Rio-Nal é a denominação do maior e mais tradicional clássico do futebol amazonense, o qual também é o mais antigo da Região Norte. É disputado entre o Atlético Rio Negro Clube e o Nacional Futebol Clube, os dois maiores campeões estaduais do Amazonas, ambos da cidade de Manaus.
História Os dois clubes são os únicos remanescentes da primeira edição do Campeonato Amazonense de Futebol, realizada no longínquo ano de 1914. Naquele ano as equipes ainda não se equivaliam em força, uma vez que nos primeiros confrontos a equipe azulina venceu por boa margem o rival alvinegro. A situação começou a mudar no campeonato amazonense de futebol de 1917 quando ambos lutaram ponto a ponto pelo título; a briga foi tanta que o clássico daquele ano precisou ser remarcado para definir o real campeão, porem, a liga foi dissolvida antes do match acontecer e o Nacional é até hoje homologado o campeão. Em 1918, a edição do dia 15 de Março do Jornal "O Imparcial" noticiava assim o encontro: O Encontro Nacional versus Rio Negro - Realizar-se-á no próximo domingo o primeiro encontro entre estes dois clubes, no presente campeonato. É enorme a ansiedade com que é esperado, justificada, aliás, pelo facto de serem elles os mais valentes adversários do nosso meio desportivo.
Em 26 de Setembro de 1971, agora cerca de seis décadas após o primeiro clássico, o Jornal do Comércio voltava a enfatizar a grandeza do confronto quando em sua capa disse o seguinte: "Rio-Nal é a festa esportiva da cidade. São os dois clubes da massa, os dois maiores rivais do futebol amazonense". Este jogo valeu a "Taça Vivaldo Lima" e teve o recorde de público em partida amistosa de clubes locais.
Numa crônica esportiva vinculada 29 de Abril de 1974 no Jornal do Commercio, chamada de "Fofocas do Esporte" assinada por "Mendes" é analisado mais um clássico a ser realizado naquele dia, onde o autor fala que "depois de um grito qualquer sobre esse clássico que, segundo os 'entendidos' do futebol, o Rio Negro pode estar com uma equipe da pior espécie, mas não perde nunca pro Nacional" e continua dizendo que "este é um fator psicológico que, na maioria das vezes influi grandemente na equipe nacionalina. Mas, enfim, um clássico é um clássico e hoje teremos um senhor RIO-NAL".
O nome Rio-Nal O clássico passou a atender pela alcunha de "Rio-Nal" por volta de 1968. A ideia partiu de Guilherme Gadelha, subsecretário do Jornal do Commercio. De acordo com Carlos Zamith, que era jornalista do mesmo periódico, Gadelha lhe perguntou "coleguinha, que tal se eu colocar Rio-Nal neste espaço que está sobrando?". Segundo Zamith "O título da página esportiva era sobre o jogo. Gadelha utilizou um clichê antigo de seis colunas, com a palavra emocionante. Como faltava completar o espaço de duas colunas para a manchete, Gadelha chamou-me e fez a pergunta". A partir dali o nome passou a ser utilizado pela imprensa local. A inspiração para o nome teria sido o Clássico Grenal, de Porto Alegre.
O Primeiro Rio-Nal O primeiro confronto entre as duas equipes ocorreu no dia 1º de Março de 1914, um domingo, e foi promovido pela Liga Amazonense de Football(LAF) que até então era a entidade que comandava o futebol amazonense. O confronto foi válido pelo primeiro Campeonato Amazonense de Futebol e foi disputado no campo do Bosque Municipal (na atual Avenida Constantino Nery). É o confronto mais antigo entre clubes ainda em atividade na Região Norte. O resultado desse jogo histórico foi de 9 a 0 a favor do Nacional. Segundo historiadores, o Rio Negro vinha com um grupo de garotos ainda inexperientes no esporte. Os gols da segunda maior goleada da história do clássico foram todos da equipe nacionalina: 5 de Cícero, 3 de Paulo e 1 de Cazuza.
