1996: Companion of Honour (CH) "pelos serviços prestados à História Natural" 2000: International Cosmos Prize 2003: Michael Faraday Prize oferecido pela Royal Society 2004: Descartes Prize por Outstanding Science Communication Actions 2004: Caird Medal do National Maritime Museum 2005: Order of Merit (OM) 2005: Nierenberg Prize pela dilvugação científica para o público em geral 2006: National Television Awards Prêmio de Reconhecimento Especial 2006: Institute of Ecology and Environmental Management – Medalha Institucional em reconhecimento à sua notável contribução pelo entendimento público de ecologia 2006: The Culture Show Ícone Vivo Britânico 2007: British Naturalists' Association Peter Scott Memorial Award 2009: BAFTA por "Life In Cold Blood" 2009: Prince of Asturias Award Em 13 de julho de 2006, Attenborough, junto de seu irmão Richard, recebeu o título de Distinto Membro Honorário da Universidade de Leicester “no reconhecimento de um distinto serviço continuo a univerdade”. Attenborough havia recebido previamente em 1970 o título de Doutor Honorário de Letras. Em 1993, após ter descoberto que o réptil Plesiosaurus conybeari, que viveu na era Mesozoica, na verdade não era um plesiossauro, o paleontólogo Robert Bakker rebatizou a espécie de Attenborosaurus conybeari, em homenagem ao naturalista. Também em homenagem a ele, uma das três espécies de equidna-de-bico-longo foi batizada com o nome científico Zaglossus attenboroughi. Em 2008, o Museu de História Natural de Londres inaugurou o David Attenborough Studio. Uma votação com 4900 britânicos feita pela revista Reader’s Digest em 2006 mostrou que Attenborough é a celebridade de maior confiança da população da Grã-Bretanha. Em uma outra lista feita pela revista New Stateman, também em 2006, mostra que era o décimo candidato mais votado na lista de “heróis de nosso tempo”. Sugere-se frequentemente que na sua longa carreira na produção de documentários sobre história natural faz com que seja o homem mais viajado de toda a história. Suas contribuições para o mundo foram reconhecidas no documentário “Life on Air”, transmitido em 2002 junto com a publicação da autobiografia de Attenborough. Para o documentário, o naturalista foi entrevistado em sua casa por seu amigo Michael Palin. Usaram partes memoráveis dos documentários de Sir David e também houve contribuição de seu irmão Richard e de seus colegas profissionais.