A maior goleada A maior goleada da história do clássico ocorreu no dia 19 de Abril de 1914, era o segundo confronto entre os dois e foi válido pelo returno do Campeonato Amazonense de Futebol daquele ano. O Nacional voltou a vencer o Rio Negro por placar elástico, desta vez por 12-0. O Galo jogou todo o primeiro tempo com apenas 9 jogadores em campo e terminou perdendo por apenas 1 a 0. Já no segundo tempo, agora com o time completo, o clube barriga preta tomou outros 11 gols.
Os marcadores dos gols do Nacional foram: Cícero - 5' gols, Linares - 3' gols, Cazuza - 3' gols e Paiva - 1'gol.
Primeira desavença em 1917 Depois de ser um mero participante nos campeonatos de 1914 a 1916, o Rio Negro mudou sua postura e veio forte para o Campeonato de 1917. Neste o clube disputou a taça e viu no Nacional (que foi campeão de 1916) o seu principal adversário. Em campo, o "Naça" levou, mas o "Galo" protestou na liga pedindo anulação da partida entre os dois e a realização de um novo confronto. Dias depois a liga foi dissolvida e nada foi decidido quanto ao problema entre as equipes, sendo que chegou-se a especular que os dois clubes poderiam se considerar campeões da temporada.
Partida em duas datas e campeão no último minuto Pelo campeonato de 1939 uma partida decisiva seguia empatada em 4 a 4, resultado que daria o título ao Rio Negro, até que um pênalti foi assinalado em favor do Nacional. Cláudio Coelho, jogador do "galo" resolveu "confiscar" a única bola do jogo e não deixou o time do Nacional bater a penalidade, levando à suspensão da partida. A questão foi decidida no tribunal, o que já vinha se tornando um hábito e ficou decidido que os times deveriam disputar os 15 minutos restantes, iniciando com a cobrança do pênalti. A partida reiniciou com o pênalti sendo cobrado e assinalado por Pedro Sena, colocando o "Naça" a frente em 5 a 4. Logo em seguida, em rápida saída de bola o galo voltou a empatar com Cláudio. A partida seguiu assim, em 5 a 5, até os últimos instantes. Dirigentes e alguns torcedores do "Galo" já iniciavam uma comemoração quando faltando menos de um minuto para o termino da partida o Nacional voltou a marcar, desta vez com Emanuel, e fechou o placar em 6 a 5, se consagrando campeão da temporada.
A segunda maior goleada do profissionalismo, Rio Negro 7–2 Nacional A data de 22 de Agosto de 1965, um domingo, marcava um novo encontro entre os dois velhos rivais. O Rio Negro vinha de derrota por 3 a 0 para o São Raimundo. O alvinegro se reforçou e na sequencia, com Sabá Burro Preto e Edson Angelo, o Rio Negro seguiu para o embate contra o Nacional. O jogo foi dominado pelo "Galo" que ao final do primeiro tempo já marcava 3 a 1. Os torcedores do "Naça" culpavam o goleiro Marcus pela derrota parcial, pois segundo eles o jovem teria ingerido bebida alcoólica antes da partida, e no seu lugar entrou o veterano Chicão para o Segundo tempo. Com outro goleiro, o Nacional, que esperava melhorar sua atuação, se decepcionou, o score foi aumentado para 7 a 2. Após o apito final os torcedores do "barriga-preta" desceram a antiga Rua Belém rumo a Praça da saudade cantarolando "É freguês, É freguês, seremos campeões! " O clube Alvinegro foi, de fato, o campeão da temporada em uma final com o mesmo Nacional, com nova goleada, desta vez vencendo por 4 a 1.
Times: Rio Negro — Clovis, Valdér, Edson Ângelo (estreante), Catita e Damasceno; Ademir e Rubens; Nonato, Thomaz, Sabá Burro Preto (estreante) e Horácio. Nacional — Marcus (Chicão), Téo, Russo, Jayme Basílio e Vivaldo; Hugo e Ribas; Maneca, Dernilson, Holanda e Quisso (Lacinha).
Voltaram para casa A partida de 27 de Abril de 1969, válida pela Taça Amazonas, estabeleceu um novo recorde de público pagante em partidas de futebol disputadas em solo amazonense: 23.152 pessoas compraram ingresso, público superior inclusive ao do Santos quando esteve na capital amazonense com Pelé. O Estádio Ismael Benigno estava superlotado, isso porque muitos torcedores não conseguiram adentrar no estádio. A partida era válida pela Taça Amazonas de 1969 e terminou empatada em 0 a 0.
Amistoso em casa cheia Em 26 de Setembro de 1971 foi realizado um amistoso entre as duas equipes, com preliminar de Olímpico Clube e São Raimundo. O jogo valeu a Taça Vivaldo Lima. A partida atraiu a atenção da população, que compareceu em grande número, chegando à marca de 30.003 pagantes, estabelecendo um recorde de público para amistosos envolvendo dois clubes locais. A partida terminou empatada em 2 a 2, e como valia taça, houve desempate por pênaltis, onde o Galo acabou vencendo, por 2 a 1.
Rio Negro tirou o Nacional em 1987 Em 7 de Novembro de 1987 ocorreu mais um clássico, desta vez pelo Campeonato Brasileiro de Futebol de 1987 - Módulo Branco. O Galo já se encontrava eliminado da competição, e ao Nacional bastava uma vitória simples no clássico para se classificar. Porem, o Rio Negro, que ainda não havia vencido no torneio, resolveu dificultar as coisas, fazendo o primeiro gol da partida, com Curió aos 32 minutos do primeiro tempo. No segundo tempo, segundo os jornais de Manaus, o árbitro marcou um pênalti considerado inexistente em favor do Rio Negro, que ampliou para 2 a 0; ainda fez mais o juiz expulsando dois atletas azulinos. Vendo a classificação distante, o Nacional ficou rendido e nos acréscimos o Galo fez mais um, com Tonho, contrariando as expectativas e aplicando uma goleada no maior rival, que acabou sendo também eliminado.
A terceira maior goleada do profissionalismo, Rio Negro 6–1 Nacional A goleada do Rio Negro acabou com o sonho do rival: Era a última rodada do quadrangular final do Campeonato Amazonense de 1992. O Rio Negro chegava a última rodada já sem chances de título, e o Nacional precisava vencer e torcer para o Sul América não vencer o São Raimundo para conquistar a taça. A partida foi disputada no dia 6 de dezembro de 1992, e o Rio Negro acabou com todas as chances de título do rival aplicando uma goleada histórica por 6 a 1.
A maior goleada do futebol profissional, Nacional 7–0 Rio Negro O jogo era mais uma prova da infinita crise alvinegra, o Galo na zona de rebaixamento entrou em campo sabendo que o máximo que poderia fazer era perder por poucos gols, pois, além de ter um elenco fraco, parte dos titulares desfalcavan a equipe. O técnico Iane Geber Jamel, que jogou pelo clube nos anos 1980 chegou a dizer que levou o time a campo para o clube não desistir do restante do campeonato. No dia 18 de Fevereiro de 2012 em campo, o Rio Negro começou atacando, porem não resistiu muito, pois aos 16 minutos do primeiro tempo o Nacional abriu o placar com o meia Hugo, dai para frente foi só se confirmar a goleada, o Nacional era um dos líderes do Campeonato e buscava uma boa classificação, e foi justamente o que aconteceu, o Nacional acabou sendo o campeão do 1° turno e o Rio Negro acabou na lanterna.
18 de Fevereiro de 2012(15:00 h) - Nacional 7–0 Rio Negro - Estádio do SESI - 567 pagantes.
Clássico centenário Em 16 de Fevereiro de 2013 o clássico abriu o Campeonato Amazonense de Futebol. A partida também valeria uma taça, a "Taça Centenário" realizada em homenagem aos dois clubes que completaram 100 anos naquele ano. Por conta das obras nos principais estádios, o clássico foi disputado no modesto Estádio do SESI, que oficialmente comportava até 4.500 pessoas. Acontece que o jogo recebeu um público superior a 6 mil pessoas e inclusive alguns torcedores tiveram que voltar do portão do estádio. A partida foi vencida pelo Nacional por 2 a 0.
Melhor o sol do que do lado do rival